Mobilidade Urbana

abril 30, 2011

Que tipo de lugar você quer para viver?


Sessão 2 – Andar de Bicicleta e Andar a Pé: Uma nova perspectiva para as sociedades dependentes de carros

Participei do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, realizado em Florianópolis nos dias 26 e 27 de abril. O evento serviu de espaço para o debate em torno de temas como a acessibilidade de pedestres e ciclovias, as estratégias e o planejamento para soluções em mobilidade urbana e o futuro das tecnologias modais. Houve a participação de grandes nomes da mobilidade urbana internacional como Guillermo (Gil) Peñalosa – coordenador da ONG “8-80 Cities” (Canadá); Niklas Sieber – secretário executivo da Transport Training Initiative – TTi – (Alemanha); Ton Daggers – diretor da Movilization Foundation (Holanda); Rodney Tolley – diretor do Walk 21 (Inglaterra); e Patrick Daude – coordenador Cities For Mobility (Alemanha).

Os especialistas apresentaram projetos implantados em cidades como Stuttgart, Paris, Sevilha e Amsterdã. Processos efetivos de transformação urbana contaram com a inclusão do sistema cicloviário e dos espaços públicos para a circulação de pedestres nos mapas daqueles municípios. A meta foi reduzir o uso de veículos automotores em prol da qualidade de vida dos habitantes. Não há como negar, o excesso de carros circulando por ruas e avenidas cada vez mais estranguladas gera um problema grave em centros urbanos do mundo inteiro. “What kind of place do you want to live?” foi a pergunta chave que norteou as discussões.

Os palestrantes esclareceram sobre o quão importante é: 1. produzir um plano mestre para a utilização de diferentes tipos de modais, 2. integrar rotas cicloviárias inteligentes para facilitar o deslocamento dos usuários e 3. haver pesquisas periódicas junto à comunidade para que as pessoas possam se informar a respeito, entre outros. Destacaram também a necessária promoção de políticas públicas que priorizem a diminuição do tráfego de carros nas cidades e a criação de espaços de convivência em locais que abrigam ruas congestionadas.

Fiquei muito bem impressionada com a competência com que foram realizados tais projetos na Europa. Há, entretanto, um hiato pedregoso entre a visão de países desenvolvidos e países como o Brasil. Em Santa Catarina, por exemplo, o grupo Ciclobrasil, integrado ao Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (CEFID/UDESC), busca há sete anos o respaldo do Governo (Municipal, Estadual, Federal) para o lançamento da Plataforma Catarinense de Mobilidade Sustentável (PCMS). Florianópolis é palco de reivindicações de moradores, como os do bairro Lagoa da Conceição, pela construção de ciclovias. Em 2011, a luta pelo início das obras da ciclovia na Rua Osni Ortiga, uma das mais perigosas da cidade, completa 16 anos. Ao pedalar pelo Centro da Capital, o ciclista se depara com filas quilométricas de carros estacionados em ciclofaixas. Eles reclamam, entram em contato com a Guarda Municipal e Polícia Militar e nada, não há fiscalização ou punição aos infratores. São inúmeros os entraves existentes para que haja uma mudança de postura qualitativa da sociedade brasileira no que diz respeito ao desenvolvimento de metas reais para a área.

Outro fator é a falta de vontade política, empenho das autoridades, inclusão do tema Mobilidade Urbana Sustentável na agenda de nossos governantes. Deliberações sobre uma questão primordial como esta não costumam levar décadas. Foram necessários dez anos para a modificação generalizada do cenário urbano de Stuttgart. Refiro-me a todo o processo de reordenação espacial da cidade, desde a elaboração do projeto até o término das obras.

Consciência individual já é um começo. Se cada um fizer a sua parte, cumprindo o seu papel social, poderemos ganhar voz para pressionar o poder público, de modo que ele trabalhe em nosso benefício, e não o contrário. Pense nisso.

Para Luiz Maçãs

abril 29, 2011

Na quinta-feira passada, dia 21 de abril, eu soube da morte do ator Luiz Maçãs. Ele interpretou, em 1991, um dos personagens marcantes de minha meninice, o Armando Rosas, de A História de Ana Raio e Zé Trovão. Chorei tomada por uma sensação de perda profunda. Estranho pensar que já faz 15 anos desde o falecimento do ator e eu nunca tinha ouvido nada a respeito. Maçãs partiu com 33 anos, em julho de 1996. Pouco se sabe sobre a causa da sua morte. Isso tampouco importa. O que me abalou foi a notícia: ele se foi.

