Do verbo à Macaca

Quando dei por mim, as palavras corriam soltas por meus dedos. Nada as faria parar – “de jeito manera”. Êxtase para mim, que carrego tanto a toda hora, sempre em dia com a vontade de extravasar meu conteúdo, de transbordar minha psique por meio da dita e universal: p-a-l-a-v-r-a. Vivo de alimentar os meus miolos com o ingrediente básico do texto de qualquer jornalista - a vida, ou mais em específico, o cotidiano. Eeeeeeeeita! Inundar as vistas de realidade é contar com o papel e a caneta como instrumentos de transformação. Não há escapatória. Toda letra escorrega sem querer do corpo para o papel se percebe que nele há espaço para uma boa idéia, seja ela qual for, venha ela donde vier, tenha ela a forma, o gosto, o cheiro, a textura e o peso que tiver. Idéias têm por si, a força abençoada de uma perspectiva original, de um olhar único, de uma composição autêntica.
 
 
Eu, particularmente, acredito no desbravar de mundo desnudo e sem amarras. Evito penduricalhos de qualquer espécie. Para escrever, componho-me apenas do ser e do estar, ponto. A escolha revela conseqüências drásticas, por certo. Esticar o verbo hoje em dia é tarefa árdua. A contemporaneidade explora vícios invisíveis, a maioria categoricamente medíocre. Falta a ela a peça principal para o crescimento, para a maturação, para o desenvolvimento crítico e criativo do indivíduo: a imaginação. A danada escapoliu de um contingente absurdo de pessoas por falta de espaço, falta de tempo, falta de saber, falta de prática, falta de informação, falta de estímulo, falta de hábito, falta de saco, e as faltas seguem curso por meio de uma lista infindável de itens porque no ritmo enfadonho da atualidade tudo falta. Corre-se para cá e para lá. De repente, foi-se o dia. Cruzes. Haja saúde! O corpo e a mente clamam por uma relação harmônica - para isso foram feitos -, mas vivem em trânsito caótico. Eis a questão. 
 
Há quem se adapte a este sistema cartesiano com perfeição. Há gente para tudo. Eu, penso que felizmente, embora saiba que ei de morrer pela boca da pele, sou da tribo de contorcionistas que vive quebrando a cara porque teima em ser para além do ponto, porque ama a vírgula, o ponto e vírgula, a reticência e todos os sinais que simbolizam a continuidade.
 
Sou uma jornalista em início de carreira. Estou no começo do comecinho. Iiiiiiiiiiiiiiiiich! Em alguns momentos, confesso que nem parece. Aos 31 anos já tomei foi muita porrada. Credo! A vida sempre foi e será a GRANDE escola, por mais que se estude e aperfeiçoe a técnica. Fato concreto é saber que na fase inicial, pouco vi. Pela frente, alvoroçam-se os turbilhões. Affff! Às vezes, tenho saudade da menina que eu fui. Como era bom sapequear fagueira e certa de que na hora da fome bastava uma corridela e lá estavam os quitutes de vovó a minha espera. Ui. Crescer apavora. Não é tarefa fácil dar passos, tomar direção, definir, estabelecer, decidir, adquirir senso e responsabilidade.
 
Olho para mim e vejo a mulher, a pessoa, a profissional e a cidadã na qual me transformei. Ôôôô boooom! Gosto do que vejo porque enxergo no conjunto força e dignidade. A gana de fazer, de trilhar, de traçar, de lutar pelo que eu quero e pelo que eu sou corre quente os canais de minha constituição pra lá de humana. Sou de carne, osso e entranhas serelepes. Por mais que os insucessos me dilacerem, eu prefiro a existência visceral à monotonia da indiferença. Sou de todo à flor da pele.
 
Tomei a iniciativa de criar um blog. Todo jornalista precisa de um canal de comunicação consigo e com o mundo. Os meios surgem do inusitado e foi com esse espírito que eu montei o meu aparato cibernético personalizado. O blog tomou fôlego porque uma boa idéia acaba de ser registrada em cartório. Chama-se a macaca. Este blog é a certidão de batismo da macaca, uma personagem que esta jornalista que vos fala inventou após travar conversa afiada com um ex-colega de trabalho, jornalista e devorador contumaz da inquieta palavra. O doido mais divertido que eu conheci.
 
 
Pois bem. O que será da símia recém-nascida? Não sou adepta de previsões. Posso adiantar, contudo, que farei bocados para que a bichana conquiste o seu lugar ao sol. Ela merece. Dá-lhe macaca! A propósito, ela sou eu. Com orgulho, apresento-me-a aqui. Ratifico, “a certidão foi lavrada em cartório do céu”. Pelo menos, é o que imagino ter acontecido. Seja-sou bem-vinda!
 
Usarei meu simpático espaço – desde já anexado à world wide web –  de forma livre e apaixonada, responsável e ética, atenta e bem humorada.  Sou pacífica, otimista, curiosa, levada e dou fé ao trabalho e à ação de todos aqueles – inclusive eu – que acreditam e lutam aberta e incansavelmente por um mundo melhor. Olé!
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9 Comments on “Do verbo à Macaca”

  1. sil Says:

    Parab’ens Carol….vc vai longe, escreve p caramba!!
    Abr Sil

  2. Karla Says:

    Tá com a Macaca, então, Carolina?

    Parabéns pelo blog!

    beijo

  3. Deisi Delfino Says:

    Olá,
    Parabéns! O blog ficou lindo. Seja bem vinda na luta por um mundo melhor. Trabalharemos muito e um dia seremos devidamente retribuidas, colhendo os bons frutos de um mundo verdadeiramente colorido, limpo, igual para todos.

  4. Ana Paula Says:

    Carol, adorei teu estilo. Já tá na minha pastinha de Favoritos pra visitas regulares. Um beijão!

    ps: ainda precisamos marcar aquele café, né? ou um chope…

  5. Floreny Says:

    Oi Calol!
    Parabéns guria! É isso aí, vai em frente. Se precisares de mim (uma poetisa) podes contar comigo.

    Bj da Flor

  6. Cris Says:

    Carol, macaca endiabrada, o blog tá um barato, ficou bonito pra xuxu. Mande brasa nos textos, escreva à beça, incansavelmente. E não se esqueça dos temperinhos na escrita, as diabruras de macaca que dão tanto sabor à escrita e à leitura. Beijo grande do Cris.

  7. Felipe (Medieval) Says:

    Show de bola Carol, meus parabéns!

    E lembre-se: CAVEEEERNA DOS OSSOSSS..

    :D

    bjos

  8. Bebel Says:

    Carouuuu!!! =)

    Parabéns!

    Me encanta la Macaca! Rsss
    Simbora escrever mais aí.

    E… Felipe, não é Caverna! Dããã!!! É Salão!

    “Salão dos Ossos!” ¬¬

    Beijããão Caroúúú

  9. Miguel Says:

    Você escreve muito bem Carol, parabéns, gostei do seu texto.
    Beijão


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