Parque da Redenção

março 7, 2011

Porto Alegre, 6 de março de 2011

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Imagem da Semana

março 3, 2011

ISTO é Brasil

25 de fevereiro de 2011

Motorista desequilibrado deixa rastro de horror em rua de Porto Alegre

Para Refletir

Dezenas de ciclistas foram atropelados por um carro desgovernado na noite de sexta-feira passada. O crime ocorreu durante um passeio (chamado Bicicletada) promovido pelo Movimento Massa Crítica a favor do uso das bicicletas como opção de transporte em centros urbanos. O autor do atropelamento foi um homem de 47 anos, que ao volante de um Golf preto, acelerou com a intenção de matar, atingindo inúmeras pessoas que estavam participando da manifestação. A cena de terror foi protagonizada por um cidadão comum, cujo mandado de prisão preventiva foi expedido ontem pela manhã. Reforço o adjetivo: comum, já que são diversos os casos de indivíduos sem antecedentes criminais – ou com, embora os mesmos sejam atenuados por fatores como possuir residência e trabalho fixo -, enquadrados pela lei no País. Pessoas que respondem a processos similares ao de Ricardo Neis, o motorista em evidência, são condenadas, presas, e depois? Passam-se alguns anos até que cumpram tais requisitos e conquistem a sua liberdade condicional. O sujeito volta às ruas e, não raro, resgata a sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Neis será julgado por tentativa de homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e sem chance de defesa para as vítimas). A possibilidade de ele ser solto em um espaço curto de tempo e reaver a sua CNH é inadmissível, porém real. No Brasil, acreditem, já houve caso de acusado por homicídio em estado de embriaguez no trânsito ser solto e voltar a dirigir com a devida autorização legal.

Até quando contaremos com uma justiça morosa e condescendente? Crimes graves devem ser analisados e punidos com rigor. Se assim fosse, um assassino em potencial, consciente de seu ato, pensaria duas vezes antes de passar por cima de pessoas inocentes com o carro em velocidade?

Assista ao relato da população aqui.

DIGA NÃO À IMPUNIDADE NO TRÂNSITO.

O Blues de Gaspo Harmônica

janeiro 10, 2011

Crédito de foto: Gabriela Di Bella

Conheci o Gaspo no outono de 2003, em um dos bares da minha vida. Na época, o Oito ½ se localizava na Rua Sarmento Leite, um ponto de encontro arterial da boemia porto alegrense. A casa rosada e antiga, com escadaria, porta centenária e assoalho de madeira, continha uma atmosfera intimista, calorosa e despojada. Senti-me instantaneamente cativada pelo lugar. Havia quadros com fotos da história da música e do cinema pendurados nas paredes – a incluir o clássico de Federico Fellini que deu origem ao nome do local –, mesas espalhadas pelos salões em meia luz e um pequeno palco a capturar a atenção do público.  Foram muitas as noites adentro que passei ao lado de amigos a jogar conversa fora, a bebericar de boa dose da geladinha e a conhecer com vontade o talento e o carisma do Gaspo.

Lembro-me com clareza da sonoridade de sua harmônica (gaita): bela, convicta, instigante. Li, certa vez, uma descrição sobre a música do Gaspo que a traduz muito bem: “Tocando violão e gaita de boca, o músico procura explorar o lado mais expressivo das canções, buscando na simplicidade os caminhos para a sua música.” Creio ser este o fio condutor que leva o ouvinte à essência do seu trabalho.

Acompanhei o Gaspo em uma etapa de sua carreira, estive presente em incontáveis shows do artista na capital gaúcha e me envolvi com o seu ritmo de criação em um período de produção intensa. Em 2005, ele lançou o seu primeiro cd. Uma parceria com o violonista Oly Jr, o álbum Na Capa da Gaita trouxe uma mistura voluptuosa e refinada das personalidades destes dois artistas do Rhythm and Blues.