Vira e mexe, lembro dele em cena: rosto expressivo, voz suave, olhos vibrantes. Um toque de poesia na trama escrita por Marcos Caruso e Rita Buzzar. Poucas vezes vi, na televisão, um personagem tão grandioso em sua simplicidade. Por onde passava deixava aquele rastro de força e brilho próprios das pessoas que se entregam a quem são com verdade. Armando trazia no semblante a intensidade que sente o artista por ser artista, criatura pulsante, à flor da pele, um mágico dos ares, que corta o sol com uma lágrima, toca a terra com um sorriso. Ele era assim, prosador mambembe, homem criador de estrelas.

O que dizer mais? Quem deu ao personagem a forma autêntica foi o Luiz Maçãs. Este rapaz garboso que eu tive o prazer de ver apenas uma vez na vida. Era dono de um talento do tipo que a gente reconhece com um sutil bater de olhos. Deixou, para mim, um legado por meio de seu personagem. Obrigada Luiz. Parabéns por quem foi. Estará sempre em minha companhia trajado de Rosas.

Encontrei uma sequência de cenas do Armando na novela. A marca de que falo está espalhada por todos os trechos, interpretados com delicadeza pelo ator. Publico também a versão da música tema do personagem. Jayme Monjardim, diretor do núcleo do folhetim, escolheu para Armando a canção de Hans Zimmer composta para clássico Driving Miss Daisy.

Minha homenagem a você Luiz. Grande abraço.

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Caso Osni Ortiga (3)

abril 25, 2011

Crédito de foto: Rosane Lima/ND

Florianópolis

Na segunda-feira passada, dia 18 de abril, eu finalmente consegui terminar de colher informações atualizadas sobre um caso que se desenrola há mais de uma década na região leste da Capital: a construção da ciclovia na Rua Osni Ortiga, localizada no bairro Lagoa da Conceição. Das partes envolvidas no processo, estavam em aberto os pareceres da Fundação do Meio Ambiente (FATMA) e da Secretaria Municipal de Obras. A cobertura completa pode ser lida a partir dos posts anteriores Caso Osni Ortiga e Caso Osni Ortiga (2). O retorno que recebi da FATMA via assessoria de imprensa:

“A FATMA recebeu da Secretaria de Obras o projeto de execução da ciclovia e solicitará da Prefeitura Municipal a produção de um Relatório Ambiental Preliminar (RAP). Apesar da obra não ter um porte significativo – o projeto foi enquadrado como melhoria da rodovia –, a construção do passeio exigirá um estudo ambiental complementar. O ofício será encaminhado às autoridades encarregadas de realizar o RAP o mais rápido possível.”

Estive com o Secretário de Obras de Florianópolis, o Sr. Luiz Américo Medeiros. Ele afirmou que:

“Não há retorno da FATMA, estamos aguardando uma resposta sobre o projeto de execução da ciclovia. Após recebermos o parecer da FATMA, teremos condições de dar o próximo passo. Se eles solicitarem a realização de um RAP, nós providenciaremos o mesmo”, diz. Medeiros esclarece que não há previsão de início das obras. “Depois de finalizado o relatório ambiental, o documento será novamente encaminhado aos técnicos da FATMA. Após a sua aprovação, a Secretaria de Obras abrirá licitação para definir a empresa que realizará a obra. Falta verba municipal, mas o projeto foi incluído nos Programas Regionais de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR), do Ministério do Turismo, entre outros. Na melhor das hipóteses, a construção da ciclovia começará em 2012.”

Enquanto isso, os moradores da Lagoa seguem articulados e atentos aos movimentos da Prefeitura. O objetivo da comunidade é manter-se unida na luta pelo início das obras. “Este é um direito que temos e exigimos a tomada de uma providência imediata. Chega de espera. Queremos ação”, comenta Hanna Betina Götz, moradora da região.

MAIS INFORMAÇÕES

movimentociclovianalagoaja.blogspot.com

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Aproveito a oportunidade para disponibilizar na página uma publicação direcionada a todos que acreditam e priorizam a conservação da natureza. O livro O Passeio da Fleur – produzido pela Direção Geral (DG) do Ambiente da Comissão Europeia – conta uma história comovente, simples e estimulante.

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Nos dias 26 e 27 de abril será realizado em Florianópolis o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. O evento contará com a participação de especialistas de vários países e abordará temas como a acessibilidade de pedestres e ciclovias, as estratégias e o planejamento para soluções em mobilidade urbana e o futuro das tecnologias modais. A finalidade é promover a troca de experiências entre cidades na busca de soluções para o problema.

Dia Mundial da Terra

abril 22, 2011

Para trazer reflexão sobre a importância de conservarmos o nosso planeta

Hoje é o 41º ano em que se comemora o dia mundial da Terra. Em época de necessária mudança de comportamento em prol do futuro de todos os seres vivos, deixo na página dois links. O primeiro leva ao blog Os cinco de Avô, produzido por alunos da 3ª e 4ª séries de uma escola portuguesa. Há um post especial sobre o dia de hoje, cheio de dicas e reflexões a respeito do tema: Planeta Terra. O segundo dá acesso ao site de um dos maiores fotógrafos de natureza do mundo: Araquém Alcântara. Ao se cadastrar no Terra Brasil, o internauta terá à sua disposição um excepcional banco de imagens da fauna e flora de diversas partes.

