Do Verbo à Macaca

agosto 11, 2008

(ou a certidão de batismo de uma criatura matreira e perspicaz)

Imagens Web

Quando dei por mim, as palavras corriam soltas por meus dedos. Nada as faria parar – de jeito “manera”. Êxtase! Eu carrego tanto a toda hora. Sempre em dia com a vontade de extravasar meu conteúdo, transbordar minha psique por meio da dita e universal: p-a-l-a-v-r-a. Vivo de alimentar os miolos com o ingrediente básico do texto de qualquer jornalista – a vida, ou, mais em específico, o cotidiano. Inundar as vistas de realidade é contar com o papel e a caneta como instrumentos de transformação. Não há escapatória. Toda letra escorrega sem querer do corpo para o papel se percebe que nele há espaço para uma boa ideia, seja ela qual for, venha donde vier, tenha a forma, o gosto, o cheiro, a textura e o peso que tiver. Ideias têm, por si, a força abençoada de uma perspectiva original, um olhar único, uma composição autêntica.

Eu, particularmente, acredito no desbravar de mundo desnudo e sem amarras. Evito penduricalhos de qualquer espécie. Para escrever, componho-me apenas do ser e estar. A escolha revela consequências drásticas, por certo. Esticar o verbo hoje em dia é tarefa árdua. A contemporaneidade explora vícios invisíveis. A maioria categoricamente medíocre. Falta a ela a peça principal para o crescimento, a maturação, o desenvolvimento crítico e criativo do indivíduo: a imaginação. A danada escapoliu de um contingente absurdo de pessoas por falta de espaço, tempo, saber, informação, estímulo, hábito, saco, e as faltas seguem curso por meio de uma lista infindável de itens. No ritmo enfadonho da atualidade: tudo falta. Corre-se para cá e lá. De repente, foi-se o dia.

O corpo e a mente clamam por uma relação harmônica – para isso foram feitos -, mas vivem em trânsito caótico. Há quem se adapte a este sistema cartesiano com perfeição. Há gente para tudo. Eu, penso que felizmente, embora saiba que ei de morrer pela boca da pele, sou da tribo de contorcionistas que vive quebrando a cara porque teima em ser para além do ponto, porque ama a vírgula, o ponto e vírgula, a reticência e todos os sinais que simbolizam a continuidade.

Sou uma jornalista em início de carreira. Em alguns momentos, confesso que nem parece. Fato concreto é saber que a vida sempre foi e será a grande escola, por mais que se estude e aperfeiçoe a técnica. Pela frente, alvoroçam-se os turbilhões. Às vezes, tenho saudade da menina que fui. Como era bom sapequear fagueira e certa de que na hora da fome bastava uma corridela e lá estavam os quitutes de vovó a minha espera. Crescer apavora. Não é tarefa fácil dar passos, tomar direção, definir, estabelecer, decidir, adquirir senso e responsabilidade.

Olho para mim e vejo a mulher, pessoa, profissional e cidadã na qual me tornei. Enxergo no conjunto força e dignidade. A gana de fazer, trilhar, traçar, lutar pelo que quero e sou corre quente os canais de minha constituição pra lá de humana. Por mais que os insucessos me dilacerem, eu prefiro a existência visceral à monotonia da indiferença.

Tomei a iniciativa de criar um blog. Os meios surgem do inusitado e foi com esse espírito que eu montei o meu aparato cibernético personalizado. O blog tomou fôlego porque uma boa ideia acaba de ser registrada em cartório. Chama-se a macaca. Este blog é a certidão de batismo da macaca, uma personagem que a jornalista que vos fala inventou após travar conversa afiada com um ex-colega de trabalho – devorador contumaz da inquieta palavra. O doido mais divertido que eu conheci.

Pois bem. O que será da símia recém-nascida? Não sou adepta de previsões. Posso adiantar, contudo, que farei bocados para que a bichana conquiste o seu lugar ao sol. Ela merece. A propósito, ela sou eu. Com orgulho, apresento-me-a aqui. Ratifico, “a certidão foi lavrada em cartório do céu”. Pelo menos, é o que imagino ter acontecido. Seja-sou bem-vinda!

Usarei meu simpático espaço – desde já anexado à world wide web – de forma livre e apaixonada, responsável e ética, atenta e bem humorada. Sou pacífica, otimista, curiosa, levada e dou fé ao trabalho e à ação de todos aqueles que acreditam e lutam aberta e incansavelmente por um mundo melhor. Olé!