SAD SONGS
Sou uma espetacularmente apaixonada pela música. Macaca de gosto eclético, moleca
multifacetada, mulher “transdisciplinar”, ouvinte tomada pelo tesão – o tal que nos invade nas horas mais inusitadas ao simples clique de aparelhos e parafernália inventada pelo homo, este, de fato, com SAPIENS SAPIENS maiúsculo. Sim, porque a definição varia de acordo com o modus operandi do indivíduo.
Aos recém-chegados, acentuo que o conceito básico do dicionário macacal multiplica sarcasmo por estripulia com rapidez e habilidade. O negócio é sacudir os pilares terrestres e os além mundo – se é que estes existem –, sem medida, sem limite, sem fronteira, sem cabresto, sem frivolidades, sem marcha.
A macaca lança o verbo, lambe as patas e toca adiante. Nada de ou ou ou…se se se…mas mas mas…mas o quê? Vamos e venhamos que certos elementos monosilábicos da língua portuguesa servem mesmo é para atravancar a vida. Não é mesmo?
Bueno, sigamos! O que tento comunicar por meio deste rascunho desregrado tem a ver com a minha paixão descomunal pela música, por umas mais, por outras menos, e aproveitar a deixa para dizer a todos que uma canção em específico rima e combina com o textículo “A macaca e o quadrilátero da esquisitice”, o qual apresentarei a seguir. Outro dia, mais adiante, conto como sucedeu o descarrilhar deste acerto de palavras nada quadrado.
Refiro-me a uma canção que carrega nome fechado e partitura aberta: Sad
Songs. A obra, composta e eternizada por Sr. Elton John, retrata momentos difíceis pelos quais todos passamos – desalmados ou desprovidos de espírito fora –, e que nos incomodam e ao mesmo tempo inspiram. Incomodam porque causam sofrimento; inspiram porque nos entregam de bandeja a reflexão. É!
O melhor da história foi o que o aclamado – pela macaca, com certeza –, cantor e compositor inglês fez com a mistura. Ele a canta em ritmo extasiante, genial. Vai mais ou menos assim: “Sabe quando sente certa necessidade de dividir um tanto de dor com o mundo? São tempos em que precisamos ouvir rádio. Somente os lábios de antigos cantores entendem o que se passa conosco. Então, ligue e ouça músicas tristes.”
A tradução literal: “Escuta, quando estamos na fossa a fórmula para extravasarmos é simples: ligamos o rádio e ouvimos apenas músicas de dor de cotovelo, melosas, deprimentes. Portanto, ligue na estação love songs e se deixe invadir por tais melodias. A macaca solta a franga…na BOA. Fantástico! Ponto para Elton John. Mais um!
Guess there are times when we all need to share a little pain
And ironing out the rough spots
Is the hardest part when memories remain
And it’s times like these when we all need to hear the radio
`Cause from the lips of some old singer
We can share the troubles we already know
Turn them on, turn them on
Turn on those sad songs
When all hope is gone
Why don’t you tune in and turn them on
They reach into your room
Just feel their gentle touch
When all hope is gone
Sad songs say so much…
Carta
agosto 27, 2008
O texto abaixo foi escrito há oito ou nove meses, não estou bem certa.
Batizeio-o com nome composto: o primeiro da macaca. Após aparição da idéia e batalha de dedos, o parido em parágragos – como de costume – passou por algumas poucas alterações.
Optei por não mexer demais, pois a intenção não é a de afastá-lo de uma realidade já perdida no tempo, mas a de trazê-lo redondo para o exato instante.
A macaca passou por muito desde então. Altos e baixos, descobertas e decepções, coisinhas de cotidiano. Dinâmica: uma palavra sagrada para a símia. Cá entre nós, a vida é a melhor caixinha de surpresas que existe. Arriba macaca. Andale. Você está em outra página. Capricha para que ela saia fresquinha do forno.
A macaca e o quadrilátero da esquisitice
agosto 26, 2008
Os lados de um quadrilátero são a composição quase perfeita de todas as
experiências de uma vida. Quase porque o artigo mais consultado de toda a história da lei da selva determina: 1° – Nada é perfeito. “Ainda bem, senão onde eu iria parar?”, pensa a macaca.
