A recruta malabares

setembro 1, 2013

monkey_typing

Autora sacode a poeira e volta à cena para dar o recado.

Confira os porquês da escassez de bananas na árvore mais robusta da selva às avessas. A floresta do inverso atende pela alcunha de realidade, a imperativa sinhá do hoje e sempre.

 

O chavão ‘estar com a macaca’ coube na símia como tailleurzinho by Chanel. A rotina de trabalho, inexorável de março para cá, tomou a bichana de tal maneira que quase tudo a tem levado ao contumaz bater de teclas. Em ritmo frenético de entrada da primavera, o que poderia encaixar melhor em constituição rotunda do que incontáveis horas de labuta? Ao corpanzil da macaca se integram desafios para além do feijão com arroz. O princípio tem a ver com experimentar novidades, aprender com o que a vida traz de fresco, desbravar mundo ao lado do que há de mais transformador, a superação de limites, dia após dia.

São milhares de caracteres a tomar páginas e mais páginas, definição de pautas, distribuição de tarefas, apuração de monkey_booksinformações, saídas a campo, inúmeros telefonemas, acertos com equipe, ajustes de projetos, revisão de materiais, fechamento de arquivos, checagem de provas, e para tudo há que se montar plano e manter foco absoluto na meta. Engana-se quem pensa que a história tem um ponto final. Reza a lenda que a dita faz o tipo sem fim.

O encerramento de cada capítulo exige mais do que o processo inteiro: contatos, ampliação de network, desdobramentos, imprevistos, decisões rápidas, objetividade, reuniões de última hora, e a lista segue sem freio por tempo indeterminado.

monkey_phoneQuem disse que é fácil? Viver em contexto contemporâneo é de ouriçar o fio do bigode. Cada passo, contudo, vale a pena. A símia transborda prazer em cada pequena coisa para a qual se dedica. Garra e paixão combinam com a escolha que fez para si. As últimas experiências, por exemplo, a fizeram encontrar caminhos e conhecer realidades surpreendentes. O que poderia ser mais fascinante do que o contato consigo mesma? Em meio ao turbilhão, somam-se constatações inesperadas, pois não há o que pareça mais complexo do que a maturação de quem somos.

A macaca olha para si com orgulho. Transpor barreiras é promover revolução. Esta vitória tem significado amplo, não se resume ao término de projetos profissionais, embora eles representem parte inebriante do todo. Não é específica. O brilho de seus olhos interage diretamente com a exploração de suas vias internas, canais por onde a força pulsa certeira; vincula-se ao reconhecimento de um valor próprio de quem sabe se relacionar com as suas verdades, sejam elas quais forem. – Voilà! Exclama de peito cheio.

Paul Auster abre o seu livro A Invenção da Solidão – excelente leitura –, com uma frase que a macaca considera fantástica. É de Heráclito. Diz assim: “Ao buscar a verdade, esteja pronto para o inesperado, pois é difícil de achar e, quando a monkey_resumeencontramos, nos deixa perplexos.”

Convidativo é o amanhã. Afinal, já diziam os antigos, o melhor ainda está por vir.

* * *

Psicodelia Jobiniana

Para dar fôlego ao rabisco inusitado, nada mais bem posto do que o som acalorado do maquinário a movimentar os dedos sobre as teclas. Trem de Ferro, poema de Manuel Bandeira musicado pelo maestro soberano Antônio Carlos Jobim, ajusta-se preciso a este deflagrado perambular.

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