As chuvas voltaram
janeiro 18, 2011
“Precisa-se averiguar para saber onde foi que as autoridades erraram. Houve tempo de avisar as pessoas e ninguém avisou ninguém, houve tempo de evitar tantas mortes.” Daniel Jobim, neto do maestro Antônio Carlos Jobim, em depoimento dias após a casa de veraneio de seu avô – localizada em São José do Vale do Rio Preto – ter sido arrasada pela enchente que devastou a região serrana do Rio de Janeiro.
Mais um ano se passou sem que providência fosse tomada. As chuvas voltaram, como de costume no verão, e novo dilúvio atingiu Estados do nordeste e sudeste brasileiro. O caso mais grave ocorreu na madrugada do dia 12 de janeiro de 2011. Após curto período de precipitação intensa, uma enxurrada de lama desceu inúmeros morros abaixo, deixando por onde passou um rastro de destruição e morte. Cerca de cinco municípios fluminenses foram engolidos pela força das águas. As imagens de ruína e o número de mortos, mais de 600 até a manhã de hoje, revelam o maior desastre natural da história do Brasil.
- Nunca antes na história deste País?
Nunca se viu tamanho descaso para com as necessidades reais do povo. De que adianta promover um mega programa habitacional – com proporções inigualáveis se comparadas a ações anteriores – se, ao mesmo tempo, não há princípio ou braço do governo que impeça a proliferação de construções irregulares em áreas de risco? A lei vigente proíbe a ocupação de encostas com mais de 45 graus de inclinação, mas há fiscalização? A culpa é de pessoas ignorantes, mal educadas, irresponsáveis? Não.
Na Austrália foi constatado o maior volume pluviométrico da temporada. Choveu, em localidades como Queensland,
pelo menos 100 mm a mais do que no Rio de Janeiro. A diferença? Entre as ações preventivas implantadas pelas autoridades australianas está a retirada antecipada dos habitantes de áreas que serão alagadas. Por que lá e não cá? Falta de verba? Não. Só com a arrecadação de impostos, o governo teria fôlego de sobra para o desenvolvimento de projetos com alto poder de alcance.
O que falta então? Ontem, em um dos noticiários da televisão, uma moradora que havia perdido tudo (menos a sua vida e a de seus parentes: uma vitoriosa, por mais paradoxal que seja a afirmação), relatou que a população assiste ao mesmo espetáculo ano após ano. “Só mudam os personagens, mas o cenário é o mesmo”, disse em declaração a uma repórter.
Falta vontade política, empenho de nossos governantes, envolvimento conjunto dos poderes em prol de metas efetivas que visem à solução do problema. A presidente Dilma Rousseff apresentou-se ao País de forma devida, cumprindo, que fique claro, com a sua obrigação. A líder suprema da nação tomou frente e colocou alguns pingos nos is, enfatizando, por exemplo, a necessidade de haver um trabalho coeso entre prefeituras, governos estaduais e União na busca pelo desfecho satisfatório da situação. Entretanto, a sua postura só terá valor prático e digno de um olhar aprovável e respeitoso se, e somente se, as deliberações entre políticos se transformem em realidade.
O que se entende por ‘final feliz’ tem a ver com um direito do cidadão. Pensar em algo positivo depois de famílias terem sido exterminadas com as chuvas de anos a fio exige esforço. A questão pede urgência. O povo não pode mais esperar. Quantas vidas valem a morosidade do Estado? Está na hora de ser dado um basta na paralisia do poder público, pois se as autoridades fecharem novamente os olhos para o problema, em 2012, as chuvas voltarão, como de costume, e haverá nova lista de mortos em algum lugar do mapa brasileiro.
Código Florestal
Uma matéria publicada ontem no Caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo emplacou o seguinte título: “Revisão do Código Florestal pode legalizar área de risco e ampliar chance de tragédia.” Abordei no post Meio Ambiente – de 5 de agosto de 2010 –, a questão referente às alterações sugeridas pelo novo Código Florestal Brasileiro, em trâmite no Congresso. A proposta, a qual deixa de considerar topos de morro como áreas de preservação permanente, liberando a construção de habitações em encostas, já foi aprovada por uma comissão especial e deve ser votada em março. Entre os ditos e não ditos que envolvem o imbróglio, resta aos estupefatos afirmar que este, por razões óbvias, este é o caminho errado.
