Olhar não é Enxergar
maio 31, 2011
Quando enxerguei São Paulo pela primeira vez, meu coração batia tão forte que mal cabia em meu peito. Passei a refletir sobre aquele emaranhado de sentimentos, todos disparados por uma única faísca: o contato. Creio que estar em algum lugar, habitar determinada cidade, circular por suas ruas e avenidas, partes e artérias não é a mesma coisa que explorar, desbravar, misturar-se, respirar, deixar-se levar, sentir-se imerso, contagiado por um espaço, seja ele urbano ou rural, familiar ou estrangeiro. Vida é a palavra que cabe como luva nesse quebra-cabeça chamado atualidade. Compartilhamos um mundo vazio de esperança, tenso em sua essência, reprimido por lobbies de mercado, murcho de humanidade. Onde reencontrar o brilho do olhar íntimo que adquirimos quando nos relacionamos com um jardim, uma praça ou alameda qualquer do bairro em que moramos? Como lidar com a metrópole? Li agora um texto que me inspirou a retomar o palavrório que debruço sobre este pedaço de papel sintético. Chama-se O tempo em minha bicicleta. Escrito pelo jornalista Daniel Santini, autor do blog Outras Vias, ele conta com a participação de Takeshi Tomita, um médico cirurgião japonês que Santini conheceu durante sua viagem para o Irã, realizada há meses. Trata-se de um relato belo, simples e instigante. Identifiquei-me com a leitura e decidi publicar no blog minhas primeiras impressões da cidade que não tem mais fim.
* * *
Em São Paulo
Seguem trechos de rabiscos meus para família e amigos. Divido com os meus leitores uma das experiências mais fortes e ricas de minha história. Por quê? Mudei-me para uma cidade que nem sequer o pé havia colocado, habito-a por conta e risco, carrego comigo a minha bicicleta e a força de quem conhece o seu valor. Minha intenção é a de conquistar.
Quer saber mais?
…
17 de maio de 2011
ENCONTRO
Cheguei em São Paulo no dia 16 de maio de 2011. Desde então, misturo-me com a cidade. Que sensação indescritível. Não é apenas o espaço urbano a me invadir inteira dia após dia, ou a quantidade de afazeres, a organização das coisas, mas sou eu, só, porém mais acompanhada de mim do que jamais estive na vida, a me abrir para um mundo completamente novo, a escrever uma nova página de meu caminho. Não consigo parar de tremer, tamanha a emoção a me desmontar e montar de novo, a me desarrumar por dentro para em seguida colocar no lugar. Que isso?
Afirmo de prumo: nunca foi tão bom sentir o coração bater.
…
24 de maio de 2011
Cada novo passo meu na capital paulista abre milhares de janelas, portas, gavetas e horizontes sem fim. Uma coisa descomunal e praticamente descontrolada, já que a quantidade de informação a ser absorvida parece infinita. Se duvidar, acho que esse é o melhor termo para definir São Paulo: INFINITO. Tenho que me adaptar a essa nova realidade, já que vim de um pedacinho de terra maravilhoso, mas pequenino. Morei cinco anos e meio em uma Ilha com o número de habitantes que dois bairros de São Paulo possuem.
A vontade que tenho é de devorar tudo. Os meus novos amigos se divertem comigo. Dizem para ter “caaaaaaaaalma Carol, você terá tempo de conhecer tudo o que quiser. Devagar e sempre”…devagar e sempre? Paulistanos vivem em uma megalópole maluca e desenfreada e acreditam no vagar dos dias e das descobertas. Eita paradoxo bárbaro esse.
Há contrastes de todos os tipos, belezas e feiúras, uma overdose de gente, concreto, poluição – vira e mexe, chega a doer respirar -, ruas, avenidas, carros, sobes e desces, barulho, comércio, arranha-céus, viadutos. Como um amigo comentou: moramos na cidade dos superlativos.
* * *
Para ilustrar o turbilhão, publico algumas fotos que andei tirando em minhas idas e vindas.
Arquivo Pessoal
Instante
março 20, 2011
Ontem à noite, tive o privilégio de assistir a um dos luares mais bonitos de minha vida. Estava quieta em meio ao silêncio da brisa, era eu intensamente, talvez um pouco mais do que isso, mas nada além de mim mesma. Lembrei-me de poemas que caberiam ao sabor do que sentia. Os que seguem abaixo acompanham o meu regalo a todos que comigo estavam, mesmo que distantes. Fiz também um pequeno registro do céu para ilustrar a cantoria.
