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Em 2003, prestes a fechar um ciclo em minha carreira, o término da Faculdade de Comunicação (PUCRS), eu dei início a uma série de reflexões sobre o significado de minha profissão, de tudo o que eu havia construído até então e de toda a vida que eu tinha pela frente a partir dali. Imaginava-me naquele momento em que o estudante se vê no portão do campus, de frente para a rua, com um diploma nas mãos. Instante exato em que surge a pergunta que não quer calar: e agora? Bom, não há muito que fazer senão, como sempre, seguir adiante. Medo? Todos. Vontade? Infinita. Esperança? Acesa.

No período de conclusão de curso uma questão acaba por se revelar. Dezenas de Universidades jogam nas ruas milhares de profissionais recém-formados todos os semestres. Até que ponto o mecanismo incessante de criação de bacharéis prepara as pessoas não para o mercado, mas para o mundo? Todos sabem que a graduação é o berço e que somente a prática da profissão ensina de fato. Mas o que é ser um jornalista de verdade?

A responsabilidade de manter a opinião pública bem informada é, acima de tudo, um dever social. Minha participação no contexto que habito inclui, entre outras coisas, formar opinião. Formar opinião? O leigo pode não se dar conta, mas não existe poder maior do que este. Tudo gira em torno de mentes que pensam. Redundância? Sim, se você souber que a sua mente é livre, independente, autônoma. Do contrário, você é um seguidor de quem? Do que diz a imprensa. Parece mentira, mas os meios de comunicação de massa alcançaram um patamar tal que as pessoas afirmam com frequência: “Isso é a mais pura verdade fulano, eu li na Folha (de S. Paulo), eu assisti no Jornal Nacional, eu ouvi na Rádio CBN.” Transformamo-nos, nós jornalistas, em oráculos universais. Nem a Academia, maior e mais respeitado espaço de seres pensantes do planeta, bate-nos. Isso mesmo leitor. Você duvida? Então, lamento informá-lo, mas pertence ao hall de seguidores, não possui uma mente livre. Quem eu penso que sou para te dizer isso? Não sou mais nada além do que você é nessa empreitada chamada vida. Somos todos parte do mesmo cosmos. Porém, parceiros ou não, meu caro, eu sou jornalista, sei do que estou falando.

Hoje, mais do que em qualquer tempo, nós temos a força. Tal realidade deveria me fazer sentir vitoriosa. Integro o time. Estou com a faca e o queijo na mão. Eureka! Não, as coisas não funcionam assim. Volto à pergunta com a qual encerrei o primeiro parágrafo: Mas o que é ser um jornalista de verdade?

Retorno ao começo do que você lê para engrenar o carretel de palavras…

Em 2003, prestes a fechar um ciclo em minha carreira, o término da Faculdade de Comunicação (PUCRS), eu dei início a uma série de reflexões sobre o significado de minha profissão, de tudo o que eu havia construído até então e de toda a vida que eu tinha pela frente a partir dali. Foi quando escrevi o artigo abaixo. Encontro-me a quatro dias de uma outra mudança importante. Partirei para São Paulo em direção ao futuro depois de exercer, há quase seis anos na região sul do Brasil, o ofício que escolhi por amor. A prática me trouxe a certeza de que, sem dúvida, a grande escola se encontra fora das dependências do campus universitário. Enquanto remexia as minhas bugigangas separando o relevante para a viagem, deparei-me com o meu passado em uma caixa carregada de papéis até a boca. Ali estavam escritos diversos de minha época de estudante. Entre eles, este texto que segue para a sua apreciação.

