Olhar não é Enxergar

maio 31, 2011

Quando enxerguei São Paulo pela primeira vez, meu coração batia tão forte que mal cabia em meu peito. Passei a refletir sobre aquele emaranhado de sentimentos, todos disparados por uma única faísca: o contato. Creio que estar em algum lugar, habitar determinada cidade, circular por suas ruas e avenidas, partes e artérias não é a mesma coisa que explorar, desbravar, misturar-se, respirar, deixar-se levar, sentir-se imerso, contagiado por um espaço, seja ele urbano ou rural, familiar ou estrangeiro. Vida é a palavra que cabe como luva nesse quebra-cabeça chamado atualidade. Compartilhamos um mundo vazio de esperança, tenso em sua essência, reprimido por lobbies de mercado, murcho de humanidade. Onde reencontrar o brilho do olhar íntimo que adquirimos quando nos relacionamos com um jardim, uma praça ou alameda qualquer do bairro em que moramos?  Como lidar com a metrópole? Li agora um texto que me inspirou a retomar o palavrório que debruço sobre este pedaço de papel sintético. Chama-se O tempo em minha bicicleta. Escrito pelo jornalista Daniel Santini, autor do blog Outras Vias, ele conta com a participação de Takeshi Tomita, um médico cirurgião japonês que Santini conheceu durante sua viagem para o Irã, realizada há meses. Trata-se de um relato belo, simples e instigante. Identifiquei-me com a leitura e decidi publicar no blog minhas primeiras impressões da cidade que não tem mais fim.

* * *

Em São Paulo

Seguem trechos de rabiscos meus para alguns. Divido com os meus leitores uma das experiências mais fortes e ricas de minha história. Por quê? Mudei-me para uma cidade que nem sequer o pé havia colocado, habito-a por conta e risco, carrego comigo a minha bicicleta e a força de quem conhece o seu valor. Minha intenção é a de conquistar.

Quer saber mais?

17 de maio de 2011

ENCONTRO

Cheguei em São Paulo no dia 16 de maio de 2011. Desde então, misturo-me com a cidade. Que sensação indescritível. Não é apenas o espaço urbano a me invadir inteira dia após dia, ou a quantidade de afazeres, a organização das coisas, mas sou eu, só, porém mais acompanhada de mim do que jamais estive na vida, a me abrir para um mundo completamente novo, a escrever uma nova página de meu caminho. Não consigo parar de tremer, tamanha a emoção a me desmontar e montar de novo, a me desarrumar por dentro para em seguida colocar no lugar. O que isso?

Afirmo de prumo: nunca foi tão bom sentir o coração bater.

24 de maio de 2011

Cada novo passo meu na capital paulista abre milhares de janelas, portas, gavetas e horizontes. Uma coisa descomunal e praticamente descontrolada, já que a enxurrada de informação a ser absorvida parece interminável. Se duvidar, acho que esse é o melhor termo para definir São Paulo: INFINITO. Tenho que me adaptar a essa nova realidade, já que vim de um pedacinho de terra maravilhoso, mas pequenino. Morei cinco anos e meio em uma Ilha com o número de habitantes que dois bairros de São Paulo possuem.

A vontade que tenho é de devorar tudo. Os meus novos amigos se divertem comigo. Dizem para ter “caaaaaaaaalma Carol, você terá tempo de conhecer tudo o que quiser. Devagar e sempre”…devagar e sempre? Paulistanos vivem em uma megalópole maluca e desenfreada e acreditam no vagar dos dias e das descobertas. Belo paradoxo.

Há contrastes de todos os tipos, belezas e feiúras, uma overdose de gente, concreto, poluição – vira e mexe, chega a doer respirar -, ruas, avenidas, carros, sobes e desces, barulho, comércio, arranha-céus, viadutos. Como um amigo comentou: moramos na cidade dos superlativos.

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Para ilustrar o turbilhão, publico algumas fotos que andei tirando em minhas idas e vindas.

Arquivo Pessoal
 

Avenida Paulista

Uma das inscrições que integram a fachada do Hospital Santa Catarina. Assino embaixo.

Prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP)

Museu de Arte de São Paulo (Masp)

Avenida 23 de Maio entre 15h30 e 16h

Viaduto do Detran com bicicletinhas pintadas por Marcelo Siqueira

Parque Ibirapuera

Há Araucárias no Ibirapuera

Grafitagem, Museu Afro Brasil, Ibirapuera

Pôr-do-Sol em São Paulo

Parque da Aclimação

Sim, cruzo com cenas como esta em São Paulo

Imponência clara e verdadeira

Contraste. Olha a cidade lá fora, fazendo-se presente, mas sem abalar a força das árvores

Bicicletada de maio. Pedal de 3h percorreu o Centro antigo. A cidade pulsa por todos os seus poros

Marcha da Liberdade pelo direito à expressão, pela democracia do espaço, por uma cidade plural

Bicicletada Floripa

maio 2, 2011

RELATO

29 de abril de 2011

Data de mais uma Bicicletada na Ilha da Magia. Sorte a nossa, pois a noite estava linda, estrelada e fresca. Lá fomos nós a pedalar pelas ruas e avenidas da cidade. Minha segunda atividade em coletivo ciclourbano e já me senti em casa. Confesso que o medo do trânsito ainda é uma constante. Os motoristas não compartilham as vias, buzinam nos momentos mais inusitados sem razão, mantêm a velocidade alta ao nos ultrapassar e não respeitam a distância de 1,5 m do ciclista. São inúmeras as situações de perigo. No início, senti-me tensa, mas com o passar dos minutos ao lado do grupo eu logo relaxei. A paixão e o propósito sempre falam mais alto. Acredito que temos que nos arriscar pelo que amamos e queremos para nós e para os outros. Como muito bem escreveu o jornalista Thiago Benicchio, “lidar com as adversidades talvez seja a parte mais difícil da vida. Mas viver ainda é melhor que sonhar.”

Nosso pedal levou mais de duas horas, percorremos os bairros Trindade, Agronômica e Centro passando por: Lauro Linhares, Bocaiúva – a ciclofaixa desta rua continua tomada pelos carros, que estacionam despreocupados –, Gama D’eça, Osmar Cunha, Hercílio Luz, Mauro Ramos e Beira-Mar Norte, entre outras.

Deixo na página o registro de minha alegria. Foi muito bom pedalar com o grupo de Floripa, unido, integrador, consciente, bem-humorado, bonito, especial. O “plantão” será mantido em São Paulo, dentro do possível, para a produção de conteúdo sobre a bicicleta, sempre inserindo-a ao espaço urbano e aos problemas que o ciclista encontra diariamente.

Bora!


Fotos Fabiano Faga Pacheco e Vinícius LR
 
 
 
 

Caso Osni Ortiga (2)

abril 12, 2011

Florianópolis

Estou em fase de apuração das informações sobre a construção da ciclovia na Rua Osni Ortiga, localizada no bairro Lagoa da Conceição. Busco dados atualizados a respeito do caso junto ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf), à Secretaria Municipal de Obras, à Fundação do Meio Ambiente (FATMA) e aos moradores da região. Entrei em contato com a diretora de planejamento do Ipuf, Vera Lúcia Gonçalves da Silva; o Secretário de Obras de Florianópolis, Luiz Américo Medeiros; o presidente da FATMA, Murilo Xavier Flores; o presidente da ViaCiclo e Conselheiro Fiscal da Associação dos Moradores do Porto da Lagoa (Ampola), Daniel de Araújo Costa, o membro fundador do Movimento Ciclovia na Lagoa Já, Luiz Hamilton Moura Ferro; e a moradora entrevistada para a matéria publicada no Jornal Imagem da Ilha em 2006 (disponível no post Caso Osni Ortiga), Hanna Betina Götz. Não consegui falar com os senhores Medeiros e Flores. A orientação é que eu aguarde retorno de integrantes da equipe. Insisto, vamos ver se ainda hoje receberei resposta.

De acordo com as entrevistas que já fiz, o projeto de execução da obra está pronto; foi encaminhado à Secretaria Municipal de Obras; está parado na FATMA desde julho de 2010 a espera de retorno sobre a Licença Ambiental Prévia (LAP); não há, no orçamento público de 2011, verba prevista para a construção desta ciclovia, mas para obras de mobilidade urbana, sem especificação de logradouros; e não existe previsão de início das obras.