Never give all the heart
William Butler Yeats
Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that’s lovely is
But a brief, dreamy, kind delight.
Oh never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If deaf and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost.
Poética
Vinícius de Moraes
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando
Esperança
Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…
Amar
Carlos Drummond de Andrade
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Para ser grande
Fernando Pessoa
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
_________
Passou-me pelas vistas este trecho do inesquecível Tomates Verdes Fritos. A simplicidade é abrigo do essencial. Tenho dito.
A macaca e o quadrilátero da esquisitice
fevereiro 5, 2011
Nada mais ro-ro-ro do que ler os despachos dos consulados norte-americanos no site de Julian Assange. A última preciosidade trazida dos confins do baú diplomático revela o perfil de brasileiros by The King of the World. Em alusão ao faroeste The Good, the bad and the ugly, estrelado por Clint Eastwood na década de sessenta, “the yankees guys” classificam candidatos brasileiros a visto temporário de trabalho no país do tio Sam como bons, maus e feios. O ex-cônsul geral dos Estados Unidos em São Paulo – Christopher J. McMullen – descreve as levas de tupiniquins, para usar um termo ameno (vai saber o que cospem “our brothers” em off), de forma curta e direta. Vamos ao indigesto palavrório.
Segundo McMullen:
BONS: São os jovens que vão ao país para trabalhar em resorts, estações de esqui e cassinos por vários meses para ganhar algum dinheiro e melhorar o seu inglês. O grupo é formado principalmente por integrantes de famílias de classe média.
MAUS: São os parentes e amigos de brasileiros que vivem nos Estados Unidos e vão ao país para trabalhar em subempregos como jardineiro, faxineiro e peixeiro. De acordo com esclarecimentos do ex-cônsul, tais imigrantes representam um grande risco, já que muitos dos que conseguiram trabalhos anteriormente não retornaram.
FEIOS: São aqueles que pagam US$ 3 mil ou mais para corretores para conseguir um emprego e uma chance de ficar nos EUA. O grupo é formado, em maioria, por pessoas pobres, desesperadas, que pedem dinheiro emprestado para pagar taxas escandalosamente altas aos corretores.
– Quadrilátero-ro-ro-ro-ro! Dá para acreditar? Humanos de último calibre assinando papelotes encharcados de
soberba. Quá! A macaca sabe, todavia, que, em se tratando do espaço mais exótico do planeta, tudo é possível. Verdade seja dita: Mr. Assange é um homem com H, merecedor de respeito. Recebe as informações mais pérfidas das profundezas do Estado e as coloca, na íntegra, à disposição do leitor. – Um herói da pós-modernidade, constata a bichana.
O documento publicado no Wikileaks revela ainda que de janeiro a novembro de 2005, o consulado norte-americano com sede na capital paulista entrevistou 1,5 mil candidatos ao visto de trabalho temporário e rejeitou 49% deles. O aumento de quase 200% em relação aos vistos negados no mesmo período de 2004 ressalta a característica xenofóbica do governo ianque. – De dar dó!, afirma a símia chacoalhando a cabeça…ts, ts, ts. A macaca já viu de um tudo em suas andanças pela savana, mas nada que se compare ao quadrilátero. – Na boa! Por onde circulam seres humanos, desabrocham as mais assombrosas aberrações.
Para ler o documento no Wikileaks, clique aqui.
A macaca em…
janeiro 9, 2011
O quadrilátero da esquisitice
Capítulo de hoje: A praia do e$panto
Pela estrada afora, eu vou bem sozinha…
Após temporada de pé na tábua pela capital gaúcha, a macaca retornou a Florianópolis para começar 2011 a todo vapor. Energia recarregada e Voilá, a bichana está pronta para a próxima jornada. O seu primeiro final de semana do ano foi cheio de sol e aventura por matas de restinga com direito a parada na selva da mundialmente aclamada praia do e$panto. Balneário de abastados e famosos, o e$panto, localizado no norte da Ilha de Santa Catarina, causa arrepios em qualquer criatura do mundo real. Morada de tribos endinheiradas (nem todas), a praia conta, em época de alta temporada, com um fenômeno chamado A Invasão Bárbara. Clãs de ‘homens de ouro’ superlotam o lugar, transformando-o em um dos mais autênticos protótipos do capitalismo selvagem pós-moderno.
