Um olhar sobre a China

março 17, 2011

 Fotos web

O olhar audaz e objetivo da jornalista Xinran sobre a era comunista de Mao Tsé-Tung em seu livro As boas mulheres da China, publicado no Brasil em edição de bolso pela Companhia das Letras, traz ao Ocidente uma realidade desconhecida. Impunidade, violência, ignorância e repressão de um regime totalitário que mutilou a vida de mulheres de todas as idades e condições sociais estão entre as temáticas da obra.

A jornalista, que deixou a China em 1997 para conseguir publicar o seu trabalho, passou cerca de oito anos coletando depoimentos de mulheres que viveram os horrores da Revolução Cultural. De acordo com a autora, o atraso foi tão proeminente que seu país retrocedeu mil em 10 anos.

Xinran tem o cuidado de manter a dramaticidade das histórias a fim de disponibilizar ao leitor uma compreensão profunda da condição feminina na China posmoderna. Durante os anos em que apresentou o programa Palavras na brisa noturna, a jornalista conseguiu abrir um canal de discussão sobre assuntos proibidos como violência sexual, opressão e homossexualidade. A quebra do silêncio fez do espaço uma fonte inesgotável de memórias de humilhação, dor e abandono da mulher.

Xinran explorou a vida íntima de chinesas de todas as partes, vasculhou as regiões mais inóspitas do país atrás de informação. O mergulho – a contar a sua própria experiência com o regime –, quase a levou a um colapso emocional. A jornalista e seu irmão foram separados dos pais pela Guarda Vermelha quando crianças. Criados em um quartel general sob o jugo de carrascos, os dois só reencontraram a família anos mais tarde.

Estupros, casamentos forçados, espancamentos, miséria e preconceito compõem o cenário de um tempo em que a égide do poder usurpou o povo chinês e dilacerou a alma de uma geração. “Nos relatos do livro, a autora possibilita a vozes antes silenciadas revelar provações, medos e uma capacidade de resistência que as permitiu se reerguer e sonhar em meio ao sofrimento extremo.”

Eu assisti a Xinran em uma das mesas literárias (China no Divã) da VII edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Naquele mesmo dia, comprei o livro. Há meses, comentei que a sua leitura valeria um texto no blog. Segue a dica para os meus leitores.

Sugestões

Outros títulos da autora são Enterro celestial, O que os chineses não comem e Testemunhas da China – vozes de uma geração silenciosa.

 

 

Íntegra da entrevista concedida por Xinran à Folha Online

Leia sinopse e trecho do livro em

 

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Conforme afirmei que o faria, desta vez sem titubeios, fui atrás do livro Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Descobri a psicanalista junguiana em 2006, época em que li uma edição deslumbrante de Contos dos Irmãos Grimm, organizada por Clarissa, que também escreveu o prefácio.

Lembro-me de ter ficado fascinada com o argumento, mas o tempo passou e acabei deixando a experiência desta leitura no passado. O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Trata-se de um caso raro, ser instigada duas vezes pela mesma possibilidade. Foi neste momento que me vi entre dois caminhos. Ou eu faria acontecer e me daria este presente ou eu abriria mão em definitivo do livro, da autora e da vivência.

Não pensei duas vezes. Corri para a livraria, comprei o Mulheres que correm com os lobos e comecei a me dedicar as 614 páginas de uma viagem fantástica e recomendável para toda a mulher.

“Os lobos sempre rondaram o universo da psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés, em sonhos ou mesmo na vida real. Ao estudar esses animais, ela observou várias semelhanças entre a loba e a mulher, principalmente no que se refere à dedicação aos filhos, ao companheiro e ao grupo. Ao longo do desenvolvimento da civilização, porém, esses instintos mais naturais – a que ela dá o nome de Mulher Selvagem – foram sendo domesticados, sufocando todo o potencial criativo da alma feminina.

Clarissa Pinkola Estés, analista junguiana e cantadora, isto é, contadora de histórias, mostra neste livro como, a partir de mitos, contos de fada, lendas do folclore e outras histórias escolhidas em 20 anos de pesquisa, a mulher pode se ligar novamente aos atributos saudáveis e instintivos do arquétipo da mulher selvagem.

É assim que em La Loba se ensina a função transformadora da psique. O Barba-Azul mostra como sarar feridas que parecem não ter cura. A Mulher-Esqueleto revela todo o poder místico de uma relação e como sentimentos aparentemente mortos podem ser revigorados. A Menina dos Fósforos alerta para os perigos de uma vida desperdiçada em devaneios.

Enriquecedor, ela revela uma psicologia da mulher em seu estado mais puro, o de profunda busca do conhecimento de sua alma.”

após ter sido estimulada pela memória quando li suas palavras há poucas semanas,

Brique da Redenção

outubro 5, 2010

O Brique da Redenção é um dos eventos mais tradicionais da capital gaúcha. Sempre que vou a Porto Alegre adoro caminhar por ali, conhecer “novidades antigas” dispostas em tapetes e tecidos coloridos por dezenas de expositores. São peças decorativas (muitas do início do século XX), artesanatos, bijuterias, plantas medicinais e ornamentais, livros e uma infinidade de opções para os visitantes. Há até mesmo vitrolas a tocar clássicos como smoke gets in your eyes. Um deleite! O Brique ocorre todo o domingo e o site da feira é www.briquedaredencao.com.br. Vale a pena conferir.

Brechó ao ar livre