Papel da imprensa
Cabe à imprensa cobrir os fatos de forma direta e crítica, abrindo espaço para a discussão das causas da tragédia. O debate sobre o tema é fundamental para que a população tome conhecimento de seus direitos. Análises profundas de especialistas apontam para o maior responsável pelas centenas de mortes: o Estado. A maioria dos veículos de comunicação do Brasil trabalhou o viés sensacionalista da enxurrada. A abordagem simplista desvirtua a informação e presta um desserviço à nação.
* * *
Maiores informações sobre como ajudar as vítimas da enxurrada na região serrana do RJ aqui.
Imagem da Semana
janeiro 5, 2011
Samba Bolinha de Papel
outubro 28, 2010
Facebook’eadas’
28 de outubro de 2010
Os sambistas (geniais e muito bem-humorados) cariocas se unem em um manifesto de apoio à campanha de Dilma Rousseff e compõem o samba da bolinha de papel. O episódio desavergonhado revelou o desespero patife do tucanato frente à larga vantagem da candidata petista no segundo turno das eleições 2010. O povo quer DILMA!
Debate (2)
outubro 23, 2010
Eleições 2010
Sobre a publicação abaixo
(F) – Como José Serra se comportou na Constituinte (resumo):
1. Votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas;
2. Votou contra garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego;
3. Votou contra o monopólio nacional da distribuição do petróleo;
4. Negou seu voto pelo direito de greve;
5. Negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio;
6. Negou seu voto pela garantia do salário mínimo real;
Surgiram os comentários
(C) – que maravilha de pessoa…
(D) – Ee é um fofo!!! Kkkkkkkkk
(F) – Entrando no link abaixo dá pra acessar o pdf com o histórico completo de como o Serra votou contra os direitos dos trabalhadores
(G) – É uma vítima de calúnia, coitado
(F) - …e fica falando em aumento do mínimo, garantias de emprego…é inacreditável
(H) - ele é ridículo e o pior é que o povo acredita nele
(I) – Tão bonzinho!
(J) – Link
(K) – Um amor de pessoa!
(L) - Um sujeito repugnante! Afe, que horror que eu tenho dele!
(M) - Eu também acho o Serra nojento. Não tenho coragem de votar nele.
(N) – E tem mais… Muito mais !!!!!!!!!!!!! Ufa.
(O) – (F), que fonte é essa? Uma reunião de 900 sindicatos?!?! Num tem uma fonte menos comprometida, não? E ao que me conste, quem foi contra a constituinte foi o pt, ou estou enganada?
(P) - É. DECANO do trabalhismo brasileiro.
E já que o negócio é dar a real do serra, tem mais:
Eu podia tá roubando, eu podia tá matando. mas também tô aqui na HUMILDADE fazendo aquela campanha na cara dura.
Aí dei uma CAVOCADA nuns lances da época da privatização e juntei num cozidão. VÁRIOS dados para refrescar a cabeça e convencer tiozões reaça.
Se quiser dar uma olhada, tá no link aí embaixo:
E valeu tio. Que Deus te dê em dobro.
(J) - (O), repito para os que não entenderam: Link
(Q) – Curioso que no site do DIAP a gente não consegue acessar nada do Lula enquanto parlamentar, né?
(R) – Uma questão de classe.
Carolina – (J), não tome a imprensa como a dona da verdade. Há diferenças entre informação e versão. Se toma como base as versões publicadas pela imprensa, confira o Link
(J) – A outra reportagem é uma fala do Lula. Não tem versão nenhuma. É ele dizendo que o PT esteve errado por não apoiar a constituição. Simples assim. Isso está documentado em vídeo.
Carolina - Muitas das artimanhas do Serra também estão bem documentadas. O que é fato aqui é que ambos assumimos a nossa posição política. Simples assim. Viva a democracia!