A atmosfera exótica do lugar chamou muito a atenção da macaca, pois havia no semblante do grupo seleto um gosto blasé pela queima enfurecida de muito dinheiro (seu $?). – Isso remonta aos cenários de Kubrick em seu genial De Olhos Bem Fechados, pensou a símia. Os endinheirados exibiam-se com ferocidade em áreas exclusivas à beira-mar. Ao som de música eletrônica, rapazes rodeados por mulheres de corpos impecáveis em seus beach wears distribuíam garrafas de Veuve Clicquot a torto e a direito não com o objetivo de degustar o champanhe francês de centenas de reais, mas de ostentar em demonstrações bizarras de poder. Grande parte dos jovens sacudia as garrafas com vontade, fazendo jorrar a bebida milionária em cascatas perdulárias de pura falta do que fazer. O rito de mais uma tarde de sol entre o povo de lá e eu cá alcança gastos que podem chegar a R$ 20 mil por dia.
– Excêntricos elevados à potência mais crônica da insanidade ou ricaços despreocupados com a quantia exorbitante de dinheiro jogado fora?, questionou a bichana passada com a cena cinematográfica.
A verdade é que o grupo de seres humanos que se divertiam na praia do e$panto – templo de ‘semideuses’ abençoados
pelo valor da moeda –, não tem noção do que se passa do lado de fora da bolha de plástico construída para que exibam as suas penas de macho e fêmea alfa. Todos que pelas passarelas dos clubes vagueavam a esbanjar fortuna estavam cagando para o resto do planeta. Dane-se, sentenciavam com o olhar. Eu tenho, eu existo, eu posso. Ponto. O resto, meus caros leitores, somos nós, os farofeiros.
– Opa, exclamou a macaca. Pelo que descreve a repórter da matéria a seguir, eu pertenço ao limbo da farinha de mandioca. Sim, é isso. Quem diria, eu, uma símia bem-nascida, graduada, habitante da Grande Árvore, vegetal situado em zona privilegiada da mata, reduzida à pífia ralé da fauna e flora universal?
A macaca arregalou os olhos, ergueu a sobrancelha direita, largou os beiços e, sem armas para resistir, caiu na gargalhada. – Quá! Quá! Quá!, balbuciou estupefata com a força esmagadora do capital. O dinheiro banaliza a condição humana. Os ‘homens de ouro’ carregam a certeza de que tudo podem. Eles realmente podem. Na praia do e$panto, por exemplo, têm absoluta liberdade para defenestrar dinheiro pelos cotovelos. Em ambientes fechados, pessoas do degrau debaixo – ou seja, os apenas ricos – são observadas com olhar de esgueira.
– Os apenas ricos?, indagou a símia. Como assim? Para os veranistas do e$panto, há classificação de endinheirados a começar pelos ricos, que são a farofa ignóbil. A pensar que 10% das pessoas englobam esta fatia da sociedade, senão menos, o que resta para àqueles que não têm os bolsos fartos? Como seriam classificados os integrantes da classe média alta? Hein!
A macaca deixou o balneário pelo qual circulam ferraris e helicópteros com uma certeza ácida, mas lúcida. Todos sabem exatamente como se locomover pelo tabuleiro da vida. Os que conquistam dinheiro têm poder. São os donos do mundo. Os que não alcançam o degrau da fortuna não têm escolha. São os subordinados aos ‘homens de ouro’. Assim caminha a humanidade. O que sobra dessa sopa de caroços difícil de engolir é um rastro largo de vazio e estereotipia. Criatividade zero. O mundo sempre girou nesta órbita; e que se dane o resto. Ah sim, o resto somos nós.
Quem quer dinheiro?
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* Matéria publicada originalmente no Caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo, no dia 9 de janeiro de 2011.
‘Super-rico’ torce nariz para ‘farofa’ dos ‘apenas ricos’
Em Florianópolis, na Jurerê Internacional, há quem não tire o pé de áreas ‘exclusivas’
Luiza Bandeira/ENVIADA ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS
Eliane Luiz, 36, é juíza, tem apartamento de veraneio comprado a R$ 800 mil na praia mais badalada de Florianópolis e bebe champanhe Veuve Clicquot à beira-mar, a R$ 280 a garrafa. Mas, na opinião de alguns frequentadores de Jurerê Internacional, ela é “farofa”. Os “super-ricos” do balneário passam toda a temporada sem pôr os pés na areia e pagam até R$ 1 mil só para entrar em um bar livre dos que consideram “farofeiros”.
Eles são necessariamente mais ricos que o pessoal da areia, mas desprezam a democracia à beira-mar, onde entra quem quer. “Super-rico” aprecia apenas o público “bonito e selecionado” de local pago. “No lugar aberto tem cara tatuado, bombado, de corrente. Estou pagando para ficar em lugar exclusivo”, diz o paulista Rodrigo de Castro, 31, enquanto bebe champanhe na piscina do P12, espécie de clube na praia.
