Quilombolas somos nós

junho 22, 2015

Nota sobre passagem pelo Quilombo de Macuco

 

Comunidade Quilombola Macuco

Repórter e fotógrafo ao lado dos moradores

 

Maio de 2014

Chamam de grotas as beiradas de rio. Nelas, mora grande parte dos povos do Vale do Jequitinhonha. Depois da tomada dos chapadões pelo maciço de eucalipto – há 500 mil hectares de área reflorestada por aquelas bandas -, pouco restou dos recursos naturais. O que era difícil, tornou-se inviável a ponto da nova geração de moradores migrar para outros estados atrás do sustento. Os filhos de Macuco, comunidade quilombola da região, trabalham de cortar cana e colher café em fazendas do interior de São Paulo. Vimos várias mulheres se despedindo dos maridos e filhos.

Enquanto elas permanecem em casa roçando os seus quintais, os homens partem na tentativa de fazer dinheiro. Em que condições? Não comentam. Mas é dedutível. Disseram que até pouco tempo não sabiam que descendiam de escravos. Depois da descoberta, o primordial para eles é a conquista do reconhecimento e da demarcação da terra que lhes pertence. Luta que parece sem fim. Quilombolas somos nós! – repetem para quem quer que chegue.

O que chama a atenção é a força. Apesar do histórico, são séculos de opressão, não perdem a esperança. Na foto, um instante de soltura e muitas risadas depois de uma longa conversa sobre cultura, política e reestruturação social. Conhecer os recônditos do Brasil é uma experiência de reencontro com a identidade do país. Esta que precisa ser valorizada para que compreendamos o significado de unidade e completude. Cidadania ainda é uma palavra frágil por aqui, mas mudar tal realidade depende, acima de tudo, de cada um de nós.

 

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2 Responses to “Quilombolas somos nós”

  1. Luzia Magna Di Faria Says:

    Quero conhecer essa e outras comunidades do Vale do Jequitinhonha e ajudar no que puder. Qualquer projeto social voltado para elas pode entrar em contato comigo se precisar de um voluntário.
    Sou formada em Serviço Social, com TCC sobre a comunidade onde fiz pesquisa e trabalhos de campo.
    Moro atualmente em Salvador/Ba, mas sou mineira de Montes Claros e tenho uma casa em São Gonçalo do Rio Preto onde vou com frequência.

    • Carolina Pinheiro Says:

      Luzia, o Jequitinhonha é um canto de Minas que merece visita e atenção. Eis um reduto incrível da cultura popular brasileira. Em falar nela, a próxima edição da Revista Horizonte Geográfico trará reportagem minha sobre as bonequeiras de comunidades tradicionais como Coqueiro Campo e Campo Alegre, outros dois locais da região que indico pra você!


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