Qual é o valor da informação?
maio 11, 2011
Em 2003, prestes a fechar um ciclo em minha carreira, o término da Faculdade de Comunicação (PUCRS), eu dei início a uma série de reflexões sobre o significado de minha profissão, de tudo o que eu havia construído até então e de toda a vida que eu tinha pela frente a partir dali. Imaginava-me naquele momento em que o estudante se vê no portão do Campus, de frente para a rua, com um diploma nas mãos. Instante exato em que surge a pergunta que não quer calar: e agora? Bom, não há muito que fazer senão, como sempre, seguir adiante. Medo? Todos. Vontade? Infinita. Esperança? Acesa.
No período de conclusão de curso uma questão acaba por se revelar. Dezenas de Universidades jogam nas ruas milhares de profissionais recém-formados todos os semestres. Até que ponto o mecanismo incessante de criação de bacharéis prepara as pessoas não para o mercado, mas para o mundo? Todos sabem que a graduação é o berço e que somente a prática da profissão ensina de fato. Mas o que é ser um jornalista de verdade?
A responsabilidade de manter a opinião pública bem informada é, acima de tudo, um dever social. Minha participação no contexto que habito inclui, entre outras coisas, formar opinião. Formar opinião? O leigo pode não se dar conta, mas não existe poder maior do que este. Tudo gira em torno de mentes que pensam. Redundância? Sim, se você souber que a sua mente é livre, independente, autônoma. Do contrário, você é um seguidor de quem? Do que diz a imprensa. Parece mentira, mas os meios de comunicação de massa alcançaram um patamar tal que as pessoas afirmam com frequência: “Isso é a mais pura verdade fulano, EU LI na Folha (de S. Paulo), EU ASSISTI no Jornal Nacional, eu ouvi na RÁDIO CBN.” Transformamo-nos, nós jornalistas, em oráculos universais. Nem a Academia, maior e mais respeitado espaço de seres pensantes do planeta, bate-nos. Isso mesmo leitor. Você duvida? Então, lamento informá-lo, mas pertence ao hall de seguidores, não possui uma mente livre. Quem eu penso que sou para te dizer isso? Não sou mais nada além do que você é nessa empreitada chamada vida. Somos todos parte do mesmo cosmos. Porém, parceiros ou não, meu caro, eu sou jornalista, sei do que estou falando.
Hoje, mais do que em qualquer tempo, nós temos a força. Tal realidade deveria me fazer sentir vitoriosa. Integro o time. Estou com a faca e o queijo na mão. Eureka! Não, as coisas não funcionam assim. Volto à pergunta com a qual encerrei o primeiro parágrafo: Mas o que é ser um jornalista de verdade?
Retorno ao começo do que você lê para engrenar a minha carroça de palavras…
Em 2003, prestes a fechar um ciclo em minha carreira, o término da Faculdade de Comunicação (PUCRS), eu dei início a uma série de reflexões sobre o significado de minha profissão, de tudo o que eu havia construído até então e de toda a vida que eu tinha pela frente a partir dali. Foi quando escrevi o artigo abaixo, cujo título se dispõe na abertura deste post. Encontro-me a quatro dias de uma das mudanças mais importantes de minha existência. Partirei para São Paulo em direção ao meu futuro depois de exercer o ofício que escolhi por amor há quase seis anos na região sul do Brasil. A prática me trouxe a certeza de que, sem dúvida, a grande escola se encontra fora das dependências do campus universitário. Enquanto remexia as minhas bugigangas separando o relevante para a viagem, deparei-me com o meu passado em uma caixa carregada de papéis até a boca. Ali estavam escritos diversos de minha época de estudante. Entre eles, este texto que segue para a sua apreciação.
Contarei um segredo para você. Algo que pertence somente a mim, mas que vou compartilhar contigo. Ao reler o que escrevi há oito anos, emocionei-me. Por quê? Ora, constatei algo de grande valor. Apesar de ter vivido um bocado desde o ponto final que dei ao palavrório produzido para a disciplina Tecnologia da Informação, eu continuo a mesma: não me corrompi, mutilei, violentei ou deixei me virarem a cabeça. Sigo pensando da mesma forma com uma esparsa vantagem, a de estar muito mais madura. Estou vencendo em minha carreira. Ser vitoriosa, como eu ia dizendo, significa usar do poder que possuo para realmente informar você. Li em um texto publicado pelo jornalista Daniel Santini no post Percepções distorcidas e a realidade no trânsito, de seu blog Outras Vias, a seguinte colocação: “A desinformação se completa pela preguiça, má vontade ou cinismo de boa parte da imprensa, que reproduz releases de maneira passiva e repete estereótipos e lugares comuns sem reflexão.” Ele está certo e você entenderá o que digo quando chegar ao fim do que lerá agora, se quiser, é claro. Sirva-se à vontade ou parta imediatamente. Ratifico – o resultado de tamanha falação tem a ver com escrúpulos e coragem, não com idealismos e utopia.
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* Artigo produzido em maio de 2003 para a disciplina Tecnologia da Informação, da Faculdade de Comunicação (PUCRS).
Falar sobre a informação é falar sobre a essência do significado do jornalismo: a comunicação. Ela, que em sua etimologia, defini-se como um repartir comum do alimento necessário para todo o profissional da área; ela, que segundo determinados teóricos, dá-se através de “todos os procedimentos pelos quais uma mente afeta a outra.” O que obviamente envolve não apenas o discurso oral e escrito como também a música, as artes visuais, o teatro, e certamente, todo o comportamento humano.
Hoje, o que temos é a comunicação instituída como área de conhecimento. Toda pessoa esteja ela onde estiver, movimenta-se, e consequentemente, transita por entre um fluxo de mensagens que penetra no corpo como que para oxigenar o sistema orgânico em vida. A televisão, o rádio, a imprensa, a internet, os “advertisements”, todos os meios técnicos eletro-eletrônicos de produção de imagem, som e escrita expiram uma linguagem sígnica repleta de códigos instantaneamente absorvidos pela sociedade. A convulsão destes meios e veículos se mistura com os alicerces erguidos há muito pelo homem, onde neles se apoiam os valores e princípios que propulsionam a cultura de um determinado povo. A pergunta faz-se necessária: Quem somos e de que forma nos identificamos como sujeitos ativos e autogerenciáveis, tendo em vista o fato de nos encontrarmos impressos ou objetivamente colocados como peças dentro do emaranhado midiático a que me referi?
Quando escolhi o jornalismo como profissão, pensava que teria condições de carregar todas as histórias do mundo sobre a folha de papel que acabaria nas mãos do leitor; que teria seguramente a oportunidade de me expressar por meio da chamada liberdade de manifestação do pensamento e de todos esses mas e poréns que ecoam em nossa mocidade e que vez ou outra esmorecem sem que percebamos. No decorrer do curso, contudo, notei que havia uma contradição nesse raciocínio meu. Mostraram-me que o jornalista quando reconhecido como tal deve manter-se imparcial frente aos acontecimentos que hão de se tornar notícia conduzida por ele, emissor, com seus instrumentos, ao receptor, ao público, às pessoas, à comunidade. O que se desmembra sobre o seguinte quadro: a chave que encerra a legitimidade da informação está acentada na maneira precisa e neutra com a qual o jornalista irá apurar o fato, apresente-se ele ao lado de sua porta ou do outro lado do mundo. Admito que me senti confusa, que o sentido e desejo entornados da coisa minha, aquela que me sacudia a fome de me tornar um ser comunicante, deparou-se com uma pedra; cascalho grande que talvez me pese nos ombros até este exato momento. Estou aqui, sentada a escrever esta porção de palavras, e penso que a minha angústia como futura profissional não se revela apenas junto aos meus anseios de principiante, mas à velocidade de transmissão das mensagens dentro de um contexto onde o processo de negociação entre emissor e receptor tem seguido por uma linha tênue bastante questionável.
Conforme afirmou Mattelart, em seu conceito de comunicação mundo, as grandes redes de informação e comunicação,
com seus fluxos “invisíveis” e “imateriais” formam “territórios” abstratos e “intangíveis”. O público absorve uma quantidade massiva de códigos formatados em um número infinito de mensagens diariamente. A questão é: até que ponto ele decodifica tamanha bagagem de informação que possa resultar esta, na oportunidade de uma retroalimentação: o “feedback”? Com tantos canais a escolher e constante vazão de símbolos em operação instantânea, as pessoas têm ou não ao seu alcance a liberdade de manifestar ou desenvolver pensamento próprio?
A cultura da mídia passa primeiro pelas salas de redação e agências de notícias espalhadas pelos quatro cantos do globo. Surgem, então, em minha pequena visão de estudante já na porta do mercado, termos como uniformização e padronização. As técnicas de persuasão e manipulação das mensagens utilizadas pelas empresas jornalísticas são teoricamente comprovadas por estudiosos e pesquisadores do ramo. Não é novidade dizer, portanto, que o conceito de imparcialidade é relativo e que seu usufruto sob a égide de quem dá suporte a tais empresas torna-se um objeto deveras perigoso. O comportamento do jornalista, neste caso, é algo que se deve sempre polemizar, já que o desempenho da profissão está vinculado a uma função social.
O que dizer? Tenho medo. Aflige-me as ideias ter na consciência a chance de vir a ser parte de uma enorme máquina de entortar homens; de que possamos nós, profissionais da comunicação, estar adormecidos; de que movendo uma peça aqui outra ali nesse imenso tabuleiro que é a vida, e mais próximo da nossa realidade como comunicadores, do que representa a informação como argumento, possamos estar fazendo pessoas adormecerem.