No local, as atrações são a piscina com bar dentro, camas confortáveis e DJs. A entrada varia de R$ 45 para mulheres a até R$ 300 para homens, preço cobrado nos dias mais cobiçados. “Na praia você fica cheio de areia. É muita farofa, muito Maresias”, afirma Davi Almeida, 30, que diz gastar cerca de R$ 500 ao dia no clube.
No Café de la Musique, os preços são mais salgados: os “super-ricos” chegam a gastar até RS 5 mil diariamente. “Aqui o nível é melhor. Mas está ficando muito caro agora, nem a Europa é assim”, diz o advogado cuiabano Diogo Alves, 27, que foi à praia em só dois dos 20 dias em que esteve na cidade. Com amigos, ele pagou, em um dia, R$ 20 mil de consumação para ficar na piscina do Cafe de la Musique.
A consumação é gasta em muito champanhe, vodca, energético, cerveja e ofertas de bebidas para mulheres. No Cafe, a
entrada para homens custa até R$ 1 mil. A das mulheres é de graça. “Os donos sabem que os homens querem estar cercados de mulheres bonitas”, diz Diogo, cercado por oito garotas dançando ao redor de sua mesa, bebendo de graça.
PELA VISTA
Mesmo os lugares que não cobram entrada dão um jeito de selecionar o seu público. No restaurante Taikô, a entrada é livre e as mesas da parte de trás são liberadas. Mas, para ficar nas da frente, com vista para a praia, a consumação é de R$ 3 mil. “Não é todo mundo que entra aqui. Viemos porque seleciona a frequência. É outro perfil”, diz o empresário paulista Ronaldo Zardur, 44.
Quem fica na praia critica ‘ostentação’
“É um cuscuz marroquino, não uma farofa”, diz o advogado Gustavo Nadalin, 32, negando o título de “farofeiro” dado pelos “super-ricos” e bebendo champanhe Chandon em taças de acrílico em Jurerê Internacional. Morador de Curitiba, ele e a mulher passam férias no apartamento da família no balneário e dizem gostar mais de aproveitar a praia do que ir aos bares e clubes.
A farofa chique, para ele, contrasta com o exibicionismo dos “super-ricos”. “Tem que ter bombinha na garrafa de champanhe [alguns lugares colocam velas que soltam faíscas nas garrafas]. Simboliza o dinheiro deles sendo queimado”, diz. “Nós somos de uma família de classe média alta, mas somos ‘low profile’ Tem gente que está tão bem como eles, mas não está se exibindo”, afirma a mulher dele, a empresária Ângela Nadalin, 38. Para o casal Edson Luiz, 34, advogado, e Eliane Luiz, 36, juíza, há muito exibicionismo entre os “super-ricos.”
“Rola competição de quem pede mais champanhe, eles abrem e jogam tudo fora, para o alto. Onde está a farofa?”, pergunta Edson, que bebia champanhe Veuve Clicquot. “Gostamos de apreciar a bebida”, diz Eliane. Champanhe é a bebida mais característica da Jurerê Internacional, mas muitas pessoas levam também água, comida, refrigerante e cerveja em seus isopores. Dizem que o fazem por costume e para evitar os preços da praia.
Porções Fast Food
outubro 5, 2010
O mundo está cada vez + Ro Ro Ro
Há semanas tento reservar espaço de meus dias para dedicação ao blog, mas o ritmo enfadonho de trabalho não permite. Torço-me, contraio-me, agito as bandeirinhas e o tempo segue a se esvair por meus pedaços. Tudo gira em torno de mil e uma atividades do mundo cão.
- Imperativos à parte, eu amo o que faço. Isso não tem preço.
Ocorre que após gritos e alardes, decidi entrar para o international team do famigerado Facebook. Para que servem tantas janelas de acesso ao universo online? Eu, por exemplo, possuo duas contas de email, orkut, msn, twitter e blog – que, sem pestanejar, arranca-me a macia penugem macacal (tudo pela causa). Respira e vai.
Não satisfeita, deixei-me tomar pela louca e acrescentei ao hall mais uma aba. Abri a conta, familiarizei-me com o funcionamento da página e né que a coisa é divertida? Viro-me bem com o network mais encorpado. Dei-me conta de que a facilidade de postagem de links no Facebook pode me ser útil, já que tenho condições de aproveitar o conteúdo publicado aqui no blog. Falo-ei.
