Pedaço de mim

outubro 2, 2009

Para Yamara e Cláudio (meus pais).

cambará9Lembro-me como se fosse hoje do dia em que o assisti pela primeira vez Cinema Paradiso. Minha mãe me pegou pela mão – a mim e aos meus irmãos –, éramos pequenos, e nos levou para o cinema. Ela sempre teve o hábito de nos apresentar ao mundo e foi sempre uma aventura inenarrável conhecê-lo pelas suas mãos. Considero tal experiência um privilégio! Obrigada minha estrela, por ter colocado tanto brilho em minha vida com o seu sorriso e a sua força.

O longa-metragem italiano, dirigido por Giuseppe Tornatore e com trilha sonora composta por Ennio Morricone, deixou em mim uma marca eterna. O tempo é implacável, a hora é agora. Nossos laços, todavia, são para sempre. Mamãe repete: “Filha, a única coisa que fica são os vínculos que construímos.”

Cinema Paradiso fala exatamente sobre a ligação forte que pode existir entre as pessoas, a qual se solidifica conforme cada um rega o seu jardim. Não há o que dure se não for bem cuidado, tratado com amor, alimentado com respeito e instigado pela atenção genuína. O meu pai também me ensinou um bocado sobre a simplicidade, integridade e entrega.

Mover-se a amor. Taí a lição trazida do berço. Viverei, portanto, para ser, amar e me abrir a cada passo um pouco mais.  O sentimento tem o poder indiscutível de abraçar a realidade com firmeza. Agradeço aos meus pais pela luz que carrego por dentro. Deixo para eles palavras cobertas de mim:

Deram-me raízes e asas quando nasci. E vivo assim, a renascer…Raízes que sustentam o meu pouso, a minha morada, o carol16meu canto, a minha casa. Sei que sempre estarão lá. Asas que me levam para longe a abrir o coração curioso, largo, solto, faminto de mundo, caminhos, ideias abstratas do desconhecido. Suponho que o concreto se faz de mim aos poucos, absorto, acordado, predisposto. O que encontro é fatia desta liberdade cativante que desembarca em meu olhar e repousa em minha vontade de estar junto de mim acompanhada.