Expedição Canastra

junho 16, 2016

Etcétera Oficinas Temáticas de Jornalismo Comunitário

São Paulo — a primeira de uma série que promoveremos nos próximos anos. Na Canastra, ensinaremos os alunos da Escola Municipal Guia Lopes a criar um jornal mural — veículo que destaca a função social da leitura e escrita, estimulando nos participantes a análise crítica das informações que absorvem diariamente.

A partir do ponto de vista regional, debateremos com a turma a produção artesanal de queijo, as histórias por trás desta tradição, as nascentes do Rio São Francisco, a vida do ribeirinho, que depende das águas para sobreviver, a fauna e flora do Parque Nacional e a importância da conservação da natureza para a manutenção das comunidades tradicionais da região.

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Ideias têm, por si, a força abençoada de uma perspectiva original, um olhar único, uma composição autêntica.

Não saiam daí, que este papo tá só começando…

Foto do parceiro pé na lama (com muito orgulho) Fellipe Abreu

 

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Realização Nascente Casa Editorial

Apoio Prefeitura Municipal de São Roque de Minas

 

Man in Profile

maio 27, 2016

Foto Arquivo The New Yorker

Joseph Mitchell outside Sloppy Louie’s restaurant with Louis Morino, the subject of Mitchell’s 1952 <i>New Yorker</i> profile ‘Up in the Old Hotel’O texto é antigo, mas indico fortemente. A legenda abre com duas qualidades imprescindíveis em um repórter: precisão e paciência. Precursor do new journalism, mestre da arte de gastar sapatos, Joseph Mitchell foi um dos jornalistas mais talentosos da The New Yorker. Os seus McSorley’s Wonderful Saloon, Up in the Old Hotel e Old Mr. Flood são verdadeiros marcos da reportagem do século XX.

O mistério sobre o seu silêncio atravessou décadas após o lançamento de sua obra-prima, em 1964. Começou a ser revelado nos anos 2000, em textos inéditos de Mitchell publicados pela própria The New Yorker. O material foi descoberto pelo escritor Thomas Kunkel, que lançou a biografia do jornalista, Man in Profile: Joseph Mitchell of The New Yorker, em 2015. Eu sou suspeita para falar, mas tem um trecho de um artigo que li sobre ele há anos e que nunca saiu da minha cabeça. Chamo de pura revolução.

Em seu Becoming part of the city, Mitchell revela algumas facetas como a obsessão por perambular. “Visitei e fucei as centenas de vizinhanças que compõem a cidade, Manhattan, Brooklyn, Bronx, Queens e Richmond – para isso, tomava de 15 a 20 ônibus todos os dias.” Como disse V. H. Brandalise, “em tempos de tantas mudanças, apurar o olhar sobre o que permanece – e tentar entender porque permanece – é um exercício de compreensão a respeito de nós mesmos.”

Ainda sobre Mitchell, recomendo também o The Master Writer of the City, de Janot Malcolm.

 

Refugiados: quem são?

setembro 15, 2015

Fotos Lilo Clareto, Nilüfer Demir e Sebastião Salgado

 

refugiados do desenvolvimentoA primeira vez que vi os refugiados da contemporaneidade foi em Êxodos, trabalho primoroso de Sebastião Salgado. Entre saber e enxergar há uma distância considerável. Vide o corpo do menino sírio que chegou à praia na Turquia. Todos sabiam que milhares de pessoas estão em trânsito pelo mundo, mas somente depois da foto do menino morto ser estampada em todas as timelines e afins é que a barbárie da guerra na Síria causou algum tipo de “movimento.” Um mexer-se indiferente. Qualidade comum ao Ocidente.

As imagens de Êxodos me tiraram da redoma em que nasci, protegida pelo privilégio de fazer parte de menos de 10% da população do planeta, e colocaram dentro do contexto global. A realidade sem meio termo. Desde então convivo com a consciência de que populações inteiras vagam sem destino por estarem à margem do sistema, por terem sido expulsas de suas terras, pela falta de perspectiva, porque há muito foi instituído pela sociedade que o sentido da vida está em ter. Quem sou eu se não tenho? À resposta cabem muitos dos valores definidos pelo homem moderno – valho se, e somente se tiver acesso a bens de consumo; se, e somente se rentabilizar o suficiente para adquiri-los. Do contrário? Não sou ninguém. Não valho nada.

