Instante

março 20, 2011

Ontem à noite, tive o privilégio de assistir a um dos luares mais bonitos de minha vida. Estava quieta em meio ao silêncio da brisa, era eu intensamente, talvez um pouco mais do que isso, mas nada além de mim mesma. Lembrei-me de poemas que caberiam ao sabor do que sentia. Os que seguem abaixo acompanham o meu regalo a todos que comigo estavam, mesmo que distantes. Fiz também um pequeno registro do céu para ilustrar a cantoria.

Never give all the heart

William Butler Yeats

Never give all the heart, for love
Will hardly seem worth thinking of
To passionate women if it seem
Certain, and they never dream
That it fades out from kiss to kiss;
For everything that’s lovely is
But a brief, dreamy, kind delight.
Oh never give the heart outright,
For they, for all smooth lips can say,
Have given their hearts up to the play.
And who could play it well enough
If deaf and dumb and blind with love?
He that made this knows all the cost,
For he gave all his heart and lost.

Poética

Vinícius de Moraes

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando

Esperança

Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

Amar

Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Para ser grande

Fernando Pessoa

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

_________

Passou-me pelas vistas este trecho do inesquecível Tomates Verdes Fritos. A simplicidade é abrigo do essencial. Tenho dito.

De Pernas Pro Ar

janeiro 5, 2011

Facebook’eadas’

5 de janeiro de 2011

MUUUUUUITO divertido. Adorei o filme e indico para todos que procuram por boas risadas em meio a uma boa história. Vale a pena conferir. De Pernas Pro Ar tem tudo para se transformar no hit do verão 2011. Não se deixe levar pela crítica.

Ingrid e cia, o público SUPER aprovou. Bravo!

De Repente é Amor

agosto 23, 2010

Assisti ao antigo e tão comentado  De Repente é Amor (A Lot Like Love). Típica comédia romântica com swett pepper sob medida para fazer a mulherada suspirar. Como eu não nego a raça, adocei minha manhã de domingo com as idas e vindas do casal protagonista. Estrelado por Ashton Kutcher e Amanda Peet, o longa-metragem de 2005 conta a história de um casal de jovens, Oliver Martin e Emily Friehl, que se encontra pela primeira vez em um voo de Los Angeles para Nova York. Ele é um rapaz sistemático, cujas metas para um futuro bem sucedido estão traçadas. Ela é uma moça espontânea e acredita que planos não são garantia de realização. Apesar da incompatibilidade de pontos de vista, eles se sentem intensamente atraídos um pelo outro, fato que os aproxima durante os dias que passam na Big Apple americana, que vamos e venhamos, gente, deve ser QUALQUER COISA. Woody Allen que o diga. Nos próximos seis anos, Oliver e Emily se cruzam e desencontram diversas vezes em meio a tentativas de relacionamentos frustrados e adversidades profissionais. Estreitam laços e se tornam grandes amigos. Lá pelas tantas, dão-se conta de que um pode ser o amor da vida do outro.

Achei o filme uma fofura. Leve, simpático e gracioso como toda a comédia romântica hollywoodiana deve ser. Ô talento porreta têm os americanos para arrancar suspiros das telespectadoras. A cerejinha do sorvete de creme com calda de chocolate quente foi a música Look What You’ve Done, que cabe como uma luva em meus ares. Adoro esta canção da banda australiana Jet. Linda, Linda, Linda! Depois de devorar tanto doce, restou-me a não menos agradável opção de almoçar um belo e colorido sushi em restaurante da Lagoa. No final do dia, acabei-me no samba de aniversário de uma amiga lá no Rancho do Neco, em Sambaqui. Melhor que isso só se esbarrasse com um príncipe deste dando sopa por aí. Ah! Ah! Ah!

Look What You’ve Done

Jet

Take my photo off the wall
If it just won’t sing for you
‘Cause all that’s left has gone away
And there’s nothing there for you to prove
Oh, look what you’ve done
You’ve made a fool of everyone
Oh well, it seems likes such fun
Until you lose what you had won
Give me back my point of view
‘Cause I just can’t think for you
I can hardly hear you say
What should I do, well you choose
Oh, look what you’ve done
You’ve made a fool of everyone
Oh well, it seems likes such fun
Until you lose what you had won
Oh, look what you’ve done
You’ve made a fool of everyone
A fool of everyone
A fool of everyone
Take my photo off the wall
If it just won’t sing for you
‘Cause all that’s left has gone away
And there’s nothing there for you to do
Oh, look what you’ve done
You’ve made a fool of everyone
Oh well, it seems likes such fun
Until you lose what you had won
Oh, look what you’ve done
You’ve made a fool of everyone
A fool of everyone
A fool of everyone