Hoje pela manhã, recebi de um amigo um livro de Antoine de Saint-Exupéry chamado Terra dos Homens. Saint-Exupéry, autor francês que durante parte do meu nascer e florescer, incansavelmente, apresentou-me um pouco dos tantos significados que tem a vida. Noto, após uma breve leitura do capítulo que me foi indicado, falo como pessoa e, reitero, futura profissional, que muito ainda tenho a aprender. Maravilhosa constatação. Confesso que este empurrão, tanto do amigo quanto do autor, serviu-me de fonte inspiradora para escrever este artigo.
Vitor Frankl disse que o homem é livre e responsável. Livre para fazer as suas escolhas e responsável pelas consequências de suas ações perante as escolhas que fez. Os meios de comunicação de massa passaram a exercer um papel estruturante na organização da sociedade mundial. Coloco a afirmação de Vitor Frankl em concordância simétrica com a minha: o jornalista, como profissional, também é livre e devidamente responsável pelos seus atos e por aquilo que a eles corresponder.
Acredito poder encaixar aqui algumas das palavras de Saint-Exupéry, que em uma viagem de trem da França à Polônia, ao observar operários em regresso à terra natal, certa vez rabiscou no papel: “E assim eles pareciam ter perdido um pouco da qualidade humana. Nos fardos mal arrumados, mal amarrados, eles haviam juntado apenas seus utensílios de cozinha, suas roupas de cama e cortinas. Mas tudo o que haviam acariciado e amado, tudo a que se haviam afeiçoado em quatro ou cinco anos de vida na França, o gato, o cachorro, os gerânios, tudo tiveram que sacrificar. A vida transmitia-se assim no absurdo e na desordem daquela viagem. Uma criança chupava o seio de sua mãe que de tão cansada parecia dormir. Olhei o pai. Um crânio pesado e nu como uma pedra. Um corpo dobrado no desconforto do sono, preso nas suas vestimentas de trabalho, um rosto escavado com buracos de sombra e saliências de ossos. Aquele homem parecia um monte de barro. E ele, que hoje é apenas uma máquina de cavar e martelar, sentia assim no coração uma deliciosa angústia. O mistério está nisso: eles se terem tornado esses montes de barro. Por que
terrível molde terão passado, por que estranha máquina de entortar homens? Um animal ao envelhecer conserva a sua graça. Por que a bela argila humana se estraga assim? Sento-me diante de um casal. Entre o homem e a mulher a criança, bem ou mal, havia se alojado e dormia. Volta-se, porém, no sono, e seu rosto me aparece sob a luz da lâmpada. Ah, que lindo rosto! Havia nascido daquele casal uma espécie de fruto dourado. Daqueles pesados animais havia nascido um prodígio de graça e encanto. E disse comigo mesmo: eis a face de um músico, eis Mozart criança, eis uma bela promessa da vida. Protegido, educado, cultivado, que não seria ele? Quando, por mutação, nasce nos jardins uma rosa nova, os jardineiros se alvoroçam. A rosa é isolada, é cultivada, é favorecida. Mas não há jardineiros para os homens. Mozart criança irá para a estranha máquina de entortar homens. Mozart fará suas alegrias mais altas da música podre na sujeira dos cafés-concertos. Mozart está condenado. E o que me atormenta aqui não é a caridade. Não se trata da gente se comover sobre uma ferida eternamente aberta. Os que a levam não a sentem. É alguma coisa como a espécie humana, e não o indivíduo, que está ferida, que está lesada. Não creio na piedade. O que me atormenta não é essa miséria na qual, afinal de contas, um homem se acostuma, como no ócio. O que me atormenta, as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são essas faces escavadas nem a feiúra. É Mozart assassinado, um pouco em cada um desses homens.”
Qual é o valor da informação? Quero encontrar esta resposta nas faces do público que recebe e absorve a mensagem por nós, jornalistas, emitida. E que junto de mim esteja sempre a lembrança das palavras de Exupéry. Realista é o mercado. Eu sou uma futura profissional, que crê piamente na essência do significado deste ofício: a comunicação. Hei de levar comigo a seguinte frase: “Só o espírito, soprando sobre a argila, pode criar o homem.”
Direto do MObfloripa
maio 4, 2011
EXTRA SIMIESCO
A macaca agora está no MObfloripa
“O MobFloripa, ou Guia de Mobilidade de Florianópolis, oferece informações sobre os meios de transporte da Capital. Aqui você encontra dados completos sobre o transporte coletivo, como horários de linhas de ônibus, tarifas e itinerários, transporte rodoviário, táxis, aviões, embarcações, aluguel de diferentes veículos, caronas, opções para portadores de necessidades especiais, novidades, links, downloads e muito mais.”
viaMObfloripa.
Estação Ecológica de Carijós
março 23, 2011
Florianópolis
Com a finalidade de chamar a atenção para ações que visam a conservar a natureza por meio do desenvolvimento sustentável, publico no blog um material que apresenta ao leitor a Estação Ecológica de Carijós. O acervo de fotos da Exposição Os Ciclos da Vida passou por vários lugares de Florianópolis, levando ao conhecimento da sociedade o trabalho desenvolvido pela Estação em parceria com o Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza (IC), ONG que há mais de uma década desenvolve projetos socioambientais na capital catarinense e em Unidades de Conservação situadas no litoral do Estado (SC).
Na época de publicação da reportagem que segue abaixo, eu trabalhava como assessora de comunicação do IC. Tive a oportunidade de acompanhar e participar das atividades promovidas pela instituição. Foi uma experiência linda e inesquecível, a qual levarei para o resto da vida. Abraçar a causa e levantar a bandeira por um mundo melhor e mais verde me trouxe um aprendizado único e muito especial.
Pude vivenciar cada passo dado diariamente pela equipe do Instituto Carijós, que com força e paixão, transforma o sonho em realidade, entregando-se e levando para milhares de pessoas um exemplo de vida e uma mensagem consciente de que juntos podemos fazer do planeta o nosso lar. A palavra lar é abrangente e dá a quem a conhece intimamente a certeza do pertencimento. Sinto-me uma pessoa maior por ter estado ao lado de tanta gente nesta luta incansável e fundamental.
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Crédito de foto: Anselmo Malagoli* A matéria a seguir foi publicada originalmente na versão impressa do Cacarijós nº 13 – Informativo do Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza, em janeiro de 201o.
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA OS CICLOS DA VIDA CONQUISTA PESSOAS DE TODAS AS IDADES E ORIGENS DA ILHA DE SANTA CATARINA
Desde a sua inauguração, há 15 meses, a mostra atraiu o olhar da sociedade para a importância de conservar os ecossistemas que habitam a ESEC Carijós
Inaugurada em agosto de 2008, a Exposição Fotográfica Itinerante Os Ciclos da Vida completou, em novembro, 15 meses de sucesso percorrendo diversos locais da capital, entre eles a Reitoria e a Biblioteca da UFSC, o Beiramar Shopping, a Estação 261 Bar e Restaurante, em Jurerê Internacional, o Centro Administrativo do Estado de Santa Catarina e a loja Supercenter Beira Mar da rede de supermercados Angeloni. Com objetivo de divulgar a Estação Ecológica (ESEC) de Carijós para todos os setores da sociedade, a mostra constitui uma ferramenta importante de comunicação do trabalho desenvolvido nesta Unidade de Conservação (UC).
Segundo Deisiane Delfino, geógrafa e coordenadora geral do IC, a principal meta é atingir públicos de todas as idades e origens. Três painéis com 43 fotos selecionadas retratam as belezas e os encantos da fauna e da flora da ESEC Carijós sob o olhar do fotógrafo Anselmo Malagoli. Imagens belíssimas do mais complexo ecossistema do planeta – o rastro do jacaré-de-papo-amarelo, os emaranhados das raízes dos mangues, as cores vivas dos caranguejos e a diversidade de pássaros – fazem parte do acervo.
Deisiane esclarece que a mostra ajudou também a divulgar o trabalho realizado pelo Instituto Carijós no entorno da Unidade. “Houve um aumento da procura por vagas de trabalho e de estágio na ONG, além de ser nítido o reconhecimento de nossos projetos pelas pessoas”, afirma.
O Instituto Carijós atua no desenvolvimento de projetos socioambientais há uma década em Florianópolis. “A partir de janeiro de 2010, pretendemos reformular a estrutura da exposição para que ela retome o seu itinerário”, comenta a geógrafa.
Localizada nas Bacias Hidrográficas do Rio Ratones e do Saco Grande, a noroeste da Ilha, a ESEC Carijós é uma UC federal criada em 20 de julho de 1987. Sua área de 7,12 km² abriga inúmeras espécies vegetais e animais de manguezal e restinga: o capim praturá, o caranguejo, a lontra, o marisco, a ostra e mais de 110 espécies de aves. As ações do Instituto contemplam o monitoramento, a pesquisa científica, a educação ambiental e a mobilização de toda a comunidade do entorno da Estação.
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Para maiores informações sobre o Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza, acesse o site www.institutocarijos.org.br
Nas Trilhas de Floripa
janeiro 20, 2011
Publiquei a reportagem a seguir na edição 160 da Revista Aventura & Ação, que circulou em novembro e dezembro de 2010. Disponibilizo o material na página para que o texto mantenha a sua função após o número ter saído das bancas: informar.
Boa leitura.
