Movido a Vinho

julho 12, 2015

Hoje, o destaque lá na fanpage da Nascente vai para o fotógrafo, amigo, chapa, irmão Tom Alves. O registro de fim de tarde é do lote 57, em Tuiuty, na serra gaúcha. A área de sete hectares leva o visitante a uma das melhores viagens pela história da colonização italiana no Brasil. A família Tomasi produz vinho no porão de casa, local em que recebe a quem chega com o famoso merendim, lanche típico repleto de delícias caseiras como pão, salame e queijo. Espaço mais do que convidativo para a degustação de um belo vinho artesanal.

Acesse a reportagem na íntegra aqui.

 

fazenda dos tomasi

 

Fotos Internet
 
 

Capítulo de hoje: o mundo está cada vez mais ro-ro-ro (eco do quadrilátero)

A macaca encosta a cabeça no tronco de seu aposento e resmunga: – Parece piada. Mas não é. Os jornais diários estampam manchetes do mundo cão sem dono. – Onde já se viu um ex-governante receber benefícios vitalícios mesmo tendo exercido o cargo por irrisórios 10 dias?Chega a beirar o absurdo de tão surreal. O Estado pesa nos ombros e onera os bolsos do contribuinte brasileiro em níveis descarados. A torneira aberta nas fuças da população não cessa a jorrar fortunas usadas para cobrir gastos de políticos que fizeram do serviço público uma profissão de carreira. Quantos ex-governadores, ex-presidentes, ex-ministros e ex (de tudo um pouco) existem no País? Pois as pensões destes cidadãos variam, para o resto de suas vidas, de R$ 15 mil a R$ 24 mil. Não suficiente, as mesmas são estendidas aos parentes do titular após registro de seu óbito. – Acredite se quiser. Quá!

Em Santa Catarina, a filha do ex-governador Hercílio Luz, morto em 1924, recebe do Governo uma quantia mensal de milhares de reais desde o falecimento do pai. No Rio Grande do Sul, o senador Pedro Simon tem, ou tinha, já que admite rever o pedido, a intenção de somar ao seu salário atual – de R$ 26,7 mil –, R$ 24 mil correspondentes ao valor de sua aposentadoria como ex-governador. – Por que ele ficaria fora da boquinha? Todos sabem que políticos custam aos cofres da Viúva, para utilizar um termo de Elio Gaspari, mais de R$ 100 mil por mês. A lista é extensa e inclui fartos adicionais, além do direito à moradia, a automóvel, a motorista, a combustível, a passagens aéreas, à hospedagem, à alimentação e a praticamente tudo. – Onde isso vai parar?, pensou ao virar a folha e pah, mais um título escandaloso: Obama cobra China por direitos humanos.

– Quadrilátero-ro-ro-ro-ro (eco). Ah! Ah! Ah! Eu me divirto com humanos. A cara de pau de uns não inibe a falta de vergonha de outros. Responda se puder: quem é Barack Obama para pressionar Hu Jintao no que diz respeito a direitos humanos? O presidente de um país que, para o “bem da humanidade”, aniquila povos mundo afora tem propriedade para exigir o que do presidente da China? Claro, os heróis do universo (tradução = norte-americanos) sempre deflagram guerras pela paz. Crã, crã. – Fala sério Mr. “King of the World”.

– Sim, os jornais estão de matar de rir. Ôpa, pera aí: ‘Baby Doc’ sugere volta à política no Haiti. Porta-voz de ex-ditador propõe anulação de 1º turno para que ele possa concorrer mesmo após o indiciamento. What? Ah! Ah! Ah! E esta criatura das trevas tem simpatizantes que empunham a sua foto estampada em medalhinhas de tamanho razoável. – Ai, Senhor, depois dessa, vou encerrar por hoje, senão não durmo. Ah! Ah! Ah!

A macaca, sem conter o riso, fecha o periódico e sai a exclamar:

– O mundo está mesmo cada vez mais ro-ro-ro (eco). Vixi!

Porto Alegre 40ºC

janeiro 5, 2011

5 de janeiro de 2011

Calor intenso deixa rua deserta às 12h

Feira do Livro

outubro 24, 2010

Estarei em Porto Alegre no início de novembro para assistir ao show do McCartney. Que alegria saber que as datas coincidiram e que poderei também conferir mais uma edição da Feira do Livro.

Garupeiros

setembro 2, 2010

ELEIÇÕES 2010

O Mito e A Urna em:

O PANTHEON* DOS TRÓPICOS

A crendice popular é resultado da extraordinária capacidade humana de tentar explicar fatos ou fenômenos muitas vezes inexplicáveis. Ao percorrer o Brasil, o caminhante mais atento conhece histórias fantásticas de seres com poderes sobrenaturais de cura, morte, proteção, benzedura e atravanque. O inventário de aptidões de personagens mágicos é vasto como a imaginação fértil das gentes.

