Para Fernanda e Rodrigo
Cheguei tarde de Brasília em domingo de céu frio, típico do inverno no sul. Em meio ao medo danado que tenho de avião, enxerguei Florianópolis do alto. Fazia tempo que não entrava num trem com asas. Adorei ver de cima a cidade iluminada…LINDA a minha ilha!
Meu espírito, entretanto, ampliava-se em compasso ainda distante. Voltei para casa faceira após dias de pura integração familiar. Estive na capital da república para o casamento de minha prima Fernanda Gonçalves Pinheiro, que agora assina: Fernanda Gonçalves Pinheiro Lara de Souza.
A Fê e o Rodrigo se casaram em cerimônia d-e-s-l-u-m-b-r-a-n-t-e! Estávamos todos lá, a espera da noiva, que entrou ao som de Eu sei que vou te amar, tocada com esmero por piano doce e saxofone robusto. Acompanhava-os uma voz delicada e cativante a pronunciar as palavras de Vinícius enquanto minha prima descia escada branca ao encontro de meu tio, que a aguardava emocianado a bons metros do altar…
muito choro, muita alegria, muito brilho. O momento foi de LUZ! Todos nós estávamos tomados pela atmosfera apaixonada de um amor que ali se apresentou para dizer que sim, seguirá a dois o caminho da construção e do fortalecimento de um elo verdadeiro. Parabéns aos noivos! Sejam MUITO felizes.
Prima amada, ao colocar os pés em chão ilhéu, pensei cá com meus botões e decidi te dar de presente um poema que escrevi em 2003 para a Clarinha quando a vi completamente apaixonada. Wow, o amooooor! Lembro-me que publiquei o rabisco no site de um amigo da faculdade. O Marcelo tinha uma página na internet – Contra Ponto –, a qual se mantinha aberta para textos em geral, sempre vinculados à criação e à espontaneidade.
Fê, é com muito prazer que seis anos depois eu te entrego estas linhas. Acredito que há certas palavras que não possuem espaço no tempo. Quando dissertam sobre o amor, abraçam a eternidade. Amar é estar por aí ao lado do que existe de mais vivo dentro do homem e da mulher. Te amo!
AMOR? AMAR!
O amor é um algo assim que eu não sei; É um tudo, um tanto, uma condição de se estar eternamente vivo; É a parte, a fatia, o conjunto deliberado de homem, mulher, gozo, reentrância, lampejos e tropeços; É a unanimidade, o trepidar de esperança, a compilação de malícia; É o começar recomeçando, a descoberta, o fazer ser, o ser para fazer; É o crescer, o maturar, o consolar de pares em trilhos de antigos passadores. Não há portas para bater, apenas a rua, comprida e larga para seguir;
O amor? Imagino eu, e anoto com a percepção que me cabe ter do pequeno grandioso, que é o tocar em êxtase a safira, o lírio e o albatroz, mesmo que não se saiba. Em súmula, nada disso dá-se como conclusão. Consta-se tão somente o ter-se em vista: o atravessar da retina espalmada pelo embalo da tal linguagem, mesma em todos os seus gestos, sentidos e filosofias; É um estar para mais do que o além, aqui ou em qualquer estância; É um apegar-se, um aconchego, um dedilhar de sândalo em carne, vísceras e fôlego; É a idéia explícita do auge, do brilho, do embevecer-se despido de nós, tranças, cancelas: é a forra!
Porque amar é o entendimento, a noção lacônica do pouco em tormento, do bocado em múltiplo e metafórico conjugar de ambos em diálogo; É um qualquer de pontos, pausas e passos num compasso circular de amparo e cadência; É a mágica, o contorno de matizes em graduação intercambial de plurais; É um deixar-se ir e vir de rasuras e sossego, de fábulas em êxodo e para isto ainda é pouco; É um abrir de olhos que só se tem quando se ama;
Tenho dito que o amor, este, de súbito derrama-se por sobre um aprender diluído em perseverança cotidiana, como quem passa a mão por dentro e vê-se maior, incólume, fértil; É um entregar-se em sintonia ao outro; É a partida, o regresso, um soltar-se inteiro num compartilhar de braços em rompante de minúsculas e maiúsculas; É a universalidade de quem e para quê; É lançar-se em desafio, colocar-se em ritmo, conduzir-se em movimento íntimo de expressão desfazendo-se das vestes vagarosamente ao sabor dos gostos, dos cheiros e da epiderme; É um estar em casa, um reparar-se bem, um contar de dias e de noites em suor lascivo de beijos, abraços, sussurros, calores e misturas onde demais nunca é o suficiente;
Para o amor, a divisão fatorial de tons em revelação deferida das palavras em cuidado; o botar-se a cabo ou rolar-se em parábola, haja cantiga ou dissonância: deixa estar; E o que vier, para lá um tanto adiante, que apareça se assim o desejar; Que seja! O amor… ah, o amor!!! Sobre ele, como eu disse, não sei. Quem souber, que se sente ao lado meu e disserte a seu respeito.
