Cerrado: um drama em silêncio

janeiro 17, 2013

O trecho a seguir integra a reportagem Cerrado: um drama em silêncio. Publicada em 2008 na National Geographic Brasil, ela está integralmente disponível no portal Planeta Sustentável, da Editora Abril. Histórias e denúncia da devastação em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do Brasil. Bota suingue da dupla de indomáveis Washington Novaes e Luciano Candisani. “A água foi um dos fios condutores desse trabalho. Queria mostrar que, ao contrário do que a maioria pensa, o Cerrado não é um deserto e, sim, um verdadeiro berço de águas, cheio de rios e nascentes”, relata o fotógrafo.

Diz a história fundamental dos carajás que eles foram criados como peixes – aruanãs – e viviam, imortais, no fundo do grande rio. Como em todo mito de origem, estavam submetidos a uma proibição: não podiam passar por um buraco no fundo das águas. Um dia, porém, um aruanã quebrou a proibição, entrou pelo buraco e saiu numa das deslumbrantes praias de areia branca do Araguaia. Fascinado, retornou ao fundo do rio e contou sua saga a seu povo. E foram todos, juntos, pedir a seu herói criador, Kananciué, que lhes permitisse viver naquela praia branca. Kananciué argumentou que, para isso, teriam de deixar de ser peixes e de ser imortais. Eles aceitaram, e passaram a ser os carajás e a viver à beira do rio. O saudoso psicanalista Hélio Pellegrino costumava dizer que esse mito é uma síntese do que deve ser a sabedoria humana: aceitar a mortalidade para começar a viver.

 

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