(S) – Nem Dilma nem Serra valem alguma coisa…aliás, político algum no Brasil vale alguma coisa
(S) – No Brasil não se faz política e sim Politicagem…
Carolina - Bem, pensar assim é concluir que o povo brasileiro não vale nada e que o País não tem jeito. Deste modo, vamos todos juntos ralo abaixo. Discordo. Acho este discurso ingênuo e simplista. Vivemos em uma sociedade complexa. Questionável? Sem dúvida, mas é importante sim que tomemos uma posição e optemos por uma plataforma de governo seja ela do partido ou da coligação que for. O Brasil não é um país de picaretas. O Brasil é um país de múltiplas características. A Alemanha, a Itália, a França e os EUA também são. A corrupção existe assim como existe a honestidade, perfis estereotipados dividem espaço com o pensamento crítico. Tudo é uma questão de escolha.
(S) – Não quero discordar da sua opinião até porque ela e bem valida, mas o povo brasileiro elegeu o Tiririca. Rs.
(S) - Anyway E Viva a democracia!!! Viva!!! Rs.
Carolina – Elegeu o Tiririca, o Fernando Henrique Cardoso, O Collor, a Marina Silva, o Lula, o Getúlio Vargas, o Jânio Quadros, o Jucelino Kubitschek; enfim, milhares de nomes.
(T) – É simples assim
UM RESGATE DA HISTÓRIA DO PT
1985 – O PT é contra a eleição de Tancredo Neves e expulsa os deputados que votaram nele.
1988 – O PT vota contra a Nova Constituição que mudou o rumo do Brasil.
1989 – O PT defende o não pagamento da dívida brasileira, o que transformaria o Brasil num caloteiro mundial.
1993 – Itamar Franco convoca todos os partidos para um governo de coalizão pelo bem do país. O PT foi contra e não participou.
1994 – O PT vota contra o Plano Real e diz que a medida é eleitoreira.
1996 – O PT vota contra a reeleição. Hoje defende.
1998 – O PT vota contra a privatização da telefonia, medida que hoje nos permite ter acesso a internet e mais de 150 milhões de linhas telefônicas.
1999 – O PT vota contra a adoção do câmbio flutuante.
1999 – O PT vota contra a adoção das metas de inflação.
2000 – O PT luta ferozmente contra a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que obriga os governantes a gastarem apenas o que arrecadarem, ou seja, o óbvio que não era feito no Brasil.
2001 – O PT vota contra a criação dos programas sociais no governo Fernando Henrique: Bolsa Escola, Vale Alimentação, Vale Gás, PETI e outras bolsas são classificadas como esmolas eleitoreiras e insuficientes.
Quase toda atual estrutura sócio-econômica do Brasil foi construída no período listado acima. O PT foi contra tudo e contra todos. Hoje roubam todos os avanços que os outros partidos promoveram e posam como os únicos construtores de um país democrático e igualitário.
Já que o PT foi contra tudo e contra todos desde a sua fundação, fica uma pergunta para que os leitores respondam: em 8 anos de governo, quais as reformas que o PT promoveu no Brasil para mudar o que os seus antecessores deixaram?
Carolina - Olá. Boa tarde. Creio que política não está atrelada apenas a históricos de partidos ou de políticos, mas a um contexto, a uma conjunção de fatores. Erros todos cometem. Reconhecê-los é uma demonstração de maturidade. Isso o Lula fez como bem disse o (J) acima. Agora, se você for checar informações sobre reformas e gestão pública, encontrará dados bastante significativos. Exemplos estão em Link e Link
(T) - Você tem certa razão Carolina. A política não deve estar atrelada apenas a fatos históricos, mas a uma conjunção de fatores. Ética e democracia são alguns deles. Não gosto do PT e nem do PSDB, quero que saiba.