Como se desenrola o caso no bairro

O Movimento Ciclovia na Lagoa Já surgiu em 2009 como forma de pressionar as autoridades para a construção da ciclovia na Osni Ortiga. Em abril do mesmo ano, houve a primeira Bicicletada da Lagoa, cuja finalidade foi protestar contra a falta de retorno da Prefeitura Municipal a respeito do assunto. Mais de 200 ciclistas participaram do passeio realizado pelos trechos críticos do bairro onde há necessidade de planejamento de espaço para a circulação de bicicletas e pedestres. Dê um clique sobre a foto abaixo e saiba como o ato repercutiu na imprensa local:

Em abril de 2011, completam-se dois anos de reivindicações em massa para chamar a atenção do poder público. Segundo Luiz Hamilton de Moura Ferro, morador e membro fundador do Movimento, no ano anterior ao início das manifestações ao ar livre foram entregues ao Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, 3 mil assinaturas recolhidas na região exigindo o começo da obra. “Na época, o prefeito comprometeu-se, mais uma vez, com a construção da ciclovia, mas, até o momento, não se tem notícia de seu início”, afirma.

 

O que diz a Prefeitura Municipal de Florianópolis?

Nós criamos o projeto de execução e o repassamos para a Secretaria de Obras do município. Eu sei que ele está em licitação, mas quem pode te informar melhor sobre esta etapa do processo é o Luiz Américo (Medeiros, secretário de obras de Florianópolis). Vera Lúcia Gonçalves da Silva, arquiteta do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf)

Paracer da FATMA em aberto.

Parecer da Secretaria Municipal de Obras em aberto.


O que diz a comunidade da Lagoa da Conceição?

Convocatória de março de 2009

Eles sempre usam a mesma desculpa, dizem que o projeto está pronto. O argumento da Prefeitura é que os próprios moradores são contra a construção de aterro para a ciclovia na região, já que haverá impacto ambiental, que ninguém se entende, como se a culpa fosse nossa. O movimento de moradores é a favor da construção de ciclovias no bairro. Esta é a nossa reivindicação, desejamos menos carros nas ruas. Não temos infraestrutura para essa quantidade de automóveis circulando. Estamos nessa luta há tantos anos que chega a cansar, desanimar, é muito frustrante. As autoridades nos enrolam, parece que desdenham, que não nos levam a sério. Eles jogam para frente, não nos informam sobre o assunto, sabe? Hanna Betina Götz, moradora entrevistada em 2006

Acreditamos que, apesar das reiteradas promessas por parte da Prefeitura, o projeto não faz parte das suas prioridades. A comunidade vai ter de continuar lutando para alcançar os seus objetivos. A orla da Lagoa da Conceição é um patrimônio nosso onde não é possível caminhar com segurança e conforto em razão dos buracos, falta de iluminação e segurança. O lugar segue abandonado pela Prefeitura. Luiz Hamilton de Moura Ferro, morador e membro fundador do Movimento Ciclovia na Lagoa Já

Assista à reportagem sobre o caso veiculada pela TV Câmara em 18 de junho 2009.

 

AGUARDE MAIS INFORMAÇÕES. ACOMPANHE A COBERTURA. INFORME-SE. PARTICIPE.

Vá de Bicicleta

abril 1, 2011

Bicicletada Floripa promove o uso da “bike”

como meio de transporte urbano

Participei, na sexta-feira passada (25 de março de 2011), da minha primeira Bicicletada. Fui ao encontro dos ciclistas de Florianópolis com a força reservada ao primeiro passo de uma nova etapa da minha vida. Sou a mais nova integrante do movimento pela bike. Eu sempre fui apaixonada por bicicleta. Pedalo com o gosto de quem reconhece – como bem definiu um dos ciclistas que participou deste trabalho –, a importância da bicicleta para si: a sua simplicidade.

A escolha de utilizar a magrela como meio de transporte urbano – na verdade, como veículo para incontáveis tipos de deslocamento – tem a ver com uma mudança de comportamento genuína em prol do bem-estar coletivo. Esta é uma luta por um mundo melhor, mais harmônico, limpo, saudável e integrado. A cada dia e experiência, tenho mais certeza de que é exatamente isso o que eu quero e acredito. A reportagem a seguir é a primeira de uma série. Ela inaugura uma nova categoria do blog chamada Vá de Bicicleta.

