Olhar não é Enxergar
maio 31, 2011
Quando enxerguei São Paulo pela primeira vez, meu coração batia tão forte que mal cabia em meu peito. Passei a refletir sobre aquele emaranhado de sentimentos, todos disparados por uma única faísca: o contato. Creio que estar em algum lugar, habitar determinada cidade, circular por suas ruas e avenidas, partes e artérias não é a mesma coisa que explorar, desbravar, misturar-se, respirar, deixar-se levar, sentir-se imerso, contagiado por um espaço, seja ele urbano ou rural, familiar ou estrangeiro. Vida é a palavra que cabe como luva nesse quebra-cabeça chamado atualidade. Compartilhamos um mundo vazio de esperança, tenso em sua essência, reprimido por lobbies de mercado, murcho de humanidade. Onde reencontrar o brilho do olhar íntimo que adquirimos quando nos relacionamos com um jardim, uma praça ou alameda qualquer do bairro em que moramos? Como lidar com a metrópole? Li agora um texto que me inspirou a retomar o palavrório que debruço sobre este pedaço de papel sintético. Chama-se O tempo em minha bicicleta. Escrito pelo jornalista Daniel Santini, autor do blog Outras Vias, ele conta com a participação de Takeshi Tomita, um médico cirurgião japonês que Santini conheceu durante sua viagem para o Irã, realizada há meses. Trata-se de um relato belo, simples e instigante. Identifiquei-me com a leitura e decidi publicar no blog minhas primeiras impressões da cidade que não tem mais fim.
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Em São Paulo
Seguem trechos de rabiscos meus para família e amigos. Divido com os meus leitores uma das experiências mais fortes e ricas de minha história. Por quê? Mudei-me para uma cidade que nem sequer o pé havia colocado, habito-a por conta e risco, carrego comigo a minha bicicleta e a força de quem conhece o seu valor. Minha intenção é a de conquistar.
Quer saber mais?
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17 de maio de 2011
ENCONTRO
Cheguei em São Paulo no dia 16 de maio de 2011. Desde então, misturo-me com a cidade. Que sensação indescritível. Não é apenas o espaço urbano a me invadir inteira dia após dia, ou a quantidade de afazeres, a organização das coisas, mas sou eu, só, porém mais acompanhada de mim do que jamais estive na vida, a me abrir para um mundo completamente novo, a escrever uma nova página de meu caminho. Não consigo parar de tremer, tamanha a emoção a me desmontar e montar de novo, a me desarrumar por dentro para em seguida colocar no lugar. Que isso?
Afirmo de prumo: nunca foi tão bom sentir o coração bater.
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24 de maio de 2011
Cada novo passo meu na capital paulista abre milhares de janelas, portas, gavetas e horizontes sem fim. Uma coisa descomunal e praticamente descontrolada, já que a quantidade de informação a ser absorvida parece infinita. Se duvidar, acho que esse é o melhor termo para definir São Paulo: INFINITO. Tenho que me adaptar a essa nova realidade, já que vim de um pedacinho de terra maravilhoso, mas pequenino. Morei cinco anos e meio em uma Ilha com o número de habitantes que dois bairros de São Paulo possuem.
A vontade que tenho é de devorar tudo. Os meus novos amigos se divertem comigo. Dizem para ter “caaaaaaaaalma Carol, você terá tempo de conhecer tudo o que quiser. Devagar e sempre”…devagar e sempre? Paulistanos vivem em uma megalópole maluca e desenfreada e acreditam no vagar dos dias e das descobertas. Eita paradoxo bárbaro esse.
Há contrastes de todos os tipos, belezas e feiúras, uma overdose de gente, concreto, poluição – vira e mexe, chega a doer respirar -, ruas, avenidas, carros, sobes e desces, barulho, comércio, arranha-céus, viadutos. Como um amigo comentou: moramos na cidade dos superlativos.
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Para ilustrar o turbilhão, publico algumas fotos que andei tirando em minhas idas e vindas.
Arquivo Pessoal















































maio 31, 2011 at 12:25 pm
Gostei. Algumas pessoas que não conhecem tem uma errônea de SP e seu povo, mas somos muito receptivos e acolhedores.
Bj Carol
maio 31, 2011 at 1:45 pm
Oi, guri.
Vocês são muito receptivos e atenciosos. Que bom que gostou das primeiras impressões de uma mulher recém-chegada. Obrigada pelas palavras. Beijos
maio 31, 2011 at 2:15 pm
Um belo texto impressionista. Tem pinta de ensaio, com potencial pra se desdobrar. Gostei muitíssimo da leitura, para usar um superlativo condizente com esta cidade frenética.
maio 31, 2011 at 2:32 pm
Naninho,
os seus comentários são deliciosos de se ler. Qualquer hora, desdobro as impressões pintosas com prazer e lá vamos nós a desbravar a infinita e estimulante São Paulo. Amo a sensação de tê-lo por perto meu irmão. Beijos