Todos os posts da macaca aproveitados do Face – o world planet mais comentado do momento – estão devidamente identificados. Peguei a onda. Lançarei, sempre que possível, mais destas porções fast food para meus leitores. Quem quiser que me acompanhe.
Sopa de Letrinhas…
maio 23, 2010
Em dia de outono chuvoso
Estou aqui, a macaquear em dia de tormenta com acanhados intervalos de calmaria – a pensar em música enquanto acordo, levanto da cama, vou ao banheiro, tomo o meu café e visto uma roupa quente. Sem mais nem por que, ocorre-me, vou ouvir alguma coisa enquanto preparo meu computador, meus livros, minhas revistas e toda a tralha cabível à célebre rotina macacal dos dias de maio.
Espio pela janela, encosto-me na ponta da abertura e constato que o dia permanecerá, impiedosamente, cor de ferro. Dá-lhe água lá fora. Belisco o primeiro par da torrada que preparei com vontade, degusto o gole e tal do café recém passado. Coloco-o sempre dentro de minha caneca simiesca.
Click, meu playlist principia jornada…
Bob Dylan
A worried man with a worried mind. No one in front of me and nothing behind. There’s a woman on my lap and she’s drinking champagne. Got white skin, got assassin’s eyes. I’m looking up into the sapphire tinted skies. I’m well dressed, waiting on the last train (…)
Ahhhhhhhhhhhhhhhhh, sinto-me feliz por, modéstia à parte, saber fazer escolhas. A Grande Árvore é templo de boas coisas. Meus macacos velhos ensinaram-me a apreciar o que o mundo possui de melhor. A meu ver, por certo. Há quem prefira outras paragens. Cada macaco no seu galho.
Um vento fino sopra em meio ao úmido reboliço outonal. A temperatura deve estar em uns 15ºC. Frio discreto. Humm. Não é excitante o sabor do viver faça chuva ou faça sol? Com o olhar a passear pelo jardim de minha árvore, rasga-me os beiços um sorriso de graça.
Nova faixa
Sit there, hummm, count your fingers. I know what else, what else can you do? Ooh and I know how you feel. I know you feel like you’re through (…)
Minha nossa, que maravilha! Nunca ouvi nada sequer parecido com Janis Joplin. Considero-a A VOZ feminina do século XX. Insuperável em sua paixão, intensidade e beleza. A canção toma o quarto, minha respiração muda, arrepio-me, meus olhos lacrimejam, a emoção invade e silencia o pensamento.
Arrisco outro gole de café. Aos poucos, volto a mim, sempre ao som da música. Poxa, faz tempo que não me sinto tão
sozinha. Será por conta do momento de transição pelo qual estou passando? Estes costumam ser pedregosos. Qual a razão para tamanha falta de todos? Não sei. Penso que há fases em que a vida empurra para dentro. Devo estar em uma delas, a circular por minhas partes, pelo que almejo, por traçados íntimos demais.
Não importa. Vou superando as etapas, uma a uma. Minha cartilha é feita de esmero, ingrediente ardido para quem deseja a realização em âmbitos mil. Ser feliz, acredito, é a comunhão do todo voltado primordialmente para o hoje. Há que focar, sim. Há que planejar, sim. Há que persistir, sim. Acima de tudo, há que estar presente no correr das 24 horas do dia. Cada instante é singular, válido, oportuno.
Eu estou bem. MESMO! Delicio-me com o outro par da torrada. Meu olhar permanece encostado na rua, lá fora, onde chove sem parar. Do café pouco resta. Mais um gole talvez. Outra faixa…
Led Zeppelin
I’ve been working from seven to eleven every night. Ohh yeah, It really makes life a drag, drag, drag, I don’t think that’s right. I’ve really, really been the best, best, best of fools, ohh, I did what I could (…)
Wooooooooow, Led é algo, né gente? Que potência fenomenal se impõe acorde após acorde. Pego-me a sorrir outra vez. Que som dos Deuses! Fecho os olhos devagar, uma ideia acende meu gozo: vou colocar tudo isso no meu blog. Farei-o e é pra já. Dei um pulo, zuuuuuuump. Quebrei o encanto da hora e pus-me prontamente à frente do laptop. Mãos limpas, guardanapo enroscado dentro da caneca em cima do prato, o conjunto posto no canto da mesa. Voilà! Simbora, dar início aos trabalhos. No decorrer do preparo caprichei na mão, não economizei fermento, lambuzei o avental, fiz como deve ser. Nada de seguir a receita. Criatividade é o diferencial, quando somada à embevecida pitada de bom gosto, of course.