Contarei um segredo para você. Algo que pertence somente a mim, mas que vou compartilhar contigo. Ao reler o que escrevi há oito anos, emocionei-me. Por quê? Ora, constatei algo de grande valor. Apesar de ter vivido um bocado desde o ponto final que dei ao palavrório produzido para a disciplina Tecnologia da Informação, eu continuo a mesma: não me corrompi, mutilei, violentei ou deixei me virarem a cabeça. Sigo pensando da mesma forma com uma esparsa vantagem, a de estar muito mais madura. Estou vencendo em minha carreira. Ser vitoriosa, como eu ia dizendo, significa usar do poder que possuo para realmente informar você. Li em um texto publicado pelo jornalista Daniel Santini no post Percepções distorcidas e a realidade no trânsito, de seu blog Outras Vias, a seguinte colocação: “A desinformação se completa pela preguiça, má vontade ou cinismo de boa parte da imprensa, que reproduz releases de maneira passiva e repete estereótipos e lugares comuns sem reflexão.” Ele está certo e você entenderá o que digo quando chegar ao fim do que lerá agora, se quiser, é claro. Sirva-se à vontade ou parta imediatamente. Ratifico – o resultado de tamanha falação tem a ver com escrúpulos e coragem, não com idealismos e utopia.

Liberdade para quem?

 

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* Artigo produzido em maio de 2003 para a disciplina Tecnologia da Informação, da Faculdade de Comunicação (PUCRS).
 

Falar sobre a informação é falar sobre a essência do significado do jornalismo: a comunicação. Ela, que em sua etimologia, defini-se como um repartir comum do alimento necessário para todo o profissional da área; ela, que segundo determinados teóricos, dá-se através de “todos os procedimentos pelos quais uma mente afeta a outra.” O que obviamente envolve não apenas o discurso oral e escrito como também a música, as artes visuais, o teatro, e certamente, todo o comportamento humano.

Hoje, o que temos é a comunicação instituída como área de conhecimento. Toda pessoa esteja ela onde estiver, movimenta-se, e consequentemente, transita por entre um fluxo de mensagens que penetra no corpo como que para oxigenar o sistema orgânico em vida. A televisão, o rádio, a imprensa, a internet, os “advertisements”, todos os meios técnicos eletro-eletrônicos de produção de imagem, som e escrita expiram uma linguagem sígnica repleta de códigos instantaneamente absorvidos pela sociedade. A convulsão destes meios e veículos se mistura com os alicerces erguidos há muito pelo homem, onde neles se apoiam os valores e princípios que propulsionam a cultura de um determinado povo. A pergunta faz-se necessária: Quem somos e de que forma nos identificamos como sujeitos ativos e autogerenciáveis, tendo em vista o fato de nos encontrarmos impressos ou objetivamente colocados como peças dentro do emaranhado midiático a que me referi?

Quando escolhi o jornalismo como profissão, pensava que teria condições de carregar todas as histórias do mundo sobre a folha de papel que acabaria nas mãos do leitor; que teria seguramente a oportunidade de me expressar por meio da chamada liberdade de manifestação do pensamento e de todos esses mas e poréns que ecoam em nossa mocidade e que vez ou outra esmorecem sem que percebamos. No decorrer do curso, contudo, notei que havia uma contradição nesse raciocínio meu. Mostraram-me que o jornalista quando reconhecido como tal deve manter-se imparcial frente aos acontecimentos que hão de se tornar notícia conduzida por ele, emissor, com seus instrumentos, ao receptor, ao público, às pessoas, à comunidade. O que se desmembra sobre o seguinte quadro: a chave que encerra a legitimidade da informação está acentada na maneira precisa e neutra com a qual o jornalista irá apurar o fato, apresente-se ele ao lado de sua porta ou do outro lado do mundo. Admito que me senti confusa, que o sentido e desejo entornados da coisa minha, aquela que me sacudia a fome de me tornar um ser comunicante, deparou-se com uma pedra; cascalho grande que talvez me pese nos ombros até este exato momento. Estou aqui, sentada a escrever esta porção de palavras, e penso que a minha angústia como futura profissional não se revela apenas junto aos meus anseios de principiante, mas à velocidade de transmissão das mensagens dentro de um contexto onde o processo de negociação entre emissor e receptor tem seguido por uma linha tênue bastante questionável.

Conforme afirmou Mattelart, em seu conceito de comunicação mundo, as grandes redes de informação e comunicação, com seus fluxos “invisíveis” e “imateriais” formam “territórios” abstratos e “intangíveis”. O público absorve uma quantidade massiva de códigos formatados em um número infinito de mensagens diariamente. A questão é: até que ponto ele decodifica tamanha bagagem de informação que possa resultar esta, na oportunidade de uma retroalimentação: o “feedback”? Com tantos canais a escolher e constante vazão de símbolos em operação instantânea, as pessoas têm ou não ao seu alcance a liberdade de manifestar ou desenvolver pensamento próprio?

