Para Fernanda e Rodrigo

julho 27, 2009

Cheguei tarde de Brasília em domingo de céu frio, típico do inverno no sul. Meu espírito, entretanto, ampliava-se em compasso ainda distante. Voltei para ilha faceira após dias de pura integração familiar. Estive na capital da república para o casamento de minha prima Fernanda Gonçalves Pinheiro, que agora assina: Fernanda Gonçalves Pinheiro Lara de Sousa.

Estávamos todos lá, a espera da noiva, que entrou ao som de Eu sei que vou te amar, tocada no piano e saxofone. Acompanhava-os uma voz delicada a pronunciar as palavras de Vinícius enquanto minha prima vinha ao encontro de meu tio, que a aguardava emocionado a bons metros do altar.

O momento foi de luz! Todos nós estávamos tomados pela atmosfera de um amor que ali se apresentou para dizer que seguirá a dois o caminho da construção e do fortalecimento de um elo verdadeiro. Parabéns aos noivos! Sejam muito felizes.

Prima amada, ao colocar os pés em chão ilhéu, pensei cá com meus botões e decidi te dar de presente um poema que escrevi em 2003 para a Clarinha quando a vi completamente apaixonada. Uau, o amor! Lembro-me que publiquei o rabisco no site de um amigo da faculdade. O Marcelo tinha uma página na internet Contra Ponto , que mantinha aberta para textos sempre vinculados à criação e espontaneidade.

Fe, é com muito prazer que seis anos depois eu te entrego estas linhas. Acredito que há certas palavras que não possuem espaço no tempo. Quando dissertam sobre o amor, abraçam a eternidade. Amar é estar por aí ao lado do que existe de mais vivo. Te amo!

Fernanda e Rodrigo

Fernanda e Rodrigo

O etcetera

O amor é um algo assim que eu não sei. É um tudo, um tanto, uma condição de se estar eternamente vivo. É a parte, a fatia, o conjunto deliberado de homem, mulher, gozo, reentrância, lampejos e tropeços. É a unanimidade, o trepidar de esperança, a compilação de malícia. É o começar recomeçando, a descoberta, o fazer ser, o ser para fazer. É o crescer, o maturar, o consolar de pares em trilhos de antigos passadores. Não há portas para bater, apenas a rua, comprida e larga para seguir.

O amor? Imagino eu, e anoto com a percepção que me cabe ter do pequeno grandioso, que é o tocar em êxtase, mesmo que não se saiba. Em súmula, nada disso dá-se como conclusão. Consta-se tão somente o ter-se em vista: o atravessar da retina espalmada pelo embalo da tal linguagem, mesma em todos os seus gestos, sentidos e filosofias. É um estar para mais do que o além, aqui ou em qualquer estância. É um apegar-se, um aconchego, um dedilhar de sândalo em carne, vísceras e fôlego. É a ideia explícita do auge, do brilho, do embevecer-se despido de nós, tranças, cancelas: é a forra!

Porque amar é o entendimento, a noção lacônica do pouco em tormento, do bocado em múltiplo e metafórico conjugar de ambos em diálogo. É um qualquer de pontos, pausas e passos num compasso circular de amparo e cadência. É a mágica, o contorno de matizes em graduação intercambial de plurais. É um deixar-se ir e vir de rasuras e sossego, de fábulas em êxodo e para isto ainda é pouco. É um abrir de olhos que só se tem quando se ama.

Tenho dito que o amor, este, de súbito derrama-se por sobre um aprender diluído em perseverança cotidiana, como quem passa a mão por dentro e vê-se maior, incólume, fértil. É um entregar-se em sintonia ao outro. É a partida, o regresso, um soltar-se inteiro num compartilhar de braços em rompante de minúsculas e maiúsculas. É a universalidade de quem e para quê. É lançar-se em desafio, colocar-se em ritmo, conduzir-se em movimento íntimo de expressão, desfazendo-se das vestes vagarosamente ao sabor dos gostos, dos cheiros e da epiderme. É um estar em casa, um reparar-se bem, um contar de dias e de noites em suor lascivo de beijos, abraços, sussurros, calores e misturas onde demais nunca é o suficiente.

Para o amor, a divisão fatorial de tons em revelação deferida das palavras em cuidado; o botar-se a cabo ou rolar-se em parábola, haja cantiga ou dissonância: deixa estar. E o que vier, para lá um tanto adiante, que apareça se assim o desejar. Que seja! O amor… ah, o amor! Sobre ele, como eu disse, não sei. Quem souber, que se sente ao lado meu e disserte a seu respeito.

 

Como é grande o meu amor por você

Erasmo Carlos / Roberto Carlos

Eu tenho tanto
Prá lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você…

E não há nada
Prá comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você…

Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito…

Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você…

Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor por você.*

 

Fê e Rodrigo

* A canção fez parte da cerimônia. No vídeo acima, ela é interpretada por Oswaldo Montenegro.

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4 Responses to “Para Fernanda e Rodrigo”

  1. Bebel Says:

    Muito bonito!

    Casamento sempre é um rito de passagem lindo, mas há casamentos e casamentos, certamente. Penso que os mais bonitos são aqueles onde se pode sentir o amor e a fraternidade entre os noivos mesmo sem estar presente! Eis que é o amor verdadeiro, não precisa ser explicado. Ele manifesta-se simplesmente e nos envolve. Quero dizer que sinto esta força entre a Nanda e o Rodrigo mesmo estando distante!

    Desejo tudo de especial aos dois! Que possam construir um belo caminho e que sempre renovem seus votos a cada novo dia!

    Um super grande beijo,

    prima, Bebel!

  2. Kelly Says:

    Lindo texto. Lindo, lindo!
    Saudadonas guria!!!
    bjssss

  3. Bia Pinheiro Says:

    Querida!

    Lindo! Lindo tudo o que você escreveu!
    A Homenagem justa aos nossos queridos!
    Um beijo!
    Saudades!
    Sua tia…


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