Como é grande o meu amor por você
Erasmo Carlos / Roberto Carlos
Eu tenho tanto
Prá lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você…
E não há nada
Prá comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você…
Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito…
Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você…
Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor por você.*
* A canção fez parte da cerimônia e foi impressa na capa do convite de casamento. No vídeo acima, ela é interpretada por Oswaldo Montenegro.
AMOR? AMAR!
O amor é um algo assim que eu não sei;
É um tudo, um tanto, uma condição de se estar eternamente vivo;
É a parte, a fatia, o conjunto deliberado de homem, mulher, gozo, reentrância, lampejos e tropeços;
É a unanimidade, o trepidar de esperança, a compilação de malícia;
É o começar recomeçando, a descoberta, o fazer ser, o ser para fazer;
É o crescer, o maturar, o consolar de pares em trilhos de antigos passadores. Não há portas para bater, apenas a rua, comprida e larga para seguir;
O amor? Imagino eu, e anoto com a percepção que me cabe ter do pequeno grandioso, que é o tocar em êxtase a safira, o lírio e o albatroz, mesmo que não se saiba. Em súmula, nada disso dá-se como conclusão. Consta-se tão somente o ter-se em vista: o atravessar da retina espalmada pelo embalo da tal linguagem, mesma em todos os seus gestos, sentidos e filosofias;
É um estar para mais do que o além, aqui ou em qualquer estância;
É um apegar-se, um aconchego, um dedilhar de sândalo em carne, vísceras e fôlego;
É a idéia explícita do auge, do brilho, do embevecer-se despido de nós, tranças, cancelas: é a forra!
Porque amar é o entendimento, a noção lacônica do pouco em tormento, do bocado em múltiplo e metafórico conjugar de ambos em diálogo;
É um qualquer de pontos, pausas e passos num compasso circular de amparo e cadência;
É a mágica, o contorno de matizes em graduação intercambial de plurais;
É um deixar-se ir e vir de rasuras e sossego, de fábulas em êxodo e para isto ainda é pouco;
É um abrir de olhos que só se tem quando se ama;
Tenho dito que o amor, este, de súbito derrama-se por sobre um aprender diluído em perseverança cotidiana, como quem passa a mão por dentro e vê-se maior, incólume, fértil;
É um entregar-se em sintonia ao outro;
É a partida, o regresso, um soltar-se inteiro num compartilhar de braços em rompante de minúsculas e maiúsculas;
É a universalidade de quem e para quê;
É lançar-se em desafio, colocar-se em ritmo, conduzir-se em movimento íntimo de expressão desfazendo-se das vestes vagarosamente ao sabor dos gostos, dos cheiros e da epiderme;
É um estar em casa, um reparar-se bem, um contar de dias e de noites em suor lascivo de beijos, abraços, sussurros, calores e misturas onde demais nunca é o suficiente;
Para o amor, a divisão fatorial de tons em revelação deferida das palavras em cuidado; o botar-se a cabo ou rolar-se em parábola, haja cantiga ou dissonância: deixa estar;
E o que vier, para lá um tanto adiante, que apareça se assim o desejar;
Que seja! O amor… ah, o amor!!! Sobre ele, como eu disse, não sei. Quem souber, que se sente ao lado meu e disserte a seu respeito.
Tags: Literatura, Música, MPB, Poesia, Roberto Carlos
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Julho 27, 2009 at 7:53 pm
Lindo!!!
Julho 27, 2009 at 11:10 pm
Muito bonito!
Casamento sempre é um rito de passagem lindo, mas há casamentos e casamentos, certamente. Penso que os mais bonitos são aqueles onde se pode sentir o amor e a fraternidade entre os noivos mesmo sem estar presente! Eis que é o amor verdadeiro, não precisa ser explicado. Ele manifesta-se simplesmente e nos envolve. Quero dizer que sinto esta força entre a Nanda e o Rodrigo mesmo estando distante!
Desejo tudo de especial aos dois! Que possam construir um belo caminho e que sempre renovem seus votos a cada novo dia!
Um super grande beijo,
prima, Bebel!
Julho 28, 2009 at 7:01 pm
Lindo texto. Lindo, lindo!
Saudadonas guria!!!
bjssss
Julho 29, 2009 at 9:12 pm
Querida!
Lindo! Lindo tudo o que você escreveu!
A Homenagem justa aos nossos queridos!
Um beijo!
Saudades!
Sua tia…