Confira

maio 14, 2013

Texto Carolina Pinheiro Foto Tom Alves

O turismo de base comunitária desenvolvido em Capivari, pequenino vilarejo debruçado sobre os campos rupestres da Serra do Espinhaço, Minas Gerais, vai virar reportagem na Revista Sagarana. As paisagens deslumbrantes e o pioneirismo do povo tradicional na prática da modalidade em uma região marcada pela cultura da roça serão destaque da edição 44. Em breve, nas bancas!

Mais um trabalho realizado ao lado do fotógrafo Tom Alves.

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Turismo de Base Comunitária(16)_com Tom Alves

 

Nas Trilhas de Floripa

janeiro 20, 2011

Publiquei a reportagem a seguir na edição 160 da Revista Aventura & Ação, que circulou em novembro e dezembro de 2010. Disponibilizo o material na página para que o texto mantenha a sua função após o número ter saído das bancas: informar.

Boa leitura.

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Crédito de foto: Victor Emmanuel Carlson

Com infraestrutura de uma cidade grande, ótimos hotéis e restaurantes, a capital catarinense oferece paisagens fascinantes que fazem a alegria dos amantes da vida ao ar livre. Em meio ao cenário paradisíaco de praias primitivas e muita Mata Atlântica, uma atividade que tem se destacado é o trekking que cativa aventureiros interessados em explorar os cenários mais exclusivos de uma das ilhas mais bonitas do Brasil


A tarde é de calor, o lugar, um dos redutos mais antigos da capital catarinense, a Praia dos Naufragados. Esse cenário, unido ao movimento descontraído das pessoas pela trilha que liga a rústica Caeira da Barra do Sul ao extremo sul da Ilha, convida os visitantes a desfrutar de belos dias de sol. De repente, um burburinho chama a atenção dos turistas na entrada da praia. As pessoas se deslocam em direção ao costão esquerdo de Naufragados, seguem o som da música, e, alguns metros à frente, deparam-se com uma cena atípica: manezinhos (apelido dos habitantes tradicionais de Florianópolis) saúdam as belezas do entorno: “um pedacinho de terra perdido no mar, num pedacinho de terra beleza sem par, jamais a natureza reuniu tanta beleza, jamais algum poeta teve tanto pra cantar.” O trecho do Rancho de Amor à Ilha, o hino oficial de Florianópolis, é entoado por uma dúzia de vozes vibrantes e apaixonadas.

Não por menos, ela é chamada de Ilha da Magia. Dezenas de praias, algumas badaladas, outras selvagens, lagoas, cachoeiras, dunas, encostas e montanhas cobertas pela Mata Atlântica compõem o cenário deste pequeno paraíso litorâneo. Com oferta de inúmeros atrativos, a lha passa, na alta temporada, a abrigar quase um milhão de turistas. Os 408 mil habitantes adaptam suas rotinas para receber os visitantes. Para fugir do agito, a boa pedida é se lançar nas trilhas ecológicas que revelam cenários preservados, uma biodiversidade vibrante, além da cultura tradicional do lugar. São mais de 30 trilhas e caminhos distribuídos pelo território (433 km²) de Norte a Sul.

De acordo com Augusto César Zeferino, geógrafo e autor do livro Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina, existe diferença entre a trilha e o caminho. A primeira costumava ser aberta por desbravadores, interessados em descobrir lugares e conhecer as matas. O segundo possuía uma função mais econômica. “Muitas estradas da Ilha, hoje oficiais, surgiram destes traçados”, esclarece. Os percursos, realizados por dentro da mata ou pelas margens dos costões, levam o caminhante a verdadeiros oásis naturais, alguns próximos de zonas urbanas bastante movimentadas, outros completamente afastados da civilização. Em trilhas como a da Lagoinha do Leste, uma praia selvagem, e dos Naufragados, sul da Ilha, podem ser avistadas espécies da fauna terrestre como cutias, lagartos, saguis e macacos-prego. No céu, um show à parte, protagonizado por cerca de 170 espécies de aves entre as residentes e as migratórias. Em Naufragados, devido à sua localização, é possível ainda avistar botos, e, de julho a novembro, a Baleia Franca. Pescadores que vivem na praia oferecem passeios de barco o ano inteiro.

As trilhas e os caminhos de Florianópolis foram abertos por índios (guarani e carijó), colonizadores luso-açorianos, militares, escravos e pelas próprias comunidades que se instalaram pelos traçados e no entorno das regiões. Seus habitantes mantêm os trajetos até os dias de hoje. “Estes percursos pela mata sempre tiveram importância, antes usados por questões econômicas, sociais e religiosas; hoje, para a prática do ecoturismo e do turismo de aventura”, diz Zeferino.

