Em conversa sobre as peripécias da cena cultural em Porto Alegre, meu irmão – que passa uns dias conosco na Ilha -, apresentou-me o trabalho fabuloso de Maria João e Mário Laginha. Os músicos portugueses estiveram no Porto Alegre em Cena de 2010 com o espetáculo Chocolate. Entre comentários sobre a qualidade virtuosa da dupla, ele me mostrou o clipe da canção Beatriz, composta por Edu Lobo e Chico Buarque, em que os dois a interpretam suspensos sobre o Rio Tejo (Lisboa). Esplendoroso! Chorei de emoção.

Paul in POA

outubro 9, 2010

Deu CERTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Depois de uma epopeia digna de golias, conseguimos eu, minhas irmãs e um amigo comprar os ingressos para o que será, sem dúvida, o show de nossas vidas: Up and Coming Tour by Sr. Paul McCartney, em POA. Como estou me sentindo? Uhuuuuuuuuuuuuu! Indescritível a sensação. Contagem regressiva…faltam 29 dias para pularmos de pára-quedas!!!!!!!!!!! O Beira-Rio vai à loucura. Agueeeeeeeeeeeeenta coração.

Brique da Redenção

outubro 5, 2010

O Brique da Redenção é um dos eventos mais tradicionais da capital gaúcha. Sempre que vou a Porto Alegre adoro caminhar por ali, conhecer “novidades antigas” dispostas em tapetes e tecidos coloridos por dezenas de expositores. São peças decorativas (muitas do início do século XX), artesanatos, bijuterias, plantas medicinais e ornamentais, livros e uma infinidade de opções para os visitantes. Há até mesmo vitrolas a tocar clássicos como smoke gets in your eyes. Um deleite! O Brique ocorre todo o domingo e o site da feira é www.briquedaredencao.com.br. Vale a pena conferir.

Brechó ao ar livre

Cabras da Peste

agosto 21, 2010

Sá & Guarabira

Estou acompanhando a novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, que, diga-se de passagem, depois de Pantanal, foi a coisa mais revolucionária que a teledramaturgia brasileira produziu. Saboreio cada capítulo. Uma orgia.

Naquela época – o folhetim foi ao ar pela primeira vez em 1991 (hoje é o SBT que transmite) –, novelas eram obras originais da criação do roteiro à concepção da trilha sonora. As músicas eram compostas especialmente para elas. Cada personagem de destaque tinha a sua canção. Não que isso fosse uma regra. Algumas músicas eram selecionadas após período de pesquisa.

Lenine

Entre as belas canções que integram a trilha de Ana Raio e Zé Trovão, há três verdadeiros primores: Atrás Poeira, de Ivan Lins e Vitor Martins; Ana Raio, de Xangai, um monstro sagrado da música caipira; e As Voltas que o Mundo Dá, de Lenine. A versão escolhida da primeira foi gravada por Sá & Guarabira, dupla de excelência que faz um fabuloso trabalho vocal. Lembro aos leitores que Atrás Poeira é anterior ao folhetim.

Exceções à parte, todas são obras de craques da MPB. Publico-as na página, deixando o registro para a posteridade. Divido este tesouro, cem por cento brasileiro, com os andantes que pelo blog vagueiam. Aplausos para os nossos cantadores. Cambada de cabras da peste. Puro heave metal, como diria o maestro soberano Antônio Carlos Jobim. O Brasil que o Brasil não conhece era o slogan de abertura das chamadas da novela. E não conhece mesmo.

Xangai

Sobre Xangai, encontrei ainda a riqueza a seguir, escrita por Elomar, outro grande nome do cancioneiro nordestino.

“Xangai, um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas. Remanescente que teima guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra a multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz. Lá vai ele recalcitrante e contumaz cavaleiro, perdulário da bem querência que deixa a índole dissoluta de um pobre povo que habita o espaço rico de uma pátria que ainda não nasceu (…)”

Casa dos Carneiros, minguante de maio de 1991

Elomar Figueira Mello

Publico também o site oficial de Elomar para todos os brasileiros. Um gênio chamado por Vinícius de Moraes de o Príncipe da Caatinga.

1.

2.

3.

Lusco-Fusco

junho 17, 2010

Nos últimos tempos, ouço Chico dia sim e noutro também. Sua música tem rimado com todos os lusco-fuscos de minhas andanças. Está dito: Chico combina com tudo a qualquer hora. Falar o quê?