Humanas X Exatas?

junho 9, 2010

Encontrei mais uma excelente leitura enquanto circulava pelo blog de um ex-colega de trabalho, o jornalista e cronisca Felipe Lenhart. O título do post, Um documentarista em defesa da ciência, faz menção ao discurso de João Moreira Salles em evento realizado na Academia Brasileira de Ciências. Em seu blog, Felipe escreveu:

Saiu no último Ilustríssima, caderno que substituiu o Mais! na Folha de S. Paulo, a transcrição do discurso de João Moreira Salles, documentarista e dono da revista piauí, em um simpósio da Academia Brasileira de Ciências. O texto é primoroso e revela uma preocupação urgente dele e de quem se interessa pelo futuro do Brasil: “a hipervalorização das artes e humanidades em detrimento das ciências ‘duras’ e da engenharia, e as consequências do processo para o desenvolvimento tecnológico, científico e cultural do país”. Excelente pensata.

Ao comentar o texto publicado, eu escrevi:

Discurso incrível. Tenho lido muita coisa sobre o crescimento da economia brasileira. Páginas e mais páginas apresentando marcos históricos, números, entrevistas, etc. Há uma semana, creio eu, li uma matéria na Isto É. O título: Em ritmo de crescimento chinês. Na mesma página, havia um gráfico apontando o avanço do PIB entre os meses de setembro de 2009 (-1,2%) e março de 2010 (9,85%). Momento eufórico, de grandes perspectivas. Efêmero? Para o processo de desenvolvimento se transformar em realidade duradoura, faz-se necessária a construção de bases resistentes a determinados impactos, principalmente em um mundo volátil como o nosso. A ruptura cada vez maior entre as ciências humanas e as ciências exatas acarreta em uma quebra de alicerces e provoca uma ferida desastrosa na civilização. Confesso que eu não tinha parado para pensar nisso. “O país prospera à força de consumo, não de investimento ou invenção.” Bela fala. Serve para eu ver o quanto tenho que me manter atenta e observadora sempre. Acabo de alterar a rota de pensamento. Excelente leitura. Vou tratar de divulgar este texto no meu blog. Parabéns pela descoberta.

Cumpro com o prometido e publico aqui o discurso na íntegra. Não hesito em divulgá-lo, pois o despertar instigado por Moreira Salles promove a reflexão séria e certeira. “As respostas são previsíveis. Em parte, a responsabilidade é dos próprios cientistas, que não fazem questão de se comunicar com a comunidade não-científica; em parte é dos governos, que raramente têm uma política eficaz de promoção da ciência nas escolas; e em parte – e essa é a parte que mais me interessa – é nossa, das humanidades, que tomamos as ciências como um objeto estranho, alheio a tudo o que nos diz respeito.”

Não resta dúvida.

Para que transformemos o processo de desenvolvimento em realidade duradoura, conforme citei no comentário ao post, precisamos reverter este quadro imediatamente. Deste movimento depende o futuro da nação.

Um documentarista em defesa da ciência

Pedaço de mim

outubro 2, 2009

* Para Yamara e Cláudio (MEUS pais).

cambará9Um dos filmes mais importantes da minha vida se chama Cinema Paradiso. Lembro-me como se fosse hoje do dia em que o assisti pela primeira vez. Minha mãe me pegou pela mão – a mim e aos meus irmãos –, éramos pequenos, e nos levou para o cinema. Ela sempre teve o hábito de nos apresentar ao mundo e foi sempre uma aventura inenarrável conhecê-lo pelas suas mãos. Considero tal experiência um privilégio! Obrigada minha estrela, por ter colocado tanto brilho em minha vida com o seu sorriso e a sua força. Eu te amo!

O longa-metragem italiano, lançado em 1988, dirigido por Giuseppe Tornatore e com trilha sonora composta por Ennio Morricone, deixou em mim uma marca eterna. O tempo é implacável, a hora é agora. Nossos laços, todavia, são para sempre. Mamãe repete: “Filha amada, a única coisa eterna, na vida, são os vínculos que construímos no decorrer de nossa história.”

Cinema Paradiso fala exatamente sobre a ligação forte que pode existir entre as pessoas, a qual se solidifica conforme cada um rega o seu jardim. Não há o que dure se não for bem cuidado, tratado com amor, alimentado com respeito e instigado pela atenção genuína. O meu pai também me ensinou um bocado sobre a simplicidade, a integridade e a entrega. Eu também te amo!

