O trecho a seguir integra a reportagem Cerrado: um drama em silêncio. Publicada em 2008 na National Geographic Brasil, ela está integralmente disponível no portal Planeta Sustentável, da Editora Abril. Histórias e denúncia da devastação em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do Brasil. Bota suingue da dupla de indomáveis Washington Novaes e Luciano Candisani. “A água foi um dos fios condutores desse trabalho. Queria mostrar que, ao contrário do que a maioria pensa, o Cerrado não é um deserto e, sim, um verdadeiro berço de águas, cheio de rios e nascentes”, relata o fotógrafo.

Diz a história fundamental dos carajás que eles foram criados como peixes – aruanãs – e viviam, imortais, no fundo do grande rio. Como em todo mito de origem, estavam submetidos a uma proibição: não podiam passar por um buraco no fundo das águas. Um dia, porém, um aruanã quebrou a proibição, entrou pelo buraco e saiu numa das deslumbrantes praias de areia branca do Araguaia. Fascinado, retornou ao fundo do rio e contou sua saga a seu povo. E foram todos, juntos, pedir a seu herói criador, Kananciué, que lhes permitisse viver naquela praia branca. Kananciué argumentou que, para isso, teriam de deixar de ser peixes e de ser imortais. Eles aceitaram, e passaram a ser os carajás e a viver à beira do rio. O saudoso psicanalista Hélio Pellegrino costumava dizer que esse mito é uma síntese do que deve ser a sabedoria humana: aceitar a mortalidade para começar a viver.

 

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Travessia

setembro 7, 2012

Texto Carolina Pinheiro Foto Tom Alves

Histórias de um país desconhecido, feitas para o povo brasileiro…

aguarde!

 

Cemitério do Peixe, Minas Gerais

Pessoas muito simples têm a humanidade incrustada na pele. A pureza que existe dentro de cada um é característica marcante do arraial, erguido em homenagem a São Miguel e Almas. Todos estão abertos para o encontro ora com a nudez da vida ora com a devoção ao sagrado. Faz-se convicta a presença inabalável da fé, que acarinha os ânimos e aquece o ambiente.

O povoado, que pertence ao distrito de Costa Sena, em Conceição do Mato Dentro, atrai cerca de cinco mil pessoas durante os dias da festividade. Muitos romeiros carregam de um tudo de casa para o vilarejo. São colchões, bacias, panelas e víveres transportados no lombo de mulas, cavalos, carros-de-boi, bicicletas, caminhões, carroças ou mesmo nas próprias costas dos fiéis. Leia mais sobre o Cemitério do Peixe no post A Cidade das Almas.

 

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 “O sertão é do tamanho do mundo. O sertão é dentro da gente.”

(João Guimarães Rosa)

 

 

Agradecimento ao Nhambuzim e seu rosário de contas povoado de Brasil. Obrigada por ajudarem uma jornalista a abrir essa porteira.