O Lula é inteligente e sabe como agir de acordo com os interesses dele e do partido, como todo político. O que não concordo são algumas atitudes do presidente que largou seu cargo, faltando ao trabalho periodicamente, para fazer campanha na rua. Não sei se seria passível de alguma ação. Outra é a virulência com que o PT age, isso remete a governos fascistas, violência e autoritarismo. E várias mais.
Mas a mais absurda e que preocupa de verdade é o PNDH 3 que o PT pretende colocar em vigor ano que vem, junto com uma reforma constitucional. Para isso, Lula investiu nessas eleições e conseguiu eleger 2/3 do congresso com seus aliados. Pra os que ainda não sabem.
O programa de governo proposto pelo PT me faz lembrar da época da Faculdade de jornalismo quando a polícia invadia o campus descendo porrada e jogando bombas em nós, acho que você ainda era pequena. Tempos do Coronel Erasmo Dias. Sofremos muito nessa época com a ditadura e a proposta do PT reduz muito algumas liberdades que foram duramente conquistadas, e é muito semelhante ao modelo chavista.
É isso. No mais não discuto que no governo atual o Brasil melhorou, mas acho que foi além de mérito, um andamento natural de um processo já em curso. Muitas coisas que o PT vetou antes pôs em prática depois, e aperfeiçoou outras. Mas infelizmente no Brasil é assim.
Carolina – Bem, eu discordo. Não acho que o governo do PT seja, de forma alguma, um governo autoritário, fascista e truculento. Não vivi a ditadura, mas meus pais viveram, minha mãe foi presa em Ibiúna, muitos de seus amigos foram torturados, outros mortos. Não existe margem de comparação entre as épocas. Vivemos em um “estado democrático”, entre aspas porque existem mecanismos do Estado e do Sistema, entre outros, que comprometem o andamento pleno do que na verdade tem muito mais valor teórico do que prático, mas esta é uma questão global, a qual inclui países de todas as partes.
Quanto às reformas ligadas ao PNDH-3, penso que elas têm tudo para fortalecer o processo de desenvolvimento político e social do Brasil, e não o contrário. Não acho que as ações implantadas pelo governo Lula sejam continuísmos, embora ele tenha mantido ações do governo anterior, pois não há comparação entre as gestões anteriores e a atual.
Sobre os depoimentos que postou aqui, tanto o Ives Gandra quanto o Joelmir Beting são assumidamente conservadores. O Gandra inclusive pertence ou pertenceu ao Opus Dei. Ou seja…
Posso também deixar aqui depoimentos de pessoas que, em nível de pensamento crítico e experiência, têm valor considerável:
Os outros quatro links que listei como exemplos mostram depoimentos de Marilena Chaui em vídeos já publicados no blog, no post Debate, de 19 de outubro.
(T) – Ok Carolina vai fundo então, veremos.
* * *
Aguarde novas postagens.
PARTICIPE.
Debate
outubro 19, 2010
Eleições 2010
(X) - Estão dizendo que Marina Silva é neta de Macunaíma.
Carolina - Ah! Ah! Ah! Boa X.
Olha, deve ter algum tipo de parentesco, já que fala uma coisa e faz outra. Decepcionei-me com Marina. Como pôde se manter em cima do muro e lavar as mãos pensando em seu futuro político sendo que o Brasil precisa dela aqui e agora? Típica atitude de Macunaíma.
* * *
O que dizer de Fernando Gabeira? Rssssssssssssss…
CREDO!
* * *
Antes que me esqueça: Abaixo o Partido da Imprensa Golpista (PIG): Isto É publica CAPA reação antiVEJA (Óia) com Serra em cima/embaixo. Tunch genial na cara de quem desinforma e não respeita a opinião pública. Bravooooooooo!
Grande beijo e até a vitória,
Carolina.