A cultura da mídia passa primeiro pelas salas de redação e agências de notícias espalhadas pelos quatro cantos do globo. Surgem, então, em minha pequena visão de estudante já na porta do mercado, termos como uniformização e padronização. As técnicas de persuasão e manipulação das mensagens utilizadas pelas empresas jornalísticas são teoricamente comprovadas por estudiosos e pesquisadores do ramo. Não é novidade dizer, portanto, que o conceito de imparcialidade é relativo e que seu usufruto sob a égide de quem dá suporte a tais empresas torna-se um objeto deveras perigoso. O comportamento do jornalista, neste caso, é algo que se deve sempre polemizar, já que o desempenho da profissão está vinculado a uma função social.

O que dizer? Tenho medo. Aflige-me as ideias ter na consciência a chance de vir a ser parte de uma enorme máquina de entortar homens; de que possamos nós, profissionais da comunicação, estar adormecidos; de que movendo uma peça aqui outra ali nesse imenso tabuleiro que é a vida, e mais próximo da nossa realidade como comunicadores, do que representa a informação como argumento, possamos estar fazendo pessoas adormecerem.

Hoje pela manhã, recebi de um amigo um livro de Antoine de Saint-Exupéry chamado Terra dos Homens. Saint-Exupéry, autor francês que durante parte do meu nascer e florescer, incansavelmente, apresentou-me um pouco dos tantos significados que tem a vida. Noto, após uma breve leitura do capítulo que me foi indicado, falo como pessoa e, reitero, futura profissional, que muito ainda tenho a aprender. Maravilhosa constatação. Confesso que este empurrão, tanto do amigo quanto do autor, serviu-me de fonte inspiradora para escrever este artigo.

Vitor Frankl disse que o homem é livre e responsável. Livre para fazer as suas escolhas e responsável pelas consequências de suas ações perante as escolhas que fez. Os meios de comunicação de massa passaram a exercer um papel estruturante na organização da sociedade mundial. Coloco a afirmação de Vitor Frankl em concordância simétrica com a minha: o jornalista, como profissional, também é livre e devidamente responsável pelos seus atos e por aquilo que a eles corresponder.

Acredito poder encaixar aqui algumas das palavras de Saint-Exupéry, que em uma viagem de trem da França à Polônia, ao observar operários em regresso à terra natal, certa vez rabiscou no papel: “E assim eles pareciam ter perdido um pouco da qualidade humana. Nos fardos mal arrumados, mal amarrados, eles haviam juntado apenas seus utensílios de cozinha, suas roupas de cama e cortinas. Mas tudo o que haviam acariciado e amado, tudo a que se haviam afeiçoado em quatro ou cinco anos de vida na França, o gato, o cachorro, os gerânios, tudo tiveram que sacrificar. A vida transmitia-se assim no absurdo e na desordem daquela viagem. Uma criança chupava o seio de sua mãe que de tão cansada parecia dormir. Olhei o pai. Um crânio pesado e nu como uma pedra. Um corpo dobrado no desconforto do sono, preso nas suas vestimentas de trabalho, um rosto escavado com buracos de sombra e saliências de ossos. Aquele homem parecia um monte de barro. E ele, que hoje é apenas uma máquina de cavar e martelar, sentia assim no coração uma deliciosa angústia. O mistério está nisso: eles se terem tornado esses montes de barro. Por que terrível molde terão passado, por que estranha máquina de entortar homens? Um animal ao envelhecer conserva a sua graça. Por que a bela argila humana se estraga assim? Sento-me diante de um casal. Entre o homem e a mulher a criança, bem ou mal, havia se alojado e dormia. Volta-se, porém, no sono, e seu rosto me aparece sob a luz da lâmpada. Ah, que lindo rosto! Havia nascido daquele casal uma espécie de fruto dourado. Daqueles pesados animais havia nascido um prodígio de graça e encanto. E disse comigo mesmo: eis a face de um músico, eis Mozart criança, eis uma bela promessa da vida. Protegido, educado, cultivado, que não seria ele? Quando, por mutação, nasce nos jardins uma rosa nova, os jardineiros se alvoroçam. A rosa é isolada, é cultivada, é favorecida. Mas não há jardineiros para os homens. Mozart criança irá para a estranha máquina de entortar homens. Mozart fará suas alegrias mais altas da música podre na sujeira dos cafés-concertos. Mozart está condenado. E o que me atormenta aqui não é a caridade. Não se trata da gente se comover sobre uma ferida eternamente aberta. Os que a levam não a sentem. É alguma coisa como a espécie humana, e não o indivíduo, que está ferida, que está lesada. Não creio na piedade. O que me atormenta não é essa miséria na qual, afinal de contas, um homem se acostuma, como no ócio. O que me atormenta, as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são essas faces escavadas nem a feiúra. É Mozart assassinado, um pouco em cada um desses homens.”

