Direto do MObfloripa

maio 4, 2011

EXTRA SIMIESCO

A macaca agora está no MObfloripa

“O MobFloripa, ou Guia de Mobilidade de Florianópolis, oferece informações sobre os meios de transporte da Capital. Aqui você encontra dados completos sobre o transporte coletivo, como horários de linhas de ônibus, tarifas e itinerários, transporte rodoviário, táxis, aviões, embarcações, aluguel de diferentes veículos, caronas, opções para portadores de necessidades especiais, novidades, links, downloads e muito mais.”

viaMObfloripa.

Bicicletada Floripa

maio 2, 2011

RELATO

29 de abril de 2011

Data de mais uma Bicicletada na Ilha da Magia. Sorte a nossa, pois a noite estava linda, estrelada e fresca. Lá fomos nós a pedalar pelas ruas e avenidas da cidade. Minha segunda atividade em coletivo ciclourbano e já me senti em casa. Confesso que o medo do trânsito ainda é uma constante. Os motoristas não compartilham as vias, buzinam nos momentos mais inusitados sem razão, mantêm a velocidade alta ao nos ultrapassar e não respeitam a distância de 1,5 m do ciclista. São inúmeras as situações de perigo. No início, senti-me tensa, mas com o passar dos minutos ao lado do grupo eu logo relaxei. A paixão e o propósito sempre falam mais alto. Acredito que temos que nos arriscar pelo que amamos e queremos para nós e para os outros. Como muito bem escreveu o jornalista Thiago Benicchio, “lidar com as adversidades talvez seja a parte mais difícil da vida. Mas viver ainda é melhor que sonhar.”

Nosso pedal levou mais de duas horas, percorremos os bairros Trindade, Agronômica e Centro passando por: Lauro Linhares, Bocaiúva – a ciclofaixa desta rua continua tomada pelos carros, que estacionam despreocupados –, Gama D’eça, Osmar Cunha, Hercílio Luz, Mauro Ramos e Beira-Mar Norte, entre outras.

Deixo na página o registro de minha alegria. Foi muito bom pedalar com o grupo de Floripa, unido, integrador, consciente, bem-humorado, bonito, especial. O “plantão” será mantido em São Paulo, dentro do possível, para a produção de conteúdo sobre a bicicleta, sempre inserindo-a ao espaço urbano e aos problemas que o ciclista encontra diariamente.

Bora!


Fotos Fabiano Faga Pacheco e Vinícius LR
 
 
 
 

Mobilidade Urbana

abril 30, 2011

Que tipo de lugar você quer para viver?


Sessão 2 – Andar de Bicicleta e Andar a Pé: Uma nova perspectiva para as sociedades dependentes de carros

Participei do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, realizado em Florianópolis nos dias 26 e 27 de abril. O evento serviu de espaço para o debate em torno de temas como a acessibilidade de pedestres e ciclovias, as estratégias e o planejamento para soluções em mobilidade urbana e o futuro das tecnologias modais. Houve a participação de grandes nomes da mobilidade urbana internacional como Guillermo (Gil) Peñalosa – coordenador da ONG “8-80 Cities” (Canadá); Niklas Sieber – secretário executivo da Transport Training Initiative – TTi – (Alemanha); Ton Daggers – diretor da Movilization Foundation (Holanda); Rodney Tolley – diretor do Walk 21 (Inglaterra); e Patrick Daude – coordenador Cities For Mobility (Alemanha).

Os especialistas apresentaram projetos implantados em cidades como Stuttgart, Paris, Sevilha e Amsterdã. Processos efetivos de transformação urbana contaram com a inclusão do sistema cicloviário e dos espaços públicos para a circulação de pedestres nos mapas daqueles municípios. A meta foi reduzir o uso de veículos automotores em prol da qualidade de vida dos habitantes. Não há como negar, o excesso de carros circulando por ruas e avenidas cada vez mais estranguladas gera um problema grave em centros urbanos do mundo inteiro. “What kind of place do you want to live?” foi a pergunta chave que norteou as discussões.

Os palestrantes esclareceram sobre o quão importante é: 1. produzir um plano mestre para a utilização de diferentes tipos de modais, 2. integrar rotas cicloviárias inteligentes para facilitar o deslocamento dos usuários e 3. haver pesquisas periódicas junto à comunidade para que as pessoas possam se informar a respeito, entre outros. Destacaram também a necessária promoção de políticas públicas que priorizem a diminuição do tráfego de carros nas cidades e a criação de espaços de convivência em locais que abrigam ruas congestionadas.

Fiquei muito bem impressionada com a competência com que foram realizados tais projetos na Europa. Há, entretanto, um hiato pedregoso entre a visão de países desenvolvidos e países como o Brasil. Em Santa Catarina, por exemplo, o grupo Ciclobrasil, integrado ao Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (CEFID/UDESC), busca há sete anos o respaldo do Governo (Municipal, Estadual, Federal) para o lançamento da Plataforma Catarinense de Mobilidade Sustentável (PCMS). Florianópolis é palco de reivindicações de moradores, como os do bairro Lagoa da Conceição, pela construção de ciclovias. Em 2011, a luta pelo início das obras da ciclovia na Rua Osni Ortiga, uma das mais perigosas da cidade, completa 16 anos. Ao pedalar pelo Centro da Capital, o ciclista se depara com filas quilométricas de carros estacionados em ciclofaixas. Eles reclamam, entram em contato com a Guarda Municipal e Polícia Militar e nada, não há fiscalização ou punição aos infratores. São inúmeros os entraves existentes para que haja uma mudança de postura qualitativa da sociedade brasileira no que diz respeito ao desenvolvimento de metas reais para a área.

Outro fator é a falta de vontade política, empenho das autoridades, inclusão do tema Mobilidade Urbana Sustentável na agenda de nossos governantes. Deliberações sobre uma questão primordial como esta não costumam levar décadas. Foram necessários dez anos para a modificação generalizada do cenário urbano de Stuttgart. Refiro-me a todo o processo de reordenação espacial da cidade, desde a elaboração do projeto até o término das obras.

Consciência individual já é um começo. Se cada um fizer a sua parte, cumprindo o seu papel social, poderemos ganhar voz para pressionar o poder público, de modo que ele trabalhe em nosso benefício, e não o contrário. Pense nisso.

Caso Osni Ortiga (3)

abril 25, 2011

Crédito de foto: Rosane Lima/ND

Florianópolis

Na segunda-feira passada, dia 18 de abril, eu finalmente consegui terminar de colher informações atualizadas sobre um caso que se desenrola há mais de uma década na região leste da Capital: a construção da ciclovia na Rua Osni Ortiga, localizada no bairro Lagoa da Conceição. Das partes envolvidas no processo, estavam em aberto os pareceres da Fundação do Meio Ambiente (FATMA) e da Secretaria Municipal de Obras. A cobertura completa pode ser lida a partir dos posts anteriores Caso Osni Ortiga e Caso Osni Ortiga (2). O retorno que recebi da FATMA via assessoria de imprensa:

“A FATMA recebeu da Secretaria de Obras o projeto de execução da ciclovia e solicitará da Prefeitura Municipal a produção de um Relatório Ambiental Preliminar (RAP). Apesar da obra não ter um porte significativo – o projeto foi enquadrado como melhoria da rodovia –, a construção do passeio exigirá um estudo ambiental complementar. O ofício será encaminhado às autoridades encarregadas de realizar o RAP o mais rápido possível.”

