Ubuntu para todos nós!

junho 11, 2010

Estou tomada pelo fascínio. A África desperta em mim todas as sensações cabíveis à constituição humana. Não há explicação, palavras ou coisa que o valha. O que sinto vem das profundezas, corre quente por meus canais, é consanguíneo. Tanta voluptuosidade tem a ver com a minha origem. Quesito número um: nascemos (homo sapiens) no continente africano. Quesito número e tal: sou brasileira.

Tenho acompanhado a cobertura da Copa do Mundo pela televisão, pelos jornais impressos, pelas revistas e pela internet. Fui invadida pelo êxtase planetário, pela libido que emana dos poros de todas as gentes. O frenesi tem nome composto: Paixão Pelo Futebol. No próximo mês, este músculo cardíaco bombeará o sangue das nações que participam do campeonato. Ponto.

A África é sede dos jogos pela primeira vez. O momento carrega muito significado, pois o solo do continente traz a marca de séculos de destruição causada pelo homem branco. Na África do Sul, quantos anos de segregação e quantas mortes foram geradas pelo apartheid?  Em 2010, o País recebe de braços abertos e eufóricos os povos de todas as partes para a realização de uma Copa. Eis mais uma vitória de Nelson Mandela, este grande nome da história da humanidade.

Trata-se de uma bela oportunidade de conhecermos de perto o que a África possui de mais rico, cativante e atraente. Toda a beleza, impetuosidade e força está à mostra. Como bem disse a escritora nigeriana Chimamanda Adichie em The danger of a single story, há muito mais do que tragédia, massacre e sofrimento para ser explorado em sua terra. Vamos tratar de abrir os olhos.

Ao assistir a um programa do canal ESPN, hoje à tarde, descobri uma “palavra golfinho”. Em poema de Aimé Césaire, a metáfora traduz o inesquecível. Ubuntu, exclamou o repórter uma, duas…seis vezes durante a apresentação da matéria. O vocábulo – que corria a boca solta pelas ruas de Johannesburg – pertence a um dialeto africano. Quer dizer muitas coisas. O que me chama mais a atenção, contudo, é o seu poder de integração.

Ubuntu rompe barreiras e desconstrói o preconceito racial. Eu existo porque você existe. O espírito de união da África se espalha pelo globo. Ubuntu para todos nós!

Encontrei um texto interessante, escrito por uma pedagoga chamada Fátima Reis. Para maiores informações sobre Ubuntu, clique aqui.

O Y da bandeira sul africana representa o encontro entre negros e brancos, que a partir do ponto em questão, passaram a caminhar juntos

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