Clique na imagem abaixo e confira o texto Mulheres, bicicletas e fundamentalismos, do jornalista Daniel Santini, sobre o fato das mulheres iranianas serem proibidas de andar de bicicleta. A forma com que o autor aborda o tema é forte, lúcida e bela. Fico muito feliz em saber da existência de jornalistas com uma percepção aguçada, inteligente e profunda, que não lêem pelas bordas, que não enxergam pela superfície, que se colocam no lugar do outro, que vão além do seu eixo dentro de um mundo gerido por estigmas e pela cultura do medo, conceitos pilares para a criação de guerras pelo lucro. Fiquei emocionada com o que li. Parabéns Daniel.

Conforme afirmei que o faria, desta vez sem titubeios, fui atrás do livro Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Descobri a psicanalista junguiana em 2006, época em que li uma edição deslumbrante de Contos dos Irmãos Grimm, organizada por Clarissa, que também escreveu o prefácio.

Lembro-me de ter ficado fascinada com o argumento, mas o tempo passou e acabei deixando a experiência desta leitura no passado. O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Trata-se de um caso raro, ser instigada duas vezes pela mesma possibilidade. Foi neste momento que me vi entre dois caminhos. Ou eu faria acontecer e me daria este presente ou eu abriria mão em definitivo do livro, da autora e da vivência.

Não pensei duas vezes. Corri para a livraria, comprei o Mulheres que correm com os lobos e comecei a me dedicar as 614 páginas de uma viagem fantástica e recomendável para toda a mulher.

“Os lobos sempre rondaram o universo da psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés, em sonhos ou mesmo na vida real. Ao estudar esses animais, ela observou várias semelhanças entre a loba e a mulher, principalmente no que se refere à dedicação aos filhos, ao companheiro e ao grupo. Ao longo do desenvolvimento da civilização, porém, esses instintos mais naturais – a que ela dá o nome de Mulher Selvagem – foram sendo domesticados, sufocando todo o potencial criativo da alma feminina.

Clarissa Pinkola Estés, analista junguiana e cantadora, isto é, contadora de histórias, mostra neste livro como, a partir de mitos, contos de fada, lendas do folclore e outras histórias escolhidas em 20 anos de pesquisa, a mulher pode se ligar novamente aos atributos saudáveis e instintivos do arquétipo da mulher selvagem.

É assim que em La Loba se ensina a função transformadora da psique. O Barba-Azul mostra como sarar feridas que parecem não ter cura. A Mulher-Esqueleto revela todo o poder místico de uma relação e como sentimentos aparentemente mortos podem ser revigorados. A Menina dos Fósforos alerta para os perigos de uma vida desperdiçada em devaneios.

Enriquecedor, ela revela uma psicologia da mulher em seu estado mais puro, o de profunda busca do conhecimento de sua alma.”

após ter sido estimulada pela memória quando li suas palavras há poucas semanas,