Ps. (Z) , sobre o seu comentário no email anterior, ele não procede. Pense nas comunidades isoladas do sertão nordestino, que não tem acesso ao mercado de trabalho, que lutam por seu galão d’água quando ela chega em carros-pipa, que vivem sobre uma terra em que nada brota ou resiste ao sol e à secura. Estas pessoas passavam fome. Hoje, elas comem. Se o Governo suspender o benefício, voltarão a passar fome. Para que elas ganhassem o dinheiro por meio de esforço e trabalho, o Governo precisaria deslocá-las para longe do lugar que habitam, mas para aonde? Para a cidade? Cidade é sinônimo de inchaço urbano. O mercado das capitais já está saturado. Se elas tivessem acesso a um salário de R$ 1 mil em uma empresa que as empregasse em um local próximo de seus municípios, certamente não optariam por receber o Bolsa Família. Que empresa seria esta? Estas pessoas precisariam se deslocar quilômetros caatinga adentro até que chegassem ao seu local de trabalho. A suposta empresa pagaria inclusive pelo transporte digno destas populações? O movimento de transformação de base é legítimo e necessário. Mas programas como o Bolsa Família e o Programa Universidade para Todos (ProUni) são emergenciais, foram criados para reduzir o índice de miserabilidade do povo brasileiro, estão em andamento para que a geração atual receba ajuda e tenha alguma chance de chegar a lugar que o valha com dignidade e margem de competitividade. Eu diria que o Brasil é um recém-nascido. O País está levantando da lama somente agora depois de décadas de descaso e de gestões comprometidas apenas com as demandas da elite. O caminho que temos a trilhar é longo, mas é esse. Estamos no caminho certo. VIVA o Lula!!!!!!!!!! Dilma 13 no dia 31 de outubro!!!!!!
Seguem quatro vídeos de uma das maiores cabeças do Brasil: Marilena Chaui:
1.
2.
3.
4.
* * *
Comentário de (Z) sobre o artigo de Maria Rita Kehl, publicado no Estado de S. Paulo em 2 de outubro de 2010:
- Oi, (X)
Obrigada pelo envio da matéria. Já li uma segunda vez para encontrar algo que me tocasse. Encontrei algo que me interessou :…“Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa família, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. E alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer.” Segundo Paul Singer, “nas cidades pequenas essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente na economia local”. Estou interessada em saber qual a orientação educacional do programa cuja primeira etapa tem que ser necessariamente assistencial. Quem já se organizou, ainda que precariamente, e já pode produzir dá lugar a quem ainda não recebeu o auxílio? Sabemos que só ganhar dinheiro não é suficiente, é preciso saber que vem do trabalho e que é preciso saber cuidar dele. Convém esclarecer a esta população, também, que a ajuda que o Governo dá é fruto de milhões de brasileiros. Tenho que interromper, depois conversaremos mais. Beijo.
Dilma e a Fé Cristã
outubro 10, 2010
Eleições 2010
no dia 10/10/10
Como ainda posso me surpreender com o nível reles de campanhas eleitorais no Brasil? O que vejo se espalhar diariamente pelos veículos de comunicação aberta ou fechada de todos os segmentos é motivo de galhofa. O espetáculo de horror desarticulado promovido por determinados candidatos e sua trupe desesperada inclui parafernália de causar espanto ao coisa ruim. Mensagens publicadas aos borbotões reproduzem frases como “Ela não tem preparo”, “A petista é mal encarada”, “Candidata de Lula está envolvida com seita satânica”, “Dilma é anticristã”, “Cuidado: terrorista”, “Dilma é a favor do aborto”, “Candidata quer implantar ditadura vermelha no País”…
Hein? Cuma? PÁRA TUDOOOOOOOOOO! Qué qué isso minha gente? Que baixaria é essa insuflada pelo tucanato? A democracia na chamada república das bananas (um dia a gente chega lá) gera entraves ao bom senso ou estamos rodeados por zombeteiros dispostos a tudo para vencer o pleito? O candidato do PSDB perdeu a linha e partiu para a ignorância. Dilma está sendo vítima de uma enxurrada de adjetivos de baixo calão em campanha tomada pelo obscurantismo vergonhoso.
O caroço preso no gogó da oposição é grande e difícil de engolir, afinal, foram oito anos de um governo que trouxe ao
Brasil prosperidade e riqueza jamais vistas. O sucesso de Lula, um torneiro mecânico retirante nordestino, frente ao garboso e erudito príncipe da sociologia, é uma pedra no sapato da elite brasileira. Como Davi ousou enfrentar Golias? Como se atreveu a vencê-lo? Trata-se de uma vitória esmagadora, a qual não abrirá margens para bravatas de políticos sem carisma e de índole duvidosa.
