11 de Junho de 2010

junho 11, 2010

Centenário de Jacques-Yves Cousteau

Dia 11 de junho de 2010. O mundo gira em torno da Copa. A África do Sul é palco de um espetáculo capaz de unir os povos em uma só batida. Ontem houve a abertura dos jogos. Cerimônia histórica, de tirar o fôlego. Na próxima terça, dia 15, o Brasil inteiro estará a postos a espera da estreia da seleção canarinho. O esporte possui uma força de integração mágica e comovente.

Em meio a este rompante patriótico unificador, eu descobri, ao esbarrar com um texto publicado no The New York Times, que hoje é o dia do aniversário de 100 anos de Jacques Cousteau. Torço para que o centenário deste monstro sagrado da oceanografia não passe em branco. Cousteau foi o primeiro homem a apresentar às sociedades o universo subaquático guardado pelos oceanos. Imagens captadas em jornadas pelos quatro cantos do globo mostraram ao mundo que nos mares – o pulmão do planeta – há uma explosão de vida extraordinária.

Eu cresci acompanhando as aventuras do Calypso, sempre fascinada com as descobertas e empreitadas de Cousteau. Já que estamos falando de África – o berço da humanidade – aproveitarei para mencionar um episódio marcante de minha meninice. Lembro-me enternecida da manhã em que eu e minha turma da escola assistimos vidradas ao documentário de Cousteau sobre o Rio Nilo, na aula de geografia.

Entre as odisséias do grande explorador e ecologista do século XX, a sua jornada pela África não apenas me chamou a atenção como revelou a todos os presentes sobre a interferência devastadora do homem no meio ambiente. Cousteau é uma das peças-chave de minha formação. Tenho certeza de que não estou sozinha neste barco. O homem heróico que foi – mestre dos mares – influenciou gerações.  Ele nos aproximou de nossa identidade, mostrando-nos de forma incansável o quão distantes estamos de uma relação integrada com a natureza. Seu legado eterno nos dá condição plena de alterarmos esta realidade.

Não posso deixar de reiterar, no dia do centenário de Cousteau, que a mancha pegajosa composta por milhões de litros de petróleo não para de crescer no Golfo do México. Acho que nós ainda não acordamos para a gravidade da situação. Quais as proporções reais do desastre? Ninguém sabe precisar, uma vez que o vazamento ainda não foi contido. Há possibilidade de o óleo jorrar incessantemente até o poço esvaziar? Desenvolvemos tecnologia de ponta para perfurarmos o solo marinho em profundidades colossais na busca por petróleo sem a contrapartida para a contenção imediata (ou a curto prazo) de um possível vazamento? Parece-me insano imaginar que a resposta seja sim.

Jacques Cousteau insistia em alertar sobre as consequências danosas da ganância e da incúria.  Não seguiremos o conselho de quem conheceu como poucos o planeta? Creio estar mais do que na hora de pararmos para ouvir o que ele teve a nos dizer. Deixo o link para a página do texto de Andrew C. Revkin – Here’s to Jacques-Yves Cousteau. Presto aqui a minha homenagem ao Capitão.

Humanas X Exatas?

junho 9, 2010

Encontrei mais uma excelente leitura enquanto circulava pelo blog de um ex-colega de trabalho, o jornalista Felipe Lenhart. O título do post, Um documentarista em defesa da ciência, faz menção ao discurso de João Moreira Salles em evento realizado na Academia Brasileira de Ciências. Em seu blog, Felipe escreveu:

Saiu no último Ilustríssima, caderno que substituiu o Mais! na Folha de S. Paulo, a transcrição do discurso de João Moreira Salles, documentarista e dono da revista piauí, em um simpósio da Academia Brasileira de Ciências. O texto é primoroso e revela uma preocupação urgente dele e de quem se interessa pelo futuro do Brasil: “a hipervalorização das artes e humanidades em detrimento das ciências ‘duras’ e da engenharia, e as consequências do processo para o desenvolvimento tecnológico, científico e cultural do país”. Excelente pensata.

Ao comentar o texto publicado, eu escrevi:

Discurso incrível. Tenho lido muita coisa sobre o crescimento da economia brasileira. Páginas e mais páginas apresentando marcos históricos, números, entrevistas, etc. Há uma semana, creio eu, li uma matéria na Isto É. O título: Em ritmo de crescimento chinês. Na mesma página, havia um gráfico apontando o avanço do PIB entre os meses de setembro de 2009 (-1,2%) e março de 2010 (9,85%). Momento eufórico, de grandes perspectivas. Efêmero? Para o processo de desenvolvimento se transformar em realidade duradoura, faz-se necessária a construção de bases resistentes a determinados impactos, principalmente em um mundo volátil como o nosso. A ruptura cada vez maior entre as ciências humanas e as ciências exatas acarreta em uma quebra de alicerces e provoca uma ferida desastrosa na civilização. Confesso que eu não tinha parado para pensar nisso. “O país prospera à força de consumo, não de investimento ou invenção.” Bela fala. Serve para eu ver o quanto tenho que me manter atenta e observadora sempre. Acabo de alterar a rota de pensamento. Excelente leitura. Vou tratar de divulgar este texto no meu blog. Parabéns pela descoberta.