Com a alegria intrépida do término de uma tarefa, deixo para os meus leitores este presente. Uma apetitosa sopa de letrinhas em dia de outono chuvoso.
R
O
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K
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QUEM SOU EU
dezembro 4, 2009
CAROLINA PINHEIRO
Jornalista inveterada. Macaca endiabrada.
Carrega que o filho é teu
Da Ilha de Santa Catarina para o mundo, de dentro para fora, de baixo para cima, de trás para frente, de ponta a ponta, de ser para sermos, de canto para canção, de indivíduo para coletivo, de habitat para universo, DE GALHO EM GALHO em prol da inquietude.
Da Ilha de Santa Catarina para o mundo, de dentro para fora, de baixo para cima, de trás para frente, de ponta a ponta, de ser para sermos, de canto para canção, de indivíduo para coletivo, de habitat para universo, DE GALHO EM GALHO em prol da inquietude.
Corrida (macacal) Maluca
novembro 30, 2009
O chavão ‘estar com a macaca’ coube na símia como tailleurzinho by Chanel. A rotina de trabalho, inexorável de setembro para cá, tomou a bichana de tal maneira que quase tudo a tem levado ao contumaz teque-tequear. Para novatos na divertida arte do bem usar a língua portuguesa & desvarios SA., teque-teques são nada mais do que os sons emitidos pelas teclas do carinhosamente apelidado por um mestre da música: cérebro eletrônico.
Em ritmo frenético de final de ano, o que poderia encaixar melhor em constituição arredondada do que incontáveis horas de labuta? Ao corpanzil da macaca se integram desafios para além do feijão com arroz. O conceito tem a ver com experimentar novidades, aprender com o que a vida traz de fresco, desbravar mundo ao lado do que há de mais espetacular, a superação de limites, dia após dia.
São milhões de caracteres a tomar páginas e mais páginas, definição de pautas, distribuição de tarefas, apuração de
informações, saídas a campo, produção de textos, inúmeros telefonemas, acertos com equipe, coordenação de projetos, revisão de materiais, fechamento de arquivos, checagem de provas, e para tudo há que se montar plano e manter foco absoluto na meta, a entrega de resultados e o lançamento dos produtos. A reta final exige mais do que o processo inteiro: contatos, ampliação de network, desdobramentos, imprevistos, decisões rápidas, objetividade, reuniões de última hora, combate a súbitos rompantes de intrusos (provações personificadas) e a lista segue completamente sem rumo dias a fio.
Quem disse que é fácil? Viver em contexto contemporâneo é de lascar o fio do bigode. Se como macaca e jornalista a vida vira do avesso, imagina quando entrarem para o time macaco e filhotes? Wow! Tudo vem há seu tempo, mas filhotes só para adiante. Lááááá lá lá. Cada passo vale a pena porque a símia transborda prazer em cada pequena coisa a qual se dedica. Garra e amor combinam com a escolha que fez para si.
As últimas experiências, por exemplo, a fizeram encontrar caminhos e conhecer realidades surpreendentes. O que poderia ser mais fascinante do que o contato consigo mesma? Em meio ao turbilhão, somam-se constatações inesperadas, pois não há o que pareça mais complexo do que a maturação de quem somos. A macaca olha para si com orgulho. Transpor barreiras é promover revolução. Esta vitória tem significado amplo, não se resume ao ponto final de projetos profissionais, embora eles representem parte inebriante do todo. Não é específica. O brilho de seus olhos simiescos liga-se diretamente à exploração de suas vias internas, canais por onde a força pulsa certeira; vincula-se ao reconhecimento de um valor próprio de quem sabe se relacionar com as suas verdades, sejam elas quais forem. Voilà! Exclama de peito cheio. Quero, anseio, desejo ardentemente que a vida se lance cada vez mais viva para dentro de mim!
Paul Auster abre o seu livro A Invenção da Solidão – excelente leitura –, com uma frase que a macaca considera fantástica. É de Heráclito. Diz assim: “Ao buscar a verdade, esteja pronto para o inesperado, pois é difícil de achar e, quando a encontramos, nos deixa perplexos.” 
That’s it!
Esperamos por você 2010. Iháááááááááááááááááá!
