A Coletora de Flores

maio 14, 2013

Histórias de um país desconhecido, feitas para o povo brasileiro…

aguarde!

 

Capivari, Minas Gerais

Fomos ao encontro de Dona Anita. O carro ficou para trás da cerca; nós seguimos adiante. De um lado, os picos rochosos do Itambé. Do outro, a mata rasteira com variações verde acinzentadas. Alguns metros à frente e lá estavam, sobre a pedra, os primeiros sinais da senhora pequerrucha, dourada de sol, sorvida pelo tempo, humana até o último fio do cabelo trançado. Eram ramalhetes de flores sempre-vivas, geometricamente amarrados e bem distribuídos. A cena cabia precisa na descrição que eu tinha dela. Paramos ali com os olhos pregados nos pastos a sua procura. Nada! Voltamos para a estrada de chão batido. Estávamos perto de sua casa. Ao aproximarmo-nos, pouco a pouco, sua figura ampliava. Dona Anita estava sentada sobre o gramado, pernas esticadas, lenço na cabeça, tronco curvado, mãos firmes a armar os molhos de macela, todos a formar um círculo amarelo ao redor de seu corpo enxuto. Trocamos cumprimento. – “Oi, prazer!” Seus olhos grandes e verdes transmitem serenidade e disposição. Apesar de maltratada pela lida, ela mantém o brilho d’alma intacto. Tem fala ligeira; é preciso tento para entender o que diz. A simplicidade se apresenta tão bela quanto a doçura de seu todo… uma constituição inteira, graciosa, desprovida de ruídos. A senhora solitária e trabalhadeira nos recebeu de braços abertos. Bastante expressiva, levantou-se para nos estender a palma da mão dura e forte. – “Vamo entrano. Tem café coado.” Mora numa casinha erguida no muque pela companheira de cata, Lurdes. Só Anita, vive ali há 28 anos. A tapera com telhado baixo e piso de barro fica nos altos da serra, isolada, quieta entre um quintal de limoeiros, pés de cana e quaresmeiras, a árvore que mais se avista nas redondezas. Bom que estamos em época de floração. Há tantas que basta perambular um tiquinho para dar de fuças com pencas de suas flores roxas.

 

Foto Tom Alves

Capivari.arquivo alta20

 

Confira

maio 14, 2013

Texto Carolina Pinheiro Foto Tom Alves

O turismo de base comunitária desenvolvido em Capivari, pequenino vilarejo debruçado sobre os campos rupestres da Serra do Espinhaço, Minas Gerais, vai virar reportagem na Revista Sagarana. As paisagens deslumbrantes e o pioneirismo do povo tradicional na prática da modalidade em uma região marcada pela cultura da roça serão destaque da edição 44. Em breve, nas bancas!

Mais um trabalho realizado ao lado do fotógrafo Tom Alves.

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Turismo de Base Comunitária(16)_com Tom Alves

 

VAGAS ABERTAS

Oportunidade única para os apaixonados por fotografia e adeptos da vida ao ar livre. Durante o feriado de carnaval, de 8 a 12 de fevereiro, o workshop promovido por Tom Alves e Eduardo Gontijo, em Capivari, Minas Gerais, abrirá espaço para a troca e interação entre profissionais e aprendizes; revelará histórias sobre o povo e a cultura mineira; e desvendará as belezas das paisagens do cerrado em um lugar pioneiro no desenvolvimento do turismo de base comunitária. O pequenino vilarejo, localizado no sopé do Pico do Itambé, tem na prática dessa modalidade de receptivo uma importante fonte de renda. As famílias de moradores abrem as suas casas para os visitantes, integrando-os rapidamente aos hábitos locais. Debruçado sobre os campos rupestres da Serra do Espinhaço, Capivari encanta e traz a quem chega a percepção ampla da identidade de um dos estados mais emblemáticos do Brasil.

APADRINHAMENTO

Os participantes poderão também contribuir com a educação das crianças residentes, doando material escolar para as famílias da região.

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Mais sobre os fotógrafos em www.tomalves.com.br e olhares.uol.com.br.