Estive com o Secretário de Obras de Florianópolis, o Sr. Luiz Américo Medeiros. Ele afirmou que:

“Não há retorno da FATMA, estamos aguardando uma resposta sobre o projeto de execução da ciclovia. Após recebermos o parecer da FATMA, teremos condições de dar o próximo passo. Se eles solicitarem a realização de um RAP, nós providenciaremos o mesmo”, diz. Medeiros esclarece que não há previsão de início das obras. “Depois de finalizado o relatório ambiental, o documento será novamente encaminhado aos técnicos da FATMA. Após a sua aprovação, a Secretaria de Obras abrirá licitação para definir a empresa que realizará a obra. Falta verba municipal, mas o projeto foi incluído nos Programas Regionais de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR), do Ministério do Turismo, entre outros. Na melhor das hipóteses, a construção da ciclovia começará em 2012.”

Enquanto isso, os moradores da Lagoa seguem articulados e atentos aos movimentos da Prefeitura. O objetivo da comunidade é manter-se unida na luta pelo início das obras. “Este é um direito que temos e exigimos a tomada de uma providência imediata. Chega de espera. Queremos ação”, comenta Hanna Betina Götz, moradora da região.

MAIS INFORMAÇÕES

movimentociclovianalagoaja.blogspot.com

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Aproveito a oportunidade para disponibilizar na página uma publicação direcionada a todos que acreditam e priorizam a conservação da natureza. O livro O Passeio da Fleur – produzido pela Direção Geral (DG) do Ambiente da Comissão Europeia – conta uma história comovente, simples e estimulante.

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Nos dias 26 e 27 de abril será realizado em Florianópolis o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. O evento contará com a participação de especialistas de vários países e abordará temas como a acessibilidade de pedestres e ciclovias, as estratégias e o planejamento para soluções em mobilidade urbana e o futuro das tecnologias modais. A finalidade é promover a troca de experiências entre cidades na busca de soluções para o problema.

Caso Osni Ortiga (2)

abril 12, 2011

Florianópolis

Estou em fase de apuração das informações sobre a construção da ciclovia na Rua Osni Ortiga, localizada no bairro Lagoa da Conceição. Busco dados atualizados a respeito do caso junto ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf), à Secretaria Municipal de Obras, à Fundação do Meio Ambiente (FATMA) e aos moradores da região. Entrei em contato com a diretora de planejamento do Ipuf, Vera Lúcia Gonçalves da Silva; o Secretário de Obras de Florianópolis, Luiz Américo Medeiros; o presidente da FATMA, Murilo Xavier Flores; o presidente da ViaCiclo e Conselheiro Fiscal da Associação dos Moradores do Porto da Lagoa (Ampola), Daniel de Araújo Costa, o membro fundador do Movimento Ciclovia na Lagoa Já, Luiz Hamilton Moura Ferro; e a moradora entrevistada para a matéria publicada no Jornal Imagem da Ilha em 2006 (disponível no post Caso Osni Ortiga), Hanna Betina Götz. Não consegui falar com os senhores Medeiros e Flores. A orientação é que eu aguarde retorno de integrantes da equipe. Insisto, vamos ver se ainda hoje receberei resposta.

De acordo com as entrevistas que já fiz, o projeto de execução da obra está pronto; foi encaminhado à Secretaria Municipal de Obras; está parado na FATMA desde julho de 2010 a espera de retorno sobre a Licença Ambiental Prévia (LAP); não há, no orçamento público de 2011, verba prevista para a construção desta ciclovia, mas para obras de mobilidade urbana, sem especificação de logradouros; e não existe previsão de início das obras.

Como se desenrola o caso no bairro

O Movimento Ciclovia na Lagoa Já surgiu em 2009 como forma de pressionar as autoridades para a construção da ciclovia na Osni Ortiga. Em abril do mesmo ano, houve a primeira Bicicletada da Lagoa, cuja finalidade foi protestar contra a falta de retorno da Prefeitura Municipal a respeito do assunto. Mais de 200 ciclistas participaram do passeio realizado pelos trechos críticos do bairro onde há necessidade de planejamento de espaço para a circulação de bicicletas e pedestres. Dê um clique sobre a foto abaixo e saiba como o ato repercutiu na imprensa local:

Em abril de 2011, completam-se dois anos de reivindicações em massa para chamar a atenção do poder público. Segundo Luiz Hamilton de Moura Ferro, morador e membro fundador do Movimento, no ano anterior ao início das manifestações ao ar livre foram entregues ao Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, 3 mil assinaturas recolhidas na região exigindo o começo da obra. “Na época, o prefeito comprometeu-se, mais uma vez, com a construção da ciclovia, mas, até o momento, não se tem notícia de seu início”, afirma.

 

O que diz a Prefeitura Municipal de Florianópolis?

Nós criamos o projeto de execução e o repassamos para a Secretaria de Obras do município. Eu sei que ele está em licitação, mas quem pode te informar melhor sobre esta etapa do processo é o Luiz Américo (Medeiros, secretário de obras de Florianópolis). Vera Lúcia Gonçalves da Silva, arquiteta do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf)

Paracer da FATMA em aberto.

Parecer da Secretaria Municipal de Obras em aberto.


O que diz a comunidade da Lagoa da Conceição?

Convocatória de março de 2009

Eles sempre usam a mesma desculpa, dizem que o projeto está pronto. O argumento da Prefeitura é que os próprios moradores são contra a construção de aterro para a ciclovia na região, já que haverá impacto ambiental, que ninguém se entende, como se a culpa fosse nossa. O movimento de moradores é a favor da construção de ciclovias no bairro. Esta é a nossa reivindicação, desejamos menos carros nas ruas. Não temos infraestrutura para essa quantidade de automóveis circulando. Estamos nessa luta há tantos anos que chega a cansar, desanimar, é muito frustrante. As autoridades nos enrolam, parece que desdenham, que não nos levam a sério. Eles jogam para frente, não nos informam sobre o assunto, sabe? Hanna Betina Götz, moradora entrevistada em 2006

Acreditamos que, apesar das reiteradas promessas por parte da Prefeitura, o projeto não faz parte das suas prioridades. A comunidade vai ter de continuar lutando para alcançar os seus objetivos. A orla da Lagoa da Conceição é um patrimônio nosso onde não é possível caminhar com segurança e conforto em razão dos buracos, falta de iluminação e segurança. O lugar segue abandonado pela Prefeitura. Luiz Hamilton de Moura Ferro, morador e membro fundador do Movimento Ciclovia na Lagoa Já

Assista à reportagem sobre o caso veiculada pela TV Câmara em 18 de junho 2009.