Em resumo, “as paredes” de um quadrilátero contêm as cores e a graça dos primeiros anos de um símio. Aprender a andar é um processo árduo e de contundente esquisitice. Causa de arrepios, tremedeiras e embrulhos cerebrais, ele perturba o senso como todo o bom pós-parto: inúmeras contrações, caretas e descompassos abdominais até que a bolota salta e do procedimento ventre afora surge o senhor bebê. Nascer mais de uma vez na vida tem a mesma cadência desembestada. Das grandes vitórias às descomunais derrotas, o acorde é de um ritmo que afina e desafina de acordo com a decisão de estar e pertencer ao chamado cotidiano.
A macaca repete para si a cada amanhecer da verde e quente vastidão da floresta: “Nascemos e crescemos para nascermos e crescermos várias vezes durante todos os anos de nossa existência. Troço estranho, porém absolutamente natural este”. Espirituosa e determinada, a macaca sempre soube o que queria. Poucos foram os momentos que titubeou quando o assunto era o desbravar dos mistérios de toda a selva, extensa, tomada pelo sol e por animais para lá de curiosos.
O que havia se passado, contudo, era algo de terrível. Perdera o rumo e sua alegria de viver. Sem mais nem por que, decidira se esconder num canto escuro da alma arrasada pelas águas que insistiam em jorrar de tão pequeninos olhos. Passou meses a fio de cabecinha baixa. Com seus largos beiços vazios de sorriso, arrastava a pança rosada por sobre as gramas úmidas de um inverno chuvoso e cinzento.
- Mas que droga, resmungava. Tanto foi o que entreguei para aquele traste e o que sobrou é o nada, mais oco do que o galho que me derrubou. Será possível? Quantas cabeçadas terei de dar até que aprenda a caminhar com alguma decência pelos terrenos de meus anos? Já tenho uma certa idade, não é mesmo? Então por que diabos ainda me arrebento de forma tão dramática? Eu hein.
O traste, no caso, foi o bicho macho que a macaca mais havia amado. A descoberta de que se tratava de uma lombriga afeminada e sem caráter, e não do ser mais lindo deste mundo, como a romântica bestalhona acreditava ter encontrado – a decepcionou demais.
– “Credo!”, exclamou, incrementando o vocabulário indignado da autopunição: “Como pude
ser tão ingênua? Como pude colocar sobre meu coração uma tarja deveras preta?” Bom, o consolo, mas não desculpa, era saber que quando nos apaixonamos, na maioria dos casos, e certamente existem exceções, entramos em um processo de emburrecimento tamanho que negamos até as sábias palavras da mãe – a mundialmente conhecida macaca velha.
Mal findou a frase e mais águas derramaram de seus olhos, que a essas alturas, estavam tão esbugalhados que nem os óculos escuros que herdara da sogra megera – afinal, mãe de peixinho, peixona é – dariam jeito de disfarçar sua ultrajada condição. Gritava de dor, esmurrava a terra que escolhera, há dois anos, para construir seu futuro junto à macacada esplêndida que a convocou com afeto e demasiada simpatia para a lida do recomeço.
Como todos os “res” da vida, este não foi diferente e exigira da primogênita trabalho e competência. A grande árvore era tudo o que a macaca sonhara. Jardim colorido e perfumado; varanda com gradil de cipó apuí; tronco de madeira de lei, alto e robusto; galhos de tamanhos variados e bem distribuídos. Um lar; enfim, – sólido e consistente. A macaca foi muito bem acolhida pela família. Havia chegado de uma longa e exaustiva viagem. Estava cansada e fragilizada pela super dosagem de uma aventura difícil. A formação do indivíduo, seja ele da espécie que for, é tarefa complexa. As lições exigem disciplina e comunhão de corpo e mente. Questão a ser trabalhada pela experiência é a impertinência da mocidade. Bichos jovens têm por hábito acreditar em poderes sobrenaturais.
Cerimônia oficializa parceria entre Instituto Carijós e IPHAN
Esquerda/Direita: Marina Cañas Martins, Guilherme Betiollo, Débora Lehmann, Ulisses Munarim e Cristiane Galhardo Biazin
A cerimônia de assinatura do Termo de Cooperação do Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – realizada no dia 22 de agosto de 2008, no salão nobre da superintendência do IPHAN –, selou a relação bem sucedida das instituições.
