Movido a Vinho

julho 12, 2015

Hoje, o destaque lá na fanpage da Nascente vai para o fotógrafo, amigo, chapa, irmão Tom Alves. O registro de fim de tarde é do lote 57, em Tuiuty, na serra gaúcha. A área de sete hectares leva o visitante a uma das melhores viagens pela história da colonização italiana no Brasil. A família Tomasi produz vinho no porão de casa, local em que recebe a quem chega com o famoso merendim, lanche típico repleto de delícias caseiras como pão, salame e queijo. Espaço mais do que convidativo para a degustação de um belo vinho artesanal.

Acesse a reportagem na íntegra aqui.

 

fazenda dos tomasi

 

Fotos André Dib

 

1Na região do médio Solimões, a pesca de um gigante das águas se tornou prática de referência em desenvolvimento sustentável no Brasil e exterior. De junho a novembro, inúmeros barcos partem todos os dias das beiradas de rio em direção ao interior das áreas cobertas pelas Reservas Mamirauá e Amanã, localizadas em Tefé, estado do Amazonas. São meses dedicados exclusivamente ao manejo participativo do Pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do planeta. A tradição ancestral de dezenas de comunidades ribeirinhas é o principal objeto de pesquisa do Programa de Manejo de Pesca do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). O trabalho realizado há 16 anos por técnicos em parceria com a população transformou a realidade social e ambiental de uma área de mais de três milhões de hectares, extensão superior aos territórios de países como Costa Rica e Suíça.

Segundo Ana Cláudia Torres, 34 anos, coordenadora do Programa, as duas metas primordiais são garantir a sobrevivência das pessoas e preservar os estoques pesqueiros. “No fim do século passado, o declínio drástico da espécie resultou na proibição da pesca dentro dos limites das Unidades de Conservação. O decreto causou impacto imediato na vida das comunidades. Em 1999, o projeto surgiu como medida compensatória às restrições estabelecidas, uma alternativa para o uso sustentável dos recursos”, afirma. O instituto presta assessoria técnica para 10 sistemas (grupos de pescadores) de manejo em Mamirauá e Amanã, e para o sistema Capivara, situado na área de entorno das reservas.

As etapas do processo incluem organização dos grupos; obediência às normas e aplicação do regimento interno (definido por cada sistema); zoneamento e vigilância das áreas de pesca; contagem dos peixes; pesca; monitoramento do pescado; comercialização; divisão dos benefícios e avaliação anual. A captura é permitida dentro do contexto do manejo, sendo que apenas 30% dos adultos contados podem ser abatidos. O restante permanece nos rios para fins de reprodução. Ao longo dos anos, a pesca controlada promoveu o aumento de 427% da população de pirarucus em lagos. O número impressiona. O sucesso da empreitada reflete em diversos setores. Indicadores mostram que, em 2013, 31 comunidades, três colônias, um sindicato e 1.413 pescadores foram beneficiados.

No mesmo ano, a cota capturada – 7.953 peixes, equivalente a 434 toneladas – gerou um faturamento de R$ 2,2 milhões para os manejadores de pirarucu. “A pesca no Amazonas possui grande importância econômica e cultural. A pesquisa mostrou qual é a melhor forma de trabalhar com o recurso na região. O manejo é o responsável por boa parte da renda dos participantes, isso sem falar na recuperação dos estoques”, comenta Ana Cláudia. O próximo desafio é fazer da prática uma política pública. O reconhecimento da atividade ampliará as perspectivas sociais e estimulará cada vez mais o compartilhamento da experiência. Trata-se de um investimento pioneiro com o qual todos saem ganhando. E a natureza agradece!

O projeto é tema da matéria que eu e o fotógrafo André Dib publicamos na edição de março da Revista National Geographic Brasil. Nas bancas!

 

NG divulgação FB

 

Sertão Atravessado

fevereiro 20, 2015

Como integrar preservação ambiental e cultura tradicional sem causar danos a nenhuma das partes? Eu e o fotógrafo Tom Alves fomos até a Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, a procura de respostas. No local, encontramos uma situação preocupante. Inúmeras Unidades de Conservação foram criadas em um território de práticas extrativistas.

Os habitantes dos mais de 300 vilarejos localizados no entorno das áreas protegidas ficaram proibidos de fazer uso dos recursos naturais provenientes de um solo que, há séculos, serve de referência para a sua economia de subsistência. O avanço conservacionista sem contrapartida alguma para a população gera um conflito ainda sem solução. Realidade que coloca em risco a manutenção das comunidades.

Na busca por alternativa, moradores criaram o roteiro Travessia dos Parques e Vilarejos da Terra dos Diamantes. O projeto de desenvolvimento sustentável tem no turismo de base comunitária uma saída para o impasse que se estende há mais de 10 anos. É um trabalho pioneiro e inclusivo, cujo potencial de transformação merece destaque.

A terceira reportagem da série que produzimos foi publicada no site da National Geographic Brasil. Confira a íntegra aqui e boa leitura!