Que palhaçada! Jogo sujo depois de ter tentado montar na garupa do presidente petista não costuma levar ninguém a lugar algum. Creio que o povo brasileiro saberá diferenciar a realidade da fantasia. Os números não negam. Lula superou FHC. Verdade seja dita: ele fez por merecer. Sou uma das testemunhas oculares da história nacional. Vi este País crescer e mudar durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Meu voto é da Dilma. Entrego-o a ela com plena certeza de que a candidata, cujo projeto de governo é o mesmo de Lula, dará continuidade a uma gestão eficiente, engajada com a causa social e muito bem sucedida. Segue abaixo o texto de Frei Betto, um dos grandes nomes da militância social no Brasil, publicado na Folha de S. Paulo dominical.
_______________
Texto publicado originalmente no Primeiro Caderno da Folha de S. Paulo, no dia 10 de outubro de 2010.
* Frei Betto
Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária aos princípios do Evangelho e da fé cristã
Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de “marxista ateia”. Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade. Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que “a árvore se conhece pelos frutos”, como acentua o Evangelho.
É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto…
Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente. Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.
Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes. A resposta de Jesus surpreendeu: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes…” (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz. Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.
FREI BETTO, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004, governo Lula).
Eleições 2010
outubro 5, 2010
Facebook’eadas’
5 de outubro de 2010
Muito bom este texto garimpado por você Maurício (um amigo). Não concordo, a princípio, com as colocações de Furtado referentes a Marina, embora sejam muito bem fundamentadas. Com o resultado do 1º turno, passei a pensar na possibilidade – e ela se confirmará caso a senadora apoie o Serra, fato que a levaria a se contradizer completamente -, da Marina ter vindo para dividir as esquerdas. Uma divisão deste porte é improdutiva em todos os sentidos. Ela se torna mais grave se ocorrer em um momento chave como o que estamos vivendo. Dentro deste contexto, a direita nunca esteve tão unida. Todos sabemos que unidade leva ao alcance da meta. Fato preocupante, mas previsível em um país que ainda elege o Tiririca.
Grande abraço.
Dez falsos motivos para não votar na Dilma (por Jorge Furtado)
Garupeiros
setembro 2, 2010
ELEIÇÕES 2010
O Mito e A Urna em:
O PANTHEON* DOS TRÓPICOS
A crendice popular é resultado da extraordinária capacidade humana de tentar explicar fatos ou fenômenos muitas vezes inexplicáveis. Ao percorrer o Brasil, o caminhante mais atento conhece histórias fantásticas de seres com poderes sobrenaturais de cura, morte, proteção, benzedura e atravanque. O inventário de aptidões de personagens mágicos é vasto como a imaginação fértil das gentes.
Para fazer bom uso da veia gaudéria, expandirei este palavreado brejeiro com histórias de superstição trazidas de minha meninice em terra crioula. Sabe-se que o Rio Grande do Sul é um estado de tradições arraigadas. O povo gaúcho tem com a sua terra natal um vínculo profundo. Por pagos e tertúlias se espalham os causos, sementes vivazes da identidade do povo sul-rio-grandense. As narrativas incluem as aventuras do Negrinho do Pastoreio, do Boitatá, da Salamanca do Jarau e do Angoéra. Entre as lendas gaúchas, há uma – contada por camponeses habitantes dos bosques da Serra Geral –, que diz da existência do Saci Pererê. A figura tácita de um moleque astuto costuma ser vista à noite, por caçadores ou andarilhos, sempre aos saltos ligeiros em meio a matos e picadas. Não raro, o guri pula na garupa do viajante a cavalo. O Garupa faísca pelo pasto, pondo-se ora na traseira ora na frente do animal, aos gracejos para interromper o trânsito do ginete. Age por pura pirraça com a intenção de aturdir e chamar a atenção.