Como vou viver no mundo? Sou absolutamente movida pela força do amor. Respondo a tal pergunta com orgulho: viverei para ser, para amar e para me abrir a cada passo um pouco mais.  Amar não significa negar a realidade.  Muito pelo contrário, pois o sentimento tem o poder indiscutível de abraçá-la com firmeza. Agradeço aos meus pais pela luz que carrego por dentro. Homenageio os dois com ela – e não poderia ser diferente –, a música tema de Cinema Paradiso.

Deram-me raízes e asas quando nasci. E vivo assim, a renascer…Raízes que sustentam o meu pouso, a minha morada, o carol16meu canto, a minha casa. Sei que sempre estarão lá. Asas que me levam para longe a abrir o coração curioso, largo, solto, faminto de mundo, caminhos, ideias abstratas do desconhecido. Suponho que o concreto se faz de mim aos poucos, absorto, acordado, predisposto. O que encontro é fatia desta liberdade cativante que desembarca em meu olhar e repousa em minha vontade de estar junto de mim acompanhada.

Pra rua me levar

setembro 13, 2009

divã

Choveu o dia inteiro em Florianópolis. Tempo de transformação na Ilha. A primavera começa a ensaiar alguns de seus toques. Eis a sua hora! Ela vem chegando aos poucos, devagar. Mostra-se em pequenos momentos do dia e da noite. Eu gosto! Todas as estações do ano me fazem bem, mas a primavera tem um tanto de especial: momento gracioso, delicado, exuberante, colorido!

Independente de preocupações frente a tudo o que houve de trágico no ano passado em Santa Catarina, ocorreu um fato inesperado. Minha mãe me convidou para assistir Divã, MARAVILHOSO!  O longa metragem dirigido por José Alvarenga Jr e baseado em obra literária de Martha Medeiros é sensacional! EXCELENTE! Acho incrível o que vejo no povo brasileiro: força, carisma, criatividade e bom humor em tudo o que faz. O poder de transformação que temos é singular e apaixonante. O enredo do filme é simples, porém carregado de verdades que apenas com o passo certo nós conseguimos enxergar: na vida absolutamente TUDO é transitório.

Lilia Cabral – uma das grandes atrizes que temos – está perfeita no papel de Mercedes, a protagonista.  Um dos poréns deste todo de qualidade,  (que me pegou desprevenida), foi a canção Pra rua me levar, música de Ana Carolina e Totonho Villeroy. Lembro-me do dia em que uma pessoa querida para mim, mas que passou sem deixar rastro pela minha vida, entregou-me o CD gravado por Ana Carolina e Seu Jorge, o qual trazia no repertório esta canção, Pra rua me levar. Deu-me de presente de aniversário de 30 anos. Um dos propósitos dela foi o de me apresentar a música, já que eu estava em uma fase de transição, de reencontro comigo mesma.

Hoje, ao assistir ao filme – foi inevitável –, eu trouxe a minha memória a Erika. Tenho a certeza de que ela jamais lerá as palavras que deixo aqui. De todo modo, já que me vejo mais uma vez em uma fase de transição – ainda não entrarei em detalhes  –, faço questão de registrar no blog o meu muito obrigada a Erika, por ter me entregado de forma carinhosa uma mensagem representativa, e a minha alegria por ter tomado a decisão mais clara e bonita da minha trajetória. Vou ao encontro do que eu mais quero.

O que vai acontecer? No que isso vai dar? Não sei. Acho que quando escolhemos um caminho abdicamos de outro. A maturidade está no abrir mão das garantias. Não existem certezas, apenas oportunidades. Sinto medo sim. Não sei se conquistarei o meu espaço e o que pretendo por meio da escolha que fiz. Tudo o que tenho e levarei comigo é a minha coragem e persistência. Andale Macaca! Vai com tudo…

para que haja mudança, precisamos dar o primeiro passo.

É isso!

Pra Rua Me Levar

Ana Carolina / Totonho Villeroy

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
Às vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É… mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você…

Out of Africa

setembro 2, 2009

1Marcante, Out of Africa foi um dos grandes filmes da minha vida. Sucesso de bilheteria mundial em 1985, vencedor de 7 Oscars, entre outros prêmios de excelência da indústria cinematográfica, o longa-metragem é baseado na história real de Karen Christence von Blixen-Finecke, uma escritora dinamarquesa (1885-1962) que morou 17 anos no Kenya, África.