 

AGUARDE MAIS INFORMAÇÕES. ACOMPANHE A COBERTURA. INFORME-SE. PARTICIPE.

Caso Osni Ortiga

abril 10, 2011

Em 2006, eu escrevi uma matéria sobre os bastidores que envolviam a construção de ciclovia na Osni Ortiga, uma das ruas mais abandonadas e perigosas do bairro Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O texto publicado na editoria Geral do Jornal Imagem da Ilha revelou detalhes de uma luta que já dura 16 anos. A comunidade da região se mobilizou para reivindicar os seus direitos junto aos órgãos governamentais. Moradores entregaram projeto arquitetônico e paisagístico da área realizado de forma voluntária na Prefeitura, promoveram abaixo assinado, que em 2008 contava com 3 mil assinaturas, criaram o Movimento Ciclovia na Lagoa Já e trouxeram o caso ao conhecimento da opinião pública, entre outras ações. Após cinco anos desde a publicação da matéria, não há sinal de início das obras na rua.

Em 17 de fevereiro de 2011, a comunidade encaminhou, via Associação dos Moradores do Porto da Lagoa (Ampola), um ofício ao presidente da Fundação do Meio Ambiente (FATMA). O documento continha o pedido de informações sobre as providências a respeito da liberação da licença ambiental para a construção da ciclovia na Osni Ortiga. Há menos de um mês, foi criada pela Prefeitura a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta – PRO-BICI. Trata-se do Decreto Lei nº 8867, assinado pelo prefeito da Capital em ato público que ocorreu no dia do aniversário de Florianópolis: 23 de março de 2011.

Depois de tanta movimentação, acredito ser importante reabrir a discussão em torno do assunto. Durante os próximos dias, vou atrás de informações atualizadas, trazendo ao leitor depoimentos das partes envolvidas e todos os dados necessários para bem informar você. Acompanhe a cobertura jornalística sobre o caso, a partir de amanhã, aqui.

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* A matéria a seguir foi publicada originalmente na editoria Geral do Jornal Imagem da Ilha, em 2006.


Comunidade reivindica construção de ciclovia

Moradores preparam abaixo assinado na busca por providência governamental


Fotos Daniel de Araújo Costa e Zé Roberto

A Rua Vereador Osni Ortiga, uma das principais vias de acesso ao bairro Lagoa da Conceição, encontra-se em estado precário. Buracos, pista estreita e falta de sinalização são alguns dos problemas listados pela comunidade, que há mais de uma década reivindica seus direitos junto ao poder público municipal. A maior briga dos moradores é pela construção de uma ciclovia prevista para a rua desde 1999. Um abaixo assinado com mais de mil assinaturas está circulando pela região.

Hanna Betina Götz é uma das moradoras que está à frente da ação comunitária: “São mais de dez anos de descaso. Mas estamos unidos e dispostos a fazer o que for preciso para que as obras da ciclovia iniciem. Já passamos por escolas, estabelecimentos comerciais e residências do bairro recolhendo assinaturas”, diz. Em 1996, os moradores da rua e arredores levaram aos funcionários do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf) um projeto desenvolvido voluntariamente por arquitetos a pedido da comunidade. “Havia um projeto, a verba foi liberada em 2004, e até agora nada”, comenta Hanna. Um dos pontos mais caóticos da via se localiza no entroncamento da Osni com a Avenida das Rendeiras. “Não há semáforo no local. O gargalo termina por ser causa de diversos acidentes.”

O complexo cicloviário de qualquer espaço urbano divide-se em ciclovia, ciclofaixa, via compartilhada e passeio compartilhado. São quatro possibilidades de inclusão da bicicleta nas ruas e avenidas de uma cidade. Vera Lúcia Gonçalves da Silva, arquiteta do Ipuf, afirma que a execução dos projetos, contudo, depende do poder executivo. “Desenvolvemos o material no Ipuf e o encaminhamos para a Secretaria de Obras do município.”

Vera enfatiza que existe uma proposta de inserção das ciclovias no futuro plano diretor da cidade, cujo prazo de entrega foi estendido para outubro de 2007. “O cidadão precisa de conforto, segurança e infra-estrutura. O que falta é uma política que promova o uso da bicicleta”, observa.

Diretrizes para o desenvolvimento de projetos cicloviários (com base na Lei nº 078, de 12 de março de 2001) englobam, em Florianópolis, quarenta e três rotas inteligentes. O número corresponderia a 164 km de área destinada ao ciclista na Capital. Deste total, apenas quatro foram executados pela Secretaria de Obras. A Osni Ortiga é a rota 09 do circuito. Há 2.625 mil metros de área disponível na rua para a construção de uma ciclovia.

Em 1999, na gestão de Ângela Amin, foi criado o primeiro projeto para a execução das obras no local, sem sucesso. Em 2003, o texto foi atualizado pelo engenheiro da divisão de projetos da Secretaria de Obras, Luiz Américo Medeiros, e orçado em R$ 800 mil. Segundo o vereador Alexandre Filomeno Fontes, do PP, a verba foi liberada em 2004, mas perdida. Em matéria publicada pelo Jornal da Lagoa, na primeira quinzena de agosto de 2006, o parlamentar ressaltou que a alocação dos recursos não foi refeita em 2005, e por esta razão, a verba para a construção da ciclovia na Osni Ortiga foi cancelada. O orçamento público do município é votado anualmente pela Câmara Municipal de Florianópolis. Para o ano de 2007, após a votação dos vereadores, a verba orçada para a construção de ciclovias e calçadas na cidade será de R$ 265 mil.

Paulo Prade, residente da rua há quinze anos, relata que esta situação sempre se manteve: “Já vi passarem por aqui vereadores e gente fazendo medição, já teve verba destinada para isso e não sei para onde foi o dinheiro. Nenhuma providência foi tomada. As pessoas querem caminhar aqui no domingo, andar de bicicleta, passear com a família, mas não podem, pois é muito perigoso. Quem não conhece a curva da morte da Osni? É assim que o governo nos trata”, reitera.

O secretário de obras de Florianópolis afirma que o executivo lançou mão do Programa de Recursos Externos, que inclui a negociação de empréstimos em instituições financeiras devido à falta de verba. “Por recursos próprios a prefeitura não tem condições de fazer”, diz. As obras da Operação Tapete Preto (pavimentação e repavimentação asfáltica), em contrapartida, consumirão R$ 17 milhões.