Pois, se a palavra ser está invariavelmente conectada à gênese do lucro; se nos moldamos assim, dependentes dos jogos de mercado, do plano financeiro; então, sabemos: o corpo daquele menino sírio na praia é reflexo deste modelo estabelecido do qual todos somos cúmplices. Cada um de nós, quer queira ou não, ajuda a alimentar esta gigantesca máquina de entortar homens. No Brasil, o cenário não é menos alarmante. Há um número inestimável de gente sem rumo, “que já não encontra o destino dos pés”. São refugiados do desenvolvimento. Um deles, uma mulher chamada Antonia Melo, é personagem desta coluna da Eliane Brum. Recomendo a leitura e, de lambuja, a reflexão!

 

corpo do menino síria na praia turca

 

Êxodos Sebastião Salgado

 

Mais sobre a jornalista no seu blog Desacontecimentos e sobre Antonia Melo, uma das principais líderes comunitárias em Altamira (PA), no site do Movimento Xingu Vivo Para Sempre.

No link a seguir, informações de como ajudar os refugiados sírios no Brasil e no mundo.

 

Fotos André Dib

 

1Na região do médio Solimões, a pesca de um gigante das águas se tornou prática de referência em desenvolvimento sustentável no Brasil e exterior. De junho a novembro, inúmeros barcos partem todos os dias das beiradas de rio em direção ao interior das áreas cobertas pelas Reservas Mamirauá e Amanã, localizadas em Tefé, estado do Amazonas. São meses dedicados exclusivamente ao manejo participativo do Pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do planeta. A tradição ancestral de dezenas de comunidades ribeirinhas é o principal objeto de pesquisa do Programa de Manejo de Pesca do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). O trabalho realizado há 16 anos por técnicos em parceria com a população transformou a realidade social e ambiental de uma área de mais de três milhões de hectares, extensão superior aos territórios de países como Costa Rica e Suíça.

Segundo Ana Cláudia Torres, 34 anos, coordenadora do Programa, as duas metas primordiais são garantir a sobrevivência das pessoas e preservar os estoques pesqueiros. “No fim do século passado, o declínio drástico da espécie resultou na proibição da pesca dentro dos limites das Unidades de Conservação. O decreto causou impacto imediato na vida das comunidades. Em 1999, o projeto surgiu como medida compensatória às restrições estabelecidas, uma alternativa para o uso sustentável dos recursos”, afirma. O instituto presta assessoria técnica para 10 sistemas (grupos de pescadores) de manejo em Mamirauá e Amanã, e para o sistema Capivara, situado na área de entorno das reservas.

As etapas do processo incluem organização dos grupos; obediência às normas e aplicação do regimento interno (definido por cada sistema); zoneamento e vigilância das áreas de pesca; contagem dos peixes; pesca; monitoramento do pescado; comercialização; divisão dos benefícios e avaliação anual. A captura é permitida dentro do contexto do manejo, sendo que apenas 30% dos adultos contados podem ser abatidos. O restante permanece nos rios para fins de reprodução. Ao longo dos anos, a pesca controlada promoveu o aumento de 427% da população de pirarucus em lagos. O número impressiona. O sucesso da empreitada reflete em diversos setores. Indicadores mostram que, em 2013, 31 comunidades, três colônias, um sindicato e 1.413 pescadores foram beneficiados.

No mesmo ano, a cota capturada – 7.953 peixes, equivalente a 434 toneladas – gerou um faturamento de R$ 2,2 milhões para os manejadores de pirarucu. “A pesca no Amazonas possui grande importância econômica e cultural. A pesquisa mostrou qual é a melhor forma de trabalhar com o recurso na região. O manejo é o responsável por boa parte da renda dos participantes, isso sem falar na recuperação dos estoques”, comenta Ana Cláudia. O próximo desafio é fazer da prática uma política pública. O reconhecimento da atividade ampliará as perspectivas sociais e estimulará cada vez mais o compartilhamento da experiência. Trata-se de um investimento pioneiro com o qual todos saem ganhando. E a natureza agradece!

O projeto é tema da matéria que eu e o fotógrafo André Dib publicamos na edição de março da Revista National Geographic Brasil. Nas bancas!