 

travessia

 

Outros olhos

fevereiro 10, 2015

Foto Arquivo Orlando Villas Bôas

Cláudio e Orlando Villas Bôas com índio no Xingu

Orlando e Cláudio Villas Bôas ao lado de um índio no Alto Xingu

Ao iniciarmos pesquisa para o começo de um trabalho, abrimos espaço para a entrada em um novo mundo. Refiro-me a um intervalo de tempo repleto de possibilidades a partir do qual tudo gira em torno de uma busca bastante peculiar. O movimento é ininterrupto e as descobertas, infinitas. É como se o princípio ativasse, por dentro, um mecanismo de transformação. Sairemos inevitavelmente modificados. A perspectiva de ser outra pessoa é tão real quanto o processo de amadurecimento das ideias, do conceito, do projeto como um todo. A documentação tem este poder interminável de surpreender. Você vira uma página e, de repente, dá de cara com um texto como o que segue abaixo, do Cláudio Villas Bôas. Difícil descrever o que senti, mas uma coisa é certa, o Brasil tem urgência em conhecer o Brasil. Mais além. A relação das pessoas, umas com as outras, precisa mudar. Da aproximação consciente e integrada, deste novo olhar sobre o outro, depende o futuro de todos nós.

 

* Extraído do livro O Xingu dos Villas Bôas  (Agência Estado, 2002)

 

Se achamos que o nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra, é acumular riquezas, então não temos nada a aprender com os índios. Mas, se acreditamos que o ideal é o equilíbrio do homem dentro de sua família e dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias para nos dar.

Antes do descobrimento do Brasil, o índio era mais feliz, mais pleno e mais autêntico. Hoje, está sujeito ao processo de nossa evolução. Antes do contato com os civilizados, os índios viviam dentro da simplicidade de seu sistema de valores e movidos unicamente pelas estimulações próprias de sua cultura tradicional. Eram povos não só auto-suficientes, mas absolutamente conscientes daquilo que eram como homens, como sociedade.

Hoje, mesmo com todo o avanço da civilização, tanto no setor da tecnologia como da ideologia, não vemos nem sentimos a presença de uma preocupação de atingir o justo. Isto é, o equilíbrio harmonioso de todas as sociedades humanas. A fatalidade histórica encaminha os povos a se fundirem num só.

O necessário, importante, justo é que essa integração de culturas e de povos seja uma decorrência do progresso. Referimo-nos ao progresso, não ao comumente entendido, mas ao progresso da consciência política e social do mundo em seu todo.

 

A Coletora de Flores

maio 14, 2013

Histórias de um país desconhecido, feitas para o povo brasileiro…

aguarde!

 

Capivari, Minas Gerais

Fomos ao encontro de Dona Anita. O carro ficou para trás da cerca; nós seguimos adiante. De um lado, os picos rochosos do Itambé. Do outro, a mata rasteira com variações verde acinzentadas. Alguns metros à frente e lá estavam, sobre a pedra, os primeiros sinais da senhora pequerrucha, dourada de sol, sorvida pelo tempo, humana até o último fio do cabelo trançado. Eram ramalhetes de flores sempre-vivas, geometricamente amarrados e bem distribuídos. A cena cabia precisa na descrição que eu tinha dela. Paramos ali com os olhos pregados nos pastos a sua procura. Nada! Voltamos para a estrada de chão batido. Estávamos perto de sua casa. Ao aproximarmo-nos, pouco a pouco, sua figura ampliava. Dona Anita estava sentada sobre o gramado, pernas esticadas, lenço na cabeça, tronco curvado, mãos firmes a armar os molhos de macela, todos a formar um círculo amarelo ao redor de seu corpo enxuto. Trocamos cumprimento. – “Oi, prazer!” Seus olhos grandes e verdes transmitem serenidade e disposição. Apesar de maltratada pela lida, ela mantém o brilho d’alma intacto. Tem fala ligeira; é preciso tento para entender o que diz. A simplicidade se apresenta tão bela quanto a doçura de seu todo… uma constituição inteira, graciosa, desprovida de ruídos. A senhora solitária e trabalhadeira nos recebeu de braços abertos. Bastante expressiva, levantou-se para nos estender a palma da mão dura e forte. – “Vamo entrano. Tem café coado.” Mora numa casinha erguida no muque pela companheira de cata, Lurdes. Só Anita, vive ali há 28 anos. A tapera com telhado baixo e piso de barro fica nos altos da serra, isolada, quieta entre um quintal de limoeiros, pés de cana e quaresmeiras, a árvore que mais se avista nas redondezas. Bom que estamos em época de floração. Há tantas que basta perambular um tiquinho para dar de fuças com pencas de suas flores roxas.

 

Foto Tom Alves

Capivari.arquivo alta20

 

Confira

maio 14, 2013

Texto Carolina Pinheiro Foto Tom Alves

O turismo de base comunitária desenvolvido em Capivari, pequenino vilarejo debruçado sobre os campos rupestres da Serra do Espinhaço, Minas Gerais, vai virar reportagem na Revista Sagarana. As paisagens deslumbrantes e o pioneirismo do povo tradicional na prática da modalidade em uma região marcada pela cultura da roça serão destaque da edição 44. Em breve, nas bancas!

Mais um trabalho realizado ao lado do fotógrafo Tom Alves.

______________________

 

Turismo de Base Comunitária(16)_com Tom Alves