Humanas X Exatas?

junho 9, 2010

Encontrei mais uma excelente leitura enquanto circulava pelo blog de um ex-colega de trabalho, o jornalista Felipe Lenhart. O título do post, Um documentarista em defesa da ciência, faz menção ao discurso de João Moreira Salles em evento realizado na Academia Brasileira de Ciências. Em seu blog, Felipe escreveu:

Saiu no último Ilustríssima, caderno que substituiu o Mais! na Folha de S. Paulo, a transcrição do discurso de João Moreira Salles, documentarista e dono da revista piauí, em um simpósio da Academia Brasileira de Ciências. O texto é primoroso e revela uma preocupação urgente dele e de quem se interessa pelo futuro do Brasil: “a hipervalorização das artes e humanidades em detrimento das ciências ‘duras’ e da engenharia, e as consequências do processo para o desenvolvimento tecnológico, científico e cultural do país”. Excelente pensata.

Ao comentar o texto publicado, eu escrevi:

Discurso incrível. Tenho lido muita coisa sobre o crescimento da economia brasileira. Páginas e mais páginas apresentando marcos históricos, números, entrevistas, etc. Há uma semana, creio eu, li uma matéria na Isto É. O título: Em ritmo de crescimento chinês. Na mesma página, havia um gráfico apontando o avanço do PIB entre os meses de setembro de 2009 (-1,2%) e março de 2010 (9,85%). Momento eufórico, de grandes perspectivas. Efêmero? Para o processo de desenvolvimento se transformar em realidade duradoura, faz-se necessária a construção de bases resistentes a determinados impactos, principalmente em um mundo volátil como o nosso. A ruptura cada vez maior entre as ciências humanas e as ciências exatas acarreta em uma quebra de alicerces e provoca uma ferida desastrosa na civilização. Confesso que eu não tinha parado para pensar nisso. “O país prospera à força de consumo, não de investimento ou invenção.” Bela fala. Serve para eu ver o quanto tenho que me manter atenta e observadora sempre. Acabo de alterar a rota de pensamento. Excelente leitura. Vou tratar de divulgar este texto no meu blog. Parabéns pela descoberta.

Cumpro com o prometido e publico aqui o discurso na íntegra. Não hesito em divulgá-lo, pois o despertar instigado por Moreira Salles promove a reflexão séria e certeira. “As respostas são previsíveis. Em parte, a responsabilidade é dos próprios cientistas, que não fazem questão de se comunicar com a comunidade não-científica; em parte é dos governos, que raramente têm uma política eficaz de promoção da ciência nas escolas; e em parte – e essa é a parte que mais me interessa – é nossa, das humanidades, que tomamos as ciências como um objeto estranho, alheio a tudo o que nos diz respeito.”

Não resta dúvida.

Para que transformemos o processo de desenvolvimento em realidade duradoura, conforme citei no comentário ao post, precisamos reverter este quadro imediatamente. Deste movimento depende o futuro da nação.

Um documentarista em defesa da ciência

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