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Crédito de foto: Victor Emmanuel CarlsonCom infraestrutura de uma cidade grande, ótimos hotéis e restaurantes, a capital catarinense oferece paisagens fascinantes que fazem a alegria dos amantes da vida ao ar livre. Em meio ao cenário paradisíaco de praias primitivas e muita Mata Atlântica, uma atividade que tem se destacado é o trekking que cativa aventureiros interessados em explorar os cenários mais exclusivos de uma das ilhas mais bonitas do Brasil
A tarde é de calor, o lugar, um dos redutos mais antigos da capital catarinense, a Praia dos Naufragados. Esse cenário, unido ao movimento descontraído das pessoas pela trilha que liga a rústica Caeira da Barra do Sul ao extremo sul da Ilha, convida os visitantes a desfrutar de belos dias de sol. De repente, um burburinho chama a atenção dos turistas na entrada da praia. As pessoas se deslocam em direção ao costão esquerdo de Naufragados, seguem o som da música, e, alguns metros à frente, deparam-se com uma cena atípica: manezinhos (apelido dos habitantes tradicionais de Florianópolis) saúdam as belezas do entorno: “um pedacinho de terra perdido no mar, num pedacinho de terra beleza sem par, jamais a natureza reuniu tanta beleza, jamais algum poeta teve tanto pra cantar.” O trecho do Rancho de Amor à Ilha, o hino oficial de Florianópolis, é entoado por uma dúzia de vozes vibrantes e apaixonadas.
Não por menos, ela é chamada de Ilha da Magia. Dezenas de praias, algumas badaladas, outras selvagens, lagoas, cachoeiras, dunas, encostas e montanhas cobertas pela Mata Atlântica compõem o cenário deste pequeno paraíso litorâneo. Com oferta de inúmeros atrativos, a lha passa, na alta temporada, a abrigar quase um milhão de turistas. Os 408 mil habitantes adaptam suas rotinas para receber os visitantes. Para fugir do agito, a boa pedida é se lançar nas trilhas ecológicas que revelam cenários preservados, uma biodiversidade vibrante, além da cultura tradicional do lugar. São mais de 30 trilhas e caminhos distribuídos pelo território (433 km²) de Norte a Sul.
De acordo com Augusto César Zeferino, geógrafo e autor do livro Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina, existe
diferença entre a trilha e o caminho. A primeira costumava ser aberta por desbravadores, interessados em descobrir lugares e conhecer as matas. O segundo possuía uma função mais econômica. “Muitas estradas da Ilha, hoje oficiais, surgiram destes traçados”, esclarece. Os percursos, realizados por dentro da mata ou pelas margens dos costões, levam o caminhante a verdadeiros oásis naturais, alguns próximos de zonas urbanas bastante movimentadas, outros completamente afastados da civilização. Em trilhas como a da Lagoinha do Leste, uma praia selvagem, e dos Naufragados, sul da Ilha, podem ser avistadas espécies da fauna terrestre como cutias, lagartos, saguis e macacos-prego. No céu, um show à parte, protagonizado por cerca de 170 espécies de aves entre as residentes e as migratórias. Em Naufragados, devido à sua localização, é possível ainda avistar botos, e, de julho a novembro, a Baleia Franca. Pescadores que vivem na praia oferecem passeios de barco o ano inteiro.
As trilhas e os caminhos de Florianópolis foram abertos por índios (guarani e carijó), colonizadores luso-açorianos, militares, escravos e pelas próprias comunidades que se instalaram pelos traçados e no entorno das regiões. Seus habitantes mantêm os trajetos até os dias de hoje. “Estes percursos pela mata sempre tiveram importância, antes usados por questões econômicas, sociais e religiosas; hoje, para a prática do ecoturismo e do turismo de aventura”, diz Zeferino.
A riqueza cultural legada por antepassados é apreciada tanto nos casarões em estilo açoriano como nos simplórios ranchos de pesca à beira-mar, ao som de ritmos como o reggae e o samba, em avenidas largas e estreitas servidões (como são chamados os rasgos de terra, alguns pavimentados, que irrompem diversos bairros da cidade). O Ribeirão da Ilha, caminho para a entrada da Trilha dos Naufragados, é um dos mais antigos núcleos de colonização açoriana da capital. Embarcações, como canoas e baleeiras, e peças de artesanato, como balaios e cestos de cipó, preservam tradições centenárias. O bairro é um dos pólos de produtores de ostras de Florianópolis, reunindo bares e restaurantes que servem pratos à base de frutos do mar.
Entre as trilhas e os caminhos selecionados para este roteiro estão a dos Naufragados, da Lagoinha do Leste, do Morro das Aranhas e de Ratones para a Costa da Lagoa. Os critérios utilizados para a sua escolha foram o nível de dificuldade para a realização dos trajetos (todos podem ser feitos sem risco para o caminhante), a diversidade de paisagens e o tempo de percurso.
NAUFRAGADOS
Com início no ponto final da linha de ônibus Caeira da Barra do Sul e final na praia dos Naufragados, a trilha é larga, bem marcada, de fácil acesso e com nível baixo de dificuldade. Tem duração de 40 minutos e extensão de 2.621 metros. Localizada no extremo sul da Ilha, a praia pertence ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e abriga floresta de Mata Atlântica espalhada por montanhas e encostas. Pela trilha encontram-se córregos, alagados e quedas d’água cristalina, entre ruínas de um antigo engenho de farinha e casarões açorianos. Da beira-mar, vê-se o continente, que fica a três milhas náuticas dali: Praia do Sonho, da Pinheira, Guarda do Embaú e Gamboa, em Garopaba. Oficinas líticas incrustadas em pedras do canto esquerdo da praia remontam aos primórdios.
De acordo com Aladir Custódio da Costa, 67 anos, pescador, pela trilha transportavam-se mandioca, milho, lenha, peixes como tainha, anchova, corvina, bagre e tudo o que era produzido pelos aldeões. “A trilha existe há muitos anos. Eu estou aqui há quase 50 e faço o percurso desde moço”, afirma. “Quem utilizava mais eram os moradores daqui, mas de uns 20 anos para cá, as pessoas começaram a desbravar para conhecer e passear. Vem gente de tudo que é canto.”
Naufragados tem este nome por conta dos naufrágios que aconteceram na época da colonização. O mais conhecido ocorreu em 1751, quando uma embarcação com 250 colonos açorianos naufragou no local, deixando 173 mortos e 77 sobreviventes. História, lendas e mistérios cercam a Ilha, manifestando-se na cultura e nos hábitos dos moradores da aldeia, que contam com entusiasmo sobre a mulher da cachoeira, o homem do facão, a cobra do engenho e a história do tesouro. “Há um ponto na baía chamado de pegador. O lugar se transformou em uma referência para muita gente porque se sabe dos restos de embarcação que estão no fundo do mar. Algumas pessoas chegam aqui e me pedem para levar até lá. Elas acham que eu sei onde está o tesouro”, comenta Fernando Bittencurt, pescador de 47 anos.
Bittencurt fundou com Wanderlei Andrino Borges, 41 anos, a Associação Náutica Coraes, que promove passeios de barco pela baía e ilhas, costeando montanhas praticamente intocadas. Quem opta pelo tour no cair da tarde ou início do dia tem o privilégio de cruzar com várias espécies de pássaros nativos: gralhas azuis, garças-brancas, saracuras e aracuãs. Na margem direita da praia, há uma pequena trilha que leva ao Farol dos Naufragados, de onde se avistam o Forte de Nossa Senhora da Conceição (século 18), em Araçatuba, e as ilhas do Papagaio Pequena e Grande. No caminho, o visitante passa por canhões de guerra, registros históricos deixados pelos militares. Outro atrativo de Naufragados são os restaurantes à beira-mar, que oferecem pratos típicos à base de frutos do mar.
Distância Centro – Bairro
Caeira da Barra do Sul: 34 km
LAGOINHA DO LESTE
A trilha da Lagoinha do Leste é famosa por possuir uma das vistas mais belas do litoral catarinense. O percurso, realizado ora pela mata, ora pela beirada de costões, dura cerca de 1h45, sendo considerado de nível médio de dificuldade – há pedras e algumas bifurcações por quase toda a sua extensão (de 3.760 metros). Entre os atrativos da caminhada estão fontes e cursos d’água potável em pelo menos três passagens até a Praia da Lagoinha do Leste.
Muito utilizada por jovens e surfistas atraídos pela natureza selvagem e ondas que podem chegar a três metros de
altura, a trilha também caiu no gosto de moradores e todo tipo de visitante, por sua característica primitiva. “O trajeto para a Lagoinha define muito bem o conceito de trilha. A praia é pura e cheia de natureza. O turista chega a um lugar que é um paraíso intocado em plena capital”, afirma Victor Emmanuel Carlson, jornalista, fotógrafo e co-autor do livro Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina. A praia – localizada a sudeste de Florianópolis – pertence ao Parque Municipal da Lagoinha do Leste, criado em janeiro de 1992 com o objetivo de preservar um dos últimos redutos de vegetação primária de Mata Atlântica.
A Lagoinha possui extensão de 1.240 metros e tem este nome por abrigar uma laguna de água salgada (exceto na nascente e nos trechos mais profundos), cuja foz encontra-se na margem esquerda da praia. Diversas pessoas costumam, principalmente em alta temporada, acampar na restinga próxima à laguna. O ‘trilheiro’ que preferir seguir o passeio rumo ao sul da Ilha pode caminhar até o canto direito da praia e cruzar a divisa entre a Lagoinha e a Praia do Pântano do Sul, reduto tradicional da capital. Da Lagoinha ao Pântano há uma trilha bem marcada com um aclive de 194 metros, cujo trajeto é mais leve, apesar do desnível. Esta possui 2.420 metros de extensão percorridos em cerca de 40 minutos. Para recompor as energias da caminhada, vale conferir o cardápio do pitoresco Bar e Restaurante do Arante, no Pântano, famoso por servir uma variada gama de pratos artesanais com sabor caseiro.
