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Os lados de um quadrilátero são a composição quase perfeita de todas as experiências de uma vida. Quase porque o artigo mais consultado de toda a história da lei da selva determina: 1° – Nada é perfeito. “Ainda bem, senão onde eu iria parar?”, pensa a macaca.

Em resumo, “as paredes” de um quadrilátero contêm as cores e a graça dos primeiros anos de um símio. Aprender a andar é um processo árduo e de contundente esquisitice. Causa de arrepios, tremedeiras e embrulhos cerebrais, ele perturba o senso como todo o bom parto: inúmeras contrações, caretas e descompassos abdominais até que a bolota salta e do procedimento ventre afora surge o senhor bebê. Nascer mais de uma vez na vida tem a mesma cadência desembestada. Das vitórias às derrotas, o acorde é de um ritmo que afina e desafina de acordo com a decisão de estar e pertencer no chamado cotidiano.

A macaca repete para si a cada amanhecer da quente vastidão da floresta: “Nascemos e crescemos para nascermos e crescermos várias vezes durante todos os anos de nossa existência. Troço estranho, porém absolutamente natural este”. Espirituosa e determinada, a macaca sempre soube o que queria. Poucos foram os momentos que titubeou quando o assunto era o desbravar dos mistérios de toda a selva extensa, tomada pelo sol e por animais para lá de curiosos.

O que havia se passado, contudo, era algo de terrível. Perdera o rumo e sua alegria de viver. Sem mais nem por que, decidira se esconder num canto escuro da alma arrasada. Passou meses a fio de cabecinha baixa. Com seus largos beiços vazios de sorriso, arrastava a pança rosada por sobre as gramas úmidas de um inverno chuvoso e cinzento.

– Mas que droga, resmungava. Tanto foi o que entreguei para ele e o que sobrou é o nada, mais oco do que o galho que me derrubou. Será possível? Quantas cabeçadas terei de dar até que aprenda a caminhar com alguma decência pelos terrenos de meus anos? Já tenho uma certa idade, não é mesmo? Então por que diabos ainda me arrebento de forma tão dramática?

Ele foi o bicho macho que a macaca mais havia amado. A descoberta de que se tratava de um verme a decepcionou.

“Credo!”, exclamou, incrementando o vocabulário da autopunição: Como pude colocar sobre meu coração uma tarja deveras preta?” O consolo, mas não desculpa, era saber que quando nos apaixonamos, na maioria dos casos, e certamente existem exceções, entramos em um processo de emburrecimento tamanho que negamos até as sábias palavras da mãe – a mundialmente conhecida macaca velha.

Mal findou a frase e mais um turbilhão lacrimal escorreu de seus olhos, que a essa altura estavam tão esbugalhados que nem óculos escuros dariam jeito de disfarçar sua ultrajante condição. Gritava de dor, esmurrava a terra que escolhera, há dois anos, para construir seu futuro junto à macacada esplêndida que a convocou com afeto e demasiada simpatia para a lida do princípio de caminho.

A grande árvore era tudo o que a macaca sonhara. Jardim colorido e perfumado; varanda com gradil de cipó apuí; tronco de madeira de lei, alto e robusto; galhos de tamanhos variados e bem distribuídos. Um lar; enfim, – sólido e consistente. A macaca foi muito bem acolhida pela família. Havia chegado de uma longa e exaustiva viagem. Estava cansada por conta da super dosagem de uma aventura ardida. A formação do indivíduo, seja ele da espécie que for, é tarefa complexa. As lições exigem disciplina e comunhão de corpo e mente. Questão a ser trabalhada pela experiência é a impertinência da mocidade. Bichos jovens têm por hábito acreditar em poderes sobrenaturais.

Bom termo

agosto 26, 2008

Da esquerda para direita: Marina Cañas Martins, Guilherme Betiollo, Débora Lehmann, Ulisses Munarim e Cristiane Galhardo Biazin

A cerimônia de assinatura do Termo de Cooperação do Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza (IC) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – realizada no dia 22 de agosto de 2008, no salão nobre da superintendência do IPHAN – selou uma relação bem sucedida de dois anos. A solenidade tornou oficial o trabalho desenvolvido nas escolas públicas do entorno da Estação Ecológica de Carijós, no Norte da Ilha, com a participação de profissionais do IPHAN em atividades dentro e fora de sala de aula. “Agregamos o conhecimento sobre a importância da valorização do patrimônio histórico ao projeto de educação ambiental que empreendemos nas escolas da capital”, afirma Débora Lehmann, presidente do IC.

Por meio do projeto Olho Mágico – um dos carros-chefe do Instituto Carijós – as crianças passam a conhecer de forma íntima o seu bairro, a sua realidade e o seu ambiente. A inclusão de temas referentes ao patrimônio histórico e artístico nestas atividades as estimula a descobrir na prática o significado de patrimônio e por que é necessário preservá-lo.

O IPHAN e o Instituto Carijós integram o grupo gestor da Praia do Forte, responsável pelas discussões e buscas de resoluções para os problemas da região. A oficialização da parceria “contribui para a evolução do trabalho e para o aprimoramento do processo educacional do Instituto”, comenta Débora.

Segundo Cristiane Galhardo Biazin, arquiteta e urbanista do IPHAN, a união do conhecimento ambiental com o patrimonial nas atividades educacionais é de grande importância. “As pessoas só passarão a valorizar o patrimônio que elas e o município possuem no momento em que conhecerem o assunto. A educação é a melhor ferramenta para a tomada desta consciência”, diz.

Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza
(48) 3282-9337
http://www.institutocarijos.org.br
 
 

Os Ciclos da Vida

agosto 26, 2008

O Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza em parceria com a Estação Ecológica de Carijós convida para:

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “Os Ciclos da Vida”

* 01 a 05 de setembro Hall da Reitoria da UFSC    * 06 a 19 de setembro Biblioteca Central da UFSC

A exposição fotográfica itinerante “Os Ciclos da Vida” estará aberta ao público a partir do dia 01 de setembro de 2008, no hall da Reitoria da UFSC. A mostra revela os encantos da fauna e flora da Estação Ecológica de Carijós sob o olhar do fotógrafo Anselmo Malagoli. O acervo conta com imagens belíssimas do mais impressionante ecossistema do planeta. O rastro do jacaré-do-papo-amarelo se soma ao emaranhado de raízes dos mangues em um cenário deslumbrante.

O Instituto Carijós – uma ong que trabalha em prol da conservação da natureza por meio da gestão participativa da ESEC – atua no desenvolvimento de projetos sócio-ambientais há quase uma década em Florianópolis. O trabalho é realizado em parceria com Unidades de Conservação Federal, tais como a Estação Ecológica de Carijós, hoje administrada pelo ICMBio, e as APAs de Anhatomirim e da Baleia Franca.

Localizada nas Bacias Hidrográficas do Rio Ratones e do Saco Grande, a noroeste da capital, a ESEC abriga inúmeras espécies vegetais e animais de manguezal e restinga, entre elas o capim praturá, o caranguejo, a lontra, o marisco, a ostra e mais de 110 espécies de aves.

As ações do Instituto contemplam o monitoramento, a pesquisa científica, a educação ambiental e a mobilização de toda a comunidade do entorno da ESEC. O programa tem como base o Plano de Manejo da Estação, cujo objetivo é gerir a Estação Ecológica e seus recursos naturais de forma sustentável e amenizar a ocupação do solo, que acontece de forma acelerada na região.

A exposição fotográfica “Os Ciclos da Vida” é mais uma oportunidade de fortalecimento do trabalho que há nove anos envolve comunidade, equipe, colaboradores e parceiros.