Tenha uma excelente leitura. PARTICIPE. ABRACE ESSA IDEIA.

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“A Bicicletada é, acima de tudo, uma manifestação a favor da vida.” “Esta é a importância da bicicleta para mim, a sua simplicidade.” “É um veículo limpo que não contribui com poluição sonora e ajuda a desafogar o trânsito.” “Quando comecei, fiquei super animada, empolguei-me, tudo mudou para melhor.” “As pessoas precisam estar em meio ao caos para cogitarem alterar as suas rotinas em prol de uma mudança de comportamento.”


Fotos: Fabiano Faga Pacheco

Versátil, econômica, ecológica e saudável, a bicicleta conquista cada vez mais espaço nas ruas e avenidas de cidades do mundo inteiro. Especialistas apontam a substituição do automóvel pela “magrela” como uma forma de humanizar o trânsito. No Brasil, onde há menos de mil quilômetros de ciclovias construídas, o número de pessoas que adere ao uso da bicicleta como meio de transporte urbano aumenta a cada dia. São milhares de ciclistas a reivindicar os seus direitos de usuários das vias e a disseminar um conceito que prima pela qualidade de vida, autonomia e conservação da natureza.

Da união de forças na busca por um mundo melhor, surgiu a Bicicletada – evento que reúne, nas últimas sextas-feiras (há exceções) de cada mês, inúmeros participantes no país e no exterior. Segundo Fabiano Faga Pacheco, estudante de biologia e “ciclousuário” há seis anos, Florianópolis passou a integrar o circuito em 3 de outubro de 2002. “É a reunião de todos aqueles que pedalam pela utilização da bike como meio de transporte, mas também por lazer, porque é bom andar de bicicleta. Este é um movimento horizontal, sem líderes e aberto a novos integrantes”, diz.

A estilista de 24 anos, Ana Carolina Vivian, comenta que o objetivo é proporcionar o encontro entre ciclistas e dar atenção aos iniciantes, a quem procura por informações. “A bicicleta está presente nas ruas, nós as partilhamos com os motoristas, temos o direito de utilizá-las.” Ana mudou-se para a Capital em 2005 e há dois participa da Bicicletada. “Não há uma rota fixa. O percurso é definido pelos presentes na hora. Costumamos incluir bairros como Córrego Grande, Trindade e Santa Mônica por serem vizinhos.” A estilista relata que a falta de consciência no trânsito é um problema que os ciclistas tentam resolver. “Quando optamos pelo Centro, por exemplo, circulamos pela ciclovia da Beira-Mar Norte e ciclofaixa da Rua Bocaiúva, local em que há sempre dificuldade de transitar. Os motoristas estacionam no espaço reservado ao ciclista. Já acionamos a Guarda Municipal, a Polícia Militar, mas a atitude não costuma surtir efeito”, afirma.

A Capital catarinense possui cerca de 40 km de ciclovias e ciclofaixas. Segundo a arquiteta e urbanista do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), Vera Lúcia Gonçalves da Silva, o projeto de ampliação da malha viária para transportes alternativos inclui a construção de mais 154 km entre conexões e novas rotas. Não há, contudo, previsão de início das obras. A mestranda em ciência da computação, Patrícia Dousseau, utiliza a bicicleta como meio de transporte há dois anos. “A maior dificuldade que encontro está na falta de ciclovias e ciclofaixas na cidade. Quando tem, elas não possuem um trajeto razoável. A ciclovia da Beira-Mar, por exemplo, não chega até o centro. A pessoa precisa atravessar a avenida ou usar a faixa de pedestres durante o percurso”, diz. Patrícia afirma que o desrespeito dos motoristas é um empecilho para o deslocamento seguro. “Eles não costumam respeitar o limite de 1,5 m do ciclista e não diminuem a velocidade quando passam ao lado.”