Distância Centro – Bairro
Praia do Matadeiro: 21 km
MORRO DAS ARANHAS
Com início no costão sul da Praia do Santinho, a trilha do Morro das Aranhas possui trajeto íngreme, com extensão de 1.400 metros, e duração que varia de 40 minutos a 1h15, a depender do ritmo dos caminhantes. O nível de dificuldade é baixo, embora a subida exija preparo físico. O Costão do Santinho, uma das praias mais badaladas da Ilha por ser sede de um resort de alto padrão, é bastante conhecido por abrigar a maior reserva de oficinas líticas e inscrições rupestres do sul do Brasil. A excelente estrutura do local, reconhecido por lei como Patrimônio Nacional, inclui decks, mirantes e passarelas, e propicia a melhor visualização do sítio arqueológico. O percurso é bem sinalizado, com passagens bem demarcadas e placas de sinalização.
As montanhas cobertas pela Mata Atlântica e a forte arrebentação do mar em rochedos de formação basáltica compõem a paisagem do lugar. Pouco antes da entrada da trilha, o visitante pode apreciar a vista das Ilhas das Aranhas, de onde, segundo a versão popular, hoje oficial, surgiu o nome do antigo distrito. O jeito ligeiro dos manezinhos pronunciarem os vocábulos uniu as duas palavras, transformando-as em um denominativo, ‘Dazaranha’. No topo do morro, que possui 255 metros de altura, a vista panorâmica da Praia dos Ingleses, ao norte, e de Moçambique e Barra da Lagoa, a leste, atrai pessoas de todas as idades. A visibilidade é excelente e a paisagem fantástica.
Distância Centro – Bairro
Costão do Santinho: 40 km
DE RATONES PARA A COSTA DA LAGOA
A trilha de Ratones para a Costa da Lagoa é um dos mais antigos traçados de Florianópolis devido a sua função de aproximar as comunidades que viviam em suas extremidades no passado. Ela foi aberta com objetivos sociais e econômicos. Toda a produção de Ratones que precisava alcançar o Porto da Barra (da Lagoa) era transportada pela trilha em carro de boi ou lombo de mula. O seu início é no Canto do Moreira (Estrada Geral de Ratones) e a sua extensão é de 2.250 metros bem marcados entre subida e descida de um morro de 160 metros de altura.
O percurso inteiro é coberto por vegetação de Mata Atlântica; entre as espécies da fauna estão aves, lagartos e
macacos de pequeno porte; e a vista panorâmica do ponto mais alto inclui a Lagoa da Conceição, a Barra (da Lagoa) e o Rio Vermelho. Ratones é o bairro mais preservado do norte da Ilha, com largas propriedades rurais e intensa atmosfera bucólica. Pouco antes da entrada da trilha localiza-se o Sítio Çara Kura, um espaço modelo de práticas ligadas a projetos de permacultura e bioconstrução. O sítio é uma referência para ambientalistas, pois dispõe de um sistema autossustentável integrado à natureza, sem causar impacto. O espaço é visitado por inúmeros grupos de interessados, entre eles moradores, turmas de escolas da capital, estudantes universitários e turistas.
O trajeto termina na Costa da Lagoa, próximo à Praia do Sul – nesta localidade só se chega pela trilha ou de barco. A Lagoa da Conceição, um dos cartões-postais de Florianópolis, divide-se geograficamente entre Porto, Canto, Costa e Barra da Lagoa. A Costa é um dos braços, cuja personalidade ribeirinha se mantém, expressando- se por meio da culinária, do folclore e de costumes. No percurso de barco do Porto à Costa, há contraste entre construções de alto padrão e casas de pescadores, entre a arquitetura arrojada e os ranchos de pesca que sobreviveram à explosão imobiliária que ocorreu na região entre os anos 1980 e 2000, quando famílias de diversas partes do Brasil e do exterior migraram para Florianópolis em busca de qualidade de vida.
Quem optar por estender o passeio, pode escolher um dos restaurantes do “centrinho da Costa” e experimentar um dos pratos típicos oferecidos nos estabelecimentos. Para os caminhantes, a primeira opção é o Restaurante do Cabral, situado no ponto de chegada da trilha. Outras são o Índio, o Coração de Mãe e o Cachoeira. No cardápio, constam a sequência de camarão, peixes fritos, grelhados ou à milanesa, pirão, salada e acompanhamentos. Parte dos barcos que navegam na Costa da Lagoa pertence à frota do Sistema de Transporte Hidroviário Municipal. A grade de horários de saída das embarcações está fixada no Terminal do Porto. A tarifa é de R$ 3,20.
Distância Centro – Bairro
Ratones: 25 km
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DICAS
- Tênis confortável, próprio para trekking;
- Roupas leves, que absorvam bem o suor. De acordo com a trilha, é aconselhável usar calças que cubram as pernas;
- Água e lanche (sanduíches, frutas, barras de cereais, chocolate, biscoitos, etc)
- Protetor solar;
- Óculos escuros;
- Boné ou chapéu;
- Repelente para insetos;
- Mochilas resistentes;
- Lanterna;
- Guia das trilhas a serem percorridas;
ACESSOS (Florianópolis)
Por via rodoviária
De Porto Alegre: BR-290, BR-101.
De São Paulo: BR-116, BR-375, BR-101.
De Curitiba: BR-101, BR-376.
Por via aérea
Vôos regulares partem das principais capitais brasileiras.
DISTÂNCIAS
Porto Alegre: 476 Km
Curitiba: 300 Km
São Paulo: 705 Km
Brasília: 1.673 Km
MAIS INFORMAÇÕES
SERVIÇOS TURÍSTICOS
Santur
(48) 3212-6300
Secretaria Municipal de Turismo
(48) 3952-7000
Central de Atendimento ao Turista
0800 644 6300/ (48) 3212-6328
Delegacia de Proteção ao Turista
(48) 3222-4065
Florianópolis Convention & Visitors Bureau
(48) 3222-4904/ 3224-1721
TELEFONES ÚTEIS
Polícia 190
Bombeiros 193
Emergências Médicas 192
Polícia Rodoviária 191
Aeroporto (48) 3331-4000
Rodoviária (48) 3212-3100
Tele-Táxi (48) 3240-6009
Portfólio
dezembro 13, 2010
Nas bancas
novembro 29, 2010
Facebook’eadas’
29 de novembro de 2010
Nas Trilhas de Floripa
A edição 160 da Revista Aventura & Ação já está nas bancas com a minha reportagem Nas Trilhas de Floripa na capa. As 16 páginas contam com um roteiro completo para os amantes da prática de esportes em meio à natureza. O texto une turismo, cultura e história em uma empreitada de repórter pelas trilhas e pelos caminhos da Ilha de Santa Catarina.
Não perca!
Reciclagem
setembro 7, 2010

O meio ambiente é pauta de discussão em praticamente todos os países do mundo. A falta de um planejamento na utilização dos recursos naturais do planeta tem apresentado resultados drásticos à sociedade. Estratégias globais para o alcance de qualidade de vida integram desenvolvimento e sustentabilidade.
Minha trajetória como repórter inclui o contato com projetos, cujo foco de trabalho é a conservação da natureza. Já entrevistei empresários, políticos e ambientalistas, conheci programas de educação ambiental e escrevi matérias sobre iniciativas as mais diversas. Para o Jornal Imagem da Ilha, em 2007, eu produzi textos para a seção Eco Floripa do Bem. A finalidade do espaço era a divulgação de projetos envolvidos com a causa ambiental na capital catarinense.
Como faz anos que circularam estas edições, decidi trazer uma das matérias à tona com o objetivo de mostrar aos meus leitores os trabalhos desenvolvidos em Florianópolis, as pessoas que estão à frente deles e o quanto a participação da comunidade faz a diferença na luta por um mundo melhor.
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* A matéria a seguir foi publicada originalmente na 2ª edição de abril de 2007 do Jornal Imagem da Ilha.
NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA
Óleo de cozinha utilizado pelos restaurantes da Capital é reciclado
A coleta e a reciclagem do óleo de cozinha utilizado nos restaurantes de Florianópolis contribui para a preservação ambiental, gera renda e resulta na fabricação de produtos como sabão e fertilizante a partir de resíduos da gordura vegetal. O Programa Reóleo – uma iniciativa da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF) – surgiu em 1998 após integrantes da Câmara da Mulher Empresária, um núcleo da entidade, constatarem o afloramento de esgoto na Avenida das Rendeiras (Lagoa da Conceição). O excesso de gordura utilizada pelos estabelecimentos comerciais da região era jogado diretamente na água. O trabalho teve início no bairro da Lagoa com o cadastramento de sete restaurantes locais. Já são nove anos de atuação na luta pela conservação da natureza e pelo reaproveitamento do óleo usado nas cozinhas de restaurantes, hospitais, shoppings e hotéis da Ilha e do Continente. Hoje, 164 empresas do segmento participam do programa.
A coordenadora técnica do Reóleo, Marina Ballão, esclarece que toda a gordura vegetal usada nas cozinhas destes estabelecimentos é reaproveitada. “Os resíduos coletados passam por um processo de reciclagem, sendo transformados em sabão e fertilizante. O custo é zero para os associados ao Programa e os benefícios para proprietário, comunidade e profissionais que reciclam a matéria-prima são diversos” ressalta. A rota de coleta dos resíduos é percorrida a cada 15 dias.
