O Japão e a Mídia

março 18, 2011

Japão, 11 de março de 2011

Imprensa X Desastre

Há uma semana, um terremoto de 8,8 graus na escala Richter e posterior tsunami com ondas de até seis metros de altura atingiram a costa nordeste do Japão, devastando cidades inteiras. Em última atualização de autoridades do país, o número de mortos foi elevado a 6.911 e o de desaparecidos a 10.319. O governo japonês também luta para evitar um desastre nuclear após vazamentos ocorridos na Usina de Fukushima, localizada no entorno do epicentro do tremor.

São desastres de magnitude sem precedentes no país, como afirmou Naoto Kan, primeiro-ministro do Japão. Um acontecimento como este marca de forma trágica a história da humanidade. Há necessidade de noticiar, a população mundial precisa estar ciente das causas e consequências do acidente. O papel da imprensa, mais do que nunca, é o de informar, cobrindo os fatos, debatendo o tema, mantendo-se em alerta 24 horas para que tudo chegue a tempo ao conhecimento da opinião pública.

O por menor incide no excesso, no viés, nos meios escolhidos para transmitir o conteúdo. Faz sete dias que não se fala em outra coisa. Todos os veículos tocam a mesma tecla, as manchetes entopem o leitor, ouvinte, telespectador de detalhes em níveis entorpecedores. Existe limite entre o bem informar e o utilizar de material jornalístico para fins promocionais. Os próprios japoneses já pediram para que a imprensa pare, mas a insistência em seguir marcha parece não ter fim. Abusar de sensacionalismo e tratar da catástrofe como forma de ganhar dinheiro enviesa o processo e inibe o fluxo coerente, crítico e qualitativo do produto informativo. Infelizmente esta parece ser uma prática corriqueira da imprensa mundo afora. E o público? Que se dane. Uma mídia comprometida (no mau sentido), a qual presta um desserviço ao receptor de tudo o que ela desenvolve não está preocupada com o umbigo alheio.