A solenidade tornou oficial a parceria que há dois anos atua nas escolas públicas do entorno da Estação Ecológica de Carijós, no Norte da Ilha, com a participação de profissionais do IPHAN em atividades dentro e fora de sala de aula. “Agregamos o conhecimento sobre a importância da valorização do patrimônio histórico ao projeto de educação ambiental que empreendemos nas escolas da capital”, afirma Débora Lehmann, presidente do IC.
Por meio do projeto Olho Mágico – um dos carros-chefe do Instituto Carijós – as crianças passam a conhecer de forma íntima o seu bairro, a sua realidade e o seu ambiente. A inclusão de temas referentes ao patrimônio histórico e artístico nestas atividades as estimula a descobrir na prática o significado de patrimônio e por que é necessário preservá-lo.
O IPHAN e o Instituto Carijós integram o grupo gestor da Praia do Forte, responsável pelas discussões e buscas de resoluções para os problemas da região. A oficialização da parceria “contribui para a evolução do trabalho e para o aprimoramento do processo educacional do Instituto”, comenta Débora.
Segundo Cristiane Galhardo Biazin, arquiteta e urbanista do IPHAN, a união do conhecimento ambiental e do patrimonial nas atividades educacionais é de grande importância. “As pessoas só passarão a valorizar o patrimônio que elas e o município possuem no momento em que conhecerem o assunto. A educação é a melhor ferramenta para a tomada desta consciência”, afirma.
Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza (48) 3282-9337 www.institutocarijos.org.brOs Ciclos da Vida
agosto 26, 2008
O Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza em parceria com a Estação Ecológica de Carijós convida para:
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “Os Ciclos da Vida”
* 01 a 05 de setembro Hall da Reitoria da UFSC * 06 a 19 de setembro Biblioteca Central da UFSC
A exposição fotográfica itinerante “Os Ciclos da Vida” estará aberta ao público a partir do dia 01 de setembro de 2008, no hall da Reitoria da UFSC. A mostra revela os encantos da fauna e flora da Estação Ecológica de Carijós sob o olhar do fotógrafo Anselmo Malagoli. O acervo conta com imagens belíssimas do mais impressionante ecossistema do planeta. O rastro do jacaré-do-papo-amarelo se soma ao emaranhado de raízes dos mangues em um cenário deslumbrante.
O Instituto Carijós – uma ong que trabalha em prol da conservação da natureza por meio da gestão participativa da ESEC – atua no desenvolvimento de projetos sócio-ambientais há quase uma década em Florianópolis. O trabalho é realizado em parceria com Unidades de Conservação Federal, tais como a Estação Ecológica de Carijós, hoje administrada pelo ICMBio, e as APAs de Anhatomirim e da Baleia Franca.
Localizada nas Bacias Hidrográficas do Rio Ratones e do Saco Grande, a noroeste da capital, a ESEC abriga inúmeras espécies vegetais e animais de manguezal e restinga, entre elas o capim praturá, o caranguejo, a lontra, o marisco, a ostra e mais de 110 espécies de aves.
As ações do Instituto contemplam o monitoramento, a pesquisa científica, a educação ambiental e a mobilização de toda a comunidade do entorno da ESEC. O programa tem como base o Plano de Manejo da Estação, cujo objetivo é gerir a Estação Ecológica e seus recursos naturais de forma sustentável e amenizar a ocupação do solo, que acontece de forma acelerada na região.
A exposição fotográfica “Os Ciclos da Vida” é mais uma oportunidade de fortalecimento do trabalho que há nove anos envolve comunidade, equipe, colaboradores e parceiros.
Do Verbo à Macaca
agosto 11, 2008
(ou a certidão de batismo de uma criatura matreira e perspicaz)
Quando dei por mim, as palavras corriam soltas por meus dedos. Nada as faria parar – “de jeito manera”. Êxtase para mim, que carrego tanto a toda hora, sempre em dia com a vontade de extravasar meu conteúdo, de transbordar minha psique por meio da dita e universal: p-a-l-a-v-r-a. Vivo de alimentar os meus miolos com o ingrediente básico do texto de qualquer jornalista – a vida, ou mais em específico, o cotidiano. Inundar as vistas de realidade é contar com o papel e a caneta como instrumentos de transformação. Não há escapatória. Toda letra escorrega sem querer do corpo para o papel se percebe que nele há espaço para uma boa ideia, seja ela qual for, venha donde vier, tenha a forma, o gosto, o cheiro, a textura e o peso que tiver. Ideias têm, por si, a força abençoada de uma perspectiva original, de um olhar único, de uma composição autêntica.