Empresas cadastradas recebem uma quantidade de “bombonas” para armazenar o óleo que utilizam durante a
quinzena. Após o período determinado, caminhões recolhem os recipientes cheios e os encaminham para o reservatório da Companhia Melhoramentos da Capital (COMCAP), localizado no Centro. Cerca de 40 toneladas de óleo são coletadas por mês em Florianópolis, número que tende a aumentar com o vertiginoso crescimento pelo qual a cidade vem passando.
A Ambiental Santos, parceira da ACIF no Programa, é a responsável por recolher e reciclar os resíduos que são transportados até usina situada em Itaperuçu (PR), local em que se realiza o manuseio da gordura. O processo de reciclagem consiste em classificação (vistoria para identificar o tipo de óleo e detectar objetos estranhos ou lixo), lavagem (o óleo é lavado para retirada dos sais, cloretos e contaminantes) e uma nova classificação (para identificar características químicas). Por fim, o resíduo é filtrado e encaminhado para a confecção de outros produtos.
Algumas das matérias-primas resultantes do processo são desmoldante para construção civil, desmoldante para asfalto, desmoldante para indústria madeireira, lubrificante para corrente de motosserra, óleo vegetal aglutinante para indústria de fertilizantes, óleo classificado para sabão em pedra, entre outros. Toda a cadeia de resíduos que vem junto com o óleo é reaproveitada. A água contaminada é encaminhada para a estação de tratamento da fábrica, que reutiliza 100% do líquido. O iodo da estação de tratamento é secado em uma estufa e encaminhado para o setor de agricultura orgânica para ser utilizado como adubo.
Marcos Dalcin, diretor da Ambiental Santos, afirma que todos os produtos reciclados são vendidos pela empresa. “O consumidor final não se preocupa com o fato de usar um produto reciclado. Ele é eficiente e isso é o que importa”, diz.
Veneno para a natureza
São incontáveis os danos causados pelo óleo ao meio ambiente. Trata-se de um produto não degradável que em contato com o biosistema aquático se espalha, recobrindo a superfície da água. A gordura vegetal é matéria orgânica e estimula a proliferação de algas, que crescem desordenadamente impedindo a troca de gases entre a atmosfera e a água e provocando a mortandade de peixes e outros animais. O resíduo causa também o entupimento da tubulação da rede de esgoto e o consequente transbordamento da água poluída. O mau cheiro é outro fator relevante.
Educando para o meio ambiente
O trabalho de educação ambiental integra o Programa Reóleo. Desde 2002, mais de 3 mil crianças entraram em contato com o projeto em toda a Capital. Outra meta é a criação de ecopostos, cujo objetivo é a manutenção da coleta doméstica. “Queremos conscientizar a população. Recolher e reciclar o óleo tanto nos estabelecimentos comerciais quanto nas residências dos bairros da Ilha é uma alternativa ecologicamente correta e que traz benefícios para todos. Temos o apoio da Vigilância Sanitária e as pessoas se manifestam positivamente. Os resultados têm sido satisfatórios”, comenta a coordenadora técnica do Reóleo.
Histórias sobre o circo
dezembro 3, 2009
O circo fascina-me em absoluto. Fui uma criança apaixonada pelo picadeiro, pela atmosfera mágica que penetra sob a lona e hipnotiza a platéia, incendeia o coração, extravasa cor, brilho, expressão, plasticidade, dramaturgia, vida. Lembro-me da vez em que escrevi uma matéria sobre o tema, de toda a movimentação que fiz na busca de fontes, informações e referências históricas. Incrível a experiência. Coincidiu com a passagem do Grande Circo Moscou por Porto Alegre. Estive lá, assisti ao espetáculo, percorri os camarins, trailers, movimentei-me pelos bastidores. O que ouvi e senti naquele lugar foi extraordinário.
Jamais vi coisa igual. Uma lástima constatar que as crianças de hoje mal podem sair de casa, o mundo se tornou um campo de guerra. Raras são as cidades em que há crianças brincando nas ruas, nas praças, nos parques, nos quintais. O homem do século XXI cresce cercado por grades, muros e grilhões. A casa, o lar, virou sinônimo de bunker. Pena, pois não há o que estimule mais a imaginação, peça fundamental do desenvolvimento humano, do que os contornos invisíveis do horizonte. As pessoas não sabem mais o que é o circo. Afora a potência mundial em que se transformou o Cirque du Soleil, grandioso e belo, que outro contato temos com as peripécias do povo mambembe?
No decorrer das horas e entrevistas que fiz com palhaços, trapezistas, bailarinas, contorcionistas, mágicos, etc,
descobri uma realidade diferente, de pessoas que vivem em outro universo, distante da concretude racional. Os saltimbancos transportavam, de um lado para o outro, suas histórias fantásticas de legado transmitido de geração para geração. A herança circense passa de pai para filho, e assim sucessivamente. Carregavam no olhar, todavia, a dúvida sobre serem parte de um grupo seleto, talvez composto pelos últimos sobreviventes de uma raça.
Infelizmente, os portões que encerram o mundo espirituoso do circo sofrem a pressão do mercado. Os novos conceitos batem em suas portas de tal modo que em algum momento hão de romper a barreira. Qual será a tendência a partir daí? O circo e o povo que o integra desaparecerão? Estão fadados ao esquecimento? Para dar ênfase às respostas, farei o seguinte, acompanhem-me:
- Após cinco anos desde a sua publicação – eu ainda era uma estudante, estava no penúltimo semestre da faculdade quando escrevi o texto –, decidi rever o meu trabalho. Abri o envelope antigo, reli página por página, e pensei, quer saber, trarei meu texto à vida novamente. Segue abaixo, para os leitores de qualquer época, um trecho da matéria. Fiz questão de não alterar uma vírgula sequer. Deixei-o em sua forma original.
CIRCO: UM DOS MAIORES ESPETÁCULOS DA TERRA
Apesar das dificuldades de encontrar espaço dentro da sociedade contemporânea, o circo ainda se mantém e segue estrada sem fronteiras
“Respeitável público, com vocês o maior espetáculo da terra”, anuncia o mestre de cerimônia do Circo Moscou, instalado em Porto Alegre há mais de um mês. É tarde de domingo, o sol a pico no céu, a temperatura chega a 32º, o calor toma conta do picadeiro e das cadeiras embaixo da lona colorida, remendada, desgastada e envelhecida pelo tempo.
Ainda assim, há brilho nos olhos das crianças e dos adultos que recobrem a platéia de sorriso e expectativa. O que estará por vir? A curiosidade é parte da magia que inunda a atmosfera de alegria num compasso de sons e ritmos contagiantes. O show vai começar.
Contorcionistas, malabaristas, acrobatas, trapezistas, mágicos, palhaços, equilibristas, animais adestrados, o homem vulcão, o globo da morte, bailarinas e vendedores ambulantes: churrus, pirulitos, balas, pipoca, algodão doce, refrigerante, maçã do amor e batatinhas são alguns dos petiscos oferecidos nos intervalos de uma apresentação que dura cerca de duas horas.
A história das artes circenses é antiga e repleta de detalhes. Estudos revelam que o circo nasceu na China. Entre artefatos encontrados em escavações estão pinturas rupestres de 5 mil anos, imagens de contorcionistas, equilibristas e acrobatas.
(…) Na matéria, fiz uma retrospectiva histórica, passando por alguns momentos do circo em âmbito mundial até chegar ao surgimento do Cirque du Soleil. Trata-se de uma reportagem de 33 páginas. Como especifiquei acima, publico no blog apenas um trecho.
Parte final:
À porta do Circo Moscou
A rampa é de madeira pintada de azul. São quatro passos para subir e mais quatro para descer e lá está: trailers
e ônibus separam o mundo lá fora do que ali se encontra. Uma lona azul, vermelha e branca cobre a tenda principal. Lá dentro, cadeiras circundam um picadeiro modesto, porém grandioso aos olhos de quem chega. É o circo! O terreno se localiza no Parque da Harmonia, à beira do Guaíba, próximo ao anfiteatro Pôr-do-Sol.
Ao entrar, o que se vê é uma comunidade formada por uma grande família. Sob a lona circular, malabaristas e acrobatas fazem um último ensaio antes da apresentação noturna de uma quinta-feira de primavera. A equipe de apoio, chamada pela trupe de barreira, prepara o local. O sol cai no horizonte. Dentro de poucas horas, o público começará a chegar para assistir ao espetáculo, marcado para às 21h30.
Em um ônibus preto, de portas e janelas abertas, uma família de artistas circenses se movimenta de lá para cá. Eles estão arrumando a sua casa, organizando objetos pessoais e utensílios que serão utilizados durante o show. Antolin Olguin e sua esposa Beatriz (era aramista quando jovem), ele 58 anos e ela 51, uruguaio e brasileira, são o pai e a mãe de Jonathan, um espanhol de 27 anos, trapezista e casado com Vanessa, brasileira, que trabalha com magia e chicote.
Antolin e sua família nasceram e foram criados em um picadeiro, assim como os seus pais. “A paixão pelas artes circenses está no sangue. Passou do meu avô para o meu pai, do meu pai para mim e do meu filho passará para os meus netos”, afirma o homem de meia idade, cabelos pretos, bigode e pele morena, típico latino, de expressão tão cativante que com um singelo sorriso infesta o ar de alegria.
Olguin conta que começou a carreira como palhaço no circo do pai, Circo Petit, passando depois para o trapézio. “Para mim, esta vida é pura magia. Iniciei como palhacinho, fui trapezista, e após abandonar às alturas com a chegada da idade, retomei a minha função de infância”, esclarece.