Seu livro Den afrikanske Farm (A Fazenda Africana) – publicado em 1937 – trouxe a público o universo de Karen por meio do relato intenso e emocionante da escritora sobre o período que viveu no continente africano. Adaptado por Hollywood, a obra ganhou nova dimensão, causando mais uma vez forte impacto em platéias de inúmeros países.

Com trilha sonora de John Barry, o filme dirigido por Sidney Pollack foi estrelado por Meryl Streep (genial, como sempre), Robert Redford e 2Klaus Maria Brandauer nos papéis principais. O motivo de eu estar aqui, contudo, tem a ver com o que me ocorreu dia desses: nunca cheguei nem perto do livro. Como pode? Passaram-se mais de 20 anos e só agora me bateu tal ideia.

Pois bem, chegou a hora. Vejo-me prontinha para trazê-la de longe. Do que estou falando? Da certeza de que, a partir de hoje, sairei em busca da obra. Quero conhecer intimamente a mulher extraordinária que foi a Karen e saber de sua experiência na África em pleno início do século XX. Lá ela foi feliz. Ler o seu relato – talvez um dos mais belos sobre a África escrito por um ocidental – trará para dentro o significado mais profundo desta realidade.

Deixo na página a minha cena predileta de Out of Africa. Absolutamente fantástica, ela dispensa comentários.

Once

outubro 23, 2008

*Para Clarinha.

Minha irmã, Maria Clara, apresentou-me um filme dias atrás: Once. Carregado de simplicidade, o longa-metragem independente conta a história de um músico de rua e de uma imigrante da República Tcheca que se encontram por mero acaso. De conversa fortuita, nasce uma forte e apaixonante relação. O vínculo se estreita e da união, intensa e criativa, surgem as mais diversas canções. O filme se passa entre uma composição e outra. Pitadas do folk e pinceladas do pop rock revelam a belíssima e cativante trilha sonora.

Produzido e filmado com o homeopático orçamento de US$ 70 mil, Once ganhou o Oscar na categoria de Melhor Canção Original com “Falling Slowly” e venceu o prêmio do público no Festival Sundance de 2008. O fenômeno conquistou proporção tamanha que os atores e músicos Glen Hansard e Marketa Irglova – protagonistas da trama – formaram a banda The Swell Season, cuja turnê percorreu inúmeros países, da América ao Japão.

O diretor John Carney, parceiro musical de Glen Hansard na banda The Frames, comentou em matéria publicada no portal G1 que “o projeto foi feito entre amigos, com pouco dinheiro e muita alma”. A palavra traduz com exatidão o meu parecer sobre o filme: alma. Poucas são as produções multimilionárias de Hollywood que valem a hora e meia (para ser diminuta) ou mesmo o ingresso pago em bilheterias do mundo inteiro.

Once fala sobre temas corriqueiros do cotidiano: amizade, amor, perdas, ganhos, sonho, realidade, chegada, partida, estímulo, desilusão, esperança, inquietude, saudade, entendimento, desencontro, desejo, compreensão, cumplicidade, trabalho, percepção, relacionamento… Não há singela citação que cesse uma frase embalada por sensações. Os sentimentos que trazemos conosco em nosso dia-a-dia podem ser compartilhados – vida é troca –; não encontrarão, contudo, ponto final. Quando é o tempo de todos nós.

Vale a pena assistir ao filme. Deixo o meu recado acompanhado pelos passos de Marketa Irglova pelas ruas de Dublin. Ela caminha sem pressa, completamente absorvida pela música e de pantufas. Que DEMAIS! “If you want me” é a canção que mais gostei da trilha. A cena também. Combinação perfeita!

Ps. O último parágrafo do texto não corresponde ao vídeo abaixo. Precisei substituí-lo porque o anterior não está mais disponível na internet.  Portanto, quem ficar com certa curiosidade ao ler sobre a cena descrita, assista ao filme.

If you want me

(by Glen Hansard & Marketa Irglova)

Are you really here or am I dreaming
I can’t tell dreams from truth
For it’s been so long since I have seen you
I can hardly remember your face anymore

When I get really lonely
And the distance causes our silence
I think of you smiling
With pride in your eyes a lover that sighs

If you want me satisfy me, if you want me satisfy me
If you want me satisfy me, if you want me satisfy me

Are you really sure that you’d believe me
When others say I lie
I wonder if you could ever despise me
When you know I really try
To be a better one to satisfy you
For your everything to me
And I’ll do what you ask me
If you’ll let me be free

If you want me satisfy me, if you want me satisfy me
If you want me satisfy me, if you want me satisfy me
If you want me satisfy me, if you want me satisfy me

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