Qual é o valor da informação? Quero encontrar esta resposta nas faces do público que recebe e absorve a mensagem por nós, jornalistas, emitida. E que junto de mim esteja sempre a lembrança das palavras de Exupéry. Realista é o mercado. Eu sou uma futura profissional, que crê piamente na essência do significado deste ofício: a comunicação. Hei de levar comigo a seguinte frase: “Só o espírito, soprando sobre a argila, pode criar o homem.”

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O Japão e a Mídia

março 18, 2011

Japão, 11 de março de 2011

Imprensa X Desastre

Há uma semana, um terremoto de 8,8 graus na escala Richter e posterior tsunami com ondas de até seis metros de altura atingiram a costa nordeste do Japão, devastando cidades inteiras. Em última atualização de autoridades do país, o número de mortos foi elevado a 6.911 e o de desaparecidos a 10.319. O governo japonês também luta para evitar um desastre nuclear após vazamentos ocorridos na Usina de Fukushima, localizada no entorno do epicentro do tremor.

São desastres de magnitude sem precedentes no país, como afirmou Naoto Kan, primeiro-ministro do Japão. Um acontecimento como este marca de forma trágica a história da humanidade. Há necessidade de noticiar, a população mundial precisa estar ciente das causas e consequências do acidente. O papel da imprensa, mais do que nunca, é o de informar, cobrindo os fatos, debatendo o tema, mantendo-se em alerta 24 horas para que tudo chegue a tempo ao conhecimento da opinião pública.

O por menor incide no excesso, no viés, nos meios escolhidos para transmitir o conteúdo. Faz sete dias que não se fala em outra coisa. Todos os veículos tocam a mesma tecla, as manchetes entopem o leitor, ouvinte, telespectador de detalhes em níveis entorpecedores. Existe limite entre o bem informar e o utilizar de material jornalístico para fins promocionais. Os próprios japoneses já pediram para que a imprensa pare, mas a insistência em seguir marcha parece não ter fim. Abusar de sensacionalismo e tratar da catástrofe como forma de ganhar dinheiro enviesa o processo e inibe o fluxo coerente, crítico e qualitativo do produto informativo. Infelizmente esta parece ser uma prática corriqueira da imprensa mundo afora. E o público? Que se dane. Uma mídia comprometida (no mau sentido), a qual presta um desserviço ao receptor de tudo o que ela desenvolve não está preocupada com o umbigo alheio.

As chuvas voltaram

janeiro 18, 2011

Crédito de foto: O Estado de S. Paulo

“Precisa-se averiguar para saber onde foi que as autoridades erraram. Houve tempo de avisar as pessoas e ninguém avisou ninguém, houve tempo de evitar tantas mortes.” Daniel Jobim, neto do maestro Antônio Carlos Jobim, em depoimento dias após a casa de veraneio de seu avô – localizada em São José do Vale do Rio Preto – ter sido arrasada pela enchente que devastou a região serrana do Rio de Janeiro.