 

Vá de Bicicleta

abril 1, 2011

Bicicletada Floripa promove o uso da “bike”

como meio de transporte urbano

Participei, na sexta-feira passada (25 de março de 2011), da minha primeira Bicicletada. Fui ao encontro dos ciclistas de Florianópolis com a força reservada ao primeiro passo de uma nova etapa da minha vida. Sou a mais nova integrante do movimento pela bike. Eu sempre fui apaixonada por bicicleta. Pedalo com o gosto de quem reconhece – como bem definiu um dos ciclistas que participou deste trabalho –, a importância da bicicleta para si: a sua simplicidade.

A escolha de utilizar a magrela como meio de transporte urbano – na verdade, como veículo para incontáveis tipos de deslocamento – tem a ver com uma mudança de comportamento genuína em prol do bem-estar coletivo. Esta é uma luta por um mundo melhor, mais harmônico, limpo, saudável e integrado. A cada dia e experiência, tenho mais certeza de que é exatamente isso o que eu quero e acredito. A reportagem a seguir é a primeira de uma série. Ela inaugura uma nova categoria do blog chamada Vá de Bicicleta.

Tenha uma excelente leitura. PARTICIPE. ABRACE ESSA IDEIA.

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“A Bicicletada é, acima de tudo, uma manifestação a favor da vida.” “Esta é a importância da bicicleta para mim, a sua simplicidade.” “É um veículo limpo que não contribui com poluição sonora e ajuda a desafogar o trânsito.” “Quando comecei, fiquei super animada, empolguei-me, tudo mudou para melhor.” “As pessoas precisam estar em meio ao caos para cogitarem alterar as suas rotinas em prol de uma mudança de comportamento.”


Fotos: Fabiano Faga Pacheco

Versátil, econômica, ecológica e saudável, a bicicleta conquista cada vez mais espaço nas ruas e avenidas de cidades do mundo inteiro. Especialistas apontam a substituição do automóvel pela “magrela” como uma forma de humanizar o trânsito. No Brasil, onde há menos de mil quilômetros de ciclovias construídas, o número de pessoas que adere ao uso da bicicleta como meio de transporte urbano aumenta a cada dia. São milhares de ciclistas a reivindicar os seus direitos de usuários das vias e a disseminar um conceito que prima pela qualidade de vida, autonomia e conservação da natureza.

Da união de forças na busca por um mundo melhor, surgiu a Bicicletada – evento que reúne, nas últimas sextas-feiras (há exceções) de cada mês, inúmeros participantes no país e no exterior. Segundo Fabiano Faga Pacheco, estudante de biologia e “ciclousuário” há seis anos, Florianópolis passou a integrar o circuito em 3 de outubro de 2002. “É a reunião de todos aqueles que pedalam pela utilização da bike como meio de transporte, mas também por lazer, porque é bom andar de bicicleta. Este é um movimento horizontal, sem líderes e aberto a novos integrantes”, diz.

A estilista de 24 anos, Ana Carolina Vivian, comenta que o objetivo é proporcionar o encontro entre ciclistas e dar atenção aos iniciantes, a quem procura por informações. “A bicicleta está presente nas ruas, nós as partilhamos com os motoristas, temos o direito de utilizá-las.” Ana mudou-se para a Capital em 2005 e há dois participa da Bicicletada. “Não há uma rota fixa. O percurso é definido pelos presentes na hora. Costumamos incluir bairros como Córrego Grande, Trindade e Santa Mônica por serem vizinhos.” A estilista relata que a falta de consciência no trânsito é um problema que os ciclistas tentam resolver. “Quando optamos pelo Centro, por exemplo, circulamos pela ciclovia da Beira-Mar Norte e ciclofaixa da Rua Bocaiúva, local em que há sempre dificuldade de transitar. Os motoristas estacionam no espaço reservado ao ciclista. Já acionamos a Guarda Municipal, a Polícia Militar, mas a atitude não costuma surtir efeito”, afirma.

A Capital catarinense possui cerca de 40 km de ciclovias e ciclofaixas. Segundo a arquiteta e urbanista do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), Vera Lúcia Gonçalves da Silva, o projeto de ampliação da malha viária para transportes alternativos inclui a construção de mais 154 km entre conexões e novas rotas. Não há, contudo, previsão de início das obras. A mestranda em ciência da computação, Patrícia Dousseau, utiliza a bicicleta como meio de transporte há dois anos. “A maior dificuldade que encontro está na falta de ciclovias e ciclofaixas na cidade. Quando tem, elas não possuem um trajeto razoável. A ciclovia da Beira-Mar, por exemplo, não chega até o centro. A pessoa precisa atravessar a avenida ou usar a faixa de pedestres durante o percurso”, diz. Patrícia afirma que o desrespeito dos motoristas é um empecilho para o deslocamento seguro. “Eles não costumam respeitar o limite de 1,5 m do ciclista e não diminuem a velocidade quando passam ao lado.”

A falta de investimento em ações que priorizem o uso da bicicleta como meio de transporte urbano é uma constante no Brasil. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelam que a estrutura cicloviária de uma metrópole como São Paulo conta com 37,5 km de ciclovias contra 17 mil km da malha viária. Faga Pacheco ressalta a necessidade de maior divulgação da Bicicletada. “Em 2008, houve uma mudança no formato da Bicicletada, o que gerou maior autonomia para os ciclistas e uma organização no sentido de comunicar, trocar ideias com os motoristas. Começamos a produzir material gráfico, a distribuir panfletos nos semáforos”, diz. A bicicleta é uma das soluções para a mobilidade urbana do futuro. Não há mais vias para a quantidade de carros projetados pela indústria automobilística. “Além de o automóvel despender muita energia, gastar combustível, poluir o ar, causar estresse. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o trânsito está entre as três principais causas de morte do planeta”, afirma.

Apesar da mobilização dos “ciclousuários”, o número de participantes do evento na Ilha continua reduzido. Passeios pela Lagoa chegaram a receber 170 pessoas, a Bicicletada que foi realizada em solidariedade ao atropelamento de ciclistas em massa – ocorrido em Porto Alegre – contou com a presença de aproximadamente 80 participantes. Faga esclarece que Florianópolis é uma cidade com um número considerável de ciclistas, mas que algumas de suas características – como a distância e o relevo – atrapalham o deslocamento das pessoas. “Dos bairros do norte aos do sul, o ciclista pedala 120 km ida e volta. Outra questão é a falta de vias paralelas. A cidade é cortada por rodovias estaduais e vias arteriais, não há alternativas.”

Um passo à frente

Em 2002, a Prefeitura Municipal de Florianópolis em parceria com o IPUF lançou o “Pedalando em Florianópolis – Manual do Ciclista”. O documento de 78 páginas contém informações sobre legislação, segurança, estrutura cicloviária e manutenção de bicicletas. Confira a íntegra do manual.

A urgência em haver uma reformulação nos planos de mobilidade urbana chega a níveis extremos. “Em São Paulo, você fica espremido entre meio-fio e cinco, dez, infinitas pistas para carros. Quando não há mais espaço para fluxo, a prefeitura amplia o número de quê? De pistas. Isso é uma insanidade. Há momentos em que até o ciclista tem dificuldade de transitar em meio àquela quantidade absurda de veículos”, diz Faga.