A riqueza cultural legada por antepassados é apreciada tanto nos casarões em estilo açoriano como nos simplórios ranchos de pesca à beira-mar, ao som de ritmos como o reggae e o samba, em avenidas largas e estreitas servidões (como são chamados os rasgos de terra, alguns pavimentados, que irrompem diversos bairros da cidade). O Ribeirão da Ilha, caminho para a entrada da Trilha dos Naufragados, é um dos mais antigos núcleos de colonização açoriana da capital. Embarcações, como canoas e baleeiras, e peças de artesanato, como balaios e cestos de cipó, preservam tradições centenárias. O bairro é um dos pólos de produtores de ostras de Florianópolis, reunindo bares e restaurantes que servem pratos à base de frutos do mar.

Entre as trilhas e os caminhos selecionados para este roteiro estão a dos Naufragados, da Lagoinha do Leste, do Morro das Aranhas e de Ratones para a Costa da Lagoa. Os critérios utilizados para a sua escolha foram o nível de dificuldade para a realização dos trajetos (todos podem ser feitos sem risco para o caminhante), a diversidade de paisagens e o tempo de percurso.

NAUFRAGADOS

Com início no ponto final da linha de ônibus Caeira da Barra do Sul e final na praia dos Naufragados, a trilha é larga, bem marcada, de fácil acesso e com nível baixo de dificuldade. Tem duração de 40 minutos e extensão de 2.621 metros. Localizada no extremo sul da Ilha, a praia pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e abriga floresta de Mata Atlântica espalhada por montanhas e encostas. Pela trilha encontram-se córregos, alagados e quedas d’água cristalina, entre ruínas de um antigo engenho de farinha e casarões açorianos. Da beira-mar, vê-se o continente, que fica a três milhas náuticas dali: Praia do Sonho, da Pinheira, Guarda do Embaú e Gamboa, em Garopaba. Oficinas líticas incrustadas em pedras do canto esquerdo da praia remontam aos primórdios.

De acordo com Aladir Custódio da Costa, 67 anos, pescador, pela trilha transportavam-se mandioca, milho, lenha, peixes como tainha, anchova, corvina, bagre e tudo o que era produzido pelos aldeões. “A trilha existe há muitos anos. Eu estou aqui há quase 50 e faço o percurso desde moço”, afirma. “Quem utilizava mais eram os moradores daqui, mas de uns 20 anos para cá, as pessoas começaram a desbravar para conhecer e passear. Vem gente de tudo que é canto.”

Naufragados tem este nome por conta dos naufrágios que aconteceram na época da colonização. O mais conhecido ocorreu em 1751, quando uma embarcação com 250 colonos açorianos naufragou no local, deixando 173 mortos e 77 sobreviventes. História, lendas e mistérios cercam a Ilha, manifestando-se na cultura e nos hábitos dos moradores da aldeia, que contam com entusiasmo sobre a mulher da cachoeira, o homem do facão, a cobra do engenho e a história do tesouro. “Há um ponto na baía chamado de pegador. O lugar se transformou em uma referência para muita gente porque se sabe dos restos de embarcação que estão no fundo do mar. Algumas pessoas chegam aqui e me pedem para levar até lá. Elas acham que eu sei onde está o tesouro”, comenta Fernando Bittencurt, pescador de 47 anos.

Bittencurt fundou com Wanderlei Andrino Borges, 41 anos, a Associação Náutica Coraes, que promove passeios de barco pela baía e ilhas, costeando montanhas praticamente intocadas. Quem opta pelo tour no cair da tarde ou início do dia tem o privilégio de cruzar com várias espécies de pássaros nativos: gralhas azuis, garças-brancas, saracuras e aracuãs. Na margem direita da praia, há uma pequena trilha que leva ao Farol dos Naufragados, de onde se avistam o Forte de Nossa Senhora da Conceição (século 18), em Araçatuba, e as ilhas do Papagaio Pequena e Grande. No caminho, o visitante passa por canhões de guerra, registros históricos deixados pelos militares. Outro atrativo de Naufragados são os restaurantes à beira-mar, que oferecem pratos típicos à base de frutos do mar.