Com sensibilidade inconfundível, Gaspo sempre foi um exemplo de garra e empenho. Não por menos, ele se transformou em um dos grandes nomes da cena musical do sul do Brasil. Excelente instrumentista e compositor, o artista é um motivo de orgulho para os amigos. Trata-se de uma das pessoas mais capazes de romper barreiras que conheci. Por esta razão, decidi publicar um texto a seu respeito na página para apresentá-lo aos meus leitores. A entrevista a seguir foi realizada há alguns meses.

Boa leitura.

Trajetória

Natural de São Miguel do Oeste (SC), Gaspo Harmônica iniciou sua formação musical na infância, estudando piano com sua mãe durante oito anos. Na adolescência, mudou-se para Chapecó (SC), onde teve os primeiros contatos com a gaita de boca, iniciando a caminhada que iria firmar o seu nome na cena musical. Em Porto Alegre desde 1999, passou a desenvolver um trabalho autoral que já lhe rendeu dois discos e o colocou em contato com conceituados artistas do Brasil e exterior. Sua experiência de palco soma mais de 500 shows em Porto Alegre e inúmeras cidades do sul do País. O músico participou também de grandes festivais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Gaspo gravou ao lado de nomes internacionais como Magic Slim, Larry McCray, John Primer, Adrian Flores, David Honey Boy Edwards, J.J. Jackson, Greg Wilson, Solon Fishbone, Big Gilson, James Wheeler e Eddie C. Campbell.

1. Quando (pode citar a idade) e como (cite uma situação específica) você descobriu a gaita e o blues?

Descobri a gaita com 15 anos. Eu morava com o meu irmão, tocava piano desde os seis anos de idade, mas eu sempre tive vontade de tocar algo que eu pudesse carregar comigo. Meu irmão tocava violão, e um dia, enquanto ele fazia um som, falei disso pra ele. Na hora, ele puxou uma gaita da estante e me disse: “Toca aí”.

Não era o mesmo tipo de gaita que uso hoje em dia, não era uma gaita para blues, mas mesmo assim, eu curti muito e segui tocando. O blues, eu também conheci através do meu irmão, mas de início ele não me pegou. Eu queria era ouvir a gaita e os discos de blues que ele tinha. Acabei me interessando muito por Jethro Tull, que possuía vários trabalhos com gaita. O blues me pegou mesmo (pra ser bem exato) no dia 2 de janeiro de 1999, quando vim a Porto Alegre pra fazer o vestibular na UFRGS. Fiquei hospedado na casa de um amigo e quando fui dormir, o cara me deu um disco pra escutar, era o “Alone Acustic”, do Junior Wells & Buddy Guy. Junior Wells foi um dos maiores harmonicistas da história, eu pirei com o disco, escutei dezenas de vezes. Na época, não era tão fácil copiar um cd, nem todo mundo tinha um gravador de cds. Consegui comprar esse disco só um ano depois, mas ele não saiu da minha cabeça e eu passei a procurar mais gaitistas para escutar. Acabei indo mais a fundo no universo do blues.

2. Qual o impacto que a descoberta causou na tua vida? Refiro-me ao antes e ao depois. A carreira iniciou logo em seguida?

Quando descobri a gaita foi legal, era uma amiga pra todas as horas. Dos 14 aos 19, morei em quatro cidades diferentes, não tinha muitos amigos e passava muito tempo sozinho. No início, eu usava a gaita como remédio pra solidão, era um passa-tempo, mas logo veio a necessidade de me expressar através dela. Um dia meio no susto, um amigo me chamou pra tocar durante um show, eu fui meio sem saber o que fazer, nunca tinha tocado com uma banda, nem com ninguém, eu estava bem perdido, mas rolou um som, não sei se a galera estava bêbada ou foi a surpresa, mas todo mundo adorou. A resposta do público me surpreendeu, foi emocionante, fiquei viciado pelo palco e passei a ter um objetivo mais claro na minha vida. Eu precisava continuar tocando pras pessoas.