Lei municipal Pró-Bike

No dia do aniversário de Florianópolis (23 de março de 2011), houve um passeio ciclístico com a participação da sociedade civil e de representantes do governo municipal. Entre as celebrações, destacou-se a pedalada, que percorreu vários trechos da cidade. Mais de 100 ciclistas participaram da ação simbólica, encerrada no Trapiche da Beira-Mar Norte com a assinatura do decreto lei o qual institui a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta – PRO-BICI.

Quem participa

Fabiano Faga Pacheco

“Conforme o número de congestionamentos aumentar, maior será a possibilidade de haver uma mudança de comportamento. O conceito é esquizofrênico, mas real. O diferencial está na formação de mentalidade. A meu ver, quanto maior for a qualidade da educação de um povo, maior será o seu respeito pela vida. A Bicicletada é, acima de tudo, uma manifestação a favor da vida.”

Patrícia Dousseau, 24 anos, mestranda em ciência da computação. Bicicleta como meio de transporte: 2 anos

“Eu utilizo a bicicleta ainda de forma esporádica, mas pretendo passar a utilizá-la mais, inclusive para viajar com o meu namorado. Ele decidiu trocar o carro por bicicleta e hoje faz quase 60 km por dia. A bicicleta deveria ter muito mais destaque como meio de transporte urbano. É um veículo limpo que não contribui com poluição sonora e ajuda a desafogar o trânsito. É um meio de transporte mais barato, saudável e muito menos agressivo, já que, ao contrário de carros e motos, uma bicicleta dificilmente causa graves danos a outra pessoa.”

Ana Carolina Vivian, 24 anos, estilista. Bicicleta como meio de transporte: 4 anos

“Nós usamos a bike para trabalhar, passear, ir ao mercado, viajar, para tudo. Acho que a tendência é que as pessoas passem a usá-la. Os níveis de congestionamento no trânsito estão chegando a limites de tempo e saúde perdidos muito significativos, mas acredito que as coisas só irão começar a mudar quando este limite for ultrapassado. As pessoas precisam estar em meio ao caos para cogitarem alterar as suas rotinas em prol de uma mudança de comportamento.” Ana é proprietária da Pedarilhos, empresa especializada em artigos para cicloturismo e ciclismo urbano.

Gabriela Damaceno, 20 anos, estudante de jornalismo. Bicicleta como meio de transporte: 8 meses

“A bike é tudo para mim. Sinto-me mais independente, além de ser uma ótima atividade. Quando comecei, fiquei super animada, empolguei-me, tudo mudou para melhor. Estou em Florianópolis desde o início de março e até agora não peguei ônibus, faço tudo de bicicleta.”  Em São Paulo, Gabriela participava das atividades promovidas pelo Coletivo Feminino de Ciclistas Pedalinas.org:

Luciano Trevisol, 38 anos, professor de filosofia. Bicicleta como meio de transporte: 28 anos

“Eu uso a bicicleta desde criança, nunca me separei dela para me transportar. Em 1994, fiz minhas primeiras viagens com a bicicleta, percorria uns 200 km entre ida e volta em um fim de semana, conhecia lugares, acampava, era um exercício de autonomia. A bicicleta foi a minha primeira companheira para a liberdade, isto é, para alguém de dez anos ficar a tarde toda longe de casa sem dar satisfações. Com o cicloturismo, eu voltei a sentir essa sensação de liberdade. Esta é a importância da bicicleta para mim, a sua simplicidade. Com ela, você pode ir ao trabalho, à escola, subir uma montanha, divertir-se sem se preocupar com o veículo, com uma manutenção cara, impostos, combustível e acidentes. Aprendi que não vale tanto a pena se deslocar rapidamente pela cidade. Uma vez que tu se acostumas com o tempo que leva para percorrer uma determinada distância de bicicleta e está preparado, é só ir.”

Dia mundial sem carro 22 de setembro

 

BFF BICYCLE FILM FESTIVAL Assista ao vídeo.

ASSOCIAÇÃO DOS CICLOUSUÁRIOS DA GRANDE FLORIANÓPOLIS (VIACICLO) : Um exemplo na luta por melhores condições de mobilidade para usuários de bicicleta, a ViaCiclo emplacou, em 2010, matéria exclusiva no canal de televisão regional TV Barriga Verde. Assista ao vídeo.

Informativo da associação sobre a bicicleta e o Plano Diretor Participativo de Florianópolis: leia aqui.

* Dois textos de panfletos distribuídos na Bicicletada

1. COMPARTILHE A RUA. Caro motorista: A bicicleta é um veículo previsto no Código de Trânsito Brasileiro e o ciclista tem o direito de circular nas ruas com tranquilidade e segurança. – Ao ultrapassar uma bicicleta, reduza a velocidade (art. 220) e mantenha distância lateral de 1,5m (art. 201); – Ao fazer conversões em esquinas ou mudanças de direção, dê passagem a pedestres e ciclistas (art. 38) e use sempre a seta. Preserve a vida: o ciclista não é um obstáculo, mas sim um amigo. Cada bicicleta a mais nas ruas significa um carro a menos. www.bicicletada.org

2.Ciclista, respeite a vida. NÃO FAÇA COM O PEDESTRE O QUE O MOTORISTA FAZ COM VOCÊRespeite sempre a travessia de pedestres. Mesmo se não houver sinal específico, pare e deixe-os passar! O pedestre tem sempre a preferência.Use sempre capacete. Sem ele, um tombo leve pode se tornar uma sequela grave para o resto da sua vida. – Não pedale nas calçadas; demonstre e empurre sua bicicleta. Em situações em que sua segurança esteja em risco e você precise pedalar sobre a calçada, dê absoluta preferência ao pedestre, pedale em baixa velocidade (no máximo 6 km/h), peça licença e use a borda próxima à rua. – Não passe em sinais vermelhos. 60% dos acidentes acontecem em cruzamentos. – Nunca avance sinais vermelhos de pedestre, mesmo que não venha ninguém. – Evite avenidas e ruas de tráfego intenso. Sempre existe um caminho alternativo muito mais seguro e agradável. 10 minutos a mais valem muito mais do que uma vida a menos. – Nunca trafegue pela contramão: uma colisão com um automóvel em sentido contrário será muito pior do que se ele estiver na mesma direção que você. – À noite, use iluminação ou refletores dianteiros e traseiros. www.apocalipsemotorizado.net

ONDE ENCONTRAR

Bicicletada Floripa

ViaCiclo

Bicicleta na Rua

Pedala Floripa

Florianópolis

Com a finalidade de chamar a atenção para ações que visam a conservar a natureza, publico no blog um material que apresenta ao leitor a Estação Ecológica (ESEC) de Carijós. O acervo de fotos da mostra Os Ciclos da Vida foi exposto em locais estratégicos de Florianópolis, levando ao conhecimento da sociedade o trabalho desenvolvido pela ESEC em parceria com o Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza (IC), ONG que há mais de uma década desenvolve projetos socioambientais na capital catarinense e em Unidades de Conservação situadas no litoral do Estado.

