Trem para as estrelas

setembro 29, 2014

Foto Allan Torres

 

Morre Abelardo da HoraO sonho de Abelardo da Hora era ver a miséria erradicada do país. “Meu trabalho possui duas temáticas fundamentais: o amor e a solidariedade. O amor eu dedico às mulheres. Sem elas, não existiria a vida. A solidariedade eu dedico ao povo.” Um dos grandes nomes da arte brasileira morreu há menos de uma semana e pouco se falou a respeito. O Brasil que o Brasil não conhece precisa vir à tona para que o sentido de pertencimento se transforme em consciência. Saber-se brasileiro é também enxergar-se parte integrada de um contexto fértil cujo potencial de transformação social é ilimitado. Salve a cultura, berço de possibilidades para um amanhã embalado pela bem dita sabença.

 

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Em 2010, quando descobri Abelardo, escrevi o post Trabalho feito um menino.

 

 

Trabalho feito um menino

junho 19, 2010

Instituto Abelardo da Hora

Tempos atrás, folheando uma revista regional, descobri uma preciosidade – o artista plástico pernambucano Abelardo da Hora. Perguntei-me: como posso ignorar o trabalho do único integrante do movimento expressionista brasileiro ainda em atividade? Indaguei-me sobre o quão coletiva poderia ser a ignorância em torno do nome do artista no País. Minha resposta pendeu para o sinal negativo. Balbuciei qualquer coisa contraindo alguns músculos da testa. Não cheguei a me espantar. O Brasil não conhece o Brasil.

Tomei, com prazer, a iniciativa de apresentá-lo a quem se encontra em barco escuro – semelhante ao que eu estava antes de ler a matéria. Selecionei meia dúzia de obras do Abelardo para publicar na página. Todas elas fazem parte do acervo que compõe a mostra Amor e Solidariedade, uma retrospectiva dos 60 anos de carreira do artista. Em 2009, a exposição percorreu capitais como Brasília, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro.

O trabalho de Abelardo imprime as várias faces da cultura brasileira, esbanja originalidade, revela as mazelas de uma nação que convive com os abismos da desigualdade social. “O amor eu dedico às mulheres e a solidariedade ao povo”, afirmou o artista em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo. Entre as esculturas abaixo, retratos do folclore e de danças populares contrastam com cenas da miséria e do sofrimento de populações do semiárido nordestino. Alguns dos materiais utilizados por Abelardo são o bronze, o gesso (grafitado) e o concreto (polido).

Uma curiosidade. A obra Memorial aos Retirantes foi criada em homenagem à mãe do presidente Lula, Dona Lindu. As nove peças que retratam a matriarca e os seus oito filhos se unem a mais de uma centena de trabalhos na mostra, que inclui também peças de cerâmica, gravuras e desenhos.

Abelardo da Hora – aos 85 anos e a pleno vapor (trabalho feito um menino, diz) – é um gênio das artes plásticas! Faz-se urgente que o Brasil o conheça.

Capoeiras

Desamparados

Flora

Memorial aos Retirantes

Banner da mostra comemorativa

No vão livre do MASP (Em novembro de 2009)