3. Das tuas principais referências, quais as mais instigantes, expressivas, quais mexem mais contigo e por quê?

Tenho como referências musicais alguns nomes do blues como Junior Wells, Big Walter Horton, Sonny Boy, Carey Bell, Little Walter e outros grandes nomes, mas trago também algumas referências mais pessoais, daqueles que me ensinaram a viver como músico: minha mãe, uma professora chamada Telma, que me ensinou a tocar piano e me iniciou nos caminhos da música, e os amigos Adrian Flores, Alex Rossi e Solon Fishbone que me deram muitas lições de como se portar profissionalmente dentro do mercado, além de me ensinarem muito sobre música.

4. Que momento considerou marcante na tua trajetória e por quê?

Em 2007, fiz uma turnê de quase duas semanas com o norte-americano Phil Guy. Foi a primeira vez que acompanhei um nome mais famoso, tocamos em grandes festivais do Rio e de São Paulo, foi muito legal estar no mesmo camarim com músicos que eu já era fã muito antes de começar a tocar. Na época, eu ainda trabalhava como projetista em um escritório de engenharia. Depois dessa turnê, dei-me conta que era hora de largar o escritório e me dedicar somente à música. Depois do que eu vivi naquelas duas semanas, eu não conseguia mais passar meus dias trabalhando com outra coisa que não fosse música.

5. Conte sobre alguma curiosidade, algum momento inusitado, algo que tenha acontecido no decorrer destes anos que valha um bom comentário, um destaque.

Como eu disse anteriormente, o blues me pegou mesmo com um cd do Junior Wells. Fiquei fã do cara na hora, mas nunca tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, pois no mesmo ano que conheci o seu som, ele faleceu. Ele sempre foi uma grande inspiração. Até hoje, recomendo pra todos meus alunos aquele cd que escutei. Mas enfim, em 2007, fui convidado a fazer um show em Buenos Aires, na mesma época que estaria por lá Magic Slim, um artista com quem eu iria trabalhar aqui no Brasil na semana seguinte. Eu aproveitei e fiquei alguns dias lá para conhecê-lo. Magic Slim viajava com um “Road Manager”, um empresário pessoal, que cuida de todas as suas necessidades enquanto ele está na estrada. O nome dele era Michael Blakemore, sobrinho do Junior Wells, o que fiquei sabendo um pouco mais tarde. Ele também havia sido “Road Manager” de Junior W. e trabalhou com ele durante muitos anos. Estabelecemos uma forte amizade e durante os dias da turnê aqui no Brasil, parte do meu trabalho era cuidar das necessidades dele e de Magic.

Nessa época, eu havia largado meu emprego diurno e estava passando por um período de vacas magras, demorou um tempo até normalizar minha situação financeira quando decidi viver só da música. Foi um começo bem difícil. Certo dia, eu caminhava com Michael e entramos em uma loja para ver alguma coisa. Eu pedi pra olhar um mp3, perguntei o preço e não levei, pois não tinha a grana. O Michael percebeu isso, mas não comentou nada. Um ano após tesa turnê, voltamos a trabalhar juntos. Foram mais 10 dias de shows com Magic Slim passando por algumas cidades do Brasil. No primeiro dia que nos falamos, ele brincou comigo, “já conseguiu a grana pro mp3?” Eu dei risada e brinquei “Ainda não, no Brasil a coisa só piora”. Fui novamente o “Road Manager” da equipe, cuidando do andamento das coisas e também participei como músico em alguns temas. No último dia da turnê, Michael me chamou num canto e me presenteou com um mp4. Disse-me que estava me dando porque eu havia trabalhado muito bem e que essa era a “escola” do seu tio Junior Wells. Ele me disse: “você estava sempre lá quando precisamos e, se o meu tio Junior estivesse aqui, ele mesmo estaria dando isso a você. Pra mim, foi uma honra muito grande, foi como ter recebido um presente do próprio Junior Wells. De alguma maneira, isso me fez sentir que estava caminhando na direção certa.