A falta de investimento em ações que priorizem o uso da bicicleta como meio de transporte urbano é uma constante no Brasil. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelam que a estrutura cicloviária de uma metrópole como São Paulo conta com 37,5 km de ciclovias contra 17 mil km da malha viária. Faga Pacheco ressalta a necessidade de maior divulgação da Bicicletada. “Em 2008, houve uma mudança no formato da Bicicletada, o que gerou maior autonomia para os ciclistas e uma organização no sentido de comunicar, trocar ideias com os motoristas. Começamos a produzir material gráfico, a distribuir panfletos nos semáforos”, diz. A bicicleta é uma das soluções para a mobilidade urbana do futuro. Não há mais vias para a quantidade de carros projetados pela indústria automobilística. “Além de o automóvel despender muita energia, gastar combustível, poluir o ar, causar estresse. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o trânsito está entre as três principais causas de morte do planeta”, afirma.

Apesar da mobilização dos “ciclousuários”, o número de participantes do evento na Ilha continua reduzido. Passeios pela Lagoa chegaram a receber 170 pessoas, a Bicicletada que foi realizada em solidariedade ao atropelamento de ciclistas em massa – ocorrido em Porto Alegre – contou com a presença de aproximadamente 80 participantes. Faga esclarece que Florianópolis é uma cidade com um número considerável de ciclistas, mas que algumas de suas características – como a distância e o relevo – atrapalham o deslocamento das pessoas. “Dos bairros do norte aos do sul, o ciclista pedala 120 km ida e volta. Outra questão é a falta de vias paralelas. A cidade é cortada por rodovias estaduais e vias arteriais, não há alternativas.”

Um passo à frente

Em 2002, a Prefeitura Municipal de Florianópolis em parceria com o IPUF lançou o “Pedalando em Florianópolis – Manual do Ciclista”. O documento de 78 páginas contém informações sobre legislação, segurança, estrutura cicloviária e manutenção de bicicletas. Confira a íntegra do manual.

A urgência em haver uma reformulação nos planos de mobilidade urbana chega a níveis extremos. “Em São Paulo, você fica espremido entre meio-fio e cinco, dez, infinitas pistas para carros. Quando não há mais espaço para fluxo, a prefeitura amplia o número de quê? De pistas. Isso é uma insanidade. Há momentos em que até o ciclista tem dificuldade de transitar em meio àquela quantidade absurda de veículos”, diz Faga.

Lei municipal Pró-Bike

No dia do aniversário de Florianópolis (23 de março de 2011), houve um passeio ciclístico com a participação da sociedade civil e de representantes do governo municipal. Entre as celebrações, destacou-se a pedalada, que percorreu vários trechos da cidade. Mais de 100 ciclistas participaram da ação simbólica, encerrada no Trapiche da Beira-Mar Norte com a assinatura do decreto lei o qual institui a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta – PRO-BICI.

Quem participa

Fabiano Faga Pacheco

“Conforme o número de congestionamentos aumentar, maior será a possibilidade de haver uma mudança de comportamento. O conceito é esquizofrênico, mas real. O diferencial está na formação de mentalidade. A meu ver, quanto maior for a qualidade da educação de um povo, maior será o seu respeito pela vida. A Bicicletada é, acima de tudo, uma manifestação a favor da vida.”

Patrícia Dousseau, 24 anos, mestranda em ciência da computação. Bicicleta como meio de transporte: 2 anos

“Eu utilizo a bicicleta ainda de forma esporádica, mas pretendo passar a utilizá-la mais, inclusive para viajar com o meu namorado. Ele decidiu trocar o carro por bicicleta e hoje faz quase 60 km por dia. A bicicleta deveria ter muito mais destaque como meio de transporte urbano. É um veículo limpo que não contribui com poluição sonora e ajuda a desafogar o trânsito. É um meio de transporte mais barato, saudável e muito menos agressivo, já que, ao contrário de carros e motos, uma bicicleta dificilmente causa graves danos a outra pessoa.”

Ana Carolina Vivian, 24 anos, estilista. Bicicleta como meio de transporte: 4 anos

“Nós usamos a bike para trabalhar, passear, ir ao mercado, viajar, para tudo. Acho que a tendência é que as pessoas passem a usá-la. Os níveis de congestionamento no trânsito estão chegando a limites de tempo e saúde perdidos muito significativos, mas acredito que as coisas só irão começar a mudar quando este limite for ultrapassado. As pessoas precisam estar em meio ao caos para cogitarem alterar as suas rotinas em prol de uma mudança de comportamento.” Ana é proprietária da Pedarilhos, empresa especializada em artigos para cicloturismo e ciclismo urbano.