Cumpro com o prometido e publico aqui o discurso na íntegra. Não hesito em divulgá-lo, pois o despertar instigado por Moreira Salles promove a reflexão séria e certeira. “As respostas são previsíveis. Em parte, a responsabilidade é dos próprios cientistas, que não fazem questão de se comunicar com a comunidade não-científica; em parte é dos governos, que raramente têm uma política eficaz de promoção da ciência nas escolas; e em parte – e essa é a parte que mais me interessa – é nossa, das humanidades, que tomamos as ciências como um objeto estranho, alheio a tudo o que nos diz respeito.”

Não resta dúvida.

Para que transformemos o processo de desenvolvimento em realidade duradoura, conforme citei no comentário ao post, precisamos reverter este quadro imediatamente. Deste movimento depende o futuro da nação.

Um documentarista em defesa da ciência

Otis

junho 7, 2010

Para engatarmos bem a semana, deixo na página um pouco da música espetacular de Otis. Cris, dê só uma olhada nisso. Tenho certeza que você vai gostar. Moçambicano, saxofonista e dono de um talento que eleva a música eletrônica ao top de meu playlist.

Boa segunda para todos. Toco y me voy…

Andale!

Acabo de receber a atualização do blog de um amigo, o escritor e jornalista Eliziário Goulart Rocha. Entrei na página, naveguei um tanto em meio aos posts, todos muito bons, quando, de repente, dei de cara com algo absolutamente genial.  O vídeo The danger of a single story. Proferido pela nigeriana Chimamanda Adichie, o discurso é lindo, lúcido e convidativo.

Em seu blog, Eliziário escreveu:

O perigo da história única. Este vídeo traz uma reflexão interessante sobre a arte – e a responsabilidade – de contar histórias. Vale a pena.

Não apenas concordo como acrescento:

Histórias únicas criam pensamentos únicos. Devemos estar atentos. Há necessidade de focarmos reflexão na maneira como absorvemos, internalizamos e interpretamos cada pequeno detalhe desta verdadeira avalanche de informações que recebemos de todas as partes do mundo diariamente. Pergunto: quais são aquelas que nos levam a um encontro real com a identidade individual e coletiva de cada um, de cada povo, cultura e história? Somos um entre vários. Somos vários em um. Faces múltiplas de homem e de mulher que se renovam junto a cores, raças, estilos, tendências, crenças e pecados.

Cotidiano (2)

junho 6, 2010

Foto da semana mundial do meio ambiente

Maré negra atinge santuário de pelicanos localizado no Estado da Louisiana (EUA)

O petróleo que vaza sem cessar há quase dois meses no Golfo do México revela o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. Mais de 150 milhões de litros de óleo espalhados nas águas do oceano,  na costa do Estado da Louisiana, ameaçam o ecossistema marinho da região, interferem na principal atividade econômica local, a pesca, e tomam conta de uma área de 320 quilômetros.

“O episódio é tão significativo, que deveria provocar uma reflexão internacional sobre o modelo de desenvolvimento em curso na atual sociedade humana. O planeta ferido está emitindo um grito de alerta que não pode mais ser ignorado pelas lideranças mundiais e pelos cidadãos de todas as nacionalidades. (…)

Temos que aprender a conciliar desenvolvimento com preservação ambiental. (…) Se acharmos que o problema é apenas dos norte-americanos, nosso futuro também estará ameaçado. O planeta é o casulo da humanidade – cada vez que ele é ferido, as vidas futuras correm o risco de não vingar.” Trecho extraído do texto publicado no editorial do jornal Zero Hora (Rio Grande do Sul) no sábado, dia mundial do meio ambiente.

Foto da semana mundial do meio ambiente

Na semana passada, uma amiga comentou no post A Amazônia e a “MP da Grilagem” sobre o quanto é importante que façamos a nossa parte no dia a dia para que o planeta sobreviva aos séculos de devastação causada pela humanidade.

Hoje é o dia mundial do meio ambiente. Nada poderia ser mais natural do que eu estar aqui para trazer aos leitores do meu blog algumas dicas sobre como preservar a natureza partindo de ações cotidianas. Para fazermos a diferença, precisamos agir local e pensar global. Lembrem-se, pequenas ações geram grandes impactos.