6. O que é o blues para você? `

Pra mim, o blues é uma linguagem, uma forma de expressão, mas principalmente algo que uso pra transformar sentimentos ruins em coisas boas.
7. Quais os teus próximos objetivos e novidades na carreira?

Estou gravando um novo disco, meu primeiro em carreira solo. Não é um disco só de blues, eu misturei muito com rock, folk e country. Mas a galera que está participando é quase toda do blues, o que deixa o estilo presente em cada faixa. Eu diria que ele tem um sotaque de blues bem forte. Consegui algumas participações bem bacanas, o Greg Wilson do Blues Etílicos canta uma faixa, a mesma em que o Guitarrista norte-americano Eddie C. Campbell gravou um solo. Tem também o argentino Adrian Flores na bateria. Gravei duas faixas com o Larry McCray, que esteve recentemente no Brasil. Vão participar do disco outros músicos brasileiros conhecidos da cena bluseira, além de Solon Fishbone, Big Gilson e outras surpresas. Quem está produzindo o disco é o Renato Velho, um amigo de longa data que saca muito de música. Ele já recebeu o Prêmio Açorianos de melhor instrumentista e tem muitos trabalhos legais como músico, produtor e compositor.

8. O que aprendeu com a música?

Aprendi que não somos só carne e ossos. Temos uma alma, e precisamos alimentá-la.
9. Que trabalho seu você considera o melhor e por quê?

Com certeza, o trabalho que estou fazendo agora, pois pude depositar nele diversas influências e experiências adquiridas nos últimos anos de estrada. Além do mais, os músicos que fazem parte deste trabalho são os melhores com quem já toquei. Sem eles, não seria possível realizar um bom trabalho.
10. Que recado você daria – referente ao blues e a música -, para as pessoas que estão te lendo aqui?

O blues é a raiz da música Ocidental. Mantenham as raízes vivas para terem bons frutos.

Para maiores informações sobre o trabalho de Gaspo Harmônica, fotos, mp3 e agenda de shows:

www.myspace.com/gaspoharmonica

(51) 8416-8482

gaspoharmonica@yahoo.com.br

Porto Alegre 40ºC

janeiro 5, 2011

5 de janeiro de 2011

Calor intenso deixa rua deserta às 12h

Feira do Livro

outubro 24, 2010

Estarei em Porto Alegre no início de novembro para assistir ao show do McCartney. Que alegria saber que as datas coincidiram e que poderei também conferir mais uma edição da Feira do Livro.

Brique da Redenção

outubro 5, 2010

O Brique da Redenção é um dos eventos mais tradicionais da capital gaúcha. Sempre que vou a Porto Alegre adoro caminhar por ali, conhecer “novidades antigas” dispostas em tapetes e tecidos coloridos por dezenas de expositores. São peças decorativas (muitas do início do século XX), artesanatos, bijuterias, plantas medicinais e ornamentais, livros e uma infinidade de opções para os visitantes. Há até mesmo vitrolas a tocar clássicos como smoke gets in your eyes. Um deleite! O Brique ocorre todo o domingo e o site da feira é www.briquedaredencao.com.br. Vale a pena conferir.

Brechó ao ar livre

Guignard

outubro 5, 2010

Em Porto Alegre, assisti a uma exposição maravilhosa no Margs que vale destaque. Chama-se Guignard e o Oriente: China, Japão e Minas. São inúmeras obras que unem com harmonia os estilos da pintura brasileira, chinesa e japonesa. Não canso de me surpreender com o fato de conhecermos pouco os nossos artistas. Eu nunca tinha ouvido falar deste grande nome de nossas artes plásticas: Alberto da Veiga Guignard. Há poucos meses, descobri a grandeza da obra de Abelardo da Hora. Quanto ainda há por descobrir? A mostra – que inclui o trabalho de Guignard – estará aberta ao público até o dia 7 de novembro. A entrada é franca.