Como de conhecimento geral, anedotas possuem um forte apelo maniqueísta, quesito que as torna ainda mais interessantes. Costumes estão originalmente entrelaçados à dicotomia entre bem e mal, Deus e diabo, vida e morte, certo e errado. Tendemos a enxergar os acontecimentos com um olhar analítico, sempre comprometido com determinada causa.
* * *
Qualquer semelhança com o cenário das eleições 2010 não é mero acaso. Quem nunca ouviu falar nos garupas da
política nacional? Creiam, eles existem e proliferam feito praga com uma velocidade transcendental, para não dizer risível. Houve dia que, ao folhear o jornal, deparei-me com três páginas consecutivas de um cola e descola entre candidatos de causar cólica aos beiços. O processo eleitoral se transformou em palco de comicidades. Ah! Ah! Ah!
A primeira página abria com um texto intitulado: Marina vai usar imagem de Lula em propaganda. A linha de apoio (subtítulo) da matéria trazia a frase PV exibirá os dois juntos e estuda comparar biografias no programa. Na página seguinte, surgia novo capítulo da saga: Estratégia de Serra tem ‘prazo de validade’. Abaixo, lia-se: Sob fortes críticas dos aliados, campanha do tucano pede 15 dias para avaliar êxito da tática de grudar em Lula. O pula pra cá e pra lá de Serra entre fotos do candidato ao lado de Lula e frases usadas durante o seu programa televisivo do dia 19 de agosto se esvaía aos borbotões. “Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá (…). Pro Brasil seguir em frente sai o Silva e entra o Zé” foi uma das pérolas pinçadas pela imprensa em jingle da campanha psdbista . “Serra e Lula, dois homens de história, dois líderes experientes” foi outra. E assim por diante.
Na última página do Gruda-Desgruda Eleitoral, as garupadas se espalharam por dois blocos de textos em que o candidato ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa (PMDB), recorreu à popularidade do ex-governador Aécio Neves para se autopromover. O X do imbróglio zombeteiro ascendeu pelo simples fato de Aécio apoiar a campanha de Antonio Anastasia (PSDB), maior adversário de Costa no páreo. Aécio foi citado 14 vezes pelo peemedebista durante o seu horário eleitoral do dia anterior.
Tentativas desarticuladas de pegar carona na imagem alheia denotam desespero ou revelam descarada falta de vergonha na cara? Como Serra – que há pouco tempo proferiu frases do tipo “Acho troglodita de direita quem apóia o Ahmadinejad”, fazendo menção clara ao acordo feito pelo governo brasileiro com o Irã – pode, a esta altura do campeonato, querer colar a sua imagem a de Lula? Fala sério! Até mesmo Fernando Henrique Cardoso se mostrou insatisfeito.
* * *
Esquecem-se todos que a garupa de Luiz Inácio já está ocupada. Dilma Rousseff pinta e borda no espaço reservado a ela com a alegria contagiante da filha acarinhada pelo pai. Obra do Nosso Guia, como definiu Celso Amorim, ou do Grande Mestre, como determinou a própria Dilma ao se referir a Lula. Afinal, parafraseando Barack Obama, Ele é o cara!
O presidente tem carisma de sobra para vencer o pleito com a mão nas costas, além de apresentar resultados de uma plataforma de governo que tem dado certo no País. A redução do índice de miserabilidade e o crescimento da Classe C mexem de tal maneira com a realidade do povo brasileiro que pesquisas realizadas dia sim dia não lançam números de popularidade jamais vistos. Dados recentes mostram que a aceitação do presidente Lula chega a 79% entre os votantes que acham o governo ótimo e bom.