Na época de publicação da reportagem que segue abaixo, eu trabalhava como assessora de comunicação do IC. Tive a oportunidade de acompanhar e participar das atividades promovidas pela instituição. Foi uma experiência fantástica. Abraçar a causa e levantar a bandeira por um mundo melhor e mais verde me trouxe um aprendizado único e especial.

Pude vivenciar cada passo dado diariamente pela equipe do Instituto Carijós, que com afinco e profissionalismo, transforma o sonho em realidade, entregando-se e levando para milhares de pessoas um exemplo de vida e uma mensagem consciente de que juntos podemos fazer do planeta um verdadeiro lar. A palavra lar é abrangente e dá a quem a conhece intimamente a certeza do pertencimento. Sinto-me privilegiada por ter estado ao lado de tanta gente nesta luta incansável e fundamental.

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Fotos Anselmo Malagoli

* Matéria publicada originalmente na versão impressa do Cacarijós nº 13 – Informativo do Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza, em janeiro de 201o.

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA OS CICLOS DA VIDA CONQUISTA A ILHA DE SANTA CATARINA

Mostra atrai o olhar da sociedade para a importância de conservar os ecossistemas regionais

Inaugurada em agosto de 2008, a Exposição Fotográfica Itinerante Os Ciclos da Vida completou, em novembro, 15 meses de sucesso percorrendo diversos locais da capital, entre eles a Reitoria e a Biblioteca da UFSC, o Beiramar Shopping, a Estação 261 Bar e Restaurante, em Jurerê Internacional, o Centro Administrativo do Estado de Santa Catarina e a loja Supercenter Beira Mar da rede de supermercados Angeloni. Com objetivo de divulgar a Estação Ecológica (ESEC) de Carijós para todos os setores da sociedade, a mostra constitui uma ferramenta importante de comunicação do trabalho desenvolvido nesta Unidade de Conservação (UC).

Segundo Deisiane Delfino, geógrafa e coordenadora geral do IC, a principal meta é atingir públicos de todas as idades e origens. Três painéis com 43 fotos selecionadas retratam as belezas e os encantos da fauna e da flora da ESEC Carijós sob o olhar do fotógrafo Anselmo Malagoli. Imagens belíssimas do mais complexo ecossistema do planeta – o rastro do jacaré-de-papo-amarelo, os emaranhados das raízes dos mangues, as cores vivas dos caranguejos e a diversidade de pássaros – fazem parte do acervo.

Deisiane esclarece que a mostra ajudou também a divulgar o trabalho realizado pelo Instituto Carijós no entorno da Unidade. “Houve um aumento da procura por vagas de trabalho e de estágio na ONG, além de ser nítido o reconhecimento de nossos projetos pelas pessoas”, afirma.

O Instituto Carijós atua no desenvolvimento de projetos socioambientais há uma década em Florianópolis. “A partir de janeiro de 2010, pretendemos reformular a estrutura da exposição para que ela retome o seu itinerário”, comenta a geógrafa.

Localizada nas Bacias Hidrográficas do Rio Ratones e do Saco Grande, a noroeste da Ilha, a ESEC Carijós é uma UC federal criada em 20 de julho de 1987. Sua área de 7,12 km² abriga inúmeras espécies vegetais e animais de manguezal e restinga: o capim praturá, o caranguejo, a lontra, o marisco, a ostra e mais de 110 espécies de aves. As ações do Instituto contemplam o monitoramento, a pesquisa científica, a educação ambiental e a mobilização de toda a comunidade do entorno da Estação.

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Para maiores informações sobre o Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza, acesse o site www.institutocarijos.org.br

Fronteira entre as Praias do Matadeiro e da Armação


Arquivo pessoal
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Vila de pescadores abriga um dos últimos redutos da cultura ilhéu açoriana

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Nas Trilhas de Floripa

janeiro 20, 2011

Publiquei a reportagem a seguir na edição 160 da Revista Aventura & Ação, que circulou em novembro e dezembro de 2010. Disponibilizo o material na página para que o texto mantenha a sua função após o número ter saído das bancas: informar.

Boa leitura.

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Crédito de foto: Victor Emmanuel Carlson

Com infraestrutura de uma cidade grande, ótimos hotéis e restaurantes, a capital catarinense oferece paisagens fascinantes que fazem a alegria dos amantes da vida ao ar livre. Em meio ao cenário paradisíaco de praias primitivas e muita Mata Atlântica, uma atividade que tem se destacado é o trekking que cativa aventureiros interessados em explorar os cenários mais exclusivos de uma das ilhas mais bonitas do Brasil


A tarde é de calor, o lugar, um dos redutos mais antigos da capital catarinense, a Praia dos Naufragados. Esse cenário, unido ao movimento descontraído das pessoas pela trilha que liga a rústica Caeira da Barra do Sul ao extremo sul da Ilha, convida os visitantes a desfrutar de belos dias de sol. De repente, um burburinho chama a atenção dos turistas na entrada da praia. As pessoas se deslocam em direção ao costão esquerdo de Naufragados, seguem o som da música, e, alguns metros à frente, deparam-se com uma cena atípica: manezinhos (apelido dos habitantes tradicionais de Florianópolis) saúdam as belezas do entorno: “um pedacinho de terra perdido no mar, num pedacinho de terra beleza sem par, jamais a natureza reuniu tanta beleza, jamais algum poeta teve tanto pra cantar.” O trecho do Rancho de Amor à Ilha, o hino oficial de Florianópolis, é entoado por uma dúzia de vozes vibrantes e apaixonadas.

Não por menos, ela é chamada de Ilha da Magia. Dezenas de praias, algumas badaladas, outras selvagens, lagoas, cachoeiras, dunas, encostas e montanhas cobertas pela Mata Atlântica compõem o cenário deste pequeno paraíso litorâneo. Com oferta de inúmeros atrativos, a lha passa, na alta temporada, a abrigar quase um milhão de turistas. Os 408 mil habitantes adaptam suas rotinas para receber os visitantes. Para fugir do agito, a boa pedida é se lançar nas trilhas ecológicas que revelam cenários preservados, uma biodiversidade vibrante, além da cultura tradicional do lugar. São mais de 30 trilhas e caminhos distribuídos pelo território (433 km²) de Norte a Sul.