Cazuza
novembro 28, 2009
Estou eu aqui, em noite chuvosa, para variar. Floripa é foda, (mas é demais). Dia 27 de novembro, se bem que a estas horas já entrei nos 28 com facilidade. Eita relógio (tic tac) que voa. No problem. Faz dias que quero escrever sobre o Cazuza. Ele está sempre por perto, é presença constante em meus dias, noites, vida. Tenho exatamente a idade de Cazuza: 32 anos! Cresci ouvindo tudo deste senhorzinho coisa de louco. Sei eu o que ele diria disto. Faria uma careta, abriria um sorriso, diria que tudo bem…
Semana passada, sexta-feira dos antigamentes, tive uma noite ao lado de mama que para mim foi uma das mais incríveis de todos os tempos. Em final de tarde quente, expediente da semana encerrado, decidimos, eu e ela, minha estrela maravilha, abrir uma garrafa de bom vinho, aquele tinto e seco, óbvio, uma vez que o resto é troço indigno da denominação. Tomamos a primeira e pensamos que o momento pedia por mais uma, abrimos outra. A conversa fluía. Mamãe e eu nos comunicamos por olhar, pensamento, telepatia. Imagina quando abrimos espaço para diálogo compulsivo? A sequência costuma ser desenfreada, com muito prazer. Ô BOM!!!!
Foi inesquecível. De casa fomos para um boteco de Jurerê Tradicional, moramos no Internacional doido de pedra, e acomodadas em mesa e cadeiras simplesinhas optamos por chope geladinho e outras ‘cervezitas más’. No caminho do
lar para o bar, ou como diria a minha tia, da igreja para o puteiro, se bem que minha casa nunca foi igreja, Graças a Deus, o que ouvíamos era o Cazuza, Blues da Piedade: “Agora eu vou cantar pros miseráveis que vagam pelo mundo derrotados/pra essas sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas/pras pessoas de alma bem pequena remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não têm/pra quem vê a luz, mas não ilumina as suas minicertezas, vivi contando dinheiro e não muda quando é lua cheia/pra quem não sabe amar, fica esperando alguém que caiba nos seus sonhos/como varizes que vão aumentando/como insetos em volta da lâmpada/vamos pedir piedade, Senhor, piedade, pra essa gente careta e covarde.”
O Cazuza é um algo assim como o amor e a vida. Nâo há palavra que o descreva. Quem foi? Acho que se eu dissesse aqui que foi um dos maiores gênios da música brasileira e que depois dele nunca mais vi nada parecido, ele me diria que sou meiga, fofa, lindinha, mas que na verdade, bem no fundo, ele era um misto de coisas, como todos nós. Menino? Homem? Cantor? Compositor? Letrista? Poeta? Boêmio? Inconsequente? Sem limites? Eu não sei. Não acho que eu tenha o direito de definir quem foi Cazuza. Se ele mesmo dizia que não sabia nada sobre si, quem sou eu para ficar aqui descascando miudezas? Decifrar pessoas é coisa que não cabe a pessoas. Mania temos. Adoramos, quase que como um vicio incontrolável, falar da vida alheia, dos seres sejam eles idolatrados ou menosprezados. Por quê? Vício puro e simples. A coisa mais deliciosa do mundo é abrir a boca, este canal de comunicação fenomenal que temos com o mundo, embora haja uns tão largados às traças que chega a dar dó.
Mas não. Se eu o fizesse, abrisse a minha boca para especular quando o assunto é Cazuza, ele me diria para não perder tempo, até porque, por mais que me esforçasse, não conseguiria chegar perto de combinação articulada. Cazuza para mim é como um amigo, um irmão, alguém tão íntimo que chega a abusar. Ele conversa comigo, conta da vida, das novidades, dos planos, do que pensa e sente, quer e deseja, espera e almeja. Deixou um legado como poucos.
Cazuza só não está neste mundo em corpo. Sim, ele morreu. E cedo. Excedeu-se, se jogou sem medir consequências, mas penso que ele foi o que queria ter sido, fez o que queria ter feito, escolheu o seu caminho. Somos resultado de nossas escolhas. Fato é que já se foram quase 20 anos desde a sua partida e até hoje eu o vejo por aí, mais presente e atual do que nunca. Impressionante Cazuza, como você conseguiu passar para todas as gerações posteriores a sua tanta bagagem. E da melhor qualidade. Tudo o que você foi está a léguas do verbo precisar, pois ele lembra a falta do que é necessário, negócio que não rima com a tua voz nem toca as tuas ideias. Acho que o tanto que recebemos de você cabe direitinho em palavras marcantes como atrever. Alguém chega para você e diz: como você se atreve a falar assim comigo? Ou ousar. Outro esmurra em bom tom: não ouse! Cazuza era atrevido e ousado, e isso, senhoras e senhores, quer dizer carisma.