Tudo muito certo, se não fosse a má impressão de que Lula se transformou em um Pop Star das massas. A super
imagem do presidente está atrelada a sua força legítima de líder e vitorioso (que é) ou ao poder subliminar de manipulação (adivinhem?) das massas? Certo que o Governo Lula foi o melhor que o Brasil já teve. Claro que ações voltadas para o crescimento da economia nacional, as quais primam pela soberania do País, são relevantes. Mas é preciso ter cuidado para não seguir o pastor feito cordeiro. A conquista política real tem como base o trabalho engajado com uma causa. Eu confio no Lula, mas prefiro manter o olhar atento, mesmo sendo a Dilma a garupa eleita pelo próprio. Quanto aos demais garupeiros de plantão, são dignos de pena, e nos momentos de descontração, de crises de riso. Que piada!
* * *
Marina Silva é a única da trupe vizinha com autoridade para garupar, já que esteve ao lado de Lula por inúmeras vezes no decorrer de sua trajetória política.
* Pantheon, na Roma Antiga, foi o templo de todos os Deuses.
Eu disse Marina Silva
agosto 6, 2010
Assisti ao debate entre os presidenciáveis com inevitável postura cética. Realizado pela Band, o programa foi ao ar às 22h de ontem, dividindo a atenção do telespectador brasileiro. Penso que a maioria do eleitorado optou pelo jogo da etapa semifinal da Copa Libertadores. Rá. Rá. Rá. O embate entre os quatro principais concorrentes ao cargo se deu de forma cautelosa e politicamente correta.
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) foram protocolares. Apresentaram mais ou menos as suas plataformas, os seus projetos, as suas metas de governo: tudo como dantes no quartel d’Abrantes. Os discursos da petista e do tucano seguiram a linha esperada. Eu, particularmente, gosto muito do Lula, embora haja em sua atitude algo que, em certos momentos, incomoda-me. Nada que me desiluda. Nem Serra nem Dilma fariam diferente. Fato consumado é que ele conduziu como ninguém o País nos últimos oito anos. Tanto que o tucano pisou em ovos para encontrar meios de atacar o Governo. Escorregou feito patinho ao lançar temas como o apagão nos aeroportos e a ineficiência dos portos nacionais. Frente às conquistas de Luiz Inácio LULA da Silva, ambas as questões são, em absoluto, irrelevantes.
Quanto a Plínio de Arruda Sampaio (PSol), por favor, que planeta abita aquele senhor? Em que século pensa que vive? Só fez atacar a todos. Com que finalidade? Vai saber. O candidato não economizou verbo ao destilar cinismo e ideias anacrônicas. Nada trouxe de concreto. Nada acrescentou. Deixou-se embalar pela lamentável comicidade de um raciocínio retórico e estéril. Dilma, Serra e Marina – aposto que Boechat e plateia idem – seguraram os beiços e contraíram a cuca para não desabar em gargalhadas. Dá-me paciência.
O que me chamou a atenção e acendeu em meus olhos o brilho orgulhoso de ser brasileira foi a figura ética, emocionante e exemplar de Marina Silva (PV). Que mulher incrível, que pessoa espetacular, que coragem de guerreira ela teve ao se colocar aberta, clara, pontual e objetiva para a população. VIVA! Vi nela, na conduta, nas palavras, nos argumentos e na apresentação de um projeto efetivo e viável a futura presidente do Brasil. Não será agora. Ainda não chegou a sua vez. Quem vencerá as próximas eleições será a Dilma, com o meu apoio. Ela traz consigo a responsabilidade e a continuidade do programa implantado por Lula. Tem o meu voto no segundo turno. Mas Marina, ahhhhhhhhh Marina, você está no caminho. Eu tenho certeza de que, na hora certa, na sua hora, vitoriosa e com o respaldo convicto do povo brasileiro, você chegará ao Palácio do Planalto.
Com carisma, conhecimento de causa, visão abrangente, credibilidade e uma plataforma fundamentada, a nossa futura presidente dará ao País o contexto individual e global (político, econômico, social, cultural, ambiental) que ele merece. Lula organizou a casa. Dilma receberá os convidados. Marina colherá os frutos e providenciará a sua transformação para que a família prospere. Chico Mendes, onde estiver, transbordará de alegria. E eu? Estarei junto ao meu povo, na primeira fila, para aplaudi-la de pé. Bravo Marina. Bravo!




