Há uma canção que ele compôs em parceria com o Edu Lobo, outro danado de nossa MPB, chamada Valsa Brasileira. Fazia anos que não a escutava quando, de repente, ela veio de regresso. Interessante, pois a história que ele conta, fala de uma busca. “…é o B da canção…” já diria o próprio em um especial bárbaro gravado há anos. Não que esse ‘B” citado tivesse algo a ver com a letra curta, com alma destemida, dessa música. O que importa é que no embalo delicado da valsinha, a procura levou ao encontro! Gostei de te rever. Compartilho aqui a tal chegada. E por que não?

 

VALSA BRASILEIRA

Chico Buarque de Hollanda & Edu Lobo

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer

O Trem Correria

junho 15, 2010

Sacudiu-me o desejo de prestar nova homenagem ao circo. O sopro de um sorriso fagueiro revelou-se aos solavancos. Veio feito lampejo de sonoras gargalhadas. O toque de graça acendeu-me inteira como a um lampião em dia de festa. Que bela imagem tingiu a face daquele palhacinho manhoso a assoviar fanfarras em meu ouvido. Sorri. Ele movia-se para lá e cá, deslizando os sapatões pela terra batida de alegria. Trazia consigo a essência de um cometa azul. Largas risadas batiam serpentinas ao redor de minhas vistas. Pareciam asas de passarinhos incandescentes.

O homem colorido falou-me de peripécias. Soltei as mãos da boca ao som estalado da beijoca que lancei aos ares. Ele a catou no amanhecer, movendo a mão abotoada pela luva para dentro do bolso. Certo que a guardou para colar à bochecha quando o relógio soar o tim tom da badalada derradeira. O espetáculo vai terminar. Atenção para a despedida. A caravana parte a fim de tocar fogo na próxima parada. O palhaço me espia sorrateiro. Só mais uma vez. Dá uma piscadela, abana o chapéu de maçã e se vai, deixando dentro de meu pulso a semente de um sol criativo com gosto apurado de quero mais.

Tudo aconteceu enquanto eu atiçava a faísca de dias antigos. Tão bom que trouxe para o meu picadeiro esta obra prima da música brasileira. Na Carreira – composição de Chico Buarque e Edu Lobo – é uma canção que entrega à plateia histórias inebriantes sobre a trupe mais carismática de todos os tempos. Com um clique, ela transforma toda esta linguagem apaixonada na mais pura realidade. Para o circo, com amor.

NA CARREIRA

(Chico Buarque de Hollanda & Edu Lobo)

Pintar, vestir,
Virar uma aguardente para a próxima função
Rezar, cuspir,
Surgir repentinamente na frente do telão
Mais um dia, mais uma cidade pra se apaixonar
Querer casar, pedir a mão
Saltar, sair,
Partir pé ante pé antes do povo despertar
Pular, zunir,
Como um furtivo amante antes do dia clarear
Apagar as pistas de que um dia ali já foi feliz
Criar raiz e se arrancar
Hora de ir embora, quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir
Arte de deixar algum lugar
Quando não se tem pra onde ir
Chegar, sorrir,
Mentir feito um mascate quando desce na estação
Parar, ouvir,
Sentir que tatibitati que bate o coração
Mais um dia, mais uma cidade para enlouquecer
O bem querer, o turbilhão
Bocas, quantas bocas a cidade vai abrir
Pr’uma alma de artista se entregar
Palmas pro artista confundir
Pernas pro artista tropeçar
Voar, fugir,
Como o rei dos ciganos quando junta os cobres seus
Chorar, ganir,
Como o mais pobre dos pobres dos pobres dos plebeus
Ir deixando a pele em cada palco e não olhar pra trás
E nem jamais, jamais dizer
Adeus

Rascunho

junho 12, 2010

Dia 12 de junho de 2010, eu estava dentro do ônibus, sentada na janela, absorvida pela quietude do horizonte recém-nascido. Seguia em direção ao Centro da Ilha. O relógio marcava 7h15. Liguei o rádio, ajustei os fones, sintonizei a Itapema FM. Tocava Love is a losing game, linda canção de Amy Winehouse. Achei curiosa a coincidência.

Love is a losing game (Amy Winehouse)

For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game

Why do I wish I never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game

Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand

Self professed… profound
Till the chips were down
…know you’re a gambling man
Love is a losing hand

Though I’m rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned

Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game