Distância Centro – Bairro

Caeira da Barra do Sul: 34 km

LAGOINHA DO LESTE

A trilha da Lagoinha do Leste é famosa por possuir uma das vistas mais belas do litoral catarinense. O percurso, realizado ora pela mata, ora pela beirada de costões, dura cerca de 1h45, sendo considerado de nível médio de dificuldade – há pedras e algumas bifurcações por quase toda a sua extensão (de 3.760 metros). Entre os atrativos da caminhada estão fontes e cursos d’água potável em pelo menos três passagens até a Praia da Lagoinha do Leste.

Muito utilizada por jovens e surfistas atraídos pela natureza selvagem e ondas que podem chegar a três metros de altura, a trilha também caiu no gosto de moradores e todo tipo de visitante, por sua característica primitiva. “O trajeto para a Lagoinha define muito bem o conceito de trilha. A praia é pura e cheia de natureza. O turista chega a um lugar que é um paraíso intocado em plena capital”, afirma Victor Emmanuel Carlson, jornalista, fotógrafo e co-autor do livro Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina. A praia – localizada a sudeste de Florianópolis – pertence ao Parque Municipal da Lagoinha do Leste, criado em janeiro de 1992 com o objetivo de preservar um dos últimos redutos de vegetação primária de Mata Atlântica.

A Lagoinha possui extensão de 1.240 metros e tem este nome por abrigar uma laguna de água salgada (exceto na nascente e nos trechos mais profundos), cuja foz encontra-se na margem esquerda da praia. Diversas pessoas costumam, principalmente em alta temporada, acampar na restinga próxima à laguna. O ‘trilheiro’ que preferir seguir o passeio rumo ao sul da Ilha pode caminhar até o canto direito da praia e cruzar a divisa entre a Lagoinha e a Praia do Pântano do Sul, reduto tradicional da capital. Da Lagoinha ao Pântano há uma trilha bem marcada com um aclive de 194 metros, cujo trajeto é mais leve, apesar do desnível. Esta possui 2.420 metros de extensão percorridos em cerca de 40 minutos. Para recompor as energias da caminhada, vale conferir o cardápio do pitoresco Bar e Restaurante do Arante, no Pântano, famoso por servir uma variada gama de pratos artesanais com sabor caseiro.

Distância Centro – Bairro

Praia do Matadeiro: 21 km

MORRO DAS ARANHAS

Com início no costão sul da Praia do Santinho, a trilha do Morro das Aranhas possui trajeto íngreme, com extensão de 1.400 metros, e duração que varia de 40 minutos a 1h15, a depender do ritmo dos caminhantes. O nível de dificuldade é baixo, embora a subida exija preparo físico. O Costão do Santinho, uma das praias mais badaladas da Ilha por ser sede de um resort de alto padrão, é bastante conhecido por abrigar a maior reserva de oficinas líticas e inscrições rupestres do sul do Brasil. A excelente estrutura do local, reconhecido por lei como Patrimônio Nacional, inclui decks, mirantes e passarelas, e propicia a melhor visualização do sítio arqueológico. O percurso é bem sinalizado, com passagens bem demarcadas e placas de sinalização.

As montanhas cobertas pela Mata Atlântica e a forte arrebentação do mar em rochedos de formação basáltica compõem a paisagem do lugar. Pouco antes da entrada da trilha, o visitante pode apreciar a vista das Ilhas das Aranhas, de onde, segundo a versão popular, hoje oficial, surgiu o nome do antigo distrito. O jeito ligeiro dos manezinhos pronunciarem os vocábulos uniu as duas palavras, transformando-as em um denominativo, ‘Dazaranha’. No topo do morro, que possui 255 metros de altura, a vista panorâmica da Praia dos Ingleses, ao norte, e de Moçambique e Barra da Lagoa, a leste, atrai pessoas de todas as idades. A visibilidade é excelente e a paisagem fantástica.

Distância Centro – Bairro

Costão do Santinho: 40 km

DE RATONES PARA A COSTA DA LAGOA

A trilha de Ratones para a Costa da Lagoa é um dos mais antigos traçados de Florianópolis devido a sua função de aproximar as comunidades que viviam em suas extremidades no passado. Ela foi aberta com objetivos sociais e econômicos. Toda a produção de Ratones que precisava alcançar o Porto da Barra (da Lagoa) era transportada pela trilha em carro de boi ou lombo de mula. O seu início é no Canto do Moreira (Estrada Geral de Ratones) e a sua extensão é de 2.250 metros bem marcados entre subida e descida de um morro de 160 metros de altura.