Para fazer bom uso da veia gaudéria, expandirei este palavreado brejeiro com histórias de superstição trazidas de minha meninice em terra crioula. Sabe-se que o Rio Grande do Sul é um estado de tradições arraigadas. O povo gaúcho tem com a sua terra natal um vínculo profundo. Por pagos e tertúlias se espalham os causos, sementes vivazes da identidade do povo sul-rio-grandense. As narrativas incluem as aventuras do Negrinho do Pastoreio, do Boitatá, da Salamanca do Jarau e do Angoéra. Entre as lendas gaúchas, há uma – contada por camponeses habitantes dos bosques da Serra Geral –, que diz da existência do Saci Pererê. A figura tácita de um moleque astuto costuma ser vista à noite, por caçadores ou andarilhos, sempre aos saltos ligeiros em meio a matos e picadas. Não raro, o guri pula na garupa do viajante a cavalo. O Garupa faísca pelo pasto, pondo-se ora na traseira ora na frente do animal, aos gracejos para interromper o trânsito do ginete. Age por pura pirraça com a intenção de aturdir e chamar a atenção.

Como de conhecimento geral, anedotas possuem um forte apelo maniqueísta, quesito que as torna ainda mais interessantes. Costumes estão originalmente entrelaçados à dicotomia entre bem e mal, Deus e diabo, vida e morte, certo e errado. Tendemos a enxergar os acontecimentos com um olhar analítico, sempre comprometido com determinada causa.

* * *

Qualquer semelhança com o cenário das eleições 2010 não é mero acaso. Quem nunca ouviu falar nos garupas da política nacional? Creiam, eles existem e proliferam feito praga com uma velocidade transcendental, para não dizer risível. Houve dia que, ao folhear o jornal, deparei-me com três páginas consecutivas de um cola e descola entre candidatos de causar cólica aos beiços. O processo eleitoral se transformou em palco de comicidades. Ah! Ah! Ah!

A primeira página abria com um texto intitulado: Marina vai usar imagem de Lula em propaganda. A linha de apoio (subtítulo) da matéria trazia a frase PV exibirá os dois juntos e estuda comparar biografias no programa. Na página seguinte, surgia novo capítulo da saga: Estratégia de Serra tem ‘prazo de validade’. Abaixo, lia-se: Sob fortes críticas dos aliados, campanha do tucano pede 15 dias para avaliar êxito da tática de grudar em Lula. O pula pra cá e pra lá de Serra entre fotos do candidato ao lado de Lula e frases usadas durante o seu programa televisivo do dia 19 de agosto se esvaía aos borbotões. “Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá (…). Pro Brasil seguir em frente sai o Silva e entra o Zé” foi uma das pérolas pinçadas pela imprensa em jingle da campanha psdbista . “Serra e Lula, dois homens de história, dois líderes experientes” foi outra. E assim por diante.

Na última página do Gruda-Desgruda Eleitoral­, as garupadas se espalharam por dois blocos de textos em que o candidato ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa (PMDB), recorreu à popularidade do ex-governador Aécio Neves para se autopromover. O X do imbróglio zombeteiro ascendeu pelo simples fato de Aécio apoiar a campanha de Antonio Anastasia (PSDB), maior adversário de Costa no páreo. Aécio foi citado 14 vezes pelo peemedebista durante o seu horário eleitoral do dia anterior.

Tentativas desarticuladas de pegar carona na imagem alheia denotam desespero ou revelam descarada falta de vergonha na cara? Como Serra – que há pouco tempo proferiu frases do tipo “Acho troglodita de direita quem apóia o Ahmadinejad”, fazendo menção clara ao acordo feito pelo governo brasileiro com o Irã – pode, a esta altura do campeonato, querer colar a sua imagem a de Lula? Fala sério! Até mesmo Fernando Henrique Cardoso se mostrou insatisfeito.

* * *

Esquecem-se todos que a garupa de Luiz Inácio já está ocupada. Dilma Rousseff pinta e borda no espaço reservado a ela com a alegria contagiante da filha acarinhada pelo pai. Obra do Nosso Guia, como definiu Celso Amorim, ou do Grande Mestre, como determinou a própria Dilma ao se referir a Lula. Afinal, parafraseando Barack Obama, Ele é o cara!

O presidente tem carisma de sobra para vencer o pleito com a mão nas costas, além de apresentar resultados de uma plataforma de governo que tem dado certo no País. A redução do índice de miserabilidade e o crescimento da Classe C mexem de tal maneira com a realidade do povo brasileiro que pesquisas realizadas dia sim dia não lançam números de popularidade jamais vistos. Dados recentes mostram que a aceitação do presidente Lula chega a 79% entre os votantes que acham o governo ótimo e bom.

Tudo muito certo, se não fosse a má impressão de que Lula se transformou em um Pop Star das massas. A super imagem do presidente está atrelada a sua força legítima de líder e vitorioso (que é) ou ao poder subliminar de manipulação (adivinhem?) das massas? Certo que o Governo Lula foi o melhor que o Brasil já teve. Claro que ações voltadas para o crescimento da economia nacional, as quais primam pela soberania do País, são relevantes. Mas é preciso ter cuidado para não seguir o pastor feito cordeiro. A conquista política real tem como base o trabalho engajado com uma causa. Eu confio no Lula, mas prefiro manter o olhar atento, mesmo sendo a Dilma a garupa eleita pelo próprio. Quanto aos demais garupeiros de plantão, são dignos de pena, e nos momentos de descontração, de crises de riso. Que piada!

* * *

Marina Silva é a única da trupe vizinha com autoridade para garupar, já que esteve ao lado de Lula por inúmeras vezes no decorrer de sua trajetória política.

* Pantheon, na Roma Antiga, foi o templo de todos os Deuses.