De acordo com Augusto César Zeferino, geógrafo e autor do livro Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina, existe diferença entre a trilha e o caminho. A primeira costumava ser aberta por desbravadores, interessados em descobrir lugares e conhecer as matas. O segundo possuía uma função mais econômica. “Muitas estradas da Ilha, hoje oficiais, surgiram destes traçados”, esclarece. Os percursos, realizados por dentro da mata ou pelas margens dos costões, levam o caminhante a verdadeiros oásis naturais, alguns próximos de zonas urbanas bastante movimentadas, outros completamente afastados da civilização. Em trilhas como a da Lagoinha do Leste, uma praia selvagem, e dos Naufragados, sul da Ilha, podem ser avistadas espécies da fauna terrestre como cutias, lagartos, saguis e macacos-prego. No céu, um show à parte, protagonizado por cerca de 170 espécies de aves entre as residentes e as migratórias. Em Naufragados, devido à sua localização, é possível ainda avistar botos, e, de julho a novembro, a Baleia Franca. Pescadores que vivem na praia oferecem passeios de barco o ano inteiro.

As trilhas e os caminhos de Florianópolis foram abertos por índios (guarani e carijó), colonizadores luso-açorianos, militares, escravos e pelas próprias comunidades que se instalaram pelos traçados e no entorno das regiões. Seus habitantes mantêm os trajetos até os dias de hoje. “Estes percursos pela mata sempre tiveram importância, antes usados por questões econômicas, sociais e religiosas; hoje, para a prática do ecoturismo e do turismo de aventura”, diz Zeferino.

A riqueza cultural legada por antepassados é apreciada tanto nos casarões em estilo açoriano como nos simplórios ranchos de pesca à beira-mar, ao som de ritmos como o reggae e o samba, em avenidas largas e estreitas servidões (como são chamados os rasgos de terra, alguns pavimentados, que irrompem diversos bairros da cidade). O Ribeirão da Ilha, caminho para a entrada da Trilha dos Naufragados, é um dos mais antigos núcleos de colonização açoriana da capital. Embarcações, como canoas e baleeiras, e peças de artesanato, como balaios e cestos de cipó, preservam tradições centenárias. O bairro é um dos pólos de produtores de ostras de Florianópolis, reunindo bares e restaurantes que servem pratos à base de frutos do mar.

Entre as trilhas e os caminhos selecionados para este roteiro estão a dos Naufragados, da Lagoinha do Leste, do Morro das Aranhas e de Ratones para a Costa da Lagoa. Os critérios utilizados para a sua escolha foram o nível de dificuldade para a realização dos trajetos (todos podem ser feitos sem risco para o caminhante), a diversidade de paisagens e o tempo de percurso.

NAUFRAGADOS

Com início no ponto final da linha de ônibus Caeira da Barra do Sul e final na praia dos Naufragados, a trilha é larga, bem marcada, de fácil acesso e com nível baixo de dificuldade. Tem duração de 40 minutos e extensão de 2.621 metros. Localizada no extremo sul da Ilha, a praia pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e abriga floresta de Mata Atlântica espalhada por montanhas e encostas. Pela trilha encontram-se córregos, alagados e quedas d’água cristalina, entre ruínas de um antigo engenho de farinha e casarões açorianos. Da beira-mar, vê-se o continente, que fica a três milhas náuticas dali: Praia do Sonho, da Pinheira, Guarda do Embaú e Gamboa, em Garopaba. Oficinas líticas incrustadas em pedras do canto esquerdo da praia remontam aos primórdios.

De acordo com Aladir Custódio da Costa, 67 anos, pescador, pela trilha transportavam-se mandioca, milho, lenha, peixes como tainha, anchova, corvina, bagre e tudo o que era produzido pelos aldeões. “A trilha existe há muitos anos. Eu estou aqui há quase 50 e faço o percurso desde moço”, afirma. “Quem utilizava mais eram os moradores daqui, mas de uns 20 anos para cá, as pessoas começaram a desbravar para conhecer e passear. Vem gente de tudo que é canto.”

Naufragados tem este nome por conta dos naufrágios que aconteceram na época da colonização. O mais conhecido ocorreu em 1751, quando uma embarcação com 250 colonos açorianos naufragou no local, deixando 173 mortos e 77 sobreviventes. História, lendas e mistérios cercam a Ilha, manifestando-se na cultura e nos hábitos dos moradores da aldeia, que contam com entusiasmo sobre a mulher da cachoeira, o homem do facão, a cobra do engenho e a história do tesouro. “Há um ponto na baía chamado de pegador. O lugar se transformou em uma referência para muita gente porque se sabe dos restos de embarcação que estão no fundo do mar. Algumas pessoas chegam aqui e me pedem para levar até lá. Elas acham que eu sei onde está o tesouro”, comenta Fernando Bittencurt, pescador de 47 anos.

Bittencurt fundou com Wanderlei Andrino Borges, 41 anos, a Associação Náutica Coraes, que promove passeios de barco pela baía e ilhas, costeando montanhas praticamente intocadas. Quem opta pelo tour no cair da tarde ou início do dia tem o privilégio de cruzar com várias espécies de pássaros nativos: gralhas azuis, garças-brancas, saracuras e aracuãs. Na margem direita da praia, há uma pequena trilha que leva ao Farol dos Naufragados, de onde se avistam o Forte de Nossa Senhora da Conceição (século 18), em Araçatuba, e as ilhas do Papagaio Pequena e Grande. No caminho, o visitante passa por canhões de guerra, registros históricos deixados pelos militares. Outro atrativo de Naufragados são os restaurantes à beira-mar, que oferecem pratos típicos à base de frutos do mar.

Distância Centro – Bairro

Caeira da Barra do Sul: 34 km

LAGOINHA DO LESTE

A trilha da Lagoinha do Leste é famosa por possuir uma das vistas mais belas do litoral catarinense. O percurso, realizado ora pela mata, ora pela beirada de costões, dura cerca de 1h45, sendo considerado de nível médio de dificuldade – há pedras e algumas bifurcações por quase toda a sua extensão (de 3.760 metros). Entre os atrativos da caminhada estão fontes e cursos d’água potável em pelo menos três passagens até a Praia da Lagoinha do Leste.

Muito utilizada por jovens e surfistas atraídos pela natureza selvagem e ondas que podem chegar a três metros de altura, a trilha também caiu no gosto de moradores e todo tipo de visitante, por sua característica primitiva. “O trajeto para a Lagoinha define muito bem o conceito de trilha. A praia é pura e cheia de natureza. O turista chega a um lugar que é um paraíso intocado em plena capital”, afirma Victor Emmanuel Carlson, jornalista, fotógrafo e co-autor do livro Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina. A praia – localizada a sudeste de Florianópolis – pertence ao Parque Municipal da Lagoinha do Leste, criado em janeiro de 1992 com o objetivo de preservar um dos últimos redutos de vegetação primária de Mata Atlântica.