Gabriela Damaceno, 20 anos, estudante de jornalismo. Bicicleta como meio de transporte: 8 meses

“A bike é tudo para mim. Sinto-me mais independente, além de ser uma ótima atividade. Quando comecei, fiquei super animada, empolguei-me, tudo mudou para melhor. Estou em Florianópolis desde o início de março e até agora não peguei ônibus, faço tudo de bicicleta.”  Em São Paulo, Gabriela participava das atividades promovidas pelo Coletivo Feminino de Ciclistas Pedalinas.org:

Luciano Trevisol, 38 anos, professor de filosofia. Bicicleta como meio de transporte: 28 anos

“Eu uso a bicicleta desde criança, nunca me separei dela para me transportar. Em 1994, fiz minhas primeiras viagens com a bicicleta, percorria uns 200 km entre ida e volta em um fim de semana, conhecia lugares, acampava, era um exercício de autonomia. A bicicleta foi a minha primeira companheira para a liberdade, isto é, para alguém de dez anos ficar a tarde toda longe de casa sem dar satisfações. Com o cicloturismo, eu voltei a sentir essa sensação de liberdade. Esta é a importância da bicicleta para mim, a sua simplicidade. Com ela, você pode ir ao trabalho, à escola, subir uma montanha, divertir-se sem se preocupar com o veículo, com uma manutenção cara, impostos, combustível e acidentes. Aprendi que não vale tanto a pena se deslocar rapidamente pela cidade. Uma vez que tu se acostumas com o tempo que leva para percorrer uma determinada distância de bicicleta e está preparado, é só ir.”

Dia mundial sem carro 22 de setembro

 

BFF BICYCLE FILM FESTIVAL Assista ao vídeo.

ASSOCIAÇÃO DOS CICLOUSUÁRIOS DA GRANDE FLORIANÓPOLIS (VIACICLO) : Um exemplo na luta por melhores condições de mobilidade para usuários de bicicleta, a ViaCiclo emplacou, em 2010, matéria exclusiva no canal de televisão regional TV Barriga Verde. Assista ao vídeo.

Informativo da associação sobre a bicicleta e o Plano Diretor Participativo de Florianópolis: leia aqui.

* Dois textos de panfletos distribuídos na Bicicletada

1. COMPARTILHE A RUA. Caro motorista: A bicicleta é um veículo previsto no Código de Trânsito Brasileiro e o ciclista tem o direito de circular nas ruas com tranquilidade e segurança. – Ao ultrapassar uma bicicleta, reduza a velocidade (art. 220) e mantenha distância lateral de 1,5m (art. 201); – Ao fazer conversões em esquinas ou mudanças de direção, dê passagem a pedestres e ciclistas (art. 38) e use sempre a seta. Preserve a vida: o ciclista não é um obstáculo, mas sim um amigo. Cada bicicleta a mais nas ruas significa um carro a menos. www.bicicletada.org

2.Ciclista, respeite a vida. NÃO FAÇA COM O PEDESTRE O QUE O MOTORISTA FAZ COM VOCÊRespeite sempre a travessia de pedestres. Mesmo se não houver sinal específico, pare e deixe-os passar! O pedestre tem sempre a preferência.Use sempre capacete. Sem ele, um tombo leve pode se tornar uma sequela grave para o resto da sua vida. – Não pedale nas calçadas; demonstre e empurre sua bicicleta. Em situações em que sua segurança esteja em risco e você precise pedalar sobre a calçada, dê absoluta preferência ao pedestre, pedale em baixa velocidade (no máximo 6 km/h), peça licença e use a borda próxima à rua. – Não passe em sinais vermelhos. 60% dos acidentes acontecem em cruzamentos. – Nunca avance sinais vermelhos de pedestre, mesmo que não venha ninguém. – Evite avenidas e ruas de tráfego intenso. Sempre existe um caminho alternativo muito mais seguro e agradável. 10 minutos a mais valem muito mais do que uma vida a menos. – Nunca trafegue pela contramão: uma colisão com um automóvel em sentido contrário será muito pior do que se ele estiver na mesma direção que você. – À noite, use iluminação ou refletores dianteiros e traseiros. www.apocalipsemotorizado.net

ONDE ENCONTRAR

Bicicletada Floripa

ViaCiclo

Bicicleta na Rua

Pedala Floripa