Eu, particularmente, acredito no desbravar de mundo desnudo e sem amarras. Evito penduricalhos de qualquer espécie. Para escrever, componho-me apenas do ser e do estar. A escolha revela consequências drásticas, por certo. Esticar o verbo hoje em dia é tarefa árdua. A contemporaneidade explora vícios invisíveis, a maioria categoricamente medíocre. Falta a ela a peça principal para o crescimento, para a maturação, para o desenvolvimento crítico e criativo do indivíduo: a imaginação. A danada escapoliu de um contingente absurdo de pessoas por falta de espaço, falta de tempo, de saber, de prática, de informação, de estímulo, de hábito, de saco, e as faltas seguem curso por meio de uma lista infindável de itens. No ritmo enfadonho da atualidade: tudo falta. Corre-se para cá e para lá. De repente, foi-se o dia. Haja saúde!
O corpo e a mente clamam por uma relação harmônica – para isso foram feitos -, mas vivem em trânsito caótico. Há quem se adapte a este sistema cartesiano com perfeição. Há gente para tudo. Eu, penso que felizmente, embora saiba que ei de morrer pela boca da pele, sou da tribo de contorcionistas que vive quebrando a cara porque teima em ser para além do ponto, porque ama a vírgula, o ponto e vírgula, a reticência e todos os sinais que simbolizam a continuidade.
Sou uma jornalista em início de carreira. Em alguns momentos, confesso que nem parece. Fato concreto é saber que a vida sempre foi e será a grande escola, por mais que se estude e aperfeiçoe a técnica. Pela frente, alvoroçam-se os turbilhões. Às vezes, tenho saudade da menina que eu fui. Como era bom sapequear fagueira e certa de que na hora da fome bastava uma corridela e lá estavam os quitutes de vovó a minha espera. Ui. Crescer apavora. Não é tarefa fácil dar passos, tomar direção, definir, estabelecer, decidir, adquirir senso e responsabilidade.
Olho para mim e vejo a mulher, a pessoa, a profissional e a cidadã na qual me transformei. Enxergo no conjunto força e dignidade. A gana de fazer, de trilhar, de traçar, de lutar pelo que eu quero e pelo que eu sou corre quente os canais de minha constituição pra lá de humana. Sou de carne, osso e entranhas serelepes. Por mais que os insucessos me dilacerem, eu prefiro a existência visceral à monotonia da indiferença.
Tomei a iniciativa de criar um blog. Todo jornalista precisa de um canal de comunicação consigo e com o mundo. Os meios surgem do inusitado e foi com esse espírito que eu montei o meu aparato cibernético personalizado. O blog tomou fôlego porque uma boa ideia acaba de ser registrada em cartório. Chama-se a macaca. Este blog é a certidão de batismo da macaca, uma personagem que a jornalista que vos fala inventou após travar conversa afiada com um ex-colega de trabalho, jornalista e devorador contumaz da inquieta palavra. O doido mais divertido que eu conheci.
Pois bem. O que será da símia recém-nascida? Não sou adepta de previsões. Posso adiantar, contudo, que farei bocados para que a bichana conquiste o seu lugar ao sol. Ela merece. Dá-lhe macaca! A propósito, ela sou eu. Com orgulho, apresento-me-a aqui. Ratifico, “a certidão foi lavrada em cartório do céu”. Pelo menos, é o que imagino ter acontecido. Seja-sou bem-vinda!
Usarei meu simpático espaço – desde já anexado à world wide web – de forma livre e apaixonada, responsável e ética, atenta e bem humorada. Sou pacífica, otimista, curiosa, levada e dou fé ao trabalho e à ação de todos aqueles que acreditam e lutam aberta e incansavelmente por um mundo melhor. Olé!

