Mais um ano se passou sem que providência fosse tomada. As chuvas voltaram, como de costume no verão, e novo dilúvio atingiu Estados do nordeste e sudeste brasileiro. O caso mais grave ocorreu na madrugada do dia 12 de janeiro de 2011. Após curto período de precipitação intensa, uma enxurrada de lama desceu inúmeros morros abaixo, deixando por onde passou um rastro de destruição e morte. Cerca de cinco municípios fluminenses foram engolidos pela força das águas. As imagens de ruína e o número de mortos, mais de 600 até a manhã de hoje, revelam o maior desastre natural da história do Brasil.

– Nunca antes na história deste País?

Nunca se viu tamanho descaso para com as necessidades reais do povo. De que adianta promover um mega programa habitacional – com proporções inigualáveis se comparadas a ações anteriores – se, ao mesmo tempo, não há princípio ou braço do governo que impeça a proliferação de construções irregulares em áreas de risco? A lei vigente proíbe a ocupação de encostas com mais de 45 graus de inclinação, mas há fiscalização? A culpa é de pessoas ignorantes, mal educadas, irresponsáveis? Não.

Na Austrália foi constatado o maior volume pluviométrico da temporada. Choveu, em localidades como Queensland, pelo menos 100 mm a mais do que no Rio de Janeiro. A diferença? Entre as ações preventivas implantadas pelas autoridades australianas está a retirada antecipada dos habitantes de áreas que serão alagadas. Por que lá e não cá? Falta de verba? Não. Só com a arrecadação de impostos, o governo teria fôlego de sobra para o desenvolvimento de projetos com alto poder de alcance.

O que falta então? Ontem, em um dos noticiários da televisão, uma moradora que havia perdido tudo (menos a sua vida e a de seus parentes: uma vitoriosa, por mais paradoxal que seja a afirmação), relatou que a população assiste ao mesmo espetáculo ano após ano. “Só mudam os personagens, mas o cenário é o mesmo”, disse em declaração a uma repórter.

Falta vontade política, empenho de nossos governantes, envolvimento conjunto dos poderes em prol de metas efetivas que visem à solução do problema. A presidente Dilma Rousseff apresentou-se ao País de forma devida, cumprindo, que fique claro, com a sua obrigação. A líder suprema da nação tomou frente e colocou alguns pingos nos is, enfatizando, por exemplo, a necessidade de haver um trabalho coeso entre prefeituras, governos estaduais e União na busca pelo desfecho satisfatório da situação. Entretanto, a sua postura só terá valor prático e digno de um olhar aprovável e respeitoso se, e somente se, as deliberações entre políticos se transformem em realidade.

O que se entende por ‘final feliz’ tem a ver com um direito do cidadão. Pensar em algo positivo depois de famílias terem sido exterminadas com as chuvas de anos a fio exige esforço. A questão pede urgência. O povo não pode mais esperar. Quantas vidas valem a morosidade do Estado? Está na hora de ser dado um basta na paralisia do poder público, pois se as autoridades fecharem novamente os olhos para o problema, em 2012, as chuvas voltarão, como de costume, e haverá nova lista de mortos em algum lugar do mapa brasileiro.

Código Florestal

Uma matéria publicada ontem no Caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo emplacou o seguinte título: “Revisão do Código Florestal pode legalizar área de risco e ampliar chance de tragédia.” Abordei no post Meio Ambiente – de 5 de agosto de 2010 –, a questão referente às alterações sugeridas pelo novo Código Florestal Brasileiro, em trâmite no Congresso. A proposta, a qual deixa de considerar topos de morro como áreas de preservação permanente, liberando a construção de habitações em encostas, já foi aprovada por uma comissão especial e deve ser votada em março. Entre os ditos e não ditos que envolvem o imbróglio, resta aos estupefatos afirmar que este, por razões óbvias, este é o caminho errado.

Papel da imprensa

Cabe à imprensa cobrir os fatos de forma direta e crítica, abrindo espaço para a discussão das causas da tragédia. O debate sobre o tema é fundamental para que a população tome conhecimento de seus direitos. Análises profundas de especialistas apontam para o maior responsável pelas centenas de mortes: o Estado. A maioria dos veículos de comunicação do Brasil trabalhou o viés sensacionalista da enxurrada. A abordagem simplista desvirtua a informação e presta um desserviço à nação.

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Maiores informações sobre como ajudar as vítimas da enxurrada na região serrana do RJ aqui.