No Circo Moscou ele é Taruguito. “Personagem e figurino criados por mim”, relata orgulhoso o artista, e acrescenta, “quando entro no picadeiro deixo de ser o Antolin e passo a ser o Tarugo, meu nome de palhaço. Acho o sorriso das pessoas a coisa mais maravilhosa que existe. Não há nada tão lindo do que gente que sorri.”
A família Olguin trabalha no Moscou há três anos. Alguns vieram primeiro, outros depois. Antolin explica que existe muita diferença entre o circo de ontem e o de hoje. “As pessoas não dão mais importância para o circo. Olham para fora e não para dentro, para o que realmente há por aqui. Lá fora é só a lona”, diz.
O entusiasmo tomava conta da população de uma cidade quando o circo chegava nela. Sua passagem era motivo de
euforia para a trupe. O palhaço avalia os sinais de mudança. “É como a morte da magia. No passado as crianças gostavam de ouvir histórias, as brincadeiras eram inventadas, surgiam do inesperado, hoje elas não se interessam mais por isso. Há robôs e todas estas coisas por aí”, enfatiza.
Nesta temporada, o Circo Moscou percorreu os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina entre o litoral e as fronteira com o Uruguai e a Argentina. Segundo Jonathan Olguin, não se sabe qual será a próxima parada. A procura por terrenos é desgastante, a incerteza é cotidiana. “Nada parece abalar a trupe. Somos gente apaixonada pelo que faz, que traz no peito satisfação e coragem para enfrentar a dureza do dia-a-dia de cabeça erguida”, reitera.
O público que procura o Circo Moscou tem gosto variado. Muitos adoram ver os palhaços, há quem prefira o globo da morte, o barulho, o perigo, a vibração do solo. Aramistas e trapezistas são grandes atrações. Seus movimentos e a sensação de vê-los nas alturas silenciam a platéia.
O Moscou conta com uma agenda extensa. Durante os finais de semana, são quatro espetáculos no sábado e no domingo. Em dias úteis, há somente um show noturno. A exceção ocorre quando as escolas agendam horários para turmas de alunos. As apresentações, nesse caso, são fechadas. Antolin festeja a chegada da meninada. “O circo faz muito bem para a criança, é o melhor que há. O espetáculo mais sábio para os pequenos. Aqui, a imaginação deles voa”, comenta.
Em um trailer próximo à entrada, mora Ana Karla Giovane Silva, baiana, nascida em Mucugê, a 500 km de Salvador. Aos 25 anos, 16 de profissão, a bailarina e equilibrista divide a casa – “esta é a nossa casa, alegra-se ao falar” – com Wili Marcio Palácio, globista, irmão do dono do circo. Ao lado da mesa em que há pãezinhos, leite, margarina, biscoitos e café preto, Ana Karla esfrega as mãos com base. Ela se maquia, preparando-se para a hora de sua entrada. “O circo é tudo para mim, eu não me imagino fazendo outra coisa”, diz.
Relembra de quando começou, seu primeiro número foi aos nove anos, no circo do pai. Ela morre de rir ao buscar na
memória uma de suas passagens pelo picadeiro. “Cômica”, ressalta. “Dia de casa cheia, eu tinha lá meus 13 anos, fazia um número de contorção e, de repente, meu top desamarrou…pááá, abriu e lá fiquei eu, com tudo de fora. Ainda bem que eram pequenos na época.”, conta às gargalhadas. “E você acha que a platéia sossegou? Que nada. Enquanto eu não saí dali, lógico que fiquei até o fim, todo mundo gritava, deixa cair de novo, vai! Eu só sei que amarrei a roupa e continuei o que estava fazendo. Morri de vergonha, claro. Ai, ai, cada coisa que acontece com a gente”, afirma.
Ana acredita no circo, tem esperança que ele permaneça vivo. “O circo é alegria, cultura, beleza. Ele estará sempre na estrada”, diz. Antolin Olguin, o palhaço palhacinho, compartilha a opinião. “Morrer ele não morre porque sempre haverá uma criança que goste do circo”, comemora.
William Peterson que o diga. Filho de seu Adilson – o manobrista –, aos 10 anos, ele se encanta ao experimentar o que está ao seu redor. “Eu gosto de olhar, de ajudar a montar a cama elástica, gosto de tudo por aqui”, conta.
A forma como o mestre de cerimônia do Moscou reverencia a platéia com suas palavras, no final do espetáculo, resume o sentimento da família circense, seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo.
- Enquanto houver uma estrela no céu e uma criança sobre a terra, o circo seguirá o seu caminho.
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O picadeiro em prosa
Há uma canção do Dead Can Dance, chamada The Carnival Is Over (álbum Into the Labyrinth), que retrata muito bem o circo e sua atmosfera mágica, contagiante e misteriosa. Conheço Dead Can Dance há 12 anos e sempre que ouço esta música, transporto-me automaticamente para o mundo do circo.
Vejo uma vila perdida em meio ao inóspito. O silêncio desprende-se fagueiro pelos poros do lugar. A poeira seca e vermelha percorre a única rua, o ar levanta folhas em dia de sol ameno. Os poucos moradores estão entretidos com seus afazeres diários, uns trabalham a lavoura de tons pastéis, outros afiam facas, mulheres torcem roupa, algumas se botam à beira das janelas, crianças correm junto a dispersas árvores alaranjadas.
De repente, um som distante quebra a rotina. Tambores, trombetas, chocalhos, malabares, palhaços, contorcionistas, homens que cospem fogo, mulheres que se equilibram nas pontas dos pés, cores vibrantes, cavalos, elefantes, cães amestrados, é a mágica circense que, sem aviso prévio, irrompe o horizonte. A atenção das pessoas passa a ter somente um foco: o desfile de saltimbancos. O fascínio penetra os olhos de crianças e adultos. O tumulto abre espaço para sorrisos, brincadeiras, curiosidade, encantamento. Tudo muda, passa pela dinâmica do espetáculo, de personagens desconhecidos, das faces expressivas, dos corpos pintados que se movem ao sabor de ritmos independentes.
A força dramática do momento gera contentamento, causa uma impressão imediata e marca de forma irreversível a alma do lugarejo. Nada será como antes. Conforme o trajeto é consumido pelos passos da trupe, a névoa inebriante confunde os olhares absortos. – Será mesmo a realidade ou um eco do além?
Uma moça, em especial, vê-se misturada à beleza e ao mistério. Ela acompanha cada movimento. Levada pelo poder de
absorção dos mambembes, a garota vibra. Seu vestido florido cobre o corpo alvo, sandálias baixas, de couro macio, vestem os pés. O cabelo castanho e levemente ondulado é comprido, compondo harmonicamente o conjunto juvenil de feições suaves e corpo delgado. A visão a cega de imediato, é paixão que sente correr por dentro, que a comove, que a transforma em vulcão.
A cena segue, o circo se afasta, a vila retoma o eixo, a população desperta do transe. A moça pisca os olhos e, em questão de instante, nota que ficou para trás. ‘The Carnival Is Over’. O circo se despede, deixando na memória dos moradores um vestígio de alegria, e no semblante da garota, a certeza de que ele existe. Ela perde a trupe de vista, os saltimbancos desaparecem na linha remota da estrada. Ela mantém o olhar fixo naquela direção, e ao esfregar os dedos das mãos sente uma picada. Arrepia-se, espia para ver o que a beliscou, há uma rosa vermelha em sua mão esquerda. Ela aproxima a flor do rosto, a cheira, concentra-se no recorte perfeito das pétalas, e sorri, docemente.
Dead Can Dance (The Carnival Is Over)
Outside
The storm clouds gathering
Moved silently along the dusty boulevard
Where flowers turning crane their fragile necks
So they can in turn
Reach up and kiss the sky
They are driven by a strange desire
Unseen by the human eye
Someone is calling
I remember when you held my hand
In the park we would play when the circus came to town
Look! Over here
Outside
The circus gathering
Moved silently along the rainswept boulevard
The procession moved on the shouting is over
The fabulous freaks are leaving town
They are driven by a strange desire
Unseen by the human eye
Someone is calling
The carnival is over
We sat and watched
As the moon rose again
For the very first time
Uma História da Mama
outubro 19, 2009
Eu escrevi o texto abaixo para o livro Uma História da Mama, lançado pela Da Barca Casa Editorial no dia 16 de outubro de 2009, durante o XV Congresso Nacional de Mastologia, realizado em Gramado, Rio Grande do Sul. Disponibilizo, no blog, o trecho a seguir.
Abundantes, fecundas, fartas, férteis, as mamas não são apenas glândulas cujas características mais evidentes são as de identificar a mulher e propiciar o desenvolvimento sadio de seus descendentes. A simbologia dos seios femininos é tão forte que a palavra mama deu origem ao verbo amamentar – o princípio básico da alimentação – e ao adjetivo mamífero, designativo da classe de animais que inclui a espécie humana. Apelidadas por especialistas de “árvores da vida” (o interior da glândula assemelha-se a uma árvore), as mamas permeiam a história da humanidade. A força iconográfica das mamas humanas se manifesta em todos os âmbitos da sociedade: nas ciências, nas religiões, nas artes, na cultura de mercado e na exploração do corpo feminino em busca de respostas sobre a origem da vida.
De acordo com cientistas e historiadores, a ausência de fósseis de seios dificulta a identificação de quando e como surgiram e se transformaram, ao longo das eras, no que são hoje. Teorias foram criadas com base na evolução da espécie e no poder sexual que as mamas possuem. Algumas indicam que após o homem se tornar bípede o seu corpo passou por uma série de modificações; o feminino afinou, desenvolveu curvas e a necessidade de um espaço frontal para a manutenção do aleitamento e da atração do sexo oposto resultou no aparecimento dos seios.