Ele toca, desperta, estimula. Creio que a reflexão sobre seja o que for causa muito mais efeito do que o pão nosso de
cada dia. Por certo ninguém sobrevive sem o alimento, mas o conteúdo relevante que empurra para frente está nas pequenas grandes revelações: “Disparo contra o sol, sou forte, sou por acaso, minha metralhadora cheia de mágoas, eu sou um cara/cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada ou beijo de namorada, eu sou mais um cara/mas se você achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados porque o tempo, o tempo não para.” Refiro-me a isto. Falar de si em nível arrebatador não é para qualquer um.
Eu também sou ariana, quebro tudo, arrombo portas, sou impulsiva, passional, intensa, desgovernada, travessa, moleca. Dá na veneta e, pronto, fecha-se a butique. Lógico que eu me identifico com ele. Somos parecidos. Como eu disse, somos amigos, irmãos. Quem ler o que aqui está e não entender, me chamar de pretensiosa, cretina, ridícula, estúpida, que fique bem à vontade. Eu responderei: espanta-se por quê? Não ouve Cazuza? Não atenta para o que ele fala? O Cazuza não compôs para chegar à divindade, mas para invadir a alma dos outros. Ele não pede licença e faz tudo isso de propósito, o objetivo é chocar, chamar a atenção, instigar o sentimento, animar (no sentido de dar vida a) a consciência.
Quanta gente xinga, inverte os significados, empobrece os nossos instintos, reverte as nossas perspectivas Cazuza? Um bando de chatos, mesquinhos, frios, minúsculos. Pois bem, cada um com o seu cada qual. Né, Cazuza? Foda-se! Danem-se! Se não bate, não rola. É isso. A vida é assim. Que seja!
Para mim é claro: Aqueles que se expõem estão sujeitos a todos os tipos de feedbacks. Burrice, pequeneza, tacanhice é não conseguir enxergar que as pessoas mais fortes são as que entram em contato com a sua fragilidade, a conhecem, provocam, tratam bem, sabem lidar. Jogo de cintura, mi queridos, é fundamental. Estas são dignas de respeito, são especiais, fazem a diferença, possuem algo próprio da minoria: flexibilidade de pensamento, elasticidade mental. Cazuza está neste rol de criaturas; pessoas do bem, lúcidas, criativas, sagazes.
O que tenho a dizer? Que sinto muita saudade. O Cazuza faz muita falta: leve, solto, afetuoso, autêntico, bem humorado, excelente caráter, generoso, inteligente, corajoso, brasileiro, alto astral, ‘cínico, revoltado e menino’, como ele mesmo se descrevia.
Eu amo você Cazuza! Te conheci menina, cresci ao teu lado, te trago por dentro, te ouço, escuto, saco, capto. Vamos seguir conversando pelos bares da vida. Por todos os lugares, qualquer um deles vale a pena ao lado teu. “O barato da vida é estar sempre aprendendo, sempre de olho, sabe? Acho que a gente tem que ter essa coisa de mudar, de não sedimentar.”
Com certeza!
Não foi por menos que terminei a noitada com mi mama na beira da praia do Forte, que está localizada ao lado de
Jurerê esquisita, cheia de mansões vazias durante a maior parte do ano. Fantasmas e discrepâncias à parte, eu e minha estrela bebemos a saideira ao nascer do dia em frente à APA do Anhatomirim, ao lado da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, próximas da ESEC Carijós, rodeadas por pescadores com suas redes e baleeiras, Mata Atlântica, mar, gaivotas – alguém me conta onde raios dormem elas? –, e ao som de Cazuza: “Pode seguir a tua estrela, o teu brinquedo de star, fantasiando um segredo, o ponto aonde quer chegar, o teu futuro é duvidoso, eu vejo grana, eu vejo dor, num paraíso perigoso, que a palma da tua mão mostrou, quem vem com tudo não cansa, Bete balança meu amor, me avise quando for a hora. Não ligue pra essas caras tristes, fingindo que a gente não existe. Sentadas, são tão engraçadas, donas das suas salas. Quem tem um sonho não dança, Bete Balanço, por favor, me avise quando for embora”
M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!
Valeu Cazuza! O mundo sem você não é o mesmo.






























