Aproveitemos a oportunidade para nos perguntarmos: O que podemos fazer em nosso dia-a-dia para participar da luta pela proteção e preservação ambiental?

FAÇA A SUA PARTE.

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Meio Ambiente em Pauta

abril 20, 2011

Excelente sugestão de leitura. Primero texto: The International Response to Climate Change, de Richard Douthwaite. Há mais de 20 capítulos à disposição do público. Confira:

Outra dica está no site da Associação dos Fotógrafos de Natureza (AFNATURA). Entre os links para download, a entidade incluiu uma lista de acesso às leis ambientais do Brasil. Vale a pena.

Clique na imagem abaixo e confira o texto Mulheres, bicicletas e fundamentalismos, do jornalista Daniel Santini, sobre o fato das mulheres iranianas serem proibidas de andar de bicicleta. A forma com que o autor aborda o tema é forte, lúcida e bela. Fico muito feliz em saber da existência de jornalistas com uma percepção aguçada, inteligente e profunda, que não lêem pelas bordas, que não enxergam pela superfície, que se colocam no lugar do outro, que vão além do seu eixo dentro de um mundo gerido por estigmas e pela cultura do medo, conceitos pilares para a criação de guerras pelo lucro. Fiquei emocionada com o que li. Parabéns Daniel.

Economia X Meio Ambiente

abril 13, 2011

A balança comercial brasileira está em alta com a boa nova trazida da China. Em 2011, a potência emergente que integra o seleto grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) passará a importar carne suína de frigoríficos certificados por comissão de fiscais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A parceira estimula a produção nacional, uma vez que a China é o maior consumidor do produto no mundo. De acordo com matéria publicada no portal G1, em 11 de abril, o país asiático deverá importar cerca de 480 mil toneladas até dezembro. A previsão é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estima alta de quase 15% frente ao ano passado. As informações são da Dow Jones.

Motivo de comemoração? Depende do ponto de vista. Em matéria sobre o tema transmitida na edição também de 11 de abril do Jornal das Dez (Globo News), o âncora André Trigueiro leu a seguinte nota: Cada quilo de carne suína produzida consome mais de 5 mil litros de água. Resta saber se temos nascentes e mananciais para suprir uma demanda crescente.

Quanto? 5 mil? Para cada quilo? Em época de debates e criação de políticas sustentáveis pelo bem do futuro do planeta, fui pesquisar a respeito e encontrei um artigo do jornalista Washington Novaes publicado em 2004 no Estado de S. Paulo. Novaes é colunista do Estadão e um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro engajado na luta pela conservação da natureza. O texto aponta problemas ligados aos padrões de produção e consumo de carne no mundo, cita números e dados representativos e enfatiza a importância de haver uma mudança de postura do Governo sobre o tema, já que estão em jogo a segurança da população e a sustentabilidade do processo. Não se fala mais em mortes por ingestão de carne infectada por isso ou aquilo, mas e o meio ambiente, como fica?

FRAQUEZAS DA CARNE

No mesmo dia em que o anúncio de um caso de febre aftosa no Pará levava alguns países a suspender as compras de carne bovina brasileira, as agências de notícias informavam sobre a morte de uma jovem nos Estados Unidos, a primeira vítima humana naquele país da encefalopatia espongiforme bovina (“doença da vaca louca”), que já matou mais de 140 pessoas na Inglaterra em poucos anos e 18 só no ano passado. Outras 16 mil pessoas podem estar infectadas nesse país, mas ainda sem sintomas, segundo estudo do governo inglês.

No mesmo dia, a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da ONU, e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) decidiram juntar esforços diante do aumento preocupante de “doenças transfronteiriças” como a aftosa e a “gripe das aves”, motivado, segundo elas, pelo comércio internacional de carnes e pelos deslocamentos humanos. As duas organizações decidiram criar um sistema mundial de informação e alerta nessa área. Pondo mais uma vez em evidência a extensão e a gravidade do problema da segurança alimentar no mundo.

E isso ocorre no momento em que o Brasil assume o lugar de maior exportador de carne bovina, graças, inclusive, a uma expansão de 200 mil hectares nas áreas de criação. No ano passado, já foi exportado 1,4 milhão de toneladas de carne bovina, no valor de US$ 1,5 bilhão. E US$ 1,79 bilhão em carne de frangos, 20% mais que no ano anterior. A expansão da carne bovina brasileira prossegue este ano, com mais 19,5% em quatro meses. Para assegurar essa posição, o País mantém hoje um plantel de 185 milhões de cabeças de gado bovino e 180 milhões de galinhas (fora 32 milhões de porcos).