 

NG divulgação FB

 

O Retorno da Terra

janeiro 13, 2015

Foto Daniela Alarcon

Recebi o convite e aceitei na hora. O melhor foi descobrir uma dupla que realiza, há quatro anos, um trabalho fantástico com os Tupinambá. Jornalista e documentarista estarão no queridíssimo Las Magrelas no sábado, dia 17, para contar sobre o curta-metragem que estão produzindo. A campanha está no catarse e quem aparecer contribui para o desenvolvimento do projeto. Bora saber mais sobre as histórias de um povo que luta pela permanência na terra! Trata-se de um Brasil que o Brasil precisa conhecer. Como disse Eliane Brum no prólogo do artigo da Daniela Alarcon: “Sejamos, nas palavras de outro povo indígena, os Guarani Kaiowá, “palavra que age”.

 

Foto Daniela Alarcon

 

Mais informações

O evento

O artigo

 

Je suis Quem?

janeiro 13, 2015

Foto Web

foto para post no blog

 

Eu não gosto do humor feito pela Charlie Hebdo. Na verdade, tive pouco contato com a publicação durante a faculdade. Mas isso é o de menos. Se gosto ou desgosto, pouco importa. O que me incomoda é o fenômeno que acontece dentro e fora desta world wide web. De repente, muita gente se tornou especialista. Pessoas que, da noite para o dia, passaram a conhecer a fundo o histórico da revista francesa. Uns a louvam. Outros a massacram. Alguns assustadoramente acham que os jornalistas assassinados arcaram com as consequências de seus atos.

O mundo às avessas de Galeano está cada vez mais às vistas e o que resta ainda está em fase de gestação. Arrepia imaginar a proporção dos fatos, já que o fundamentalismo impera. E não é de hoje. Fundamentalismo religioso, político, midiático, social, econômico, cultural, ambiental e assim por diante. O que aconteceu dentro da redação e nas cercanias do prédio, em Paris, não é justificável. Da mesma forma que não se justifica o assassinato dos suspeitos pelo crime sem provas. A polícia matou às cegas com o amparo da lei. Não seriam ambos os atentados atrozes por ferirem o direito à vida?

Outra coisa que me faz pensar é a comoção internacional com foco. Por que o mundo se mobiliza tanto com uma chacina no Marais enquanto há tantas acontecendo ao mesmo tempo bem debaixo de todos os narizes do planeta? Faz sentido se abalar com uma e ignorar conscientemente a(s) outra(s)? A reação em cadeia é sintomática ou nada a ver? Sinceramente? Acho que falta reflexão. Não dá para apontar o dedo seja para o lado que for sem antes analisar o que se passa. Não é lendo matéria, artigo ou opinião de jornalista, como a minha, que expresso agora, por exemplo, que se chega a uma conclusão. Para enxergar o contexto é imprescindível que se realize uma investigação criteriosa. Mas em época de instantâneos, quem se disporia a dedicar as suas preciosas horas a tal propósito? Opiniões críticas e embasadas se formam ao longo do tempo. Que eu saiba. Ou pirei?

Ainda estou digerindo o que aconteceu. Lanço apenas uma ideia aqui. Não acredito em certezas nem tampouco em imparcialidade. Cada um que assuma a posição que melhor lhe parecer. Só cuidado, pois é muito fácil tropeçar nas próprias convicções. A colocação que faço pode soar como pura retórica. Que seja. Não deu para calar frente à tamanha brutalidade. Refiro-me a tudo o que se espalha por aí e não somente aos disparos ocorridos no dia 7 de janeiro. Segundo Galeano, o mundo às avessas é um mundo mal parido. Quem sabe chegou a hora de parirmos um novo mundo? É utópico acreditar que é possível? O uruguaio afirma que é ela, a utopia, que nos leva adiante. Serve para caminharmos. E nesta, estou com ele e não abro!

 

Flores de Minas

setembro 29, 2014

A segunda reportagem da série que produzo ao lado do fotógrafo André Dib sobre o caminho das flores na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, foi capa da edição especial de aniversário da Revista Sagarana. Estivemos na região considerada por Roberto Burle Marx o jardim do Brasil. Pelos campos rupestres da única cordilheira do país se espalham várias espécies da sempre-viva, flor típica do Cerrado que alimenta uma cadeia produtiva secular. Dezenas de comunidades tradicionais buscam por meio do manejo controlado da flora uma alternativa para o desenvolvimento sustentável.

Leia a íntegra, já disponível no site da publicação.

 

matéria de capa Revista Sagarana