O percurso inteiro é coberto por vegetação de Mata Atlântica; entre as espécies da fauna estão aves, lagartos e macacos de pequeno porte; e a vista panorâmica do ponto mais alto inclui a Lagoa da Conceição, a Barra (da Lagoa) e o Rio Vermelho. Ratones é o bairro mais preservado do norte da Ilha, com largas propriedades rurais e intensa atmosfera bucólica. Pouco antes da entrada da trilha localiza-se o Sítio Çara Kura, um espaço modelo de práticas ligadas a projetos de permacultura e bioconstrução. O sítio é uma referência para ambientalistas, pois dispõe de um sistema autossustentável integrado à natureza, sem causar impacto. O espaço é visitado por inúmeros grupos de interessados, entre eles moradores, turmas de escolas da capital, estudantes universitários e turistas.

O trajeto termina na Costa da Lagoa, próximo à Praia do Sul – nesta localidade só se chega pela trilha ou de barco. A Lagoa da Conceição, um dos cartões-postais de Florianópolis, divide-se geograficamente entre Porto, Canto, Costa e Barra da Lagoa. A Costa é um dos braços, cuja personalidade ribeirinha se mantém, expressando- se por meio da culinária, do folclore e de costumes. No percurso de barco do Porto à Costa, há contraste entre construções de alto padrão e casas de pescadores, entre a arquitetura arrojada e os ranchos de pesca que sobreviveram à explosão imobiliária que ocorreu na região entre os anos 1980 e 2000, quando famílias de diversas partes do Brasil e do exterior migraram para Florianópolis em busca de qualidade de vida.

Quem optar por estender o passeio, pode escolher um dos restaurantes do “centrinho da Costa” e experimentar um dos pratos típicos oferecidos nos estabelecimentos. Para os caminhantes, a primeira opção é o Restaurante do Cabral, situado no ponto de chegada da trilha. Outras são o Índio, o Coração de Mãe e o Cachoeira. No cardápio, constam a sequência de camarão, peixes fritos, grelhados ou à milanesa, pirão, salada e acompanhamentos. Parte dos barcos que navegam na Costa da Lagoa pertence à frota do Sistema de Transporte Hidroviário Municipal. A grade de horários de saída das embarcações está fixada no Terminal do Porto. A tarifa é de R$ 3,20.

Distância Centro – Bairro

Ratones: 25 km

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DICAS

  • Tênis confortável, próprio para trekking;
  • Roupas leves, que absorvam bem o suor. De acordo com a trilha, é aconselhável usar calças que cubram as pernas;
  • Água e lanche (sanduíches, frutas, barras de cereais, chocolate, biscoitos, etc)
  • Protetor solar;
  • Óculos escuros;
  • Boné ou chapéu;
  • Repelente para insetos;
  • Mochilas resistentes;
  • Lanterna;
  • Guia das trilhas a serem percorridas;

ACESSOS (Florianópolis)

Por via rodoviária

De Porto Alegre: BR-290, BR-101.

De São Paulo: BR-116, BR-375, BR-101.

De Curitiba: BR-101, BR-376.

Por via aérea

Vôos regulares partem das principais capitais brasileiras.

DISTÂNCIAS

Porto Alegre: 476 Km

Curitiba: 300 Km

São Paulo: 705 Km

Brasília: 1.673 Km

MAIS INFORMAÇÕES

www.sc.gov.br

www.pmf.sc.gov.br

www.florianopoliscvb.com.br

www.visitefloripa.com.br

www.guiafloripa.com.br

SERVIÇOS TURÍSTICOS

Santur

(48) 3212-6300

www.santur.sc.gov.br

Secretaria Municipal de Turismo

(48) 3952-7000

Central de Atendimento ao Turista

0800 644 6300/ (48) 3212-6328

Delegacia de Proteção ao Turista

(48) 3222-4065

Florianópolis Convention & Visitors Bureau

(48) 3222-4904/ 3224-1721

TELEFONES ÚTEIS

Polícia 190

Bombeiros 193

Emergências Médicas 192

Polícia Rodoviária 191

Aeroporto (48) 3331-4000

Rodoviária (48) 3212-3100

Tele-Táxi (48) 3240-6009

Nas bancas

novembro 29, 2010

Nas Trilhas de Floripa

A edição 160 da Revista Aventur &Ação já está nas bancas com a minha reportagem Nas Trilhas de Floripa na capa. As 16 páginas contam com um roteiro completo para os amantes da prática de esportes em meio à natureza. O texto une turismo, cultura e história em uma empreitada de repórter pelas trilhas e pelos caminhos da Ilha de Santa Catarina.

Não perca!