Uma conduta sustentável exige que você:

1. Separe o lixo e se informe sobre o serviço de coleta seletiva da sua cidade.

Existem regiões do Brasil que infelizmente ainda não possuem o serviço. Caso o seu município pertença à lista de beneficiados, participe.

Como separar o lixo?

Existem basicamente três tipos de lixo: orgânico, seco ou reciclável e rejeito (este é composto por papéis como o toalha, o higiênico, o guardanapo e similares; chiclete, filtros de cigarro, etc.) Os técnicos em educação ambiental costumam esclarecer aos alunos das classes em que atuam que o lixo rejeito é aquele que não tem jeito. Ou seja, estes resíduos serão impreterivelmente levados para o lixão.

O lixo orgânico, como define o nome, inclui todos os tipos de matéria orgânica – alimentos em geral, restos de comida. Quando acumulado ou disposto de forma inadequada, ele se transforma em um grande poluidor do solo, da água e do ar, além de se tornar um criadouro de organismos causadores de enfermidades ao homem. Os resíduos sólidos podem ser utilizados em processos de compostagem. Com a inversão do quadro,  ele passa de agressor à ferramenta para a fabricação de adubos, produção de combustíveis, etc.

Um conselho importante para pessoas que possuem animais domésticos: não joguem o cocô do seu bicho dentro do lixo reciclável, pois isso poderá gerar o possível descarte de itens que seriam bem aproveitados pelos profissionais que trabalham com a reciclagem.

O lixo seco, por sua vez, é composto por materiais como papel, exceto aqueles tipos citados acima, plástico, vidro, metal, tecidos, madeira, borracha, etc.

Utilizamos, em nosso cotidiano, objetos que não se encaixam aos tipos de lixo em discussão. As pilhas, por exemplo, são resíduos que devem ser inseridos dentro do que chamamos de lixo tóxico. Elas possuem em sua estrutura o mercúrio. O que fazer com elas? Informe-se sobre os postos de coleta de lixo tóxico da sua cidade.

2. Economize água.

Ela é um bem precioso e não deve ser utilizada de modo leviano. Tome banhos rápidos e preferencialmente de chuveiro. Use as máquinas de lavar roupa e louça somente quando elas estiverem cheias. Dê a descarga do vaso sanitário apenas quando terminar de fazer as suas necessidades fisiológicas (cada toque no mecanismo desperdiça 12 litros de água potável). Não lave calçadas e varandas com a mangueira. Utilize, em vez dela, baldes com quantidade racional  de água para realizar a tarefa. Quem tem piscina pode reaproveitar a água descartada nos dias de troca para fazer a limpeza da área externa da casa ou do prédio. Não deixe a torneira aberta enquanto estiver escovando os dentes ou lavando a louça na pia, etc.

3. Economize energia.

Troque lâmpadas incandescentes por fluorescentes. As fluorescentes gastam 60% menos energia e economizam, cada uma, 136 quilos de gás carbônico por ano. Escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético. Aparelhos com selo do Procel (nacionais) e Energy Star (importados) são referências na hora da compra. Não deixe os aparelhos em standby. Desligue-os quando terminar de usá-los. A função standby de um aparelho utiliza de 15% a 40% da energia consumida quando o mesmo está em uso. Não deixe as luzes dos cômodos de sua residência acesas quando eles estiverem vazios. No escritório ou ambiente de trabalho climatizado, desligue o ar-condicionado uma hora antes do final do expediente. Em um período de oito horas, isso equivale a 12,5% de economia diária. Para quem ainda utiliza monitores de computadores antigos, o conselho é a troca por monitores com tela de LCD. São muito mais econômicos.

4. Pendure as suas roupas no varal. Ao trocar a secadora pela corda, você economiza 317 quilos de gás carbônico em um período de seis meses.

5. Pesquise, informe-se, leia, procure saber de que maneira você pode agir no seu dia a dia para cuidar melhor do nosso planeta. Seguem abaixo algumas dicas de sites de associações, ONGs e institutos de pesquisa que divulgam na internet dicas sobre como podemos agir para preservar a natureza e garantir o futuro das novas gerações.

Mude o Mundo

Instituto Akatu

Worldwatch Institute

Universidade de São Paulo

Eco Centro

Sociedade do Sol

Cidades Solares

Environmental Solutions do Brasil S.A

WWF Brasil

Caso eu tenha esquecido de mencionar algum item importante ou de citar alguém que trabalhe na divulgação de informações sobre consumo consciente, avisem-me, por favor.