A Lagoinha possui extensão de 1.240 metros e tem este nome por abrigar uma laguna de água salgada (exceto na nascente e nos trechos mais profundos), cuja foz encontra-se na margem esquerda da praia. Diversas pessoas costumam, principalmente em alta temporada, acampar na restinga próxima à laguna. O ‘trilheiro’ que preferir seguir o passeio rumo ao sul da Ilha pode caminhar até o canto direito da praia e cruzar a divisa entre a Lagoinha e a Praia do Pântano do Sul, reduto tradicional da capital. Da Lagoinha ao Pântano há uma trilha bem marcada com um aclive de 194 metros, cujo trajeto é mais leve, apesar do desnível. Esta possui 2.420 metros de extensão percorridos em cerca de 40 minutos. Para recompor as energias da caminhada, vale conferir o cardápio do pitoresco Bar e Restaurante do Arante, no Pântano, famoso por servir uma variada gama de pratos artesanais com sabor caseiro.

Distância Centro – Bairro

Praia do Matadeiro: 21 km

MORRO DAS ARANHAS

Com início no costão sul da Praia do Santinho, a trilha do Morro das Aranhas possui trajeto íngreme, com extensão de 1.400 metros, e duração que varia de 40 minutos a 1h15, a depender do ritmo dos caminhantes. O nível de dificuldade é baixo, embora a subida exija preparo físico. O Costão do Santinho, uma das praias mais badaladas da Ilha por ser sede de um resort de alto padrão, é bastante conhecido por abrigar a maior reserva de oficinas líticas e inscrições rupestres do sul do Brasil. A excelente estrutura do local, reconhecido por lei como Patrimônio Nacional, inclui decks, mirantes e passarelas, e propicia a melhor visualização do sítio arqueológico. O percurso é bem sinalizado, com passagens bem demarcadas e placas de sinalização.

As montanhas cobertas pela Mata Atlântica e a forte arrebentação do mar em rochedos de formação basáltica compõem a paisagem do lugar. Pouco antes da entrada da trilha, o visitante pode apreciar a vista das Ilhas das Aranhas, de onde, segundo a versão popular, hoje oficial, surgiu o nome do antigo distrito. O jeito ligeiro dos manezinhos pronunciarem os vocábulos uniu as duas palavras, transformando-as em um denominativo, ‘Dazaranha’. No topo do morro, que possui 255 metros de altura, a vista panorâmica da Praia dos Ingleses, ao norte, e de Moçambique e Barra da Lagoa, a leste, atrai pessoas de todas as idades. A visibilidade é excelente e a paisagem fantástica.

Distância Centro – Bairro

Costão do Santinho: 40 km

DE RATONES PARA A COSTA DA LAGOA

A trilha de Ratones para a Costa da Lagoa é um dos mais antigos traçados de Florianópolis devido a sua função de aproximar as comunidades que viviam em suas extremidades no passado. Ela foi aberta com objetivos sociais e econômicos. Toda a produção de Ratones que precisava alcançar o Porto da Barra (da Lagoa) era transportada pela trilha em carro de boi ou lombo de mula. O seu início é no Canto do Moreira (Estrada Geral de Ratones) e a sua extensão é de 2.250 metros bem marcados entre subida e descida de um morro de 160 metros de altura.

O percurso inteiro é coberto por vegetação de Mata Atlântica; entre as espécies da fauna estão aves, lagartos e macacos de pequeno porte; e a vista panorâmica do ponto mais alto inclui a Lagoa da Conceição, a Barra (da Lagoa) e o Rio Vermelho. Ratones é o bairro mais preservado do norte da Ilha, com largas propriedades rurais e intensa atmosfera bucólica. Pouco antes da entrada da trilha localiza-se o Sítio Çara Kura, um espaço modelo de práticas ligadas a projetos de permacultura e bioconstrução. O sítio é uma referência para ambientalistas, pois dispõe de um sistema autossustentável integrado à natureza, sem causar impacto. O espaço é visitado por inúmeros grupos de interessados, entre eles moradores, turmas de escolas da capital, estudantes universitários e turistas.

O trajeto termina na Costa da Lagoa, próximo à Praia do Sul – nesta localidade só se chega pela trilha ou de barco. A Lagoa da Conceição, um dos cartões-postais de Florianópolis, divide-se geograficamente entre Porto, Canto, Costa e Barra da Lagoa. A Costa é um dos braços, cuja personalidade ribeirinha se mantém, expressando- se por meio da culinária, do folclore e de costumes. No percurso de barco do Porto à Costa, há contraste entre construções de alto padrão e casas de pescadores, entre a arquitetura arrojada e os ranchos de pesca que sobreviveram à explosão imobiliária que ocorreu na região entre os anos 1980 e 2000, quando famílias de diversas partes do Brasil e do exterior migraram para Florianópolis em busca de qualidade de vida.

Quem optar por estender o passeio, pode escolher um dos restaurantes do “centrinho da Costa” e experimentar um dos pratos típicos oferecidos nos estabelecimentos. Para os caminhantes, a primeira opção é o Restaurante do Cabral, situado no ponto de chegada da trilha. Outras são o Índio, o Coração de Mãe e o Cachoeira. No cardápio, constam a sequência de camarão, peixes fritos, grelhados ou à milanesa, pirão, salada e acompanhamentos. Parte dos barcos que navegam na Costa da Lagoa pertence à frota do Sistema de Transporte Hidroviário Municipal. A grade de horários de saída das embarcações está fixada no Terminal do Porto. A tarifa é de R$ 3,20.

Distância Centro – Bairro

Ratones: 25 km

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DICAS

  • Tênis confortável, próprio para trekking;
  • Roupas leves, que absorvam bem o suor. De acordo com a trilha, é aconselhável usar calças que cubram as pernas;
  • Água e lanche (sanduíches, frutas, barras de cereais, chocolate, biscoitos, etc)
  • Protetor solar;
  • Óculos escuros;
  • Boné ou chapéu;
  • Repelente para insetos;
  • Mochilas resistentes;
  • Lanterna;
  • Guia das trilhas a serem percorridas;

ACESSOS (Florianópolis)

Por via rodoviária

De Porto Alegre: BR-290, BR-101.

De São Paulo: BR-116, BR-375, BR-101.

De Curitiba: BR-101, BR-376.

Por via aérea

Vôos regulares partem das principais capitais brasileiras.

DISTÂNCIAS

Porto Alegre: 476 Km

Curitiba: 300 Km

São Paulo: 705 Km

Brasília: 1.673 Km

MAIS INFORMAÇÕES

www.sc.gov.br

www.pmf.sc.gov.br

www.florianopoliscvb.com.br

www.visitefloripa.com.br

www.guiafloripa.com.br

SERVIÇOS TURÍSTICOS

Santur

(48) 3212-6300

www.santur.sc.gov.br

Secretaria Municipal de Turismo

(48) 3952-7000

Central de Atendimento ao Turista

0800 644 6300/ (48) 3212-6328

Delegacia de Proteção ao Turista

(48) 3222-4065

Florianópolis Convention & Visitors Bureau

(48) 3222-4904/ 3224-1721

TELEFONES ÚTEIS

Polícia 190

Bombeiros 193

Emergências Médicas 192

Polícia Rodoviária 191

Aeroporto (48) 3331-4000

Rodoviária (48) 3212-3100

Tele-Táxi (48) 3240-6009