O desejo e a curiosidade do homem pelas mamas remonta à pré-história. A representação mais antiga de um ser
humano está retratada no corpo de uma mulher com tetas fartas. A Vênus de Willendorf, uma estatueta do paleolítico datada de 24.000 a.C., foi encontrada durante escavações na Áustria pelo arqueólogo Josef Szombathy nos primeiros anos do século XX. Ele a descreveu da seguinte forma:
“A escultura representa uma mulher gorda, inchada, com grandes glândulas mamárias, uma barriga saliente, cadeiras e coxas grossas (…) Os lábia minora estão claramente indicados (…) Toda figura mostra que o artista possuía um excelente domínio da forma humana e que ele, deliberadamente, enfatizou as partes referentes à função reprodutora”.
Esculpida em calcário, a escultura mais antiga feita por mãos humanas possui 11 centímetros de altura, é um retrato idealizado da figura feminina e suas formas voluptuosas guardam profunda relação com o conceito de fertilidade. Embora tenha sido a primeira evidência da era pré-histórica descoberta em escavações arqueológicas, não é a única. Cerca de 40 mil pequenas estatuetas semelhantes foram encontradas em escavações realizadas na Europa, no Oriente Médio, na África e na América Central.
No Antigo Egito, a imagem da Deusa Nut (a personificação da abóbada celeste despida e arqueada sobre o Deus Geb, a personificação da Terra) era representada pelo corpo alongado de uma mulher coberto por estrelas. Dizia-se que o leite que escorria de seus seios, o qual formou a Via Láctea, fertilizava o solo. O desenho de Nut – “deusa do céu que acolhe os mortos no seu império” – foi encontrado em sarcófagos de faraós de dinastias como a de Tutankhamon. As crenças funerárias egípcias associavam a deusa ao conceito de ressurreição: o morto transformava-se em estrela no interior do corpo de Nut. Segundo a mitologia, o Deus Rá, principal divindade egípcia, viajava pelo corpo da deusa durante a noite engolindo estrelas que posteriormente acenderiam o céu, renascendo em Nut.
Em cerca de 2.000 a.C., onde hoje se localiza a Palestina, Hebat era adorada como a Grande Deusa, a Mãe Sol, o símbolo supremo da fertilidade, da beleza e da realeza. Artefatos e documentos da época descrevem Hebat como uma mulher de corpo belíssimo, cujos seios eram arredondados e rijos. A imagem de Hebat carrega um bebê, o qual alimenta e acolhe em seus braços. Para os povos da região, o recém-nascido representava a esperada “criança das luzes”.
Na Grécia mecênica, por volta do século IV a.C., Kourotrophos – que significa “aquela que cuida das crianças” – foi
eternizada pelas mãos de artistas da época. Peças como esculturas, vasos e estelas funerárias representam a divindade conhecida como a Deusa Mãe da mitologia grega, a mulher responsável por alimentar, proteger e educar infantes até que eles estivessem preparados para os rituais de iniciação. O arqueólogo Ross Holloway batizou de Night um dos maiores exemplares de Kourotrophos, que se encontra no Paolo Orsi Museum, em Siracusa, na Itália. De acordo com Holloway, a escultura retrata a divindade amamentando e cobrindo com o seu manto os irmãos gêmeos Sleep and Death (Hypnos and Thanatos), que quando jovens carregarão o cadáver de Sarpedon, em Ilíada 16.
Para os gregos, a Via Láctea surgiu do leite que escorreu dos seios de Hera, esposa de Zeus, enquanto ela alimentava Hércules, um dos ícones de sua mitologia. Para que Hércules se tornasse imortal, ele deveria ser amamentado por Hera. Dizia-se que Hermes, filho de Zeus com Maia, conduzira Hércules aos seios de Hera enquanto ela dormia para que o bebê pudesse adquirir a imortalidade. Outra figura grega emblemática é a Vênus de Milo, escultura cuja autoria é atribuída a Alexandros de Antioquia. A estátua de uma mulher com o dorso nu e os seios perfeitos, uma das mais conhecidas do mundo, pertence ao período helenístico (século IV a século I a.C.), possui dois metros de altura e simboliza a feminilidade. A Vênus, representação de Afrodite, a deusa do amor e da beleza, está exposta no Museu do Louvre, em Paris.
As mamas humanas projetam no imaginário coletivo sensações as mais diversas. São capazes de provocar em ambos os sexos sentimentos como desejo, beleza, confiança, paz, inveja, amor, responsabilidade, paixão, esperança e cuidado. O ser feminino é complexo e dinâmico. Ser mulher significa ser capaz de cuidar, de gerar, de esperar, de educar, de dar e de sentir prazer. Da concepção ao nascimento, da amamentação à atração sexual, os seios trazem consigo a força, o orgulho, o poder, a conquista, a vitória feminina.
Dentro dessa perspectiva, Giambattista Tiepolo, um dos mestres do barroco italiano, pintou no século XVIII A Verdade Revelada pelo Tempo. No quadro, a verdade é revelada por uma mulher cujos seios estão desnudos. O italiano Torquato Tasso (século XVI), um dos mais célebres poetas da literatura universal – comparado a Homero, Virgílio e Dante –, autor do clássico Jerusalém Libertada (1851), relatou que mães, esposas e amantes gaulesas costumavam comparecer aos campos de batalha para exibirem os seios a fim de transmitirem aos seus homens força e confiança para a luta que travariam contra os invasores.
Ferdinand Victor E. Delacroix, representante do romantismo francês no século XIX, exprime, em sua obra A
Liberdade Guiando o Povo, firmeza, contundência e obstinação. Na tela, estes sentimentos estão retratados na imagem de uma mulher (a Liberdade) com os peitos de fora carregando a bandeira da França e incutindo nos soldados a coragem para enfrentar o inimigo e vencer a batalha. Considerada a primeira obra política da pintura moderna, o quadro celebra a revolução que levou à queda de Carlos X.
Entre as pinturas sacras e as renascentistas, inúmeras trazem mulheres de seios nus amamentando os filhos. A condição primaz da mulher revela-se por inteiro em obras-primas das artes plásticas como A Madona Litta, de Leonardo da Vinci; A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração, de Giampietrino (século XVI); O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticceli (século XV); The Melun Diptych, de Jean Fouquet (século XV) e em tantas outras de autores desconhecidos datadas dos séculos X e XI.
Objetos do desejo masculino, os seios instigam também o erótico, a fantasia, o êxtase associado ao corpo feminino. A sexualidade é fator inerente às mamas, uma realidade inseparável de sua existência e evolução. Na tela O Sonho (1932), da fase cubista de Pablo Picasso, o artista extravasa seu fascínio pelo corpo da mulher e gosto pelo sexo. A obra foi produzida com o objetivo de proporcionar no espectador o gozo visual. A dama retratada, Marie-Thérèse Walter, uma das amantes do pintor, toca seu púbis e, de olhos fechados, masturba-se. Picasso revela de forma sensual a mama da mulher endurecida, imagem própria de um ato de sexo e erotismo explícito.
A quebra de paradigmas proposta por Picasso é reflexo de uma nova era. Questionamentos referentes à figura da mulher ocorriam na Europa, nas Américas do Norte e do Sul e na Ásia. O momento histórico sugeria a abertura sexual, a quebra de tabus e a redefinição do papel feminino na sociedade. Obras como a de Picasso impulsionaram a revolução sexual e alguns dos movimentos vanguardistas da década de 1960.
Simone de Beauvoir, escritora, ensaísta e uma das principais precursoras do feminismo, desconstruiu a ideia
preconcebida da mulher presa a uma trajetória única, a de ser mãe e esposa. Em sua obra O Segundo Sexo (1949), um dos marcos da época, Simone se posiciona contra o puritanismo e o maternalismo do pós-guerra, opondo-se ao determinismo biológico e esclarecendo que a mulher não deveria estar amarrada a nada, a não ser a si mesma, como sujeito social autônomo, capaz e independente. “A mulher tem o direito de decidir sobre a sua vida. O seu corpo é um território livre.”
Em meio ao turbilhão de impressões e incitações, o dia 7 de setembro de 1968 foi marcado pelo Bra-Burning, a Queima dos Sutiãs. Centenas de ativistas do WLM (Women’s Liberation Movement) se reuniram em Atlanta (USA), em frente ao Atlantic City Convention Hall, para protestar contra a eleição da Miss América, Jordi Ford, que ocorria dentro do prédio. As ativistas gritavam do lado de fora, reunindo em uma lata de lixo todos os objetos considerados ideais para que uma mulher obtivesse status de beleza: cílios postiços, maquiagens, revistas femininas, espartilhos, cintas, sapatos de salto alto e sutiãs. A despeito do nome pelo qual o ato ficou conhecido, a queima, na verdade, não chegou a ocorrer, devido à proibição da prefeitura por razões de segurança. O episódio, contudo, entrou para a história como o grande marco do movimento feminista. Para aquelas mulheres, a “queima dos sutiãs” representou a conquista da liberdade perante o modelo vigente. O homem era o ser público e a mulher, o cerne do lar. A expressão seio da família tem esta conotação.
Na história da humanidade, há uma profusão de mitos, lendas e causos populares envolvendo os úberes femininos. Alguns documentos revelam inclusive a influência feminina na prática política e social de vilarejos orientais. Escrituras do século XII descrevem o estado de Karnataka, situado no sul da Índia, como um espaço onde as vilas eram administradas por mulheres. Elas lideravam também instituições religiosas.
De acordo com a historiadora Jyotsna Kamat (Universidade de Karnataka), as mulheres gozavam de direitos que até há bem pouco tempo eram reservados aos homens nas sociedades ocidentais e orientais. Na Índia, diz-se que Krishna foi alimentado por Putana, uma Rakshasi (demônio feminino). Kamsa, o tio demônio do Deus Krishna, solicitou a Putana, que tinha o poder de assumir a forma de qualquer ser, que envenenasse Krishna. Ela assumiu o disfarce de Gopikaa, que significa ama-de-leite, entrou na casa de Krishna e o amamentou com o seu leite envenenado. O Deus, mesmo ainda bebê, soube reconhecer a Rakshasi e sugou tão forte o seu seio que junto com o leite extraiu a vida de Putana.
Por todo o planeta há registros das mamas como um símbolo da cultura e da identidade dos povos. Jean Baptiste
Debret, pintor francês que integrou a Missão Artística Francesa ao Brasil (1816), realizada a pedido de Dom João VI, destaca em sua obra Retrato de Índia a suntuosidade dos seios nus de uma nativa jovem e bela. O Brasil Colônia está repleto de telas, desenhos e descrições do esplendor das mamas sempre à mostra das índias e do impacto que sua imagem causava nos europeus que desembarcavam no Novo Mundo.
Exemplos significativos da presença das mamas na história das artes podem ser destacados em qualquer cultura. Tsukioka Yoshitoshi, um dos grandes mestres do Ukiyo-e, um gênero de arte que une xilogravura e pintura japonesa do século XIX, apresenta em sua obra várias cenas de mulheres com os seios nus sempre sensuais e delicados. Na peça Kayuso Kaei Nenkan Kakoimono no Fuzoku (A Aparência de Uma Concubina da Era Kaei), o artista revela os seios da dama com primor de detalhes. Destacam-se em meio a cores fortes o quase branco da pele da mulher e o rosa que define com minúcia as auréolas de suas mamas.
Na arte Yorùbá, uma cultura milenar africana – a etnia Yorùbá habita a Nigéria, na África Ocidental –, a representação de mulheres com as mamas expostas nos rituais e no cotidiano local pode ser vista em inúmeras peças de artesanato. A fertilidade está diretamente associada à mulher, um dos símbolos da vida para este povo. Nanã é a irunmole (orixá no Brasil) que entregou a Oxalá a lama, material com o qual o ancestral, que se tornou divino após a morte, criou o homem. Nanã é o irunmole feminino das águas das chuvas, dos pântanos e da morte. Iemanjá, um dos irunmoles mais conhecidos do mundo, é feminino e representa os lagos, os mares e a fertilidade. Iemanjá é a mãe de todos os irunmoles da mitologia Yorùbá.
A cultura Yorùbá tem forte influência sobre a cultura de países como República de Benin, Togo, Costa do Marfim, Haiti, Bahamas, Porto Rico, Estados Unidos, El Salvador, Reino Unido e Brasil. A ligação histórica tem início com a chegada dos escravos neste País. Das culturas africanas existentes no Brasil, a Yorùbá é a que mais influenciou o povo.
A América Latina também é cenário de mitos e lendas relacionados às mamas. O folclore
argentino traz desde o século XIX a história da Difunta Correa, adorada como santa pela população da região de Vallecito, um vilarejo localizado a 1.160 quilômetros de Buenos Aires. Na cidadezinha construída ao pé da Cordilheira dos Andes, María Antonia Deolinda Correa vivia como uma mulher simples, considerada um exemplo de esposa e de mãe. “Se hizo carne en ella como una profecía la que después fuera la admirable definición de Sarmiento: ‘La madre es para el hombre la personificación de la providencia’.”
Entre os anos de 1840 e 1850, contudo, seu marido foi obrigado a entrar para o exército. Sem opção, Deolinda decidiu partir de Vallecito em direção a San Juan, situada a 63 quilômetros da vila, na esperança de encontrá-lo. Levou consigo guarnições, que supôs serem o suficiente para a longa jornada, e seu filho. “Para que entre las gentes quedara como ejemplo de amor de esposa y madre, Deolinda Correa iniciaba por fidelidad al amor, su viaje al infinito Amor y a la leyenda”. Enganou-se. Após percorrer a pé boa parte do caminho, o alimento e a água acabaram e Deolinda, exaurida e famélica, morreu sob o sol escaldante do deserto San Juanino. Reza a lenda que quando seu corpo foi finalmente encontrado, muitos dias depois, ele estava em uma posição capaz de proteger o bebê de tal maneira que ele teria condições de mamar e se nutrir enquanto houvesse leite para sugar da mãe já sem vida. Existe na região de San Juan um santuário erguido em homenagem à Difunta Correa, visitado por milhares de peregrinos todos os anos.
Na Amazônia, a lenda das Icamiabas (que significa “mulheres sem homens” ou “escondidas dos homens”) ronda o imaginário coletivo não somente dos povos do Norte do Brasil. A história gera fascínio e entusiasmo mesmo em pessoas de países longínquos. Embora não haja registro de sua existência, ainda há quem percorra a região entre os rios Tapajós, Trombetas e Jamundá em busca de respostas. O mito ganhou proporções imensas e se manifesta em versões diversas. A lenda é uma das mais completas formas de expressão da fertilidade, feminilidade e sexualidade feminina.
As Icamiabas são descritas como mulheres lindíssimas, donas de corpos fortes, morenos e sensuais, com curvas bem delineadas e seios deslumbrantes e imponentes, capazes de provocar arrebatamento em quem as vislumbrasse. Por viverem em contato direto com a natureza, livres, as Icamiabas ignoravam qualquer regra moral, passando a maior parte do tempo nuas. Tal detalhe estimula nos homens o desejo e a fantasia de encontrá-las, sentir os seus seios, possuí-las.
Diz-se que estas mulheres guerreiras e destemidas habitaram, há cerca de 600 anos, uma região próxima à cabeceira do Rio Jamundá. Viviam completamente isoladas dos homens e em certas épocas do ano celebravam a sua vitória sobre o sexo oposto nas margens do lago sagrado Yaci Uarua (Espelho da Lua). Após o cair da noite, quando a lua se debruçava sobre o espelho d’água, as Icamiabas mergulhavam nas águas em ritual de purificação e chamavam pela mãe do Muiraquitã, a Grande Mãe. Era ela quem entregava a cada uma das mulheres a pedra de cor verde (jade), o Muiraquitã, o talismã de proteção material e espiritual das guerreiras.
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Nosso rio tá pra peixe ajuda na revitalização de Rio
julho 10, 2009
O projeto Nosso rio tá pra peixe, desenvolvido de setembro de 2006 a agosto de 2008 pelo Instituto Carijós (IC) Pró-Conservação da Natureza, surgiu de um antigo questionamento da comunidade de Ratones sobre a efetividade do trabalho da Estação Ecológica (ESEC) de Carijós na conservação do recurso pesqueiro da região. A pesquisa apurou o conhecimento local dos peixes, das condições da bacia hidrográfica e da pesca, além da coleta de campo em áreas dentro e fora da estação.
De acordo com a bióloga Marília Medina Pupo, coordenadora do projeto, os principais problemas são o assoreamento e o depósito de matéria orgânica no curso do rio. “Revitalizá-lo é resolver o problema na base.” Para isso será necessária a recomposição da mata ciliar, a implantação de saneamento básico, a reabertura do Poço das Pedras (trecho do leito original do rio Ratones interrompido pela SC 402) e a revitalização das nascentes.
O plano de ação participativo, traçado a partir da pesquisa, visa a envolver a comunidade na conservação do recurso pesqueiro local. Uma cartilha de linguagem simples elaborada por Marília contribui para aproximar o processo científico da comunidade. Outro resultado do trabalho foi o vídeo Rio Vivo, Rio Morto, uma iniciativa das Associações de Moradores e de Pescadores de Ratones, que relata o projeto na voz dos próprios pescadores.
O Seminário de Orientação do Processo de Revitalização do Rio Ratones, realizado em 19 de maio, tomou forma durante as reuniões comunitárias do projeto, lembra Flávio de Mori, presidente da Associação de Moradores de Ratones (Amora). O evento teve o apoio da prefeitura de Florianópolis, do Instituto Carijós e da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) da Grande Florianópolis. O saber da população integrou-se ao conhecimento científico de uma equipe de 11 instituições que desenvolvem ações na área da bacia, entre as quais a UFSC, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação do Meio Ambiente (FATMA).
Cinco planos estratégicos deverão ser estruturados até 20 de agosto em um trabalho conjunto entre a Amora, a Associação de Pescadores do Rio Ratones e o Instituto Carijós.
Planos estratégicos do seminário
1. Promover o desassoreamento do Rio Ratones;
2. Reduzir o nível de poluição na Bacia Hidrográfica do Rio Ratones;
3. Promover a proteção do solo na área da bacia hidrográfica do Rio Ratones;
4. Desenvolver processo integrado de educação ambiental na bacia do Rio Ratones;
5. Criar mecanismos e instrumentos de gestão e de controle social da bacia do Rio Ratones;
Crédito de foto: Marília Medina Pupo
Texto originalmente publicado no Cacarijós, informativo eletrônico do Instituto Carijós (IC).
Texto: Luisa Frey (estagiária de comunicação do IC)
Edição: Carolina Pinheiro

























