A mesma FAO estima que um terço das exportações mundiais de carnes esteja hoje sob ameaça de doenças. Canadá e Estados Unidos têm problemas. A Tailândia abateu 36 milhões de aves; o Canadá, 19 milhões. A “gripe das aves” já atingiu também a China, a Coréia do Sul, o Paquistão, a Indonésia, o Vietnã, o Japão, Taiwan, o Laos e o Camboja.

A produção mundial de carnes chega hoje a quase 250 milhões de toneladas – o dobro do que se produzia em 1997. Em meio século, multiplicou-se por cinco. Os rebanhos bovinos passaram de 3 bilhões para 5 bilhões desde 1960 (mais 60%); os plantéis de aves, de 4 bilhões para 16 bilhões de cabeças (mais 300%).

Aí começa outra complicação: a insustentabilidade dos atuais padrões de produção e consumo no mundo, apontada em vários relatórios e comentada neste espaço. Esses padrões já levam a um consumo mais de 20% além da capacidade de reposição da biosfera. E se concentram em quase 80% nos países industrializados, que têm menos de 20% da população mundial – ao mesmo tempo em que metade da população do mundo vive abaixo da linha da pobreza e 840 milhões de pessoas passam fome. E a população mundial ainda crescerá entre 2,5 bilhões e 3 bilhões de pessoas até 2050.

E ainda há outros ângulos do problema. Gerar uma caloria de carne de boi, porco ou frango, por exemplo, exige de 11 a 17 calorias de alimentos.

Expandir a produção de carnes exigirá novas e extensas áreas, para pastagens ou plantação de grãos – o que significará mais desmatamento e perda da biodiversidade no mundo. Uma dieta de carnes exige de duas a quatro vezes mais solo que uma dieta vegetariana, argumenta-se. E o problema só não é maior porque, enquanto um habitante do Primeiro Mundo consome 80 quilos anuais de carnes, no chamado Terceiro Mundo essa média é de 28 quilos anuais.

Outro ângulo das discussões é o dos métodos de criação. Há 30 anos, levava-se três meses para produzir um frango em condições de abate. Hoje, a média é de 41 dias e a cada ano se reduz um dia. Graças a novos métodos, novas tecnologias, novos promotores de crescimento, novos sistemas de confinamento.

Ainda recentemente, uma instituição que se preocupa com animais, a Compassion in World Farming (CWF), numa ação que levou à Alta Corte de Londres, pediu que fossem declarados ilegais – porque “cruéis” – os atuais sistemas de criação de frangos, visando ao crescimento rápido. Segundo a CWF, os frangos hoje provêem de um “pool” genético cada vez menor – 98% dos que são criados para abate descendem de aves supridas por apenas três empresas. Crescem tão rapidamente que o esqueleto não chega a se formar de todo, com sofrimento intenso. A pressão sobre o sistema cardiovascular – segundo estudo da Universidade de Bristol – é intensa. Grande parte do plantel desenvolve ascite, deficiências no coração, edema no fígado. Por tudo isso, são animais que procuram nos alimentos de preferência fragmentos que contenham analgésicos – o que pode levar a outros problemas para o consumidor. Nos rebanhos bovinos os problemas também são freqüentes, principalmente com bezerros que crescem tanto no útero que as cirurgias cesarianas se tornam quase regra.

Esses e outros problemas levaram recentemente a União Européia a baixar legislação que limita o número de frangos e porcos segundo a área disponível. Em 2006, entrará em vigor nesses países a proibição do uso de promotores do crescimento.

Mais um ângulo: a geração pelos rebanhos de gases que intensificam o efeito estufa. São 10% das emissões totais e 25% no caso do metano (que permanece menos tempo na atmosfera, mas tem efeito mais de 20 vezes mais grave que o do dióxido de carbono).

Outro ângulo ainda: consumo de água. Pelo menos 3,5 mil litros são necessários para produzir um quilo de carne de frango, 6 mil para um quilo de carne de porco, pelo menos 15 mil para um quilo de carne bovina. Enquanto isso, um quilo de batatas pode ser produzido com até 500 litros. Terra e água necessárias para produzir um quilo de carne são suficientes para 200 quilos de tomates ou 160 de batatas, segundo o Worldwatch Institute. E as pastagens cobrem um terço das terras no mundo.

Não é só. Os efluentes de criações são responsáveis por 50% da poluição da água na Europa e pela acidificação do solo (quando depositados sem tratamento).

São muitos ângulos. E, exatamente por estar assumindo a liderança do mercado mundial de carnes, o Brasil precisa pensar em todos eles. Segurança alimentar, segurança para a saúde do consumidor, sustentabilidade dos padrões de consumo. Não haverá como fugir a todas essas discussões.

Washington Novaes

